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 <title>Mutirão da Gambiarra - fernanda aragão</title>
 <link>http://mutgamb.org/taxonomy/term/750/0</link>
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 <language>pt-br</language>
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 <title>Um Ode aos discos de mídias magnéticas removíveis, com Fernanda de Aragão</title>
 <link>http://mutgamb.org/blog/Um-Ode-aos-discos-de-midias-magneticas-removiveis-com-Fernanda-de-Aragao</link>
 <description>&lt;p&gt;No dia 22 de julho, Marcos Egito trouxe para lista um projeto bem interessante:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
	&lt;p&gt;Compartilharam la na lista do Konesans e eu to ecoando aqui, achei muita massa! Achel o Projeto legal. :)&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ele falava sobre o projeto &lt;a href=&quot;http://diz-quetes.blogspot.com.br/&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Diz-quetes&lt;/a&gt;. Ao acessar a p&amp;aacute;gina do blog foi poss&amp;iacute;vel perceber pontos de identifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre diz-quetes e com as &amp;quot;maluquices&amp;quot; metarecicleiras. Fernanda de Arag&amp;atilde;o, autora da proposta, &amp;eacute; arte-experimentadora desenvolve pesquisas em psican&amp;aacute;lise e esporte, e tamb&amp;eacute;m est&amp;aacute; tentando transpor para os formatos acad&amp;ecirc;micos &lt;a href=&quot;http://www.cincodeoutubro.com.br/2012/06/projeto-diz-quetes-espacos-narrados.html&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;linguagens e possibilidades mais flu&amp;iacute;das&lt;/a&gt;. Um dos exemplos &amp;eacute; a sua participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o no semin&amp;aacute;rio internacional &lt;a href=&quot;http://www.fau.usp.br/espacosnarrados/&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;&amp;quot;Espa&amp;ccedil;os Narrados: a constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos m&amp;uacute;ltiplos territ&amp;oacute;rios da l&amp;iacute;ngua portuguesa&amp;quot;&lt;/a&gt;, que ser&amp;aacute; realizado na Faculdade de Urbanismo da Universidade de S&amp;atilde;o Paulo (FAU/USP).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ah, quer saber o que &amp;eacute; o projeto diz-quetes? Leia a entrevista e acesse o &lt;a href=&quot;http://diz-quetes.blogspot.com.br/&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;blogue&lt;/a&gt;:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Como surgiu sua ideia de escrever o projeto em um evento acad&amp;ecirc;mico? &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Fernanda:&lt;/strong&gt; Foi um misto de oportunidade com necessidade. Venho da &amp;aacute;rea acad&amp;ecirc;mica, antes de me aventurar em ser escritora e arte-experimentadora. Sinto-me um pouco num meio de caminho, entre a universidade e suas exig&amp;ecirc;ncias e a arte e suas desconstru&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Por vezes dividida, j&amp;aacute; que minha forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; em Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o F&amp;iacute;sica (gradua&amp;ccedil;&amp;atilde;o, mestrado e doutorado). Nos &amp;uacute;ltimos meses tenho pensado em fazer um p&amp;oacute;s-doutoramento que estreite essas &amp;aacute;reas: Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o F&amp;iacute;sica, Literatura e Arte-Experimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o para que eu me encontre mais completa como pesquisadora, para que eu encontre minha ess&amp;ecirc;ncia nessa jun&amp;ccedil;&amp;atilde;o espec&amp;iacute;fica que me condiciona. Ent&amp;atilde;o, quando um amigo