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 <title>Mutirão da Gambiarra - santo andré</title>
 <link>http://mutgamb.org/taxonomy/term/60/0</link>
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 <language>pt-br</language>
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 <title>MetaReciclagem em Santo André - Parte I - Montando uma estrutura</title>
 <link>http://mutgamb.org/fonte/MetaReciclagem-em-Santo-Andr%C3%A9-Parte-I-Montando-uma-estrutura</link>
 <description>&lt;p&gt;Relatar experi&amp;ecirc;ncias nunca foi meu forte. Mas, ao ler os posts abaixo falando do modelo de log&amp;iacute;stica distribu&amp;iacute;da, algo que participei ativamente pensando, tentando, propondo, nos &amp;uacute;ltimos anos, despertou uma vontade de completar um pouco da hist&amp;oacute;ria e relatar os princ&amp;iacute;pios do que aconteceu em Santo Andr&amp;eacute;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A Chegada&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;J&amp;aacute; v&amp;iacute;nhamos buscando experimentar algumas das id&amp;eacute;ias de MetaReciclagem em outros locais, como no galp&amp;atilde;o do &lt;a rel=&quot;nofollow&quot; href=&quot;http://www.agentecidadao.com.br/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Agente Cidad&amp;atilde;o&lt;/a&gt;, na Casa Amarela (uma organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o que ficava pr&amp;oacute;ximo do Morumbi e onde montamos o primeiro laborat&amp;oacute;rio de m&amp;aacute;quinas metarecicladas) e nos 3 laborat&amp;oacute;rios pilotos dentro do &lt;a rel=&quot;nofollow&quot; href=&quot;http://www.midiaindependente.org/eo/blue/2003/10/264747.shtml&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;projeto CAJUS&lt;/a&gt; (Centros de A&amp;ccedil;&amp;atilde;o Juvenis), que montamos em Ermelino Matarazzo, S&amp;atilde;o Miguel Paulista e Itaquera.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No entanto, todas essas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es foram extremamente r&amp;aacute;pidas, desorganizadas e, basicamente, o que fizemos foi: recuperar algumas m&amp;aacute;quinas, montar um servidor Linux, montar uma rede local, instalar as m&amp;aacute;quinas e tentar capacitar algu&amp;eacute;m local para tocar a estrutura. Apesar disso, foram grandes escolas, onde pudemos avaliar algumas dificuldades que nos permitiram direcionar melhor a pesquisa:&amp;nbsp; que distribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o utilizar, formas de suporte t&amp;eacute;cnico, capacita&amp;ccedil;&amp;atilde;o e a quest&amp;atilde;o da banda larga.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Primeiros passos dados. Alguns passos experimentais. Enfim, resolvemos ir a Bras&amp;iacute;lia,&lt;a rel=&quot;nofollow&quot; href=&quot;http://ecologiadigital.net/pblog/iioficina.htm&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt; II Oficina de Inclus&amp;atilde;o Digital&lt;/a&gt;, in&amp;iacute;cio do governo Lula. Eu, Felipe Fonseca e Slave fomos em busca de encontrar quem estava pensando Inclus&amp;atilde;o Digital no Brasil e de que forma poder&amp;iacute;amos mostrar MetaReciclagem como uma possibilidade de sustentabilidade e forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de rede para os projetos existentes. Encontramos &lt;a rel=&quot;nofollow&quot; href=&quot;http://comunix.org/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Hernani Dimantas&lt;/a&gt; e &lt;a rel=&quot;nofollow&quot; href=&quot;http://www.kobashi.com.br/frames/konosf.htm&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Ricardo Kobashi&lt;/a&gt;, que foram a ponte de conex&amp;atilde;o direta com Santo Andr&amp;eacute;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a rel=&quot;nofollow&quot; href=&quot;http://www.parqueescolasa.com.br/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Parque Escola&lt;/a&gt; - Um local que tinha por objetivo ser constru&amp;iacute;do todo a partir de material reutilizado de obras, sobras de empresas, lixo e tudo o mais que pudesse ser adaptado na cabe&amp;ccedil;a do arquiteto &lt;a rel=&quot;nofollow&quot; href=&quot;http://zanettananigeria.blogspot.com/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Henrique Zanetta&lt;/a&gt;. O local perfeito e com a abertura necess&amp;aacute;ria para a experimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Fomos conhecer o local na volta de Bras&amp;iacute;lia. Sinergia imediata, uma semana depois come&amp;ccedil;amos a trabalhar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Propostas e princ&amp;iacute;pios&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A proposta inicial era:&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
