<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?>
<rss version="2.0" xml:base="http://mutgamb.org"  xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/">
<channel>
 <title>Mutirão da Gambiarra - inclusão digital</title>
 <link>http://mutgamb.org/taxonomy/term/70/0</link>
 <description></description>
 <language>pt-br</language>
<item>
 <title>O contexto da MetaReciclagem</title>
 <link>http://mutgamb.org/livro/O-contexto-da-MetaReciclagem</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://comunix.org/content/o-contexto-da-metareciclagem&quot; title=&quot;http://comunix.org/content/o-contexto-da-metareciclagem&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://comunix.org/content/o-contexto-da-metareciclagem&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;h1 class=&quot;title&quot;&gt;O contexto da MetaReciclagem&lt;/h1&gt; &lt;p&gt;&lt;span class=&quot;submitted&quot;&gt;Enviado por hernani dimantas | 05/10/2006 |&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Brasil est&amp;aacute; em torno de 200 milh&amp;otilde;es de pessoas. Somente 21% acessam a internet. O gargalo da exclus&amp;atilde;o &amp;eacute; enorme, tanto a exclus&amp;atilde;o social como a digital. S&amp;eacute;rgio Amadeu conclui que&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&amp;ldquo;Muitos dirigentes p&amp;uacute;blicos e empresariais ainda acham que o uso do computador s&amp;oacute; &amp;eacute; importante para a profissionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Essa vis&amp;atilde;o constitui a cultura do uso limitado da tecnologia e deixa de lado a dimens&amp;atilde;o da cidadania. Sem d&amp;uacute;vida &amp;eacute; urgente e priorit&amp;aacute;rio implantar laborat&amp;oacute;rios de inform&amp;aacute;tica em todas as escolas e conect&amp;aacute;-las &amp;agrave; rede informacional. Mas &amp;eacute; insuficiente incluir no mundo digital apenas a crian&amp;ccedil;a e o adolescente escolarizados. E os adultos e os demais adolescentes, que est&amp;atilde;o fora da escola? Onde exercer&amp;atilde;o seu direito de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o? O acesso &amp;agrave; comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o? O acesso &amp;agrave; comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o em rede &amp;eacute; a nova face da liberdade de express&amp;atilde;o na era da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&amp;rdquo; [SILVEIRA, S.; 2004; 43-44].&lt;/p&gt; &lt;p&gt;N&amp;atilde;o parece t&amp;atilde;o simples encarar esses problemas pelos m&amp;eacute;todos tradicionais.&lt;br /&gt; O MetaReciclagem tem uma proposta de pol&amp;iacute;tica p&amp;uacute;blica para enfrentar o desafio da inclus&amp;atilde;o digital. Em primeiro lugar, o MetaReciclagem contraria a l&amp;oacute;gica da ind&amp;uacute;stria da obsolesc&amp;ecirc;ncia, pois encontramos uma quantidade enorme de computadores usados e sucateados dispon&amp;iacute;veis no Brasil e, com a utiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de tecnologia compartilhada e livre, &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel aumentar a vida &amp;uacute;til desses computadores. Em segundo, a reciclagem e a utiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de tecnologia livre, mais especificamente low-tech, possibilitam a diminui&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos espa&amp;ccedil;os entre as comunidades ricas e pobres. A frase &amp;ldquo;periferia &amp;eacute; o centro&amp;rdquo; exemplifica esse fluxo. A periferia conhece muito mais sobre rede, mutir&amp;otilde;es, participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e mobiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Creio que os esfor&amp;ccedil;os de inclus&amp;atilde;o devem ter como premissa que o conhecimento est&amp;aacute; na periferia, e que a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o local dever&amp;aacute; passar pela inser&amp;ccedil;&amp;atilde;o da tecnologia nos movimentos da comunidade.