arquiteto, tamb&amp;eacute;m professor doutor, me apresentou esse evento que acontecer&amp;aacute; na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, Espa&amp;ccedil;os Narrados, cujo debate &amp;eacute; a constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos m&amp;uacute;ltiplos territ&amp;oacute;rios da l&amp;iacute;ngua portuguesa, eu achei que seria boa ideia ampliar o Projeto Diz-Quetes e fundament&amp;aacute;-lo como interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o urbana, de forma a justific&amp;aacute;-lo tamb&amp;eacute;m academicamente. N&amp;atilde;o sabia se daria certo j&amp;aacute; que minha linha de pesquisa acad&amp;ecirc;mica gira em torno da psican&amp;aacute;lise, do esporte e da divulga&amp;ccedil;&amp;atilde;o cient&amp;iacute;fica, coisas muito distantes da arquitetura. A surpresa do aceite do trabalho me trouxe outras ideias e corroborou esta vontade de unir o acad&amp;ecirc;mico com a arte-experimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Voc&amp;ecirc; j&amp;aacute; conhecia a rede MetaReciclagem? &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Fernanda:&lt;/strong&gt; J&amp;aacute; tinha visto a rede em passagem, mas confesso que s&amp;oacute; agora me apropriei de seu conte&amp;uacute;do. Cinco anos atr&amp;aacute;s eu estava vivendo com afinco a doc&amp;ecirc;ncia em Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o F&amp;iacute;sica e Esportes, elaborando projetos na &amp;aacute;rea, at&amp;eacute; que resolvi me dedicar &amp;agrave; escrita criativa e me descolar um pouco do mundo dito produtivo. Eu s&amp;oacute; sabia que precisava me encontrar de outro jeito, diferente daquele em que eu estava. At&amp;eacute; que conheci um casal, o Oswaldinho e a Marisa Viana, que tinha um bar em S&amp;atilde;o Paulo, o Caf&amp;eacute; Fub&amp;aacute;. Dessa amizade eu fui conhecendo pessoas interessantes, muitos artistas, e fui me dando conta de que eu poderia fazer parte disso. Conto essa hist&amp;oacute;ria por um motivo simples, quando a gente vai se envolvendo em determinadas &amp;aacute;reas, vai se aproximando de outras propostas. Foi perto dessa gente, desse &amp;ldquo;coletivo&amp;rdquo;, que eu decidi ser escritora, como profiss&amp;atilde;o, n&amp;atilde;o em utopia. Depois, com os olhos mais espertos para enxergar outras manifesta&amp;ccedil;&amp;otilde;es, fui me constituindo para a arte-experimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Atrav&amp;eacute;s de uma ponte em comum, acabei chegando &amp;agrave; minha primeira festa liter&amp;aacute;ria, o Festival da Mantiqueira &amp;ndash; Di&amp;aacute;logos com a Literatura, em S&amp;atilde;o Francisco Xavier. No ano seguinte, de volta ao evento, por motivos que, aqui, n&amp;atilde;o conv&amp;eacute;m, resolvi me manifestar politicamente. Descobri os fanzines, revistas parat&amp;oacute;picas, independentes e alternativas, que servem ao desenvolvimento e publica&amp;ccedil;&amp;atilde;o autoral dos ide&amp;aacute;rios, sejam an&amp;aacute;rquicos, cr&amp;iacute;ticos, po&amp;eacute;ticos, desenhados e/ou escritos. Na ocasi&amp;atilde;o, eu e a Let&amp;iacute;cia Mendon&amp;ccedil;a, criamos o &amp;ldquo;Vestindo Outubros&amp;rdquo; para expormos nossas ideias sobre como enxergamos a literatura, em suas fun&amp;ccedil;&amp;otilde;es e necessidades. Os fanzines s&amp;atilde;o interessantes porque movimentam grupos, trabalham com coletivos. Uma grande demonstra&amp;ccedil;&amp;atilde;o da for&amp;ccedil;a deles pode ser exemplificada com a chamada Gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o Mime&amp;oacute;grafo, movimento que, durante a d&amp;eacute;cada de 70, em fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o