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 <title>Mutirão da Gambiarra - artigos</title>
 <link>http://mutgamb.org/taxonomy/term/38/0</link>
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 <language>pt-br</language>
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 <title>EcologiaMetaReciclagem</title>
 <link>http://mutgamb.org/wiki/EcologiaMetaReciclagem</link>
 <description>&lt;p&gt;
&lt;meta http-equiv=&quot;CONTENT-TYPE&quot; content=&quot;text/html; charset=utf-8&quot; /&gt;Artigo original em anexo (PDF). Na vers&amp;atilde;o abaixo (e anexa em ODT), tirei a imagem e fiz poucas corre&amp;ccedil;&amp;otilde;es gramaticais.  
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;---&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
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&lt;/p&gt;
&lt;h2 class=&quot;western&quot;&gt;Ecologia MetaReciclagem: uma proposta de um framework de sistemas para comunidades de pr&amp;aacute;tica&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Dalton L. Martins, Tanya Stergiou e Munir Younes&lt;/p&gt;
&lt;h3 class=&quot;western&quot;&gt;Resumo&lt;/h3&gt;
&lt;p&gt;O artigo apresenta a ecologia de sistemas de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma comunidade de pr&amp;aacute;tica de usu&amp;aacute;rios baseada na Internet. Atrav&amp;eacute;s da rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre a comunidade de pr&amp;aacute;tica e seus sistemas, o artigo apresenta uma metodologia para replica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de comunidades com o suporte de sistemas de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o em suas v&amp;aacute;rias etapas de desenvolvimento. &amp;Eacute; feito um estudo de caso da comunidade MetaReciclagem e a forma como seus grupos de usu&amp;aacute;rios se apropriam da ecologia de sistemas em seu cotidiano.&lt;/p&gt;
&lt;h3 class=&quot;western&quot;&gt;Introdu&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/h3&gt;
&lt;p&gt;Comunidades, utilizando os recursos das tecnologias da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, t&amp;ecirc;m-se constitu&amp;iacute;do em um foco importante de pesquisas tanto nos aspectos sociais do trabalho em grupo quanto nos aspectos tecnol&amp;oacute;gicos de suporte a esse trabalho. Usu&amp;aacute;rios na Internet, atrav&amp;eacute;s de sistemas de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, t&amp;ecirc;m-se agrupado em comunidades virtuais como &amp;quot;uma estrat&amp;eacute;gia de integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o que auxilia os membros a gerenciar a sobrecarga de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, receber retorno a respeito de novas id&amp;eacute;ias e manter-se lado a lado com id&amp;eacute;ias de ponta, t&amp;eacute;cnicas e ferramentas&amp;quot; (Wenger et ali., 2002).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Wellman (2001) nos oferece uma defini&amp;ccedil;&amp;atilde;o operacional que auxilia a compreender a import&amp;acirc;ncia da comunidade como estrutura social de refer&amp;ecirc;ncia para a Internet: &amp;quot;Comunidades s&amp;atilde;o redes de la&amp;ccedil;os interpessoais que proporcionam sociabilidade, apoio, informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, um senso de integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o e identidade social .&amp;quot;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tornam-se, dessa forma, dom&amp;iacute;nios de apoio e de refer&amp;ecirc;ncia que ultrapassam, muitas vezes, os limites geogr&amp;aacute;ficos de outras formas de institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es sociais e &amp;quot;de fato, numa economia de r&amp;aacute;pidas  movimenta&amp;ccedil;&amp;otilde;es  baseada  no  conhecimento,  esses dom&amp;iacute;nios s&amp;atilde;o frequentemente mais est&amp;aacute;veis e duradouros do que projetos espec&amp;iacute;ficos, postos de trabalho, produtos ou mesmo ramos  de  neg&amp;oacute;cios&amp;quot; (Wenger et ali., 2002).