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E para combater a mis&amp;eacute;ria, a exclus&amp;atilde;o e o n&amp;atilde;o exerc&amp;iacute;cio da cidadania temos que pensar em solu&amp;ccedil;&amp;otilde;es criativas de integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o das periferias com a tecnologia. Dar acesso &amp;agrave; rede &amp;eacute; importante, mas o mais consistente &amp;eacute; criar condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es para a circula&amp;ccedil;&amp;atilde;o da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Pensamos que a inclus&amp;atilde;o digital s&amp;oacute; ser&amp;aacute; potencializada quando entendermos que as necessidades das pessoas n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o as mesmas necessidades daqueles que concebem os projetos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Em primeiro lugar, vamos contextualizar as fases deste processo de inclus&amp;atilde;o digital. Podemos dividir em duas fases:&lt;/p&gt; &lt;p&gt;fase 1. - acesso ao computador&lt;/p&gt; &lt;p&gt;fase 2. - acesso &amp;agrave; informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Estas situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es s&amp;atilde;o bastante diferentes. A primeira fase pode ser resumida por uma pergunta: para que precisamos do computador? Empregabilidade pareceu ser uma resposta que atendia a todos atores envolvidos. Ensinar computa&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao povo necessariamente contribuiria para que os novatos rompessem com as fronteiras do trabalho. Essa id&amp;eacute;ia n&amp;atilde;o se mostrou verdadeira. Com certeza n&amp;atilde;o foi a melhor pedida.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Mas com o acesso &amp;agrave; internet (e, por conseq&amp;uuml;&amp;ecirc;ncia, o acesso &amp;agrave; informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o) come&amp;ccedil;amos a perceber que as pessoas est&amp;atilde;o conversando com outras pessoas atrav&amp;eacute;s da rede. Essa conversa&amp;ccedil;&amp;atilde;o traz na bagagem um novo incentivo cultural, catapulta as intelig&amp;ecirc;ncias para novas inst&amp;acirc;ncias. Assim, em vez de se orientar &amp;agrave; empregabilidade, poder&amp;iacute;amos disponibilizar ferramentas para a reverbera&amp;ccedil;&amp;atilde;o das vozes desses protagonistas. A retomada da voz &amp;eacute; um atalho para a cidadania.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A experi&amp;ecirc;ncia dos Telecentros da Prefeitura Municipal de S&amp;atilde;o Paulo &amp;eacute; muito interessante. Foi relevante pelo pioneirismo na utiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do software livre como plataforma de acesso &amp;agrave; rede. O software livre significa, al&amp;eacute;m da economia na aquisi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de softwares e conseq&amp;uuml;entemente a otimiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos recursos, a imers&amp;atilde;o num modo de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o colaborativo. O software livre &amp;eacute; a porta de entrada para um novo mundo. Um exemplo de como a sociedade se arranja num ambiente onde o conhecimento &amp;eacute; livre.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Partindo da id&amp;eacute;ia do conhecimento livre, pensamos, ent&amp;atilde;o, na terceira fase dos projetos de inclus&amp;atilde;o digital: a circula&amp;ccedil;&amp;atilde;o da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dentro da comunidade conectada.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Preto Bomba, m&amp;uacute;sico de hip-hop, diz:&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&amp;ldquo;Acho que levar a educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; comunidade &amp;eacute; cativar o consumidor de m&amp;uacute;sica, teatro, filme, novela. A vontade de se comunicar, de participar. Cansei de ver uma certa cena atuar e bater palma pra si mesma, ignorando o povo e seus desejos, ignorando a maioria e suas necessidades.