    &lt;li&gt;montar um laborat&amp;oacute;rio de reciclagem de computadores dentro do Parque;&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;equipar o Parque com computadores de acesso ao p&amp;uacute;blico em diversos locais;&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;disponibilizar uma conex&amp;atilde;o de Internet banda larga Wifi para o Parque e redondezas;&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;articular com a &amp;aacute;rea de cooperativismo da prefeitura um projeto de informatiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o das cooperativas com base na produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o do laborat&amp;oacute;rio;&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;capacitar jovens das 2 favelas pr&amp;oacute;ximas do parque, para criarem um empreendimento popular em duas &amp;aacute;reas de neg&amp;oacute;cios criadas para este fim pela prefeitura.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;Um bom escopo de trabalho. Tivemos total apoio da equipe de coordena&amp;ccedil;&amp;atilde;o do parque e da secretaria de educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Enfim, era o momento ideal e com o n&amp;iacute;vel de sustentabilidade ideal (t&amp;iacute;nhamos um cen&amp;aacute;rio de quase 2 anos de projeto pela frente) para experimentar um processo com mais tempo e possibilidade de analisarmos o resultado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nos baseamos nos princ&amp;iacute;pios conceituais de MetaReciclagem que hav&amp;iacute;amos discutido por meses seguidos na lista de emails. A seguir:&lt;/p&gt;
&lt;ol&gt;
    &lt;li&gt;atuar na tr&amp;iacute;ade da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o livre, ou seja, trabalhar com hardware livre (doa&amp;ccedil;&amp;atilde;o), software livre (linux e aplicativos), oficinas de apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o dessa tecnologia para promover a forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de redes livres;&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;conex&amp;atilde;o com os projetos de economia solid&amp;aacute;ria e microcr&amp;eacute;dito (sim, as id&amp;eacute;ias do &lt;a rel=&quot;nofollow&quot; href=&quot;http://pt.wikipedia.org/wiki/Muhammad_Yunus&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Muhammad Yunus&lt;/a&gt; foram extremamente importantes na &amp;eacute;poca, quase todos t&amp;iacute;nhamos lido a experi&amp;ecirc;ncia do livro o Banqueiro dos Pobres);&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;conex&amp;atilde;o com os projetos de coleta seletiva da prefeitura para auxiliar na tal organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da log&amp;iacute;stica distribu&amp;iacute;da;&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;ter o laborat&amp;oacute;rio constantemente aberto, para que os usu&amp;aacute;rios do parque pudessem atuar de forma efetiva na recupera&amp;ccedil;&amp;atilde;o das m&amp;aacute;quinas, seja nas oficinas de Hardware, seja usando as m&amp;aacute;quinas para acesso;&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;criar processos de apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o da tecnologia: experimentar as diversas formas que as pessoas poderiam usar e experimentar aquelas pe&amp;ccedil;as, softwares e ferramentas.&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Primeiras doa&amp;ccedil;&amp;otilde;es&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para minha surprese geral e de praticamente todos naquela &amp;eacute;poca, em quest&amp;atilde;o de duas semanas de trabalho, gra&amp;ccedil;as a um importante contato com uma pessoa do Semasa (obrigado, Meire!) conseguimos uma doa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de 30 Pentium 100MHz, 20 impressoras matriciais, 30 monitores de v&amp;iacute;deo e mais uma por&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pe&amp;ccedil;as e sobras de outros computadores.T&amp;iacute;nhamos o b&amp;aacute;sico de materiais para avan&amp;ccedil;ar. Muito mais veio depois, mas essa primeira doa&amp;ccedil;&amp;atilde;o foi fundamental, pois se esper&amp;aacute;ssemos meses para obter equipamentos perder&amp;iacute;amos o tempo adequado de mostrar&amp;nbsp; resultados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Enfim, um laborat&amp;oacute;rio&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao mesmo tempo, ganhamos uma doa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de 25 mesas de escrit&amp;oacute;rio e 10 estantes da Prefeitura de S&amp;atilde;o Paulo. Era tudo o que precis&amp;aacute;vamos. T&amp;iacute;nhamos o necess&amp;aacute;rio para um bom desenvolvimento do projeto:&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
