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 <title>Mutirão da Gambiarra - pinheirinho</title>
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 <title>Somos...</title>
 <link>http://mutgamb.org/blog/Somos</link>
 <description>&lt;p&gt;* colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o especial de 人間 para o MutGamb. Para ler &lt;a href=&quot;http://letras.terra.com.br/dead-fish/173334/&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;ouvindo isso&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;rtecenter&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; src=&quot;http://mutgamb.org/sites/mutgamb.org/files/ficar_resistir_enfrentar.png&quot; style=&quot;height: 318px; width: 600px;&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O caso Pinheirinho tem levantado acalorados debates e questionamentos tanto nas redes dita sociais - isto &amp;eacute;, nas formas de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o e express&amp;atilde;o pela internet - quanto nos grupos e movimentos sociais&lt;br /&gt;
	funcionando em rede. Talvez o maior questionamento seja: Como deixamos aquilo acontecer?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E a pergunta deve ser dirigida para todos, como elegemos e permitimos governos que trocam o di&amp;aacute;logo pela trucul&amp;ecirc;ncia? Pinheirinho resume quase 600 anos de hist&amp;oacute;ria dentro de um paradoxo que ainda vivemos. Como n&amp;oacute;s, cafuzos e caboclos, temos que lutar e defender com nossa pr&amp;oacute;pria vida o territ&amp;oacute;rio que por direito natural &amp;eacute; nosso? Como ainda temos que lutar pela terra que foi adubada com o sangue da escravid&amp;atilde;o e a morte dos nossos ancestrais? Como deixamos que uma forma jur&amp;iacute;dica republicana se transformasse numa forma jur&amp;iacute;dica de poucos privilegiados que ascenderam aos dispositivos de poder?&lt;br /&gt;
	Pinheirinho &amp;eacute; nosso fogo simb&amp;oacute;lico, &amp;eacute; nossa vontade de ter um lugar digno para viver. O bairro nasceu de baixo para cima, da terra transformada em tijolos, mutir&amp;otilde;es, areia e na vontade de construir juntos. De compartilhar, nem que seja o sofrimento. De fazer valer o tra&amp;ccedil;o cultural que nos transforma em filhos leg&amp;iacute;timos desse territ&amp;oacute;rio, a luta com armas feitas de sonhos e gambiarras contra um passado olig&amp;aacute;rquico, branco, crist&amp;atilde;o, explorador e exibidor de privil&amp;eacute;gios de t&amp;iacute;tulos forjados no compadrio, no coronelismo e na viol&amp;ecirc;ncia de seus jagun&amp;ccedil;os.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quando ensinaremos nas escolas que nossa proclama&amp;ccedil;&amp;atilde;o da rep&amp;uacute;blica aconteceu pela importa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um ideal ma&amp;ccedil;on, o qual foi a base de uma revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o em outro continente que quis trocar um poder soberano baseado numa farsa por outro poder t&amp;atilde;o farsante e sangrento quanto o anterior. O que faziam negros, &amp;iacute;ndios e orientais quando tal revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o aconteceu? A &amp;quot;liberdade&amp;quot; que veio depois seria para aqueles que beijassem a sola do sapato dos novos governos, &amp;quot;igualdade&amp;quot; seria a condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o socioeconomica que se forjaria na explora&amp;ccedil;&amp;atilde;o do trabalho do outro. E a prometida &amp;quot;fraternidade&amp;quot; seria poss&amp;iacute;vel desde que voc&amp;ecirc; compartilhasse da cren&amp;ccedil;a do poder dominante. N&amp;atilde;o, obrigado, n&amp;atilde;o &amp;eacute; nem meu passado e nem a minha hist&amp;oacute;ria.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estamos fartos da hipocrisia secular do velho, muito velho, mundo!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Basta de dispositivos de controle na base do medo e da viol&amp;ecirc;ncia, suportados por uma estrutura jur&amp;iacute;dica arcaica mantenedora de privil&amp;eacute;gios para poucos! Que esp&amp;eacute;cie de deslumbramento nos fez dormir&lt;br /&gt;
	num pesadelo que se mant&amp;eacute;m a s&amp;eacute;culos e que, quando as condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es sociais nos faz ver novamente a liberdade de sermos n&amp;oacute;s mesmos e dignos de uma cultura rica em conviver e respeitar a M&amp;atilde;e Terra. O&lt;br /&gt;
	neoconservadorismo crist&amp;atilde;o patriarcal, travestido de arcabou&amp;ccedil;o jur&amp;iacute;dico, tenta nos calar e se colocar como &amp;uacute;nica possibilidade. Foi esse mesmo pensamento que transformou todos os ritos, rituais e&lt;br /&gt;
	sabedoria de muitos deuses e muitos paj&amp;eacute;s diversos e fortes de um tempo anterior em um deus &amp;uacute;nico. Um deus que ou aben&amp;ccedil;oa e mata, ou mata e depois aben&amp;ccedil;oa. Queremos que todas as for&amp;ccedil;as e deuses da natureza se levantem novamente e falem!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;N&amp;atilde;o queremos que a propriedade seja a espada de um deus &amp;uacute;nico para o qual todos devam curvar a sua&lt;br /&gt;
	espinha at&amp;eacute; chegar ao ch&amp;atilde;o. Nunca foi t&amp;atilde;o real a frase: &lt;em&gt;&amp;quot;Aquele que puser as m&amp;atilde;os sobre mim, para me governar, &amp;eacute; um usurpador, um tirano. Eu o declaro meu inimigo!&amp;quot;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;N&amp;atilde;o, n&amp;atilde;o nos submeteremos! Somos legi&amp;atilde;o e somos aldeia, caminhamos e caminharemos com a M&amp;atilde;e Terra. Terra n&amp;atilde;o &amp;eacute; mercadoria, n&amp;atilde;o acredite nessa fic&amp;ccedil;&amp;atilde;o que agora mostra a sua verdadeira face e suas garras que exaurem a for&amp;ccedil;a e a beleza da Terra de reproduzir a vida. Somos a terra, somos os rios e os ventos, somos a F&amp;uacute;ria.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Veja o &lt;a href=&quot;http://xa.yimg.com/kq/groups/11057780/2081157165/name/Pinheirinho_relatorio_peliminar_da_violencia_institucional.pdf&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;relat&amp;oacute;rio preliminar sobre o Pinheirinho&lt;/a&gt;, que deve ser um dos que ser&amp;atilde;o enviados aos tribunais internacionais, com todo o hist&amp;oacute;rico da viol&amp;ecirc;ncia cometida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
	...todos Pinheirinhos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
	&lt;br /&gt;
	&amp;nbsp;&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Tue, 07 Feb 2012 08:42:21 +0000</pubDate>
 <dc:creator>mairabegalli</dc:creator>
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