da censura, levou intelectuais, professores, poetas e artistas a buscarem meios alternativos de difus&amp;atilde;o cultural. Eu quis contar toda essa hist&amp;oacute;ria, at&amp;eacute; chegar ao fanzinato, porque &amp;eacute; interessante ver a evolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o do uso dos mime&amp;oacute;grafos, passando pelas reprodu&amp;ccedil;&amp;otilde;es em fotocopiadoras, at&amp;eacute; a recente apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o que se faz da internet e das novas tecnologias. A partir de qualquer suporte observo que os fanzines, feitos atrav&amp;eacute;s de coletivos ou individuais, movimentam pensamentos e cr&amp;iacute;ticas sobre a sociedade, tamb&amp;eacute;m como fazem muitos blogues e sites, pela facilidade de express&amp;atilde;o que se distancia da censura e alcan&amp;ccedil;am um car&amp;aacute;ter libert&amp;aacute;rio. E &amp;eacute; essa filosofia que eu acho interessante nos diversos coletivos, n&amp;atilde;o s&amp;oacute; os que est&amp;atilde;o relacionados ao fanzinato. Sobre este sugiro os contatos de &lt;a href=&quot;http://conscienciasesociedades.blogspot.com.br/&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Gazy Andraus&lt;/a&gt;, que faz um trabalho muito interessante; os document&amp;aacute;rios Fanzineiros do S&amp;eacute;culo Passado I e II, do &lt;a href=&quot;http://marciosno.blogspot.com&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;M&amp;aacute;rcio Sno&lt;/a&gt;; o pessoal do Ugra Press, com o Douglas Utescher, que publica um anu&amp;aacute;rio com os &lt;a href=&quot;http://ugrapress.wordpress.com/ii-anuario/&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;fanzines e revistas independentes&lt;/a&gt;; e a &lt;a href=&quot;http://www.fanzinada.com.br&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Fanzinada&lt;/a&gt;, um movimento de cultura independente do qual participo junto com Thina Curtis. Foi percebendo esta e outras possibilidades de express&amp;otilde;es que surgiu a ideia do Projeto Diz-Quetes: Todos na Literatura. E, como uma coisa vai puxando outra, fui conhecendo outros espectros, desta vez mais pr&amp;oacute;ximo &amp;agrave; discuss&amp;atilde;o do lixo eletr&amp;ocirc;nico e, consequentemente, sobre a apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o cr&amp;iacute;tica de tecnologias. Observo aqui que, em 2011, o projeto Diz-Quetes participou da Semana de Tecnologia da Universidade Ibirapuera promovendo um debate interessante sobre o descarte do lixo eletr&amp;ocirc;nico e essa rapidez com que as tecnologias v&amp;atilde;o sendo substitu&amp;iacute;das.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A academia &amp;eacute; conhecida por ser um meio rigoroso e &amp;agrave;s vezes n&amp;atilde;o t&amp;atilde;o receptivo &amp;agrave; propostas experimentais. Como voc&amp;ecirc; enxerga permeabilidade para seu projeto, e em quais &amp;aacute;reas? &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Fernanda:&lt;/strong&gt; Eu enxergo a arte-experimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o em qualquer fenda que o sistema acad&amp;ecirc;mico deixar dispon&amp;iacute;vel para que eu encontre. A universidade &amp;eacute; cartesiana. O pr&amp;oacute;prio Curr&amp;iacute;culo Lattes exige que professores universit&amp;aacute;rios e pesquisadores contabilizem suas produ&amp;ccedil;&amp;otilde;es acad&amp;ecirc;micas, e que estas sejam, de prefer&amp;ecirc;ncia, indexadas em revistas com alto &amp;iacute;ndice de impacto. Assim, como julgar a arte? Como desenvolver um conceito de arte-experimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o num ambiente t&amp;atilde;o acostumado a an&amp;aacute;lises