&amp;rdquo;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;N&amp;atilde;o podemos ignorar o conhecimento da multid&amp;atilde;o. Preto Bomba representa um movimento cultural. Nascido na periferia, al&amp;ccedil;ou v&amp;ocirc;o em todas as dire&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Existem muitos &amp;ldquo;Pretos Bombas&amp;rdquo; esperando a sua vez para explodir a criatividade. O conhecimento &amp;eacute; parte integrante do ser humano. Um tra&amp;ccedil;o cultural arraigado no sujeito e na sua comunidade. &amp;Eacute; necess&amp;aacute;rio, no entanto, que esse conhecimento seja tropicalizado. A jun&amp;ccedil;&amp;atilde;o deste conhecimento com as informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de fora da comunidade ativa o movimento cultural. Esta circula&amp;ccedil;&amp;atilde;o tende a ser potencializada pela conversa&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre as pessoas inter e intra comunidades. Criando, assim, possibilidades infinitas de colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Mas para isso acontecer demanda um engajamento das pessoas aos projetos. Esse engajamento n&amp;atilde;o pode ser imposto. &amp;Eacute; um movimento que s&amp;oacute; acontece quando a comunidade sente necessidade no seu desenvolvimento. Um movimento de baixo para cima, de dentro para fora das comunidades. Este processo espelha sobremaneira os anseios e necessidades das comunidades.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E quando esta equa&amp;ccedil;&amp;atilde;o se torna balanceada, as comunidades t&amp;ecirc;m a oportunidade de catalisar o pr&amp;oacute;prio conhecimento que existe na comunidade.&lt;/p&gt;</description>
 <comments>http://mutgamb.org/livro/O-contexto-da-MetaReciclagem#comments</comments>
 <category domain="http://mutgamb.org/assunto/Tags/brasil">brasil</category>
 <category domain="http://mutgamb.org/assunto/Tags/contexto">contexto</category>
 <category domain="http://mutgamb.org/assunto/Tags/governo">governo</category>
 <category domain="http://mutgamb.org/assunto/Tags/inclus%C3%A3o-digital">inclusão digital</category>
 <category domain="http://mutgamb.org/assunto/Tags/pol%C3%ADtica-p%C3%BAblica">política pública</category>
 <category domain="http://mutgamb.org/assunto/Tags/terceira-fase">terceira fase</category>
 <wfw:commentRss>http://mutgamb.org/crss/node/231</wfw:commentRss>
 <pubDate>Thu, 26 Jun 2008 18:24:11 +0000</pubDate>
 <dc:creator>felipefonseca</dc:creator>
 <guid isPermaLink="false">231 at http://mutgamb.org</guid>
</item>
<item>
 <title>Visão estreita</title>
 <link>http://mutgamb.org/livro/Vis%C3%A3o-estreita</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://blogs.metareciclagem.org/fff/?p=1110&quot; title=&quot;http://blogs.metareciclagem.org/fff/?p=1110&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://blogs.metareciclagem.org/fff/?p=1110&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; Abril 2005&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; E aqui, ali, em sampa, no interior, em bras&amp;iacute;lia, nas bigcos, na imprensa&amp;hellip; continua se tratando a tal &amp;ldquo;inclus&amp;atilde;o digital&amp;rdquo; como mero acesso a espa&amp;ccedil;os informatizados. Isso &amp;eacute; uma besteira. Avaliar o potencial digital de uma determinada comunidade pelo n&amp;uacute;mero de computadores residenciais &amp;eacute; uma falha imensa. Os &lt;a href=&quot;http://www.waag.org/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;gringos&lt;/a&gt; chamaram a aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o pro trabalho do &lt;a href=&quot;http://bernardosorj.com.br/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Bernardo Sorj&lt;/a&gt;. Dei uma lida por cima em alguns pdfs que tem por l&amp;aacute;. Tem alguns pontos que eu concordo.