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;S&amp;atilde;o esses dom&amp;iacute;nios, as comunidades, que passam portanto a estruturar e orientar os fluxos de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o oriundos da colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre os seus membros, atrav&amp;eacute;s de mecanismos de intera&amp;ccedil;&amp;atilde;o projetados a partir de sistemas de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o com suporte a Web. Considerando esses sistemas de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o como verdadeiros dispositivos t&amp;eacute;cnicos de apoio a forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o e desenvolvimento da comunidade, podemos constatar que uma verdadeira ecologia cognitiva, relacionada &amp;agrave;s dimens&amp;otilde;es t&amp;eacute;cnicas e coletivas da cogni&amp;ccedil;&amp;atilde;o, come&amp;ccedil;a a se desenhar dado que &amp;quot;os dispositivos t&amp;eacute;cnicos s&amp;atilde;o portanto realmente atores por completo em uma coletividade que j&amp;aacute; n&amp;atilde;o podemos dizer puramente humana, mas cuja fronteira est&amp;aacute; em permanente redefini&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;quot; (Levy, 1993). Portanto, ao caracterizarmos as comunidades n&amp;atilde;o podemos deixar de lado a forma como a mesma constitui a sua ecologia cognitiva e como essa ecologia atua em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o a estrutura&amp;ccedil;&amp;atilde;o  e  orienta&amp;ccedil;&amp;atilde;o  dos  fluxos  de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um ponto de fundamental import&amp;acirc;ncia em se tratando de ecologias cognitivas constitu&amp;iacute;das por comunidades baseadas na Web e seus dispositivos t&amp;eacute;cnicos &amp;eacute; o seu ciclo de realimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o, caracterizado pela forma como a comunidade se apropria da tecnologia e interfere na mesma para ajust&amp;aacute;-la, adapt&amp;aacute;-la conforme a evolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de suas necessidades e dos dom&amp;iacute;nios da comunidade. Em termos das tecnologias da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, temos que &amp;quot;a difus&amp;atilde;o da tecnologia amplifica seu poder de forma infinita, &amp;agrave; medida que os usu&amp;aacute;rios apropriam-se dela e a redefinem. As novas tecnologias da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o simplesmente ferramentas a serem aplicadas, mas processos a serem desenvolvidos. Usu&amp;aacute;rios e criadores podem tornar-se a mesma coisa&amp;quot; (Castells, 1999). As tecnologias da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, sendo tecnologias essencialmente de manipula&amp;ccedil;&amp;atilde;o simb&amp;oacute;lica, facilitam o seu pr&amp;oacute;prio processo de reconfigura&amp;ccedil;&amp;atilde;o em torno de &amp;quot;comunidades de inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o tecnol&amp;oacute;gicas que podem aumentar a velocidade e a efici&amp;ecirc;ncia na qual usu&amp;aacute;rios e empresas podem desenvolver, testar e difundir suas inova&amp;ccedil;&amp;otilde;es&amp;quot; (VonHippel 2005).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O objetivo deste artigo &amp;eacute; caracterizar uma comunidade baseada na Web, a comunidade MetaReciclagem, com a inten&amp;ccedil;&amp;atilde;o de oferecer uma proposta de um framework para ecologias cognitivas atrav&amp;eacute;s  dos sistemas de  informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e suas caracter&amp;iacute;sticas a partir dos processos desenvolvidos pela intera&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre os membros da comunidade.&lt;/p&gt;
&lt;h3 class=&quot;western&quot;&gt;Comunidade MetaReciclagem&lt;/h3&gt;
&lt;p&gt;Criada em dezembro de 2002, como uma comunidade independente e distribu&amp;iacute;da geograficamente atrav&amp;eacute;s de seus membros, a MetaReciclagem origina-se a partir de uma lista de emails na Web com o objetivo de ser uma comunidade interdisciplinar tendo &amp;ldquo;como foco o desenvolvimento de tecnologias para redes sociais, criando alternativas para interconectar e integrar comunidades geograficamente dispersas&amp;rdquo; (Dimantas, 2006). Dessa forma, podemos caracterizar MetaReciclagem como uma verdadeira comunidade de pr&amp;aacute;tica em seus tr&amp;ecirc;s n&amp;iacute;veis estruturais: o dom&amp;iacute;nio, a comunidade e a pr&amp;aacute;tica (Wenger, 2002).