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 <title>Mutirão da Gambiarra - gênero</title>
 <link>http://mutgamb.org/taxonomy/term/587/0</link>
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 <language>pt-br</language>
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 <title>Por uma cultura &quot;coder&quot; igualitária</title>
 <link>http://mutgamb.org/blog/Por-uma-cultura-coder-igualitaria</link>
 <description>&lt;p&gt;Lelex compartilhou o texto &lt;a href=&quot;http://www.infoworld.com/d/application-development/the-ugly-underbelly-of-coder-culture-190618&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;The Ugly Underbelly of Coder Culture &lt;/a&gt;em algumas listas e pediu opini&amp;otilde;es sobre sua percep&amp;ccedil;&amp;atilde;o inicial, que interpretou o texto como relatos de uma irmandade de homens jovens na programa&amp;ccedil;&amp;atilde;o em que s&amp;atilde;o exclu&amp;iacute;dxs pessoas com mais idade e mulheres. Eis as r&amp;eacute;plicas:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Decko:&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
	&lt;p&gt;Pelo que pude entender, n&amp;atilde;o &amp;eacute; exatamente sobre uma irmandade de programadores, mas &amp;eacute; sobre como a cultura machista desse meio acaba por formar algo como uma irmandade de um determinado grupo social. &amp;Eacute; verdade que dentre os principais grupos de programadores, e principalmente os de software propriet&amp;aacute;rio, tem uma cultura muito engessada e que evita a pluralidade de id&amp;eacute;ias e genero. Ainda que o meio das Ci&amp;ecirc;ncias Exatas seja dominado pelos homens, &amp;eacute; interessante ver que nos nichos em que a liberdade do conhecimento ganha destaque, a diversidade tamb&amp;eacute;m aumenta. &amp;Eacute; f&amp;aacute;cil ver o n&amp;uacute;mero de mulheres, pessoas de diferentes idades e diferentes culturas que participam e enriquecem a comunidade do software livre e de outras culturas livres tamb&amp;eacute;m. O lance &amp;eacute; que todas as experi&amp;ecirc;ncias s&amp;atilde;o v&amp;aacute;lidas. At&amp;eacute; porque sem elas, n&amp;atilde;o conseguimos gerar autocr&amp;iacute;tica e avan&amp;ccedil;ar na tecnologia. Lembro de dois casos. Um, de um professor da USP que utilizava (a maioria ainda utiliza) C para ensinar algoritmos. Caraca! &amp;Eacute; uma mat&amp;eacute;ria no primeiro semestre e os alunos acabavam muito mais se degladiando com a linguagem do que se dedicando a entender os algoritmos. Ainda que muitos de n&amp;oacute;s tentassem mudar sua opini&amp;atilde;o, foi necess&amp;aacute;ria uma viagem ao exterior para ele voltar &amp;quot;iluminado&amp;quot; e utilizar Python para ensinar a disciplina aos alunos. O outro caso &amp;eacute; um professor que obriga os alunos a aprenderem Fortram. O ruim disso &amp;eacute; que o mercado&amp;nbsp; fica contaminado de gente que cobra isso no curriculum, quando deveria cobrar algo mais abstrato, como os algoritmos e o conhecimento necess&amp;aacute;rio pra realizar a tarefa, n&amp;atilde;o a experiencia com a ferramenta. &amp;Eacute; importante permitir a diversidade dentro desse meio muito engessado das exatas(&amp;eacute; o &amp;uacute;nico que tenho propriedade para falar), porque a natureza mesmo j&amp;aacute; provou a import&amp;acirc;ncia disso. &amp;Eacute; a diversidade do c&amp;oacute;digo gen&amp;eacute;tico (conhecimento em forma org&amp;acirc;nica) que constroi a exuber&amp;acirc;ncia da natureza e avan&amp;ccedil;a na evolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Lelex:&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