&lt;br /&gt; O que &amp;eacute; necess&amp;aacute;rio &amp;eacute; avaliar qualitativamente o uso que se faz dos computadores em rede. O &lt;a href=&quot;http://emergic.org/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;rajesh&lt;/a&gt; afirma que um computador deve ser visto como um dispositivo em rede. O Ariel Foina comentou h&amp;aacute; uns dias sobre ver um computador como eletrodom&amp;eacute;stico. N&amp;atilde;o sei.&lt;br /&gt; O modelo de telecentro tem embutida uma id&amp;eacute;ia profunda, que &amp;eacute; a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de espa&amp;ccedil;os p&amp;uacute;blicos de articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o em rede, de enraizamento nas comunidades como espa&amp;ccedil;o coletivo. Infelizmente, poucos telecentros t&amp;ecirc;m pessoal qualificado para incentivar um passo al&amp;eacute;m do &amp;ldquo;acesso&amp;rdquo; no uso da tecnologia.&lt;br /&gt; O principal &amp;eacute; conseguir ver a internet como mais um meio de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o descentralizada, outro n&amp;iacute;vel daquilo que come&amp;ccedil;a com a fofoca, milhares de anos atr&amp;aacute;s. N&amp;atilde;o tem nada de muito novo nisso. O que muda &amp;eacute; a escala da virtualiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o (j&amp;aacute; que &amp;ldquo;virtuais&amp;rdquo; j&amp;aacute; s&amp;atilde;o a l&amp;iacute;ngua, a moeda, as met&amp;aacute;foras, as receitas de bolo, e por a&amp;iacute;). Posso falar diretamente, quase de maneira &amp;iacute;ntima, com uma pessoa de bras&amp;iacute;lia ou da jamaica em uma fra&amp;ccedil;&amp;atilde;o de segundo.&lt;br /&gt; O maravilhoso esquizofr&amp;ecirc;nico - no bom sentido, claro - Hakim Bey &amp;eacute; contradit&amp;oacute;rio quanto &amp;agrave;s ferramentas de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o (como, ali&amp;aacute;s, &amp;eacute; inevit&amp;aacute;vel). Critica a mediatiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do contato entre pessoas, mas por outro lado elogia a capacidade de mobiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o em rede poss&amp;iacute;vel atrav&amp;eacute;s da (e n&amp;atilde;o &amp;ldquo;na&amp;rdquo;) internet. Tamb&amp;eacute;m voupelos dois lados, com a ressalva de que a maneira pela qual eu uso a internet n&amp;atilde;o pretende ser um contato em si, um conv&amp;iacute;vio falso, mas a procura refinada de pessoas com as quais seja interessante manter um contato.&lt;/p&gt;</description>
 <comments>http://mutgamb.org/livro/Vis%C3%A3o-estreita#comments</comments>
 <category domain="http://mutgamb.org/assunto/Tags/hakim-bey">hakim bey</category>
 <category domain="http://mutgamb.org/assunto/Tags/inclus%C3%A3o-digital">inclusão digital</category>
 <category domain="http://mutgamb.org/assunto/Tags/sociedade-civil">sociedade civil</category>
 <wfw:commentRss>http://mutgamb.org/crss/node/221</wfw:commentRss>
 <pubDate>Thu, 26 Jun 2008 18:10:37 +0000</pubDate>
 <dc:creator>felipefonseca</dc:creator>
 <guid isPermaLink="false">221 at http://mutgamb.org</guid>
</item>
<item>
 <title>O fantasma da inclusão digital</title>
 <link>http://mutgamb.org/livro/O-fantasma-da-inclus%C3%A3o-digital</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://mutirao.metareciclagem.org/node/79&quot; title=&quot;http://mutirao.metareciclagem.org/node/79&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://mutirao.metareciclagem.org/node/79&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;h2&gt;O fantasma da inclus&amp;atilde;o digital&lt;/h2&gt; &lt;p&gt;Metareciclagem come&amp;ccedil;ou como quebradeira. Interesse totalmente abstrato em uma s&amp;eacute;rie de quest&amp;otilde;es relacionadas com tecnologia. Frustra&amp;ccedil;&amp;atilde;o total, minha de de alguns outros, em tentar emplacar, no mundo corporativo, na academia, em