    &lt;li&gt;espa&amp;ccedil;o e infra-estrutura;&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;computadores;&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;ferramentas;&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;banda larga;&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;vontade pol&amp;iacute;tica de fazer;&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;apoio local.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;MetaReciclagem se tornava real a cada passo dado e perceb&amp;iacute;amos que o que mais nos importava, a capacidade de agenciamento das redes, era o elemento fundamental que permita o projeto construir sentido e avan&amp;ccedil;ar em suas propostas experimentais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Mas, hein?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pois &amp;eacute;, todo esse processo, extremamente intenso, n&amp;atilde;o levou mais de 3 meses para estruturar e ter condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es de come&amp;ccedil;armos a operar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Era o momento adequado de conectar pessoas e experienciar a ocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos espa&amp;ccedil;os. Chegava o momento da emerg&amp;ecirc;ncia da Rede!&lt;/p&gt;</description>
 <comments>http://mutgamb.org/fonte/MetaReciclagem-em-Santo-Andr%C3%A9-Parte-I-Montando-uma-estrutura#comments</comments>
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 <pubDate>Tue, 14 Oct 2008 16:40:00 +0000</pubDate>
 <dc:creator>dmartins</dc:creator>
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 <title>O ciclo do Lixo Eletrônico - 2. Descarte e reuso</title>
 <link>http://mutgamb.org/fonte/O-ciclo-do-Lixo-Eletr%C3%B4nico-2-Descarte-e-reuso</link>
 <description>&lt;p&gt;Uma vez encerrada a etapa inicial de consumo e uso de eletr&amp;ocirc;nicos, ou seja, depois que a pessoa ou organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o que comprou determinado equipamento j&amp;aacute; o usou ao m&amp;aacute;ximo, ainda existe uma s&amp;eacute;rie de alternativas antes do efetivo descarte para a reciclagem. Esta parte do texto tem uma grande influ&amp;ecirc;ncia de id&amp;eacute;ias gradualmente elaboradas dentro do &amp;acirc;mbito da Rede MetaReciclagem, mas at&amp;eacute; hoje n&amp;atilde;o implementadas por diversos motivos. Nesse sentido, &amp;eacute; muito mais uma hip&amp;oacute;tese a ser testada do que uma recomenda&amp;ccedil;&amp;atilde;o pr&amp;aacute;tica, e conta com a imprecis&amp;atilde;o de ser uma hist&amp;oacute;ria contada por um de seus participantes. Como nas outras partes, aguardo cr&amp;iacute;ticas e sugest&amp;otilde;es. O foco principal aqui &amp;eacute; estender a vida &amp;uacute;til principalmente de computadores junto com projetos sociais, mas &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel pensar em adapta&amp;ccedil;&amp;otilde;es dessas propostas para celulares e outros equipamentos.&lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;A rede MetaReciclagem&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;A sociedade do excesso &amp;eacute; tamb&amp;eacute;m a sociedade do desperd&amp;iacute;cio. A cada ano, entre os milh&amp;otilde;es de equipamentos eletr&amp;ocirc;nicos que v&amp;atilde;o para o lixo, literalmente se joga fora a oportunidade de ajudar muita gente. Essa foi uma das influ&amp;ecirc;ncias para a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o da rede &lt;a rel=&quot;nofollow&quot; href=&quot;http://metareciclagem.org/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;MetaReciclagem&lt;/a&gt;, e &amp;eacute; tamb&amp;eacute;m a motiva&amp;ccedil;&amp;atilde;o por tr&amp;aacute;s de diversos projetos cujo foco &amp;eacute; a reutiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de eletr&amp;ocirc;nicos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A id&amp;eacute;ia da MetaReciclagem surgiu na rede, como um dos projetos do Projeto Met&amp;aacute;:Fora, em 2002. Depois de debater por algum tempo a id&amp;eacute;ia de receber doa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de computadores usados e remanufatur&amp;aacute;-los usando software livre, passamos a contar com o apoio do &lt;a rel=&quot;nofollow&quot; href=&quot;http://agentecidadao.org.br/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Agente Cidad&amp;atilde;o&lt;/a&gt;, uma ONG de S&amp;atilde;o Paulo que fazia a coleta, armazenamento e redistribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o de qualquer tipo de doa&amp;ccedil;&amp;atilde;o material (roupas, livros, m&amp;oacute;veis, e tamb&amp;eacute;m eletr&amp;ocirc;nicos) para associa&amp;ccedil;&amp;otilde;es comunit&amp;aacute;rias e outros projetos. Em 2003, houve alguma repercuss&amp;atilde;o da MetaReciclagem na imprensa, e passamos a receber um fluxo quase constante de doa&amp;ccedil;&amp;otilde;es. O Agente Cidad&amp;atilde;o nos cedeu um espa&amp;ccedil;o - que cham&amp;aacute;vamos de Galp&amp;atilde;o - e conseguimos arregimentar um grupo de volunt&amp;aacute;rios que freq&amp;uuml;entava o espa&amp;ccedil;o a cada semana. A partir de l&amp;aacute;, come&amp;ccedil;amos a construir parcerias com diferentes projetos, e logo percebemos que o que est&amp;aacute;vamos propondo ia muito al&amp;eacute;m do aspecto operacional da coisa - log&amp;iacute;stica, tratamento e redistribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o. No processo de mobilizar pessoas para