	&lt;p&gt;Sinceramente, o fato das mulheres estarem ocupando cotas n&amp;atilde;o tem mudado muito a nossa situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o em todos os n&amp;iacute;veis. &amp;Agrave;s vezes, tem mulheres bem mais machistas que homens e o mulherismo n&amp;atilde;o tem ajudado muito, pois esse tamb&amp;eacute;m se moviemnta pelo individualismo utilit&amp;aacute;rio. A igualdade n&amp;atilde;o &amp;eacute; um problema de diferen&amp;ccedil;a, &amp;eacute; um problema de relacionamento, de hierarquia e de domina&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Todos s&amp;atilde;o diferentes uns dos outros, homens e mulheres. Tanto na igualdade quanto na diferen&amp;ccedil;a, o masculino &amp;eacute; a medida para a igualdade das mulheres. Se a semelhan&amp;ccedil;a &amp;eacute; o padr&amp;atilde;o, as mulheres obt&amp;eacute;m igualdade na medida em que s&amp;atilde;o iguais aos hoemns. E se a diferen&amp;ccedil;a &amp;eacute; o padr&amp;atilde;o, somente obt&amp;eacute;m igualdade quando s&amp;atilde;o diferentes dos homens. Questiona-se o masculino como medida para a mulher receber tratamento igual, como questiona-se que a difren&amp;ccedil;a ou reconhecimento da diferen&amp;ccedil;a para constituir tratamento especial. Os interesses masculinos moldam o ambiente de trabalho. Igualdade sem equidade n&amp;atilde;o &amp;eacute; igualdade, &amp;eacute; cultural e educacional. Numa escola de medicina, por exemplo, aulas de anatonomia humana s&amp;atilde;o com cadaveres de homens, com cadaveres de mulheres. A disciplina passa para ginecologia. O sujeito de direitos em cursos de direito que formam advogados, ju&amp;iacute;zes, promotores, delegados, enfim, o modelo de sujeito de direitos &amp;eacute; homem, branco, rico, propriet&amp;aacute;rio, heterosexual, ass&amp;eacute;ptico, monog&amp;acirc;mico, higi&amp;ecirc;nico. Lembrei deum caso, mas n&amp;atilde;o lembro a empresa, o homem era gay, programador, bem remunerado, nos EUA, a empresa tinha filial na europa - e l&amp;aacute; tamb&amp;eacute;m existe cirurgia de mudan&amp;ccedil;a de sexo. Ele pediu transfer&amp;ecirc;ncia, conseguiu o mesmo cargo, mesmo sal&amp;aacute;rio e aproveitou para fazer a cirurgia. Quando voltou seu sal&amp;aacute;rio foi reduzido em 30%. O argumento: as mulheres custam 30% menos, por engravidarem, tem TPM, filho que adoece. A identidade dele mudou, passou a ser ela. Ou seria demitido, ou teria seu sal&amp;aacute;rio reduzido.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Paulo Ren&amp;aacute;:&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
	&lt;p&gt;A quest&amp;atilde;o da diversidade &amp;eacute; elemento chave para a pluralidade de qualquer comunidade. Vale para o debate do marco civil, vale para o THacker e vale para a comunidade ampla de programadores. N&amp;atilde;o porque uma mulher a mais ou a menos vai gerar, por si, s&amp;oacute; menos machismo. Mais porque a presen&amp;ccedil;a de vis&amp;otilde;es e experi&amp;ecirc;ncias diversas vai for&amp;ccedil;ar uma viv&amp;ecirc;ncia que considerar mais vis&amp;otilde;es e experi&amp;ecirc;ncias. &amp;Agrave;s vezes isso acontece com choques, como na linguagem do portugu&amp;ecirc;s que tem uma exclus&amp;atilde;o nas regras de g&amp;ecirc;nero, mas as vezes acontece com detalhes quase impercept&amp;iacute;veis, numa escolha de cores ou de campos em um formul&amp;aacute;rio. Sobre a falta de diversidade em geral, e n&amp;atilde;o apenas sobre a falta de mulheres, eu apontei o problema na comunidade wiki lus&amp;oacute;fona. N&amp;atilde;o deu em nada, mas acho que vale o registro, para pensar que essa dificuldade &amp;eacute; bem maior do que a comunidade de programadores. Porra, o pr&amp;oacute;prio Congresso Nacional, na &amp;uacute;ltima elei&amp;ccedil;&amp;atilde;o, viveu um encolhimento da quantidade de mulheres.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;</description>
 <comments>http://mutgamb.org/blog/Por-uma-cultura-coder-igualitaria#comments</comments>
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 <pubDate>Wed, 18 Apr 2012 11:58:25 +0000</pubDate>
 <dc:creator>mairabegalli</dc:creator>
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 <title>Bolsa de Verão para Mulheres em NY</title>
 <link>http://mutgamb.org/blog/Bolsa-de-Verao-para-Mulheres-em-NY</link>
 <description>&lt;p&gt;Em uma iniciativa casada, a &lt;a href=&quot;https://www.hackerschool.com/&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Hacker School&lt;/a&gt; e a &lt;a href=&quot;http://www.etsy.com&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Esty&lt;/a&gt; anunciaram uma bolsa de estudos para mulheres que desenvolvam trabalhos de engenharia. S&amp;atilde;o dez bolsas de 5 mil dol&amp;aacute;res cada uma para participarem do programa de Ver&amp;atilde;o 2012, em Nova Iorque.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
	&lt;p&gt;Esperamos que esse seja o primeiro de muitos passos para incentivar mais mulheres.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mais detalhes sobre a bolsa podem ser acessados nesses links (&lt;a href=&quot;http://www.etsy.com/blog/news/2012/etsy-hacker-grants-supporting-women-in-technology/&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;1&lt;/a&gt;,&lt;a href=&quot;http://www.etsy.com/hacker-grants&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;2&lt;/a&gt;):&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;</description>
 <comments>http://mutgamb.org/blog/Bolsa-de-Verao-para-Mulheres-em-NY#comments</comments>
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 <wfw:commentRss>http://mutgamb.org/crss/node/661</wfw:commentRss>
 <pubDate>Thu, 12 Apr 2012 12:06:32 +0000</pubDate>
 <dc:creator>mairabegalli</dc:creator>
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 <title>Coisas de mulher e homem já não  fazem sentido há muito tempo...</title>
 <link>http://mutgamb.org/blog/Coisas-de-mulher-e-homem-ja-nao-fazem-sentido-ha-muito-tempo</link>
 <description>&lt;p&gt;O t&amp;iacute;tulo do post foi um coment&amp;aacute;rio de Marcelo Braz na #metareciclagem para a discuss&amp;atilde;o que a Fabs abriu na lista ao compartilhar &amp;quot;&lt;a href=&quot;http://namakajiri.net/diary/1950&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e G&amp;ecirc;nero em 2012&lt;/a&gt;&amp;quot;. Um mundo um tanto distante de propostas &lt;a href=&quot;http://nuvem.tk/?encontrada&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;sens&amp;iacute;veis &lt;/a&gt;e &lt;a href=&quot;http://http://www.pavablog.com/2011/06/28/em-pre-escola-sueca-nao-existe-mais-distincao-entre-meninos-e-meninas/&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;igualit&amp;aacute;rias&lt;/a&gt;:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
	&lt;p&gt;1. Quando voc&amp;ecirc; convive com pessoas inteligentes e progressivas, &amp;agrave;s vezes fica confortavelmente alheio de problemas de g&amp;ecirc;nero. Mas vivemos numa sociedade retr&amp;oacute;grada, e fatalmenta voc&amp;ecirc; vai esbarrar numa &lt;a href=&quot;http://johntdecarli.hubpages.com/hub/mulhollanddrive&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;intrus&amp;atilde;o do Real&lt;/a&gt; de tempos em tempos. Por exemplo, um conhecido de Curitiba acabou de contar que recebeu uma nota da escolinha da filha dele, avisando que as professoras estavam preocupadas porque ela s&amp;oacute; gostava de coisas de menino (super-her&amp;oacute;is, etc.); e que estavam tentando sanar este problema ensinando-a a brincar com Barbies. Precisei de alguns momentos pra conciliar esta not&amp;iacute;cia com o fato que vivemos em 2012 e n&amp;atilde;o 1942.&lt;/p&gt;
	&lt;p&gt;2. Quase no mesmo dia, tivemos outra surpresa, desta vez mais perto de casa; algo que aconteceu em nossa pr&amp;oacute;pria escolinha. Na verdade foi algo &lt;i&gt;minor&lt;/i&gt;, mas&amp;hellip; bem, acho que a mensagem que enviamos explica nossa opini&amp;atilde;o a respeito:&lt;/p&gt;
	&lt;p&gt;Caros [X],&lt;/p&gt;
	&lt;p&gt;Soubemos que, recentemente, educadoras da escolinha instru&amp;iacute;ram diretamente o Samael&amp;mdash;e tamb&amp;eacute;m sua irm&amp;atilde;, Valentine&amp;mdash;que ele n&amp;atilde;o deveria usar a presilha de cabelo que havia escolhido para sair de casa. Pelo relato, os termos espec&amp;iacute;ficos foram que ele &amp;ldquo;n&amp;atilde;o pode&amp;rdquo;, &amp;ldquo;porque &amp;eacute; de menina&amp;rdquo;.&lt;/p&gt;