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O dom&amp;iacute;nio da comunidade &amp;eacute; aquilo que define a identidade da comunidade, seus pontos de interesse, seus focos de conversa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. A comunidade MetaReciclagem volta-se para uma ampla interdisciplinaridade em torno do tema redes sociais, abordando desde quest&amp;otilde;es t&amp;eacute;cnicas relativas a reciclagem de computadores e software livre, at&amp;eacute; quest&amp;otilde;es de fundo filos&amp;oacute;fico relacionando pr&amp;aacute;ticas pedag&amp;oacute;gicas em projetos sociais e a livre circula&amp;ccedil;&amp;atilde;o da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A comunidade &amp;eacute; formada pelas rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es e intera&amp;ccedil;&amp;otilde;es entre seus membros, sendo a estrutura social que permite o aprendizado. A comunidade MetaReciclagem &amp;eacute; formada por aproximadamente (o fluxo de usu&amp;aacute;rios que entram e saem da comunidade &amp;eacute; consider&amp;aacute;vel) 230 pessoas espalhadas em diversas cidades do Brasil e at&amp;eacute; mesmo do exterior, contando atualmente com alguns membros de Portugal. Os membros da comunidade s&amp;atilde;o a maioria do sexo masculino (81,8%) e possuem idade majorit&amp;aacute;ria entre 25-34 anos (72%), sendo que em torno de 54% dos membros reside na regi&amp;atilde;o de S&amp;atilde;o Paulo (Caetano, 2006). Os membros da comunidade possuem ampla forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o acad&amp;ecirc;mica e &amp;aacute;rea de atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o, indo desde artistas pl&amp;aacute;sticos, jornalistas, advogados a engenheiros, cientistas da computa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, t&amp;eacute;cnologos e matem&amp;aacute;ticos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A pr&amp;aacute;tica &amp;eacute; o conjunto de metodologias, id&amp;eacute;ias, ferramentas, informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, estilo, linguagem, hist&amp;oacute;rias e documentos que os membros das comunidade compartilham (Wenger, 2002). A pr&amp;aacute;tica &amp;eacute; aquilo que a comunidade gera, troca, compartilha em torno de seu dom&amp;iacute;nio de interesse, sendo registrado e compartilhado atrav&amp;eacute;s de diversas formas poss&amp;iacute;veis, desde encontros presenciais at&amp;eacute; sistemas de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o baseados na Web. A pr&amp;aacute;tica da comunidade MetaReciclagem est&amp;aacute; essencialmente focada em torno de tr&amp;ecirc;s n&amp;iacute;veis - infra-estrutura l&amp;oacute;gica, infra-estrutura f&amp;iacute;sica e intera&amp;ccedil;&amp;atilde;o e integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o de capital humano (Dimantas, 2006), chamados de a Tr&amp;iacute;ade da Informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o Livre, que s&amp;atilde;o os tr&amp;ecirc;s n&amp;iacute;veis necess&amp;aacute;rios para a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de redes sociais como estrat&amp;eacute;gia de integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o de comunidades. A infra&amp;shy; estrutura f&amp;iacute;sica tem rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com os computadores, redes de dados, cabos e materiais f&amp;iacute;sicos necess&amp;aacute;rios. A infra-estrutura l&amp;oacute;gica tem rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com os sistemas de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o utilizados, integradores e agregadores de informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es. A intera&amp;ccedil;&amp;atilde;o e integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o do capital humano tem rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o processo da troca da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre os membros da comunidade. A comunidade MetaReciclagem atua, portanto, como uma comunidade de pr&amp;aacute;tica que tem por objetivo desenvolver tecnologias para redes sociais e o desenvolvimento das pr&amp;oacute;prias redes sociais, atuando nos tr&amp;ecirc;s n&amp;iacute;veis da tr&amp;iacute;ade da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, formando, dessa forma, uma estrutura social baseada na Web para o desenvolvimento de projetos, trocas de experi&amp;ecirc;ncias, an&amp;aacute;lises de t&amp;eacute;cnicas e ferramentas, relatos de pr&amp;aacute;ticas sociais e tecnol&amp;oacute;gicas em torno do dom&amp;iacute;nio das redes sociais. Podemos entender MetaReciclagem como sendo uma comunidade