colaborar, fazer a triagem e a remanufatura dos computadores e por fim direcion&amp;aacute;-los acabamos aprendendo muito sobre os diversos processos envolvidos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Uma quest&amp;atilde;o fundamental que a MetaReciclagem j&amp;aacute; tocava naquela &amp;eacute;poca era a quest&amp;atilde;o do aprendizado relacionado &amp;agrave; apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o cr&amp;iacute;tica das tecnologias, incentivando a curiosidade sobre o funcionamento interno das m&amp;aacute;quinas, quebrando a verdadeiro medo que as pessoas t&amp;ecirc;m de manipular a tecnologia - tom&amp;aacute;-la nas m&amp;atilde;os, entender as elementaridades dela e propor novas combina&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Uma met&amp;aacute;fora bastante significativa nesse sentido &amp;eacute; o monolito negro do filme 2001 - Uma odiss&amp;eacute;ia no espa&amp;ccedil;o. Enquanto as pessoas tratarem a tecnologia como uma coisa fechada, cujo funcionamento &amp;eacute; misterioso - quase m&amp;aacute;gico, no mau sentido -, estamos longe de conseguir criar um processo efetivo de apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o dela.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img align=&quot;right&quot; width=&quot;200&quot; height=&quot;150&quot; alt=&quot;computadores pintados na biblioteca do Parque Escola&quot; src=&quot;http://rede.metareciclagem.org/midia/images/P1010020.preview.jpg&quot; /&gt;Com o tempo, tivemos a oportunidade de experimentar diferentes arranjos relacionados ao ciclo do reaproveitamento de eletr&amp;ocirc;nicos: montamos outro laborat&amp;oacute;rio de MetaReciclagem no Parque Escola de Santo Andr&amp;eacute;, cuja proposta &amp;eacute; ser um espa&amp;ccedil;o em que tudo &amp;eacute; reciclado. Nessa &amp;eacute;poca, se aproximou da MetaReciclagem o artista pl&amp;aacute;stico &lt;a href=&quot;http://desvio.weblab.tk/desviantes/glaupaiva&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Glauco Paiva&lt;/a&gt;, que prop&amp;ocirc;s um n&amp;iacute;vel ainda maior de apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o com a pintura dos gabinetes dos computadores, e com a montagem de instala&amp;ccedil;&amp;otilde;es em que ora as pe&amp;ccedil;as de um computador eram usadas para outros fins, ora o computador era montado com pe&amp;ccedil;as que n&amp;atilde;o faziam parte do universo da inform&amp;aacute;tica: cadeiras, lat&amp;otilde;es de lixo e outros. Foi tamb&amp;eacute;m em Santo Andr&amp;eacute; que o Dalton conseguiu fazer pela primeira vez um processo em que integrantes de diferentes cooperativas da cidade vinham ao Parque, aprendiam a montar e usar computadores com GNU/Linux, e ao fim do processo levavam os computadores que haviam montado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O projeto de MetaReciclagem em Santo Andr&amp;eacute; foi encerrado por motivos alheios &amp;agrave; nossa vontade, justamente numa fase em que est&amp;aacute;vamos planejando um ciclo em que cooperativas de catadores de lixo separariam os eletr&amp;ocirc;nicos que encontrassem para direcionar para uma cooperativa de montagem de computadores, que trataria de direcionar as m&amp;aacute;quinas prontas para diferentes projetos sociais. As pe&amp;ccedil;as que n&amp;atilde;o pudessem ser mais recuperadas seriam vendidas para uma das (poucas) empresas que fazem o processo ambientalmente adequado de reciclagem. Tivemos reuni&amp;otilde;es com o pessoal do Agente Cidad&amp;atilde;o, que tomaria conta da log&amp;iacute;stica, e de diferentes ONGs e empresas. Podia ter dado certo naquele contexto, mas n&amp;atilde;o est&amp;aacute;vamos com uma estrutura sustent&amp;aacute;vel de desenvolvimento e ficamos ref&amp;eacute;ns do cen&amp;aacute;rio pol&amp;iacute;tico local.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Enquanto isso, a MetaReciclagem assumia duas caracter&amp;iacute;sticas que a transformariam profundamente. Assumia uma natureza s&amp;oacute;cio-cultural junto com a quest&amp;atilde;o t&amp;eacute;cnica - o que nos unia n&amp;atilde;o era a mera quest&amp;atilde;o de remanufaturar computadores, mas as diversas possibilidades criativas que acompanhavam o processo de desconstruir e reconstruir as m&amp;aacute;quinas, usando o software livre como desafio e aprendizado. E desenvolvia-se cada vez mais como rede distribu&amp;iacute;da e livremente replic&amp;aacute;vel - projetos auto-gestionados e integrados &amp;agrave; rede eram criados no Rio de Janeiro, em Arraial d&#039;Ajuda, em Manaus e outras partes. Desenvolvemos uma nomenclatura para definir tr&amp;ecirc;s n&amp;iacute;veis de intera&amp;ccedil;&amp;atilde;o: os esporos, laborat&amp;oacute;rios de refer&amp;ecirc;ncia; as conecTAZes, qualquer mobiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pessoas para utilizar tecnologia &amp;quot;metareciclada&amp;quot;; e a infral&amp;oacute;gica, uma camada de ambientes online que serviam para integrar as pessoas e projetos. De certa forma, passava tamb&amp;eacute;m a tratar da naturaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do conhecimento t&amp;eacute;cnico n&amp;atilde;o como algo alheio ao cotidiano, mas buscando o di&amp;aacute;logo com caracter&amp;iacute;sticas tipicamente brasileiras como a criatividade e sociabilidade cotidianas, presentes em fen&amp;ocirc;menos populares como as gambiarras e os mutir&amp;otilde;es.