a&amp;ccedil;&amp;otilde;es independentes, id&amp;eacute;ias novas sobre comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o em redes. De repente, o projeto met&amp;aacute;fora come&amp;ccedil;ou a catalisar algumas das id&amp;eacute;ias de algumas dessas pessoas. E percebemos a necessidade de uma infraf&amp;iacute;sica pra fazer as coisas acontecerem. Com a parceria com o Agente Cidad&amp;atilde;o, que nos deu uma estrutura e um prop&amp;oacute;sito, mais a influ&amp;ecirc;ncia do Hernani, que j&amp;aacute; flertava com uns projetos de inclus&amp;atilde;o digital do Sebrae e do Sampa.org, e do Estraviz, colaborador bissexto do met&amp;aacute;fora e grande defensor do discurso da inclus&amp;atilde;o, foi quase um consenso de que o que a gente se propunha a fazer se aproximava bastante daquilo tudo e do tal hacktivismo. E, de fato, muito do que aconteceu na sequ&amp;ecirc;ncia foi porque assumimos intimamente o conceito da inclus&amp;atilde;o digital como base.&lt;br /&gt; T&amp;atilde;o intimamente que come&amp;ccedil;amos a desconstru&amp;iacute;-lo. A id&amp;eacute;ia de inclus&amp;atilde;o digital surgiu h&amp;aacute; alguns anos, dentro da A&amp;ccedil;&amp;atilde;o pela Cidadania, colada em outro conceito, o da inclus&amp;atilde;o social. A onda &amp;eacute; complexa, mas minha vis&amp;atilde;o &amp;eacute; a seguinte: a id&amp;eacute;ia de inclus&amp;atilde;o social parte do pressuposto de que existe um ciclo formal de &amp;ldquo;cidadania&amp;rdquo; ou como quer que se chame isso, que prop&amp;otilde;e que todos devem ter acesso a educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, trabalho assalariado, sa&amp;uacute;de, conv&amp;iacute;vio social, igualdades de tratamento e oportunidades, e liberdades de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o e express&amp;atilde;o de f&amp;eacute;. Em resumo, uma regra que determina que as pessoas que comp&amp;otilde;em uma comunidade, cidade e na&amp;ccedil;&amp;atilde;o devem ter acesso a um m&amp;iacute;nimo que seja aceit&amp;aacute;vel para o desenvolvimento pessoal e coletivo, sem prejudicar o outro.&lt;br /&gt; Mas espera um minuto: transposto para o contexto da comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o online, s&amp;iacute;ncrona e ass&amp;iacute;ncrona, simultaneamente pessoal e coletiva, virtualizada por ess&amp;ecirc;ncia, a id&amp;eacute;ia de um ciclo m&amp;iacute;nimo a que todos devam ter acesso perde um pouco da for&amp;ccedil;a. Sim, eu concordo totalmente que o direito de uma pessoa acessar um dispositivo conectado em rede para intera&amp;ccedil;&amp;atilde;o com outras pessoas deve ser universal. Mas visto sobre os olhos frios do direito m&amp;iacute;nimo, se poderia afirmar que usar um caixa de banco ou uma urna eletr&amp;ocirc;nica j&amp;aacute; cumprem, de certa forma, esses objetivos.&lt;br /&gt; A proposta da Metareciclagem &amp;eacute; algo muito mais profundo. Se trata da apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de tecnologia e da reapropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de tecnologia tida como obsoleta, proporcionando e fomentando o uso cr&amp;iacute;tico das ferramentas de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o objetivo de transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o social. O corte &amp;eacute; outro, n&amp;atilde;o o do exclu&amp;iacute;do e do inclu&amp;iacute;do, mas do uso meramente ferramental contra o uso consciente, engajado e criativo. Exatamente por isso, o nosso caminho nunca foi a montagem em s&amp;eacute;rie de telecentros, mas a constante reinven&amp;ccedil;&amp;atilde;o, pesquisa e desenvolvimento de novos caminhos. Exatamente por isso, nunca nos concentramos na equa&amp;ccedil;&amp;atilde;o montagem de estrutura + capacita&amp;ccedil;&amp;atilde;o, e sim em mudar nossos pr&amp;oacute;prios h&amp;aacute;bitos de uso da rede. A internet, como &amp;eacute; hoje, n&amp;atilde;o me satisfaz. Fazer a internet do amanh&amp;atilde; &amp;eacute; que me mant&amp;eacute;m ganhando pouco dinheiro mas certo de que alguma coisa est&amp;aacute; acontecendo.&lt;br /&gt; No dia em que estabilizarmos, serei o primeiro a pular fora.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;small&gt; This entry was posted on S&amp;aacute;bado, Novembro 20th, 2004 at 3:18 &lt;/small&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;</description>
