Ivan Henriques: Transnatural e Jurema Action Plant

Ivan Henriques é artista multimídia e trabalha em projetos transdisciplinares: "biologia e engenharia são disciplinas muito inspiradoras pra mim", comenta. Ivan esteve na CIGAC em junho, participando da mostra de experimentos, e agora está no Festival Transnatural que acontece em Amsterdã, do dia 7 de setembro a 7 de outubro.

 

 

Qual é a proposta do Transnatural?

Ivan: Transnatural é uma plataforma sobre arte, pesquisa e design do futuro, onde trabalhos artísticos e de design são fontes de inspiração para um futuro onde a ideia principal é o equilíbrio entre natureza e tecnologia. Neste ano a exposição teve como título 'State of Autonomy'. A questão central da terceira edição do festival: como podemos aplicar o nosso conhecimento tecnológico sem infringir a natureza? Até onde podemos empurrar os limites e como podemos agir dentro deles? O programa centra-se em seres autônomos, sistemas, processos, materiais e muito mais que são capazes de - sejam eles orgânicos, homem ou híbrido - agir de forma independente. Será que eles vão ser capazes de apoiar o nosso desejo de comunicar no mundo inteiro? Sob o tema 'State of Autonomy' (Estado de Autonomia) será explorado, entre outras coisas, sistemas generativos, materiais inovadores, open-source de biotecnologia, novas formas de coletar a energia e do uso de fontes e materiais existentes de uma forma inteligente.

Comente um pouco sobre seu trabalho no festival...

Ivan: Apresentei o trabalho Jurema Action Plant. É um hibrido entre uma planta (a Mimosa pudica) e uma máquina. Quando se toca na planta a máquina se movimenta. É um pequeno passo pensando entre bio-energia e interface, equilíbrio entre homem x máquina x organismos vivos. Faz parte de uma pesquisa desenvolvida junto ao biologo Bert van Dujn especializado entre biodinâmica e eletrofisiologia. Através da troca de elétrons com a planta, as folhas se fecham habilitando a máquina a se movimentar na sequencia. A máquina utilizada é uma cadeira de rodas elétrica usada, que foi hackeada e adaptada para a planta. 

 

Quais os trabalhos mais interessantes que viu por lá?

Ivan: Tem alguns trabalhos que achei interessantes como a Cadeira Gravidade (Gravity Stool) do Designer Jólan van der Wie, Bio-concreto do scientista Pr. Dr. Henk Jonkers da TU Delft, Protei - do time Protei, Solar Sinter do Markus Kayser, entre outros..

Como você enxerga a aplicação e execução de projetos similares no Brasil?

Ivan: Acho que no Brasil é um país muito interessante e muito criativo e tem muito potencial realizar projetos similares e melhores para se pensar sobre design do futuro, em especial como um equilíbrio entre natureza e tecnologia...Temos a maior biodiversidade do mundo! Mas é necessário ter muito mais investimento em ciência, inovação e educação para que tais avanços tenham um impacto na sociedade.