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na seq&amp;uuml;&amp;ecirc;ncia disso tudo, alguns de n&amp;oacute;s come&amp;ccedil;amos a auxiliar na elabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o e implementa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas relacionadas &amp;agrave; inclus&amp;atilde;o digital, o que gerou resultados bastante interessantes mas teve como efeito colateral baixar a prioridade do desenvolvimento aut&amp;ocirc;nomo da MetaReciclagem. Ao longo dessa &amp;eacute;poca, a integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre os diferentes projetos foi muitas vezes deixada de lado, face a demandas muito mais urgentes do dia a dia. De qualquer forma, hoje o universo da MetaReciclagem envolve algumas centenas (ou milhares?) de pessoas espalhadas por todo o Brasil. E uma coisa permanece: toda semana chegam mensagens de pessoas que t&amp;ecirc;m equipamentos parados e n&amp;atilde;o sabem o que fazer com eles. Um dos caminhos poss&amp;iacute;veis para a MetaReciclagem agora &amp;eacute; retomar o projeto do ciclo completo que tentamos implementar em Santo Andr&amp;eacute;, adicionado de uma estrat&amp;eacute;gia de log&amp;iacute;stica distribu&amp;iacute;da. Abaixo, eu tento esbo&amp;ccedil;ar algumas anota&amp;ccedil;&amp;otilde;es no sentido de construir uma proposta para fazer frente a essa demanda.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img alt=&quot;infogr&amp;aacute;fico descarte e reuso&quot; src=&quot;http://lixoeletronico.org/system/files/infog_reuso.png&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;Log&amp;iacute;stica Distribu&amp;iacute;da&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Mesmo com a relativamente pequena quantidade de a&amp;ccedil;&amp;otilde;es voltadas &amp;agrave; sensibiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e conscientiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o acerca dos benef&amp;iacute;cios de encaminhar eletr&amp;ocirc;nicos para doa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, muitas pessoas j&amp;aacute; procuram orienta&amp;ccedil;&amp;atilde;o sobre como faz&amp;ecirc;-lo. Na outra ponta, existem diversas organiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es e projetos que poderiam se beneficiar desse tipo de recurso. O que falta &amp;eacute; exatamente o meio do caminho: um intermedi&amp;aacute;rio que retire as doa&amp;ccedil;&amp;otilde;es, organize-as e entregue para quem precisa. Essa era uma das maiores preocupa&amp;ccedil;&amp;otilde;es do saudoso Adilson Tavares, do Agente Cidad&amp;atilde;o. Por algum tempo, chegamos a pensar que a MetaReciclagem poderia liderar esse tipo de a&amp;ccedil;&amp;atilde;o, mas levando em conta a escala em potencial desse tipo de a&amp;ccedil;&amp;atilde;o, &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel tamb&amp;eacute;m imaginar um sistema de agenciamento online, independente e geo-referenciado, que permita o cadastro de doadores, intermedi&amp;aacute;rios e destina&amp;ccedil;&amp;otilde;es poss&amp;iacute;veis. Seria necess&amp;aacute;rio acrescentar um mecanismo de reputa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e negocia&amp;ccedil;&amp;atilde;o, de maneira que pessoas e organiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es que fizeram doa&amp;ccedil;&amp;otilde;es pudessem verificar o que foi feito com elas, e com isso servir de apoio para o agenciamento de novas doa&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Poderia funcionar como uma esp&amp;eacute;cie de feira online, nas bases de sistemas de leil&amp;otilde;es como o mercado livre, mas sem o aspecto financeiro. Outra id&amp;eacute;ia presente no Mercado Livre &amp;eacute; que a log&amp;iacute;stica &amp;eacute; negociada a cada transa&amp;ccedil;&amp;atilde;o: o sistema pode oferecer diversas possibilidades, desde os correios at&amp;eacute; o eventual agenciamento de pessoas dispostas a dar &amp;quot;uma carona&amp;quot; para os equipamentos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Idealmente, esse sistema adotaria &lt;a rel=&quot;nofollow&quot; href=&quot;http://pt.wikipedia.org/wiki/Microformatos&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;microformatos&lt;/a&gt;, para permitir a integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o com diferentes portais e sistemas, e seria desenvolvido com software livre. O fundamental em um sistema desses &amp;eacute; ele ser aberto &amp;agrave; utiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos diferentes atores: desde os Centros de Recondicionamento de Computadores do Governo Federal at&amp;eacute; redes como a MetaReciclagem ou qualquer organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o interessada em doar ou receber eletr&amp;ocirc;nicos. O apoio de fabricantes de eletr&amp;ocirc;nicos interessados em a&amp;ccedil;&amp;otilde;es efetivas de responsabilidade social e ambiental, e talvez ainda mais importante, de empresas de transporte e log&amp;iacute;stica, poderia ser tamb&amp;eacute;m interessante.