 <comments>http://mutgamb.org/livro/O-fantasma-da-inclus%C3%A3o-digital#comments</comments>
 <category domain="http://mutgamb.org/assunto/Tags/apropria%C3%A7%C3%A3o">apropriação</category>
 <category domain="http://mutgamb.org/assunto/Tags/inclus%C3%A3o-digital">inclusão digital</category>
 <wfw:commentRss>http://mutgamb.org/crss/node/216</wfw:commentRss>
 <pubDate>Thu, 26 Jun 2008 18:01:02 +0000</pubDate>
 <dc:creator>felipefonseca</dc:creator>
 <guid isPermaLink="false">216 at http://mutgamb.org</guid>
</item>
<item>
 <title>Entrevista à Ocas</title>
 <link>http://mutgamb.org/fonte/Entrevista-%C3%A0-Ocas</link>
 <description>&lt;p&gt;Vamo lá, então…&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;gt; -O projeto Metáfora tem vários programas de Inclusão Digital envolvendo o&lt;br /&gt;
&amp;gt; software livre GNU/Linux e a reciclagem de computadores para reutilizaçao.&lt;br /&gt;
&amp;gt; Explique um pouco sobre o uso do software livre nas máquinas recicladas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O projeto metáfora esvaziou-se há mais de um ano. O projeto MetaReciclagem surgiu dentro do projetometafora.org como uma solução para providenciar hardware para os outros projetos de tecnologia que foram gerados a partir da interação dos integrantes do projetometafora.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;gt; -O projeto Metareciclagem é desenvolvido por quem?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O projeto MetaReciclagem começou como uma idéia desenvolvida coletivamente. Podes dar uma olhada aqui pra ver o histórico das mensagens:&lt;br /&gt;
&lt;a href=&quot;http://wiki.projetometafora.org/index.php?MetaReciclagem%20%2F%20Hist%F3rico&quot; title=&quot;http://wiki.projetometafora.org/index.php?MetaReciclagem%20%2F%20Hist%F3rico&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://wiki.projetometafora.org/index.php?MetaReciclagem%20%2F%20Hist%F3...&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;De uma idéia em uma lista de discussão, começou a andar a partir de uma parceria com o Agente Cidadão (agentecidadao.org.br) e da grande dedicação do Dalton (Dalton Martins, que hoje defendeu sua tese de mestrado na Unicamp).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;gt; -Geralmente são jovens de baixa renda que participam dos trabalhos de&lt;br /&gt;
&amp;gt; inclusão digital?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Olha, há controvérsias sobre “inclusão digital”. O Hernani Dimantas, um dos articuladores do MetaReciclagem, defende uma posição do projeto como expoente do que ele chama de terceira onda da inclusão digital. Mais sobre a posição dele aqui:&lt;br /&gt;
&lt;a href=&quot;http://www.marketinghacker.com.br/epac/wakka.php?wakka=ParqueDigital&quot; title=&quot;http://www.marketinghacker.com.br/epac/wakka.php?wakka=ParqueDigital&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://www.marketinghacker.com.br/epac/wakka.php?wakka=ParqueDigital&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já penso um pouco diferente. Escrevi sobre isso, vou procurar e te mando…&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sobre jovens de baixa renda, depende muito. A gente já fez diversas ações: na zona leste de são paulo, com trezentos jovens de baixa renda, na sacadura cabral, núcleo habitacional de Santo André, que se enquadram nessa descrição, mas também no Sesc pompéia e outros lugares, que atendem a diversos outros públicos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;gt; -A diferença é grande de um software para outro?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como assim? De software proprietário para software livre? Para os aplicativos mais utilizados, como browser, editor de textos, planilha de cálculo, software de apresentação e edição de imagens, a diferença é mínima. A interface do sistema operacional para software livre, hoje, também é bastante intuitiva.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;gt; -Como as pessoas lidam com isso, já que a predominância é do software&lt;br /&gt;