metodol&amp;oacute;gicas estat&amp;iacute;sticas? Meu primeiro impulso de resposta a essas perguntas recai sobre a argumenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o e, tamb&amp;eacute;m, em aceitar determinadas regras do jogo. Por exemplo: existe uma determina&amp;ccedil;&amp;atilde;o para como se deve escrever um artigo cient&amp;iacute;fico. Utilizar dessa forma imposta para dizer daquilo que &amp;eacute; filos&amp;oacute;fico-experimental passa a ser uma sa&amp;iacute;da. &amp;Eacute; que n&amp;atilde;o d&amp;aacute; pra jogar futebol se atletas decidirem de uma hora pra outra fazerem gol com as m&amp;atilde;os. N&amp;atilde;o seria mais futebol, mas outro esporte. O f&amp;iacute;sico Amit Goswami, autor do livro Criatividade Qu&amp;acirc;ntica, perpassa essas quest&amp;otilde;es. Diz que o artista acaba promovendo regras e modus operandi que tamb&amp;eacute;m s&amp;atilde;o organizados tal qual uma produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o cient&amp;iacute;fica. Eu imagino, ent&amp;atilde;o, que para cada modalidade (e para cada artista), as regras do jogo se imp&amp;otilde;em conforme o processamento e o desenvolvimento de sua arte, assim como o Projeto Diz-Quetes, que parte de um ponto e caminha para uma crescente de ideias e agrega&amp;ccedil;&amp;otilde;es, amplificando-se e modificando-se numa espiral, lugar onde o conte&amp;uacute;do n&amp;atilde;o se finda em si mesmo. Acredito que seja desta forma que a arte adquire essa vantagem de poder se infiltrar em todas as &amp;aacute;reas de estudo e pesquisa. A cirurgia pl&amp;aacute;stica &amp;eacute; um exemplo. Traz a est&amp;eacute;tica ao t&amp;oacute;pico da medicina. Depois, uma vez dentro da universidade, com o tempo ela, a arte, pode se tornar menos cartesiana aos pesquisadores com propostas mais experimentais (excluindo dessa palavra o pr&amp;oacute;prio m&amp;eacute;todo cient&amp;iacute;fico, a pesquisa experimental, e incluindo a&amp;iacute;, ent&amp;atilde;o, o experimento livre das estat&amp;iacute;sticas, nas normas, dos preceitos, a experimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o po&amp;eacute;tico-filos&amp;oacute;fica). Dentro do sistema &amp;eacute; mais f&amp;aacute;cil encontrar brechas para uma apresenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o em arte-experimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o, para a elabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um material cujo conte&amp;uacute;do escrito pode ser diferente daquele comandado pelas normas cient&amp;iacute;ficas e, ent&amp;atilde;o, v&amp;atilde;o se alterando os antigos paradigmas. O interessante, portanto, n&amp;atilde;o &amp;eacute; equivaler arte &amp;agrave; ci&amp;ecirc;ncia cartesiana, mas dar &amp;agrave;s duas uma oportunidade de co-exist&amp;ecirc;ncia, cada qual trilhando seu caminho, mas propondo intersec&amp;ccedil;&amp;otilde;es, e, ambas, demonstrando suas import&amp;acirc;ncias. E este eu acho o principal desafio da universidade quando se pensa essa quest&amp;atilde;o da arte-experimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O disquete como suporte, acaba sendo um pouco emblem&amp;aacute;tico, uma c&amp;aacute;psula do tempo: ele guarda palavras na maioria das vezes n&amp;atilde;o acess&amp;iacute;veis (por causa da falta de uma m&amp;aacute;quina compat&amp;iacute;vel que o leia). Voc&amp;ecirc; enxerga isso como uma analogia &amp;agrave; linguagem e &amp;agrave;s pessoas, que &amp;agrave;s vezes, nessa sociedade ca&amp;oacute;tica n&amp;atilde;o conseguem ser lidas pelas outras? &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Fernanda: &lt;/strong&gt;Isso &amp;eacute; realmente curioso. Quando - eu e a Let&amp;iacute;cia Mendon&amp;ccedil;a, minha s&amp;oacute;cia no ateli&amp;ecirc; de literatura e criatividade, o &lt;a href=&quot;http://www.letracorrida.com.br&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Letra Corrida &lt;/a&gt;- come&amp;ccedil;amos a angariar disquetes para o projeto, percebemos que algumas pessoas ficaram receosas com o conte&amp;uacute;do dos mesmos, embora tiv&amp;eacute;ssemos garantido que n&amp;atilde;o ter&amp;iacute;amos como descobrir os segredos dos discos uma vez que n&amp;atilde;o t&amp;iacute;nhamos mais leitores adequados em nossos computadores. Al&amp;eacute;m disso, algumas surpresas sugiram, como o fato de encontrarmos pessoas que ainda se utilizam dos disquetes e dos computadores mais antigos para trabalhos digitais, embora estas mesmas pessoas co-existam com m&amp;aacute;quinas mais modernas. Depois, quando surgiu o pensamento de se montar um espa&amp;ccedil;o f&amp;iacute;sico para o ateli&amp;ecirc;, percebi a necessidade de um mime&amp;oacute;grafo e de uma m&amp;aacute;quina de escrever. Um pouco impulsionada pela rea&amp;ccedil;&amp;atilde;o das pessoas &amp;agrave;s exposi&amp;ccedil;&amp;otilde;es que s&amp;atilde;o feitas com os Diz-Quetes. &amp;Eacute; que em um determinando momento, uma crian&amp;ccedil;a, cerca de 10 anos, perguntou o que eram aqueles peda&amp;ccedil;os de pl&amp;aacute;sticos quase quadrados. Imediatamente pensei no resgate de uma mem&amp;oacute;ria digital, j&amp;aacute; que esta &amp;eacute; muito curta. Da&amp;iacute; a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de oficinas de fanzines com o uso de mime&amp;oacute;grafos. Tamb&amp;eacute;m desenvolvemos no ateli&amp;ecirc; uma oficina de literatura e criatividade, utilizando-nos dos disquetes. Nesses debates sim, frequentemente colocamos em pauta as m&amp;iacute;dias e as linguagens. Na &amp;uacute;ltima oficina, ministrada por mim e pelo Gazy Andraus (acima j&amp;aacute; citado), re-criamos o projeto dos Diz-Quetes para a HQ e o chamamos de Diz-qu&amp;eacute;tirinhas (com o acento para facilitar a leitura e quebrar paradigmas). Esse momento reflete em muito a quest&amp;atilde;o aqui colocada sobre a n&amp;atilde;o-leitura uns dos outros devido &amp;agrave; uma sociedade em que a demanda capitalista, moderna ou p&amp;oacute;s-moderna, retira dos sujeitos barrados (um conceito da psican&amp;aacute;lise) possibilidades de leitura e de exist&amp;ecirc;ncias, principalmente quando essas se encontram presas &amp;agrave; mais valia, uma aus&amp;ecirc;ncia de la&amp;ccedil;o social. Refletindo, o disquete quadradinho (como aquela crian&amp;ccedil;a mencionou) &amp;eacute; um instrumento regular e racional (cartesiano) assim como o conte&amp;uacute;do que ele cont&amp;eacute;m, codificado, mesmo que n&amp;atilde;o saibamos de exato o que dele pode ser extra&amp;iacute;do. E ainda que encontremos dentro dele um texto liter&amp;aacute;rio, um arquivo com conte&amp;uacute;do criativo, o universo dos disquetes se mant&amp;eacute;m pelo c&amp;oacute;digo bin&amp;aacute;rio. J&amp;aacute; o trabalho feito nas suas superf&amp;iacute;cies, utilizando-os como suporte para a literatura e outras manifesta&amp;ccedil;&amp;otilde;es, modifica este lugar de leitura, lugar onde as pessoas podem expor suas prosas, poesias, pensamentos, desenhos, imagens, releituras. Um espa&amp;ccedil;o vis&amp;iacute;vel a ser manufaturado por cada um e onde cada um, ent&amp;atilde;o, pode ser facilmente lido pelo outro, um lugar de diferen&amp;ccedil;a e de experi&amp;ecirc;ncias. E isso desperta um contrabalan&amp;ccedil;o e, consequentemente, cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o e cr&amp;iacute;tica. O fato &amp;eacute; que, rapidamente, uma tecnologia substitui outra. O disquete ficou obsoleto e uma das propostas do Projeto Diz-Quetes, Todos na Literatura foi a de resgat&amp;aacute;-lo a partir de sua &amp;ldquo;imperman&amp;ecirc;ncia&amp;rdquo;, ou seja, resgat&amp;aacute;-lo a partir da reflex&amp;atilde;o do pouco de tempo de perman&amp;ecirc;ncia das coisas, a chamada obsolesc&amp;ecirc;ncia. &amp;ldquo;Imprime-se&amp;rdquo; novos conte&amp;uacute;dos, textos, poesias, HQs, desenhos em objetos que guardariam esses mesmos conte&amp;uacute;dos de forma digital, signos que, presos em uma linguagem j&amp;aacute; n&amp;atilde;o acess&amp;iacute;vel, n&amp;atilde;o podem mais ser lidos ou apreciados a n&amp;atilde;o ser que saiam e atinjam o externo. E a&amp;iacute; est&amp;aacute; o debate entre uma ess&amp;ecirc;ncia permanente e a obsolesc&amp;ecirc;ncia impermanente. Resgata-se a conjun&amp;ccedil;&amp;atilde;o da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o com a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o, e os disquetes re-tornam ao seu objetivo inicial, de serem instrumentos leg&amp;iacute;veis, dispon&amp;iacute;veis para a &amp;ldquo;fala&amp;rdquo;. Hoje, o que me preocupa, &amp;eacute; que, com a internet e as novas tecnologias, criamos outras formas de nos fazer sermos lidos, mas na dupla-m&amp;atilde;o, perdemos tamb&amp;eacute;m. Explico. Na ocasi&amp;atilde;o da oficina na qual desenvolvemos a proposta do Diz-qu&amp;eacute;tirinhas, pudemos observar o quanto as pessoas deixaram de ler ou de se expressarem atrav&amp;eacute;s dos desenhos, e, consequentemente, da palavra. Historicamente, desde os prim&amp;oacute;rdios da humanidade, as pinturas rupestres constitu&amp;iacute;ram a base dos sistemas de escrita mais complexos. Ao faz&amp;ecirc;- las, como forma de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o e registro social, os homens pr&amp;eacute;-hist&amp;oacute;ricos mantinham-se muito pr&amp;oacute;ximos &amp;agrave;s artes uma vez que o detalhismo tomava-lhes um tempo de garantia ao entendimento e compreens&amp;atilde;o daquilo que estava sendo gravado nas paredes das cavernas; e o envolvimento deles com esses registros, com as cer&amp;acirc;micas e pinturas, evidentemente, requeria um apre&amp;ccedil;o est&amp;eacute;tico. J&amp;aacute; se formos pensar nos hier&amp;oacute;glifos eg&amp;iacute;pcios, eles foram se perdendo com a invas&amp;atilde;o de outros povos, fato que alterou a l&amp;iacute;ngua e escrita local, incorporando a elas novos elementos. Hoje os hier&amp;oacute;glifos s&amp;atilde;o sin&amp;ocirc;nimos de uma escrita de dif&amp;iacute;cil compreens&amp;atilde;o. Ent&amp;atilde;o, repito: na medida em que ganhamos, perdemos. Creio que seja inevit&amp;aacute;vel essa perda e tamb&amp;eacute;m o ganho causado pela perda. &amp;Eacute; consenso entre os estudiosos que uma linguagem mais f&amp;aacute;cil, mais limpa, atinge muito mais pessoas do que uma linguagem mais rebuscada, com palavras incomuns, distantes do cotidiano. Os disquetes, e sua perda de fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o, reflete bem isso, e ilustram a analogia proposta para essa resposta. H&amp;aacute; uma ambival&amp;ecirc;ncia com a chegada da internet e das novas tecnologias que se modificam a cada instante, e cada vez mais r&amp;aacute;pido. E mais, que tamb&amp;eacute;m modificam a cada instante, e tamb&amp;eacute;m cada vez mais r&amp;aacute;pido, nossas formas de nos impormos ao mundo e de sermos lidos por ele.&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Fri, 27 Jul 2012 22:12:57 +0000</pubDate>
 <dc:creator>mairabegalli</dc:creator>
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