	&lt;p&gt;Gostar&amp;iacute;amos de deixar claro, antes de mais nada, que estamos no geral satisfeitos com a qualidade da educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o em [Y]; o cuidado e aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o dedicados &amp;agrave;s crian&amp;ccedil;as &amp;eacute; evidente, e est&amp;aacute; claro que vai al&amp;eacute;m do meramente profissional, pelo que somos muitos gratos. Por&amp;eacute;m, n&amp;oacute;s, como pais, nos opomos aos valores promovidos pelo tipo de atitude tomada no evento descrito acima. Fazemos quest&amp;atilde;o de n&amp;atilde;o exigir das crian&amp;ccedil;as que se encaixem for&amp;ccedil;osamente em pap&amp;eacute;is de g&amp;ecirc;nero. Naturalmente, vivemos em uma sociedade na qual tais pap&amp;eacute;is s&amp;atilde;o muitas vezes normativos (a nosso ver, irracionalmente), e n&amp;atilde;o escondemos essa verdade de nossos filhos; por exemplo, dissemos ao Samael que, se ele quisesse usar a presilha em quest&amp;atilde;o, muitas pessoas poderiam rir dele; mas, no fim, a decis&amp;atilde;o de se conformar ou de violar tais expectativas sociais tem que ser &lt;b&gt;deles&lt;/b&gt;, e qualquer que seja a decis&amp;atilde;o, consideramos nosso papel apoi&amp;aacute;-la. N&amp;atilde;o vemos problema algum que as educadoras orientem, por exemplo, sobre a probabilidade de ironia ou estranhamento pelos outros colegas, ou sobre o fato que muitos (mas n&amp;atilde;o todos os) homens evitam usar esse tipo de pe&amp;ccedil;a. Mas quando isso &amp;eacute; expresso como um &amp;ldquo;n&amp;atilde;o pode&amp;rdquo;, extrapola-se da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o para a normatiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pap&amp;eacute;is de g&amp;ecirc;nero, que consideramos fora dos limites. Em particular, gostar&amp;iacute;amos de passar a eles a no&amp;ccedil;&amp;atilde;o de que mulheres n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o inferiores aos homens, e que, como conseq&amp;uuml;&amp;ecirc;ncia l&amp;oacute;gica, o fato de um homem vestir pe&amp;ccedil;as de roupa ou comportar-se de forma &amp;ldquo;feminina&amp;rdquo; (brincar com bonecas, etc.) n&amp;atilde;o tem nada de c&amp;ocirc;mico ou degradante; e tamb&amp;eacute;m que muitos homens (inclusive, ocasionalmente, o pai deles) fazem coisas que alguns consideram &amp;ldquo;de menina&amp;rdquo;, e que n&amp;atilde;o h&amp;aacute; nada de errado ou proibido com isso.&lt;/p&gt;
	&lt;p&gt;Compreendemos que n&amp;atilde;o houve nenhuma inten&amp;ccedil;&amp;atilde;o de repress&amp;atilde;o por parte das educadoras, que com certeza s&amp;oacute; estavam pensando no bem das crian&amp;ccedil;as. Mas somos uma fam&amp;iacute;lia que tenta passar uma postura cr&amp;iacute;tica quanto a quest&amp;otilde;es de g&amp;ecirc;nero, e gostar&amp;iacute;amos de pedir que isso fosse respeitado no futuro.&lt;/p&gt;
	&lt;p&gt;Atenciosamente, &amp;amp;c.&lt;/p&gt;
	&lt;p&gt;3. Exagero? Sim, um pouco. Lembro que, a despeito de ter sofrido horrores com normas de g&amp;ecirc;nero a inf&amp;acirc;ncia inteira, eu n&amp;atilde;o me considerava especialmente (ou ativamente) &amp;ldquo;feminista&amp;rdquo; h&amp;aacute; uns dez anos atr&amp;aacute;s. Mas acredito que, quando voc&amp;ecirc; tem filhos (de qualquer sexo gen&amp;eacute;tico ou identidade), torna-se imposs&amp;iacute;vel ficar politicamente neutro. Ou voc&amp;ecirc; p&amp;otilde;e a m&amp;atilde;o na massa e ensina eles a combater as press&amp;otilde;es sociais, ou, por omiss&amp;atilde;o, coaduna com essas mesmas press&amp;otilde;es. Se voc&amp;ecirc; quer que seus filhos n&amp;atilde;o tenham bloqueios &lt;i&gt;internos&lt;/i&gt; quanto a fazer, vestir, ou viver da forma que preferirem, precisa mostrar como rejeitar bloqueios &lt;i&gt;externos&lt;/i&gt;, a fim de previnir que se internalizem. &amp;Agrave;s vezes voc&amp;ecirc; simplesmente tem que ser militante. Sen&amp;atilde;o, quando v&amp;ecirc;, est&amp;atilde;o tomando os Batmans e trocando por Barbies.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Marcos Rufino participou da discuss&amp;atilde;o e comentou:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
	&lt;p&gt;Homem tem de usar azul e menina rosa? Meu pai dizia homem que &amp;eacute; homem n&amp;atilde;o chora na frente dos outros, e eu prendia o choro sempre. Quando minha m&amp;atilde;e morreu, eu estava com quase 11 anos e n&amp;atilde;o chorei em p&amp;uacute;blico. Mas, ainda hoje choro escondido. Agora, com 33 anos redescubro o prazer de me emocionar e chorar na frente de outros, sou humano tenho sentimentos, adoro rosas e a cor rosa.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Compartilhei esses fragmentos com Daniela Ara&amp;uacute;jo, pesquisadora de quest&amp;otilde;es de g&amp;ecirc;nero. Queria enxergar como algu&amp;eacute;m de &amp;quot;fora&amp;quot;, e ligada ao movimento feminista enxergava esse rastro de conversa. Eis a resposta:&lt;/p&gt;
&lt;blockquote&gt;
	&lt;p&gt;&lt;span&gt;Estou relendo Bodies that Matter da Judith Butler pra preparar um artigo pros Cadernos Pagu, e pensando exatamente nessas reitera&amp;ccedil;&amp;otilde;es que sexuam as pessoas dentro da matriz heteronormativa. Em outras palavras, a pr&amp;oacute;pria materialidade percebida como diferen&amp;ccedil;a entre os sexos &amp;eacute; produzinda por essas pr&amp;aacute;ticas repetidas ad infinitum, que reiteram que pessoas tem que ter um sexo que corresponde a um g&amp;ecirc;nero e a um conjunto de caracter&amp;iacute;sticas f&amp;iacute;sicas, psicol&amp;oacute;gicas, comportamentais e de sexualidade. A escola &amp;eacute; um elemento normatizador essencial nesse sentido, pois dentro da nossa concep&amp;ccedil;&amp;atilde;o, ela &amp;eacute; a porta entre a fam&amp;iacute;lia - tida como uma esfera privada e relativamente aut&amp;ocirc;noma (o que n&amp;atilde;o deixa de ser uma grande ilus&amp;atilde;o, pois a fam&amp;iacute;lia n&amp;atilde;o est&amp;aacute; fora do social, e nem o social fora da fam&amp;iacute;lia) e as rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es e identidades sociais mais amplas que conformar&amp;atilde;o as identidades dos sujeitos. Esses exemplos s&amp;atilde;o extremamente preocupantes, pois demonstram como essa discuss&amp;atilde;o cr&amp;iacute;tica sobre g&amp;ecirc;nero est&amp;aacute; alheia &amp;agrave; forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos educadores da primeira inf&amp;acirc;ncia. E preocupantes porque h&amp;aacute; uma infinidade de sujeitos que, desde sempre sujeitados a essas normas extremamente r&amp;iacute;gidas que produzem meninas que brincam de barbie e meninos que brincam de super-her&amp;oacute;is e jogam futebol, tamb&amp;eacute;m produzem uma quantidade enorme de crian&amp;ccedil;as que se sentir&amp;atilde;o inadequadas por n&amp;atilde;o corresponderem ao padr&amp;atilde;o reiterado. De certa forma, &amp;eacute; um bullying de g&amp;ecirc;nero institucional o que essas escolas e educadores fazem.Sinceramente, eu tamb&amp;eacute;m preferiria brincar de super-her&amp;oacute;i, desafiar os limites do que uma pessoa pode fazer e fazer coisas incr&amp;iacute;veis para lutar contra as injusti&amp;ccedil;as. A Barbie s&amp;oacute; fica em seu mundinho super consumista todo cor-de-rosa em que seu principal papel &amp;eacute; parecer bonita em meio a suas posses. E vem c&amp;aacute;, por que o Batman pode usar cueca por cima de legging e o menino n&amp;atilde;o pode usar uma fivela?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
	&lt;p&gt;&lt;span&gt;Parab&amp;eacute;ns pra todos os metarecicleiros por levantarem a bola da discuss&amp;atilde;o. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;</description>
 <comments>http://mutgamb.org/blog/Coisas-de-mulher-e-homem-ja-nao-fazem-sentido-ha-muito-tempo#comments</comments>
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 <pubDate>Mon, 09 Apr 2012 10:46:24 +0000</pubDate>
 <dc:creator>mairabegalli</dc:creator>
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