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 <title>Mutirão da Gambiarra - ativismo hacker</title>
 <link>http://mutgamb.org/taxonomy/term/475/0</link>
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 <language>pt-br</language>
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 <title>O hype do hacker versus ativismo hacker</title>
 <link>http://mutgamb.org/blog/O-hype-do-hacker-versus-ativismo-hacker</link>
 <description>&lt;p&gt;No dia 20 de janeiro a internet foi tomada por uma s&amp;eacute;rie de a&amp;ccedil;&amp;otilde;es distribu&amp;iacute;das contra outras s&amp;eacute;ries de a&amp;ccedil;&amp;otilde;es que est&amp;atilde;o tentando limitar a liberdade das redes. A autoria dessas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es foi assinada pelo grupo&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Anonymous. Conversei com Jo&amp;atilde;o Carib&amp;eacute;, do &lt;a href=&quot;http://meganao.wordpress.com&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;MegaN&amp;atilde;o&lt;/a&gt;, sobre o hype hacker que sonda alguns coletivos e que &amp;agrave;s vezes se distancia da constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o coletiva e colaborativa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Durante a a&amp;ccedil;&amp;atilde;o contra os sites fechados, e a pol&amp;ecirc;mica do Mega Upload, voc&amp;ecirc; declarou que estava mudando sua opini&amp;atilde;o em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao Anonymous. O que te levou a isso? &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Carib&amp;eacute; - &lt;/strong&gt;Na verdade nunca foi efetivamente &amp;quot;contra&amp;quot; o Anonymous, apenas n&amp;atilde;o opinava a respeito, mas no dia 20 eles foram efetivos. Observando as a&amp;ccedil;&amp;otilde;es vi que eles estavam apenas fazendo a&amp;ccedil;&amp;otilde;es de DDOs e n&amp;atilde;o vandalismo, o que n&amp;atilde;o afeta o valor das a&amp;ccedil;&amp;otilde;es deles. &amp;Eacute; importante ressaltar que o Anomymous &amp;eacute; uma ideia, e n&amp;atilde;o um grupo efetivamente, mas mesmo assim, no Brasil surgiram perfis e grupos que se identificam como Anonymous Brasil que ao menos seguem a mesma linha. Por outro lado, n&amp;atilde;o podemos deixar de citar os LulzSec e seus &amp;quot;comparsas&amp;quot; o iPiratesGroup e o LulzSecBrazil que na verdade atuam como mercen&amp;aacute;rios digitais, atacando efetivamente, inclusive com defacing de sites em busca de visibilidade, mas com foco no fomento de fatos para a tramita&amp;ccedil;&amp;atilde;o de projetos e leis severas como o Ai5 Digital.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Como voc&amp;ecirc; enxerga que os brasileiros enxergam a liberdades das redes? J&amp;aacute; que muitos &amp;quot;dos cabe&amp;ccedil;as de rede&amp;quot; falam de processos horizontais, compartilhamento mas acabam se apoiando em comunidades/coletivos para conseguirem privil&amp;eacute;gios pol&amp;iacute;ticos e financeiros? &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Carib&amp;eacute; -&lt;/strong&gt; A pergunta ai tem duas partes, a de apoiar-se em comunidades/ coletivos para obten&amp;ccedil;&amp;atilde;o de previl&amp;eacute;gios pol&amp;iacute;tico e financeiros &amp;eacute; a velha conhecida m&amp;aacute; f&amp;eacute;, e em geral acaba provocando &amp;quot;rachas&amp;quot; dentro do coletivo a partir de blocos que n&amp;atilde;o concordam com os caminhos que o coletivo est&amp;aacute; seguindo. A outra parte &amp;eacute; mais conceitual e vejo como uma quest&amp;atilde;o de transi&amp;ccedil;&amp;atilde;o, h&amp;aacute; alguns anos, os principais hubs (cabe&amp;ccedil;as de rede como voc&amp;ecirc; citou) eram imigrantes digitais como eu por exemplo, que conheceram a Internet em 95, quando ja tinha a subjetividade formada inclusive no pensar social e profissional. Com o advento da rede fomos obrigados a reaprender e revisar muitos destes dogmas, mas h&amp;aacute; sempre o v&amp;iacute;cio de pensar que j&amp;aacute; sedimentou. Aqueles que entraram na rede antes de construir estes dogmas possuem muito mais facilidade em entender e usar a din&amp;acirc;mica da rede, e essa facilidade est&amp;aacute; inversamente proporcional &amp;agrave; idade com que a pessoa teve acesso &amp;agrave; Internet a primeira vez. No ano de 2012 por exemplo temos os primeiros nativos puramente digitais completando 18 anos, certamente saber&amp;atilde;o usar a rede de forma infinitamente mais eficiente do que qualquer um de nos que esteja lendo este texto e seja mais velho do que eles. Outro ponto neste debate est&amp;aacute; no fato de que a maioria das institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es ainda seguem o velho modelo conceituado na Revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o Industrial, que prima a organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, o m&amp;eacute;todo e o famigerado organograma, esse velho modelo j&amp;aacute; se mostrou ineficaz e ultrapassado, pois acaba distanciando qualquer debate das bases, mesmo que tenha iniciado nelas, e dai sujeito a todo tipo de miopia. Dependendo do foco da comunidade/coletivo, ele precisar&amp;aacute; ter uma interface para se relacionar com estas institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es &amp;quot;anal&amp;oacute;gicas&amp;quot; que citei acima, este interfaceamento muitas vezes afeta a forma estrutural do coletivo, principalmente se este for manter rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es formais com estas institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es anal&amp;oacute;gicas, tais como representa&amp;ccedil;&amp;atilde;o socio politica e/ou recebedora de proventos financeiros, pois a&amp;iacute; &amp;eacute; uma quest&amp;atilde;o legal mesmo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O que o Mega N&amp;atilde;o pretende e que linha o Mega N&amp;atilde;o n&amp;atilde;o pretende seguir? &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Carib&amp;eacute; -&lt;/strong&gt; O Mega N&amp;atilde;o come&amp;ccedil;ou como um coletivo, um movimento em rede, conectando diversos movimentos, mas quando comecou a se relacionar com as institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es formais, inclusive governamentais come&amp;ccedil;ou a ter de &amp;quot;ganhar forma&amp;quot; e essencialmente teve de &amp;quot;sair da rede&amp;quot; e fora do espa&amp;ccedil;o digital a necessidade financeira, pois o custo do deslocamento de 100MB de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; infinitamente menor do que o deslocamento de uma pessoa, e estamos neste momento de ter de deslocar pessoas para estarem presentes nos eventos e locais onde as coisas relativas a liberdade na Internet acontecem, e a&amp;iacute; temos de tornar tang&amp;iacute;veis nossos bits e bytes de forma a interfacear com esse velho p&amp;uacute;blico. E tudo isso t&amp;ecirc;m um custo. Neste ponto, para o pr&amp;oacute;prio movimento Mega N&amp;atilde;o estamos vivenciando um dilema, pois um coletivo pela liberdade na rede n&amp;atilde;o pode por exemplo receber aportes financeiros de empresas com as quais n&amp;atilde;o temos alinhamento ideol&amp;oacute;gico, o ideal seria que este sistema fosse de doa&amp;ccedil;&amp;otilde;es pessoais regulares, o que n&amp;atilde;o &amp;eacute; comum no Brasil, mas mesmo assim vamos testar esse modelo a partir de mar&amp;ccedil;o. A quest&amp;atilde;o da luta pela liberdade na Internet no Brasil h&amp;aacute; muito tempo se ampliou, o Ai5 Digital, &amp;eacute; hoje apenas uma parte do problema, uma pequena diga-se de passagem, existem v&amp;aacute;rias &amp;quot;camadas&amp;quot; que precisam ser monitoradas e trabalhadas, as ofensivas tamb&amp;eacute;m est&amp;atilde;o se aprimorando, por exemplo. O Mega N&amp;atilde;o ganhou o Pr&amp;ecirc;mio FRIDA, e com isso eu pude participar do IGF (Internet Governance Forum) no Qu&amp;ecirc;nia, ao chegar l&amp;aacute; vi que diversas organiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es como a EFF, Le Quadrature Du Net, Access, EFF Fil&amp;acirc;ndia, e v&amp;aacute;rios outras que tratam de quest&amp;otilde;es de liberdade e direitos humanos j&amp;aacute; frequentavam o IGF h&amp;aacute; anos, foi algo do tipo: &amp;quot;Onde eu estava que n&amp;atilde;o havia visto isso?&amp;quot; Isso me alavancou para uma camada que n&amp;atilde;o estava no radar do Mega N&amp;atilde;o, a camada de governan&amp;ccedil;a da Internet, e que &amp;eacute; essencialmente o c&amp;eacute;rebro e o sistema vascular da Internet. A pr&amp;oacute;xima edi&amp;ccedil;&amp;atilde;o deste ano vai ser no Azerbaidj&amp;atilde;o, e n&amp;atilde;o acredito que consiga ter a mesma sorte de 2011 de ganhar a viagem. Isso se multiplica, h&amp;aacute; a necessidade de termos gente especializada no Mega N&amp;atilde;o, e de termos mais representatividade al&amp;eacute;m de mim, do Paulo Ren&amp;aacute;, da Juliana Andrade e da F&amp;aacute;tima Conti, cada um de n&amp;oacute;s tem seus compromissos, e h&amp;aacute; a necessidade urgente de profissionalizar o movimento, para atender as demandas que v&amp;ecirc;m de novos ataques &amp;agrave; liberdade. Por outro lado temos de manter a nossa rede super energizada e motivada, pois tudo isto n&amp;atilde;o fara sentido se n&amp;atilde;o tivermos o apoio da rede que sempre sustentou as nossas lutas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Voc&amp;ecirc; acha que ainda olhamos muito &amp;quot;o de l&amp;aacute; de fora&amp;quot; e n&amp;atilde;o olhamos para o nosso quintal? &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Carib&amp;eacute; -&lt;/strong&gt; Numa primeira an&amp;aacute;lise eu pensei no famoso complexo de vira latas da minha gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o, mas n&amp;atilde;o creio que isso seja o que acontece. Tem quest&amp;otilde;es culturais tamb&amp;eacute;m, num debate recente na Campus Party houve uma pergunta do tipo o porqu&amp;ecirc; o Brasileiro n&amp;atilde;o &amp;eacute; t&amp;atilde;o engajado politicamente, o porqu&amp;ecirc; n&amp;atilde;o vai as ruas e tal. At&amp;eacute; vai, mas n&amp;atilde;o &amp;eacute; como em alguns pa&amp;iacute;ses. Expliquei que minha gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o cresceu dentro da ditadura, que a coisa era no n&amp;iacute;vel de podermos portar e nem ter em casa livros com ideias comunistas, n&amp;atilde;o se podia manifestar, o cidad&amp;atilde;o politizado era criminalizado. Essa vis&amp;atilde;o cresceu junto conosco, s&amp;oacute; mesmo a gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o mais nova para mudar isso, e creio que esteja, veja o caso do Transpar&amp;ecirc;ncia Hacker.&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Fri, 24 Feb 2012 00:15:11 +0000</pubDate>
 <dc:creator>mairabegalli</dc:creator>
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