de pr&amp;aacute;tica focada no desenvolvimento de outras comunidades de pr&amp;aacute;tica usando, dessa forma, a si mesma como um laborat&amp;oacute;rio de experimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o de tecnologias para redes sociais, metodologias de avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o e replica&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos seus conceitos em projetos t&amp;eacute;cnicos e sociais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Atrav&amp;eacute;s de parcerias com diversas inst&amp;acirc;ncias do terceiro setor e do poder p&amp;uacute;blico, a comunidade MetaReciclagem vem desenvolvendo projetos dentro do dom&amp;iacute;nio das redes sociais, atuando em &amp;aacute;reas como a inclus&amp;atilde;o digital, cultura digital, desenvolvimento de software livre e reciclagem de computadores, formando o corpo de pr&amp;aacute;tica da comunidade, atrav&amp;eacute;s de suas experi&amp;ecirc;ncias. As parcerias e os projetos estabelecidos pela comunidade s&amp;atilde;o geograficamente distribu&amp;iacute;dos em cidades como Santo Andr&amp;eacute;, Campinas, S&amp;atilde;o Paulo, Manaus, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Teresina, Arraial d&#039;Ajuda e Porto Alegre. S&amp;atilde;o os membros da comunidade atrav&amp;eacute;s de suas articula&amp;ccedil;&amp;otilde;es locais que constr&amp;otilde;em suas rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es de parceria com Organiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es N&amp;atilde;o- Governamentais locais e inst&amp;acirc;ncias do poder p&amp;uacute;blico municipal e estadual. Foi atrav&amp;eacute;s dessa din&amp;acirc;mica e capilaridade nacional de atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o da comunidade em pr&amp;aacute;ticas relacionadas a redes sociais que levou o Minist&amp;eacute;rio da Cultura a identificar &amp;quot;o processo de MetaReciclagem como sendo um dos eixos tem&amp;aacute;ticos da a&amp;ccedil;&amp;atilde;o cultura digital&amp;quot; (Minist&amp;eacute;rio da Cultura, 2004) em seu projeto Pontos de Cultura, que &amp;quot;ser&amp;aacute; o meio de liga&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre as a&amp;ccedil;&amp;otilde;es do poder p&amp;uacute;blico e as a&amp;ccedil;&amp;otilde;es da pr&amp;oacute;pria comunidade; e o meio de liga&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre as a&amp;ccedil;&amp;otilde;es culturais das diversas comunidades articuladas&amp;quot; (Gil, 2004).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Dessa forma, a comunidade &amp;eacute; estruturada atrav&amp;eacute;s de suas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es locais de pesquisa, desenvolvimento, inova&amp;ccedil;&amp;otilde;es, aplica&amp;ccedil;&amp;otilde;es e atrav&amp;eacute;s dos sistemas de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o Web, que permitem a articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o, registro, avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o, compartilhamento e colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre as diversas inst&amp;acirc;ncias locais da comunidade e suas iniciativas. Somente atrav&amp;eacute;s da ecologia formada por esses sistemas torna-se  poss&amp;iacute;vel o desenvolvimento de a&amp;ccedil;&amp;otilde;es descentralizadas e o suporte e acompanhamento da comunidade dessas mesmas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es, sendo que a ecologia &amp;eacute; alimentada por a&amp;ccedil;&amp;otilde;es pontuais locais e torna-se o ponto de refer&amp;ecirc;ncia e valida&amp;ccedil;&amp;atilde;o dessas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es, como ponto de estabilidade e estrutura de organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o social.&lt;/p&gt;
&lt;h3 class=&quot;western&quot;&gt;Ecologia MetaReciclagem&lt;/h3&gt;
