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 <title>Mutirão da Gambiarra - paraty</title>
 <link>http://mutgamb.org/taxonomy/term/881/0</link>
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 <language>pt-br</language>
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 <title>Os relatos de Marcelo Braz sobre Ymaguaré, em Paraty</title>
 <link>http://mutgamb.org/blog/Os-relatos-de-Marcelo-Braz-sobre-Ymaguare-em-Paraty</link>
 <description>&lt;p&gt;Entre os dias 02 a 04 de novembro, Marcelo Braz participou do evento da Cultura Ind&amp;iacute;gena em Paraty-RJ. Ele fez uma s&amp;eacute;rie de registros fotogr&amp;aacute;ficos e &lt;a href=&quot;http://www.guiacuca.com.br/evento/ymaguare-mitos-e-lendas-indigenas-2012&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;compartilhou os relatos:&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;rtecenter&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; src=&quot;http://mutgamb.org/sites/mutgamb.org/files/IMG_0856.JPG&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
	&lt;p&gt;A transcri&amp;ccedil;&amp;atilde;o de falas &amp;eacute; algo dif&amp;iacute;cil, ent&amp;atilde;o vou citar partes soltas(pensar por aforismos, fragmentos) da conversa que rolou, bem mais ampla:&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
	&lt;ul&gt;
		&lt;li&gt;
			N&amp;atilde;o foi uma palestra, foi adotado o pensamento espont&amp;acirc;neo, inspirado e intuitivo. Engana-se quem acha que n&amp;atilde;o h&amp;aacute; complexidade no pensamento ind&amp;iacute;gena. Ali&amp;aacute;s, isso faz parte do pr&amp;eacute; conceito ing&amp;ecirc;nuo, e por que nao dizer interesseiro sobre os povos indigenas ancestrais e atuais. O pensamento indigena por estar profundamente enraizado no mundo natural apropria-se de toda a complexidade natural que esse mesmo mundo natural manifesta. Eu arriscaria dizer mesmo que, por exemplo, a pajelan&amp;ccedil;a seria a manifesta&amp;ccedil;&amp;atilde;o por corpos humanos desse mundo natural complexo.&lt;/li&gt;
		&lt;li&gt;
			Tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; uma t&amp;eacute;cnica de como passar conhecimento, crencas, costumes,em suma, modos de viver de uma gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o a outra. Diferentes povos desenvolvem diferentes t&amp;eacute;cnicas. N&amp;atilde;o &amp;eacute; pela internet. Os Patax&amp;oacute; na Bahia, no sul da Bahia, perderam grande parte da tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o pelo contato com outras culturas. Depois com a retomada dos antigos territ&amp;oacute;rios tambem foram retomando antigas tradicoes. Principalmente a lingua que &amp;eacute; fundamenta, pois a lingua define modos de pensar e compreender o mundo. Eles retomaram hoje em torno de 3000 vocabulos e o processo continua. Amigos e Parentes desenvolvem um projeto chamado o Quintal da Paj&amp;eacute;, onde est&amp;atilde;o sendo revividas as plantas de cura com o envolvimento dos mais jovens.&lt;/li&gt;
		&lt;li&gt;
			Se configura um conjunto de t&amp;eacute;cnicas e um conjunto de t&amp;eacute;cnicas chamamos tecnologia. Estamos t&amp;atilde;o acostumados ao predominio das tecnologias de maquinas que acabamos esquecendo das outras tecnologias. Hoje eu come&amp;ccedil;o a ver que se n&amp;atilde;o retormarmos esse conceito mais amplo de tecnologias e de tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o estaremos fadados ao fracasso, a aumentar os processos de devasta&amp;ccedil;&amp;atilde;o em detrimento dos processos de cria&amp;ccedil;ao, prote&amp;ccedil;&amp;atilde;o e est&amp;iacute;mulo daquilo que vive.&lt;/li&gt;
		&lt;li&gt;