&amp;gt; proprietário?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Olha, a maioria das reclamações não diz respeito ao software objetivamente, mas sim ao fato de os usuários terem que reaprender a posição ou o formato de um ou outro ícone ou a operação de alguma funcionalidade. Mas a imensa maioria de críticas ao software livre vem de pessoas que não sabem do que se trata ou de pessoas que precisam defender interesses ligados à indústria do software proprietário. Muita gente ficou rica criando, empacotando ou revendendo software proprietário, e essas pessoas reclamam bastante quando se propõe uma lógica libertária e coletiva de desenvolvimento de software. Eles trabalham forçando a escassez, e o modelo de produção do software livre estimula a abundância e a livre circulação de bens intelectuais. É aí que reside o cerne da “crise”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;gt; -Se há uma metodologia, fale um pouco esta, desenvolvida nas aulas que&lt;br /&gt;
&amp;gt; tratam de inclusão digital.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As ações de metareciclagem propõem a desmistificação da comunicação, e a reapropriação de tecnologia para a transformação social. Nesse sentido, os espaços permanentes ou temporários criados pelo projeto usam computadores usados, que são montados preferencialmente pelas pessoas envolvidas com a operação do espaço, no que pode ser visto como uma espécie de artesanato tecnológico. Elas aprendem o papel de cada uma das partes que compõem um computador, montam os computadores e os interligam em rede. Procuramos levá-los a interagir com outras pessoas que estejam participando de projetos semelhantes, em espaços como o liganois.com.br . Outra característica dos espaços de metareciclagem é que procuramos sempre pintar os gabinetes dos computadores, buscando um diálogo constante sobre identidade local e apropriação. O resultado, que também nos surpreendeu em um primeiro momento, é que o computador pintado perde aquele ar de “máquina-velha-que-era-usada-em-banco-ou-repartição-pública”, e vira um brinquedo. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um pouco mais sobre metareciclagem aqui:&lt;br /&gt;
&lt;a href=&quot;http://ogum.metareciclagem.org/wiki/index.php/MetaReciclagem&quot; title=&quot;http://ogum.metareciclagem.org/wiki/index.php/MetaReciclagem&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://ogum.metareciclagem.org/wiki/index.php/MetaReciclagem&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;
E fotos de um dos centros montados com computadores pintados:&lt;br /&gt;
&lt;a href=&quot;http://ogum.metareciclagem.org/midia/imagens/cybersocial/&quot; title=&quot;http://ogum.metareciclagem.org/midia/imagens/cybersocial/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://ogum.metareciclagem.org/midia/imagens/cybersocial/&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mais alguma coisa?&lt;/p&gt;</description>
 <comments>http://mutgamb.org/fonte/Entrevista-%C3%A0-Ocas#comments</comments>
 <category domain="http://mutgamb.org/assunto/Tags/inclus%C3%A3o-digital">inclusão digital</category>
 <category domain="http://mutgamb.org/assunto/Tags/ocas">ocas</category>
 <category domain="http://mutgamb.org/assunto/Tags/software-livre">software livre</category>
 <wfw:commentRss>http://mutgamb.org/crss/node/76</wfw:commentRss>
 <pubDate>Mon, 20 Dec 2004 22:08:57 +0000</pubDate>
 <dc:creator>felipefonseca</dc:creator>
 <guid isPermaLink="false">76 at http://mutgamb.org</guid>
</item>
<item>
 <title>O fantasma da inclusão digital</title>
 <link>http://mutgamb.org/fonte/O-fantasma-da-inclus%C3%A3o-digital</link>
 <description>Metareciclagem começou como quebradeira. Interesse totalmente abstrato
em uma série de questões relacionadas com tecnologia. Frustração total,
minha de de alguns outros, em tentar emplacar, no mundo corporativo, na
academia, em ações independentes, idéias novas sobre comunicação em
redes. De repente, projeto metáfora começou a catalisar algumas das
idéias de algumas dessas pessoas. E percebemos a necessidade de uma
infrafísica pra fazer as coisas acontecerem. Com a parceria com o
Agente Cidadão, que nos deu uma estrutura e um propósito, mais a
influência do Hernani, que já flertava com uns projetos de inclusão
digital do Sebrae e do Sampa.org, e do Estraviz, colaborador bissexto
do metáfora e grande defensor do discurso da inclusão, foi quase um
consenso de que o que a gente se propunha a fazer se aproximava
bastante daquilo tudo e do tal hacktivismo. E, de fato, muito do que
aconteceu na seqüência foi porque assumimos intimamente o conceito da
inclusão digital como base.&lt;br /&gt;
Tão intimamente que começamos a desconstruí-lo. A idéia de inclusão
digital surgiu há alguns anos, dentro da Ação pela Cidadania, colada em
outro conceito, o da inclusão social. A onda é complexa, mas minha
visão é a seguinte: a idéia de inclusão social parte do pressuposto de
que existe um ciclo formal de “cidadania” ou como quer que se chame
isso, que propõe que todos devem ter acesso a educação, trabalho
assalariado, saúde, convívio social, igualdades de tratamento e
oportunidades, e liberdades de comunicação e expressão de fé. Em
resumo, uma regra que determina que as pessoas que compõem uma
comunidade, cidade e nação devem ter acesso a um mínimo que seja
aceitável para o desenvolvimento pessoal e coletivo, sem prejudicar o
outro.&lt;br /&gt;
Mas espera um minuto: transposto para o contexto da comunicação online,
síncrona e assíncrona, simultaneamente pessoal e coletiva, virtualizada
por essência, a idéia de um ciclo mínimo a que todos devam ter acesso
perde um pouco da força. Sim, eu concordo totalmente que o direito de
uma pessoa acessar um dispositivo conectado em rede para interação com
outras pessoas deve ser universal. Mas visto sobre os olhos frios do
direito mínimo, se poderia afirmar que usar um caixa de banco ou uma
urna eletrônica já cumprem, de certa forma, esses objetivos.&lt;br /&gt;
A proposta da Metareciclagem é algo muito mais profundo. Se trata da
apropriação de tecnologia e da reapropriação de tecnologia tida como
obsoleta, proporcionando e fomentando o uso crítico das ferramentas de
comunicação com o objetivo de transformação social. O corte é outro,
não o do excluído e do incluído, mas do uso meramente ferramental
contra o uso consciente, engajado e criativo. Exatamente por isso, o
nosso caminho nunca foi a montagem em série de telecentros, mas a
constante reinvenção, pesquisa e desenvolvimento de novos caminhos.
Exatamente por isso, nunca nos concentramos na equação montagem de
estrutura + capacitação, e sim em mudar nossos próprios hábitos de uso
da rede. A internet, como é hoje, não me satisfaz. Fazer a internet do
amanhã é que me mantém ganhando pouco dinheiro mas certo de que alguma
coisa está acontecendo.&lt;br /&gt;
No dia em que estabilizarmos, serei o primeiro a pular fora.</description>
 <comments>http://mutgamb.org/fonte/O-fantasma-da-inclus%C3%A3o-digital#comments</comments>
 <category domain="http://mutgamb.org/assunto/Tags/inclus%C3%A3o-digital">inclusão digital</category>
 <wfw:commentRss>http://mutgamb.org/crss/node/79</wfw:commentRss>
 <pubDate>Sat, 20 Nov 2004 22:25:33 +0000</pubDate>
 <dc:creator>felipefonseca</dc:creator>
 <guid isPermaLink="false">79 at http://mutgamb.org</guid>
</item>
</channel>
</rss>