&lt;p&gt;O termo ecologia deriva de dois vocabul&amp;aacute;rios gregos: oikos (casa) e logos (estudo). Logo, podemos dizer que ecologia est&amp;aacute; relacionada ao estudo do ambiente, ou seja, dos processos que definem o ambiente, delimitam suas fronteiras e permitem a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre seus elementos constitutivos. Em termos de comunidades baseadas em sistemas de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o Web &amp;quot;os processos que sustentam a rede social s&amp;atilde;o processos de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o, que geram um corpo comum de significados e regras de comportamentos (a cultura da rede) e um corpo comum de conhecimentos&amp;quot; (Capra, 2002).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esses processos de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o ocorrem das mais variadas formas poss&amp;iacute;veis, seja em encontros presenciais entre os membros da comunidade, seja atrav&amp;eacute;s de suas intera&amp;ccedil;&amp;otilde;es pelos sistemas de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o da comunidade. Atrav&amp;eacute;s dos registros gerados pelo uso comum desses sistemas, a comunidade vai tecendo a cultura da rede, estabelecendo suas rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es e bases conceituais a partir das quais orienta seu trabalho e a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o de significados. Dessa forma, &amp;eacute; o fluxo de comunica&amp;ccedil;&amp;otilde;es, atrav&amp;eacute;s de seu registro, que define e redefine continuamente a ecologia de sistemas de suporte a comunidade, pois &amp;quot;cada comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o gera pensamentos e um significado, os quais d&amp;atilde;o origem a novas comunica&amp;ccedil;&amp;otilde;es&amp;quot; (Capra, 2002).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Criar, portanto, uma ecologia de sistemas de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o com base no suporte &amp;agrave; colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o da comunidade tem se mostrado uma tarefa de cont&amp;iacute;nua adapta&amp;ccedil;&amp;atilde;o conforme o processo evolutivo da pr&amp;oacute;pria comunidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Antes de iniciar uma an&amp;aacute;lise da ecologia MetaReciclagem como um todo, vale aqui registrar o processo hist&amp;oacute;rico de forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o dessa ecologia conforme a pr&amp;oacute;pria evolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o da comunidade. O in&amp;iacute;cio da comunidade se deu atrav&amp;eacute;s de sua lista de emails, sendo uma das mais cl&amp;aacute;ssicas e utilizadas ferramenta de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o da sociedade de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o (Tyler et al., 2005). Utilizamos o sistema de gerenciamento de emails Mailman (&lt;a href=&quot;http://www.gnu.org/software/mailman/index.html&quot; title=&quot;http://www.gnu.org/software/mailman/index.html&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://www.gnu.org/software/mailman/index.html&lt;/a&gt;). A lista de email rapidamente se tornou insuficiente como forma de registro e de trabalho de id&amp;eacute;ias de projetos, prot&amp;oacute;tipos, experimenta&amp;ccedil;&amp;otilde;es, devido principalmente a dificuldade no processo de recupera&amp;ccedil;&amp;atilde;o da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Dessa forma, surge dentro da comunidade o sistema MediaWiki (&lt;a href=&quot;http://www.mediawiki.org&quot; title=&quot;www.mediawiki.org&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;www.mediawiki.org&lt;/a&gt;), o mesmo sistema utilizado na constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o da WikiPedia&amp;eacute; basicamente um sistema de edica&amp;ccedil;&amp;atilde;o coletiva de p&amp;aacute;ginas web, que permite que os usu&amp;aacute;rios do sistema possam criar p&amp;aacute;ginas relatando id&amp;eacute;ias, projetos, coletando informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es e registrando experi&amp;ecirc;ncias. O sistema tamb&amp;eacute;m que v&amp;aacute;rios usu&amp;aacute;rios possam editar a mesma p&amp;aacute;gina, dando possibilidade de colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o na constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o coletiva de id&amp;eacute;ias.