			Por exemplo, se estivermos no centro de uma grande capital do Brasil e tra&amp;ccedil;armos um circulo de raio 1 km, poderemos ter mais coisas mortas do que vivas. Hoje o padrao de construcao &amp;eacute; baseado no cimento, quer algo mais morto do que isso. Lembrando que t&amp;uacute;mulos tamb&amp;eacute;m s&amp;atilde;o feitos em cimento. E para piorar, o concreto tem a capacidade de durar muitos anos sem sofrer deteriora&amp;ccedil;ao. &amp;Eacute; o que Davi Kopenawa Yanomami chama de &amp;quot;O Povo das Caixas&amp;quot;. Que bela troca!, trocar o vivo pelo nao vivo. Voces. Guarani e moradores da Seera do Mar ainda s&amp;atilde;o privilegiados, pois o Vivo prevalece. Este predom&amp;iacute;nio de coisas mortas sobre vivas diz respeito aos atuais modos e meios de se produzir, com base no capitalismo que estimula mais a acumulacao do que a distribuicao de riqueza, bens e conquistas.&lt;/li&gt;
		&lt;li&gt;
			Um outro modo de producao ao qual estou diretamente ligado, e que aparece como uma alternativa bastante vi&amp;aacute;vel, &amp;eacute; a Economia Solidaria. Esta economia est&amp;aacute; mais proxima, digamos... da economia natural, da economia que nasce de baixo para cima. Ou da economia do cotidiano, daquela que uma senhorinha faz p&amp;atilde;os caseiros e sai vendendo na rua. Ou daquele costume de fazer um bolo e levar alguns pedacos para a vizinha. E depois ela faz o mesmo em agradecimento criando a&amp;iacute;, por ex, um sistema de trocas simples virtuoso. A economia solidaria nao visa o lucro de uma unica pessoa, de um patrao, Ao contrario, ela busca o trabalho associativo ao mesmo tempo que gera e distribui o resultado do ganho de producao entre os varios produtores/prosumidores. Ela tambem usa os recursos naturais de modo que n&amp;atilde;o os extingua pois respeita os ciclos da natureza, assim como os indigenas sempre fizeram desde os tempos imemoriais. &amp;Eacute; tambem uma opcao pelo comercio justo e solidario, onde os pre&amp;ccedil;os refletem melhor a economai real, e nao uma economia virtual enlouquecida como vimos hoje acontecer, que tem sido origem das diversas crises por quais passa o capitalismo e que o levar&amp;aacute; a derrocada.&lt;/li&gt;
		&lt;li&gt;
			Curioso como na cultura n&amp;atilde;o &amp;iacute;ndigena haja um dia espec&amp;iacute;fico dos mortos, por que para os ind&amp;iacute;genas isso &amp;eacute; todo o tempo. H&amp;aacute; muito tempo vemos nossos parentes morrerem, nossa cultura n&amp;atilde;o poder ser exercida em sua plenitude e a morte da M&amp;atilde;e Terra como um dos objetivos do progresso desmedido, do desenvolvimentismo economico sem medir consequ&amp;ecirc;ncias. Perdendo a diversidade das culturas e dos modos de pensar, ver e estar no mundo, todos perdem. Vamos ficando todos parecidos, com pouca variabilidade, na real tudo vai ficando pasterurizado e sem gra&amp;ccedil;a.&lt;/li&gt;
		&lt;li&gt;
			Ent&amp;atilde;o concluo - para n&amp;atilde;o terminar - dizendo que de tudo aquilo que deve viver, est&amp;aacute; a multiplicidade do pensamento, da express&amp;atilde;o, da beleza de sermos muitos sendo diferentes. Dessa forma poderemos sobreviver a n&amp;oacute;s mesmos. Curioso como na cultura n&amp;atilde;o &amp;iacute;ndigena haja um dia dos mortos, por que para os ind&amp;iacute;genas isso &amp;eacute; todo o tempo. H&amp;aacute; muito tempo vemos nossos parentes morrerem, nossa cultura n&amp;atilde;o poder ser exercida em sua plenitude e a morte da M&amp;atilde;e Terra como um dos objetivos do progresso desmedido, do desenvolvimentismo economico sem medir consequ&amp;ecirc;ncias. Perdendo a diversidade das culturas e dos modos de pensar, ver e estar no mundo, todos perdem. Vamos ficando todos parecidos, com pouca variabilidade, na real tudo vai ficando pasterurizado e sem gra&amp;ccedil;a. Ent&amp;atilde;o concluo - para n&amp;atilde;o terminar - dizendo que de tudo aquilo que deve viver, est&amp;aacute; a multiplicidade do pensamento, da express&amp;atilde;o, da beleza de sermos muitos sendo diferentes. Dessa forma, quem sabe?... poderemos sobreviver a n&amp;oacute;s mesmos.&lt;/li&gt;
	&lt;/ul&gt;
&lt;/blockquote&gt;</description>
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 <pubDate>Tue, 27 Nov 2012 11:09:26 +0000</pubDate>
 <dc:creator>mairabegalli</dc:creator>
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