musa

A Musa da Primavera: Entre o sim e o não existe um vão

*por siliamoan

 

A primavera chega nesse vão, com um respiro cheiroso de flores.É no vão que existe o momento de discussões, do ir ou ficar, do fazer ou  construir de uma nova forma.

Maneiras atreladas a falta de recurso, a percepção de petalas que podem florir, mas que acabaram de passar pelo frio de estalar os galhos e pedem um formato mais orgânico de existência.
Dizem que é o último ano.
Alguns querem vender, outros acreditar.

Uma passagem melhor? Seja espiritual, seja um avião para Quito ou para Santarém. Ficar perto dos amores. Seria a primavera um laboratório sazonal de experimentação com cores, elementos gráficos e cheiros?
A musa xxxxx, regente desse fim e do começo, surge inspirando os traços de tratados e acordos para um fim/começo mais honesto. Um oi, um carinho e uma verdade. Acompanhados de uma flor podem ser mais cuidadosos, e lá fora tem um tanto que a musa xxxxx rege para que possamos soprar todas ao redor.

Wañuy Kawsay: é outono

 

Tati Wells disse que para os maias estamos no período de dias (ou rotacoes estelares) ocos ou vazios.

É outono. Nasce a nova musa, inspirada nas caveiras incas, representa o amarelar e perpassar de estações de extremos. A feição que não está mais viva, nem morta. É o meio, a passagem. Wañuy Kawsay, batizada por Orlando:

Ainda que colocadas assim, grosseiramente, morte e vida lado a lado, como se fossem diferentes, como se os significados que estão imbricados em nós pudessem ser os mesmos de um momento dos Quíchuas, sejam uma distorção, tradução / traição, nossa musa tem dois nomes, que podem até ser um só. Dois apenas por nossa limitação para o olhar do que não nos parece o mesmo. Dois por nossa deformação cultural, dicotomia moderna, ou dois porque simplesmente 2.

Traços de uma Musa de Verão

Esses são as bases-inspirações-rascunhos de Sília Moan para a musa de verão que chegará no MutGamb daqui a pouco:

 

 

A florada de Zophie

 

*para ler ouvindo esse som, por Sília Moan


Com o gosto na boca da estação passada e o frio nos dedos, aguardamos os raios de sol primaveris. Eis que por entre folhas eles vão surgir, flores vão cair e vamos sentir que estamos encenando e não vivendo. Qual é a diferença entre ser, de fato, e viver? Ou melhor, um é realmente inerente ao outro? Por ser uma estação que é logo junto do inverno, posterior e colada a ele, a privamera traz esse tipo de reflexão, mas agora em outro tom: com cores.

 

Nasce Zophie, filha de Zephyr com Sofia. Ela é ritmo de vento, vontade de afinar o instrumento que passou o inverno guardado e sair tocando em flores. Zophie deixa o cabelo voar, deixa raízes tomarem conta de seu pescoço e galhos invadirem sua cabeça.
É a mescla de Wiqua  e de Pozimi, ambas inspiradas em cartazes da década de 20 do art nouveau. Tem um rosto duro, como a musa do inverno, mas seu contexto é de flores, vento e sensações primaveris.