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Resolvido o problema do registro e recupera&amp;ccedil;&amp;atilde;o de id&amp;eacute;ias e projetos, surgiu dentro da comunidade a quest&amp;atilde;o de coletarmos e organizarmos de forma flex&amp;iacute;vel e evolutiva os links que os membros da comunidade desejam compartilhar com a rede. Ap&amp;oacute;s v&amp;aacute;rios testes, chegou-se ao sistema Scuttle (&lt;a href=&quot;http://scuttle.org/&quot; title=&quot;http://scuttle.org/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://scuttle.org/&lt;/a&gt;), sistema que permite aos membros da comunidade cadastrarem seus links e classific&amp;aacute;-los por taxonomias. O sistema agrupa todos os links que foram classificados nas mesmas taxonomias do usu&amp;aacute;rio e de todos os outros membros, facilitando a busca tem&amp;aacute;tica na base de links e construindo um reposit&amp;oacute;rio de informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es consistente com os seus objetivos, ou seja, com seu dom&amp;iacute;nio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ap&amp;oacute;s a implementa&amp;ccedil;&amp;atilde;o desses sistemas, surgiram tr&amp;ecirc;s novos problemas derivados do pr&amp;oacute;prio processo evolutivo da pr&amp;aacute;tica da comunidade. Ap&amp;oacute;s uma intensa fase de cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de projetos, alguns iniciaram seu processo de implementa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, gerando como consequ&amp;ecirc;ncia um conhecimento pr&amp;aacute;tico de determinadas solu&amp;ccedil;&amp;otilde;es tecnol&amp;oacute;gicas e experi&amp;ecirc;ncias sociais no &amp;acirc;mbito do dom&amp;iacute;nio da comunidade. Essas experi&amp;ecirc;ncias precisam ser relatadas no cotidiano dos trabalhos e os sistemas de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o at&amp;eacute; ent&amp;atilde;o existentes mostravam&amp;shy;se insuficientes como possibilidade de registro e mapeamento dos trabalhos. Sentia-se falta de suporte a imagens, de um ambiente que permitisse a constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um di&amp;aacute;rio de experi&amp;ecirc;ncias e de um ambiente que permitisse a comunidade criar cursos &amp;agrave; dist&amp;acirc;ncia para seus membros a respeito de suas pesquisas e experi&amp;ecirc;ncias. Surgiram dessa forma, o sistema de suporte &amp;agrave; educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; dist&amp;acirc;ncia Moodle (&lt;a href=&quot;http://www.moodle.org&quot; title=&quot;www.moodle.org&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;www.moodle.org&lt;/a&gt;), o sistema de gerenciamento de imagens Gallery (&lt;a href=&quot;http://gallery.menalto.com/&quot; title=&quot;http://gallery.menalto.com/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://gallery.menalto.com/&lt;/a&gt;) e o sistema de Blog Coletivo WordPress (&lt;a href=&quot;http://wordpress.org/&quot; title=&quot;http://wordpress.org/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://wordpress.org/&lt;/a&gt;).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por fim, foi criada na comunidade um sistema de agregador RSS (Really Simple Sindication) que agrega todas as informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es que circulam em todos os ambientes que constituem a ecologia de sistemas, permitindo ter uma vis&amp;atilde;o geral de tudo o que ocorre dentro da comunidade. Esse sistema tem por objetivo apenas facilitar observar a partir de um &amp;uacute;nico todas as altera&amp;ccedil;&amp;otilde;es na ecologia da comunidade.&lt;/p&gt;
&lt;table width=&quot;100%&quot; cellspacing=&quot;0&quot; cellpadding=&quot;4&quot; bordercolor=&quot;#000000&quot; border=&quot;1&quot;&gt;
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            &lt;p&gt;Sistema&lt;/p&gt;
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            &lt;/td&gt;
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        &lt;tr valign=&quot;top&quot;&gt;
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            &lt;p&gt;Mailman (lista de e-mails)&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
            &lt;td width=&quot;25%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;233&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
            &lt;td width=&quot;25%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;Mensagens&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
            &lt;td width=&quot;25%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;M&amp;eacute;dia 45/dia&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
        &lt;/tr&gt;
        &lt;tr valign=&quot;top&quot;&gt;
            &lt;td width=&quot;25%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;Mediawiki (wiki)&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