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A tetrapak desenvolveu um site chamado Rota de Reciclagem que explora alguns usos interessantes de ferramentas online nesse sentido. O portal voluntariado tamb&amp;eacute;m usa o CEP para encontrar organiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es. E projetos experimentais como o Excambo e o Yscambau se prop&amp;otilde;em a criar sistemas de agenciamento de trocas:&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
    &lt;li&gt;&lt;a rel=&quot;nofollow&quot; title=&quot;http://www.rotadereciclagem.com.br/&quot; href=&quot;http://www.rotadereciclagem.com.br/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://www.rotadereciclagem.com.br/&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;&lt;a rel=&quot;nofollow&quot; title=&quot;http://www.voluntariado.org.br/&quot; href=&quot;http://www.voluntariado.org.br/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://www.voluntariado.org.br/&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;&lt;a rel=&quot;nofollow&quot; title=&quot;http://excambo.ourproject.org/&quot; href=&quot;http://excambo.ourproject.org/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://excambo.ourproject.org/&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;&lt;a rel=&quot;nofollow&quot; title=&quot;http://estilingue.sarava.org/moin/Yscambau&quot; href=&quot;http://estilingue.sarava.org/moin/Yscambau&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://estilingue.sarava.org/moin/Yscambau&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;h2&gt;Empreendimentos sociais&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;&lt;img align=&quot;right&quot; width=&quot;200&quot; height=&quot;150&quot; alt=&quot;MetaReciclagem em Sacadura Cabral&quot; src=&quot;http://rede.metareciclagem.org/midia/images/dsc00020.preview.jpg&quot; /&gt;Al&amp;eacute;m do agenciamento direto de transa&amp;ccedil;&amp;otilde;es entre doadores e destinat&amp;aacute;rios de doa&amp;ccedil;&amp;otilde;es, &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel imaginar tamb&amp;eacute;m projetos que funcionam como entrepostos (n&amp;atilde;o-comerciais): organizam a log&amp;iacute;stica, recebem doa&amp;ccedil;&amp;otilde;es, realizam as diferentes etapas da triagem e da montagem, e agenciam a demanda de suas respectivas regi&amp;otilde;es e encaminham o descarte final para a reciclagem efetiva. Al&amp;eacute;m do aspecto operacional, esses espa&amp;ccedil;os tamb&amp;eacute;m podem funcionar como centros de aprendizado t&amp;eacute;cnico, realizando cursos e oficinas. Adotando um posicionamento de infra-estrutura livre, tamb&amp;eacute;m &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel pensar em intera&amp;ccedil;&amp;otilde;es com artistas locais ou oferecer os computadores como apoio a projetos locais. Existem grandes empresas que consideram a intermedia&amp;ccedil;&amp;atilde;o de eletr&amp;ocirc;nicus usados uma oportunidade de mercado, mas eu quero acreditar que esse espa&amp;ccedil;o pode ser compartilhado com cooperativas autogeridas e pequenos empreendimentos, com reinvestimento do lucro em projetos sociais. Elas trabalhariam em rede com o sistema de log&amp;iacute;stica distribu&amp;iacute;da, e poderiam ajudar a dar sustentabilidade e retorno s&amp;oacute;cio-econ&amp;ocirc;mico para os pequenos atores do universo da reciclagem de eletr&amp;ocirc;nicos.&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
    &lt;li&gt;O projeto de MetaReciclagem em Santo Andr&amp;eacute; apoiou a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um laborat&amp;oacute;rio na Sacadura Cabral e da Informeta, uma pequena empresa que foi citada em mat&amp;eacute;ria da revista A Rede sobre cooperativas: &lt;a rel=&quot;nofollow&quot; href=&quot;http://www.arede.inf.br/index.php?option=com_content&amp;amp;task=view&amp;amp;id=409&amp;amp;Itemid=99&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://www.arede.inf.br&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;h2&gt;Triagem e Remanufatura&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Existem diferentes configura&amp;ccedil;&amp;otilde;es poss&amp;iacute;veis para a triagem de eletr&amp;ocirc;nicos usados, dependendo dos objetivos espec&amp;iacute;ficos. Seguindo a l&amp;oacute;gica dos empreendimentos sociais, &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel pensar em uma etapa inicial de triagem para testar os computadores que ainda est&amp;atilde;o funcionando (aqueles que &amp;eacute; s&amp;oacute; ligar e inicializam). Os que n&amp;atilde;o passarem nessa fase s&amp;atilde;o ent&amp;atilde;o desmontados, e seus componentes separados e testados um a um. Aqueles que n&amp;atilde;o funcionam e n&amp;atilde;o podem ser utilizados de maneira alternativa s&amp;atilde;o ent&amp;atilde;o encaminhados - tamb&amp;eacute;m pelo sistema de log&amp;iacute;stica distribu&amp;iacute;da - &amp;agrave; reciclagem efetiva, sobre a qual eu pretendo falar no pr&amp;oacute;ximo texto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;img align=&quot;right&quot; width=&quot;200&quot; height=&quot;150&quot; alt=&quot;oficina de pintura de gabinetes&quot; src=&quot;http://rede.metareciclagem.org/midia/images/mvc_005s.preview.jpg&quot; /&gt;Com um certo volume de doa&amp;ccedil;&amp;otilde;es, qualquer projeto pode criar um banco local de pe&amp;ccedil;as para a montagem ou a recupera&amp;ccedil;&amp;atilde;o de computadores. Tamb&amp;eacute;m &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel realimentar o sistema de log&amp;iacute;stica distribu&amp;iacute;da com um invent&amp;aacute;rio de componentes que podem, assim como as doa&amp;ccedil;&amp;otilde;es, ser direcionados para os diferentes projetos que deles necessitem. Aqui mais uma vez se pode pensar no agenciamento atrav&amp;eacute;s de reputa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dentro do sistema, ou tamb&amp;eacute;m pensar em um mercado de escambo de componentes: um projeto pode listar os componentes que n&amp;atilde;o est&amp;aacute; usando e em troca pedir as partes de que necessite. Eventualmente, as trocas podem envolver n&amp;atilde;o somente componentes, mas ofertas imateriais como horas de trabalho: design gr&amp;aacute;fico, fotografias, ilustra&amp;ccedil;&amp;otilde;es, m&amp;uacute;sica, etc. Outra etapa interessante do processo de triagem e remanufatura, quando associado a projetos sociais, &amp;eacute; a customiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos computadores reciclados, com pintura dos gabinetes, para tirar o aspecto de equipamento velho e aproximar a tecnologia das pessoas.&lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;E como fazer?&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Em &amp;uacute;ltima inst&amp;acirc;ncia, todo este texto &amp;eacute; um exerc&amp;iacute;cio de cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Tenho certeza de que deixei de lado um monte de outros aspectos do descarte e do reuso, mas aproveitei para tentar estruturar uma proposta tomando por base um pouco da experi&amp;ecirc;ncia da MetaReciclagem nesses &amp;uacute;ltimos seis anos. Estamos (o lixoeletronico.org) conversando sobre como tirar essas possibilidades do papel, e de alguma forma criar alternativas ao ciclo compulsivo do consumo e descarte. Aceitamos id&amp;eacute;ias de como ir adiante com isso tudo.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Leia tamb&amp;eacute;m nesta s&amp;eacute;rie:&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;ul&gt;
    &lt;li&gt;&lt;a rel=&quot;nofollow&quot; href=&quot;http://lixoeletronico.org/blog/o-ciclo-do-lixo-eletr%C3%B4nico-vis%C3%A3o-geral&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;O ciclo do Lixo Eletr&amp;ocirc;nico - Vis&amp;atilde;o Geral&lt;/a&gt;;&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;&lt;a rel=&quot;nofollow&quot; href=&quot;http://lixoeletronico.org/blog/o-ciclo-do-lixo-eletr%C3%B4nico-1-produ%C3%A7%C3%A3o-e-consumo&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;O ciclo do Lixo Eletr&amp;ocirc;nico - 1. Produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o e Consumo&lt;/a&gt;.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;</description>
 <comments>http://mutgamb.org/fonte/O-ciclo-do-Lixo-Eletr%C3%B4nico-2-Descarte-e-reuso#comments</comments>
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 <category domain="http://mutgamb.org/assunto/Tags/santo-andr%C3%A9">santo andré</category>
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 <pubDate>Thu, 02 Oct 2008 16:25:00 +0000</pubDate>
 <dc:creator>felipefonseca</dc:creator>
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 <title>Another (long) opinion</title>
 <link>http://mutgamb.org/fonte/Another-long-opinion</link>
 <description>&lt;p&gt;Hi all&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;It’s been six months since I’ve been to India. Many things have
changed since then. I’d like to put my perspective on the last few
months.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;First of all: you were right about space. In order to create a group
identity, territory is fundamental. Two examples make me believe this
is absolutely true.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;The first example are Tati Wells and Ricardo Ruiz, in Rio. They
created an open space called IP. I would use other names, but they call
it a media center. I’ve been there last week, and it’s really great.
People come over for a workshop and all of a sudden they come back on
the next day. Things are being created there, people are gathering and
doing things together.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;The other example is MetaReciclagem in Santo André. Even though the
major of Santo André has been re-elected, he changed all his closer
team. As a consequence, the EPAC project, that hosted MetaReciclagem
inside Parque Escola, has changed from the education management to the
public affairs area. Then we have been forgotten. There’s no more room
for MetaReciclagem on public projects in Santo André. We lost our lab,
computer donations (okay, we did save some) and access to the
infrastructure. Because of that, MetaReciclagem actions in Santo André
disappeared.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;I mean, right after we were getting through about the end of our
relationship with Agente Cidadão, we lost the lab in Santo André as
well. Fortunately, the new city administration in São Paulo still did
not understand what we are doing down on Olido lab, but we can’t afford
to do much there, as everyone who used to work on Agente Cidadão and
Parque Escola had to start improvising to make a living. In a given
moment, I guess two months ago, Interney, the guy who donated us the
hosting for MetaReciclagem website and mailing list, had to put his
server down and we don’t have a stable mailing list since then. I’m
running the webserver in my home. MetaReciclagem is quiet.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;So, it’s true. MetaReciclagem, as a group, failed to succeed without
a space of its own. Everyone is running out of money. The ship is
broken.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;But, as I tried to explain, and I’m not quite sure I succeeded, we
don’t want to be a group. We don’t want to become a NGO. We are talking
about a methodology. And as such, I really think we were able to do
some things:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;1) Two years ago, if one talked about a “digital inclusion” project
using old computers and FLOSS, no one would buy it. Actually, we did
talk about it, and the bigshots on the subject didn’t take us
seriously. Nowadays the biggest state bank in Brasil is actually
delivering their used computers (maaaaaany computers) to social
projects. The landless movement got a donation of over 4000 computers.
I’m not saying that they are doing this because of us, but I can assure
you that they are paying attention to us, and we were the first ones to
prove that free software and old computers were a viable solution.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;2) The cultural spots project from the Ministry of Culture has
adopted metareciclagem (technology appropriation) as one of its four
axis, together with estudiolivre (FLOSS for media production),
radiolivre (free radios) and tactical media. They are extending the
concept of MetaReciclagem. Me, Dalton, Glauco and Fernando are getting
hired as consultants for the project (after two years of promises).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;3) The independent metareciclagem spores are growing. There is one
on the historical coast of Bahia, that might become a cultural spot.
There is one in Salvador, in association with Rui Barbosa University.
IP, the media center created by tati and ruiz in Rio, is a
metareciclagem spore. There is even one close to Olido, our lab
downtonw São Paulo. And there are at least 20 soon-to-be cultural spots
that want to become independent metareciclagem labs.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;4) We are planning the creation of other metareciclagem labs in the
same format as that in Santo André. Of course, we have learned that we
have to treat them as temporary labs. But I don’t see that as a
problem. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;I can’t say MetaReciclagem failed. We’ve been through some deep
transformations, deep enough to get us scared about our personal
budgets. But MetaReciclagem is independent from us, and is completely
successful as: a) a methodology, b) a influence nucleus. We still can’t
think of MetaReciclagem as a group, but I’m sure we are helping a lot
of people to make better decisions about technology and the use of
technology.
&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Wed, 04 May 2005 15:28:00 +0000</pubDate>
 <dc:creator>felipefonseca</dc:creator>
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