            &lt;td width=&quot;25%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;181&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
            &lt;td width=&quot;25%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;P&amp;aacute;ginas&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
            &lt;td width=&quot;25%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;381&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
        &lt;/tr&gt;
        &lt;tr valign=&quot;top&quot;&gt;
            &lt;td width=&quot;25%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;Scuttle (links)&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
            &lt;td width=&quot;25%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;43&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
            &lt;td width=&quot;25%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;Links&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
            &lt;td width=&quot;25%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;3500&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
        &lt;/tr&gt;
        &lt;tr valign=&quot;top&quot;&gt;
            &lt;td width=&quot;25%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;Wordpress (blog)&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
            &lt;td width=&quot;25%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;25&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
            &lt;td width=&quot;25%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;Publica&amp;ccedil;&amp;otilde;es&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
            &lt;td width=&quot;25%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;129&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
        &lt;/tr&gt;
        &lt;tr valign=&quot;top&quot;&gt;
            &lt;td width=&quot;25%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;Gallery (imagens)&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
            &lt;td width=&quot;25%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;20&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
            &lt;td width=&quot;25%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;Imagens&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
            &lt;td width=&quot;25%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;2128&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
        &lt;/tr&gt;
        &lt;tr valign=&quot;top&quot;&gt;
            &lt;td width=&quot;25%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;Moodle (cursos)&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
            &lt;td width=&quot;25%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;10&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
            &lt;td width=&quot;25%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;Cursos&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
            &lt;td width=&quot;25%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;7&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
        &lt;/tr&gt;
    &lt;/tbody&gt;
&lt;/table&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Segundo Wenger (2002), h&amp;aacute; 3 principais n&amp;iacute;veis de participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos membros de uma comunidade. H&amp;aacute; o grupo nuclear, que &amp;eacute; composto em m&amp;eacute;dia de 10 a 15% da comunidade, que participa dos projetos da comunidade, identifica t&amp;oacute;picos de interesse para o grupo e vai criando uma agenda de reflex&amp;otilde;es, atrav&amp;eacute;s de suas mensagens, experi&amp;ecirc;ncias, imagens e links. O pr&amp;oacute;ximo n&amp;iacute;vel &amp;eacute; o grupo de membros ativos, em m&amp;eacute;dia 15 a 20% da comunidade, que participam dos eventos da comunidade, ocasionalmente participam das discuss&amp;otilde;es sem a mesma regularidade e intensidade do grupo nuclear. A maior parte da comunidade &amp;eacute; composta pelo grupo perif&amp;eacute;rico que s&amp;atilde;o os usu&amp;aacute;rios que raramente participam.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Observando os dados da tabela 1, podemos analisar como esses n&amp;uacute;meros revelam, atrav&amp;eacute;s do uso da ecologia de sistemas, esses tr&amp;ecirc;s n&amp;iacute;veis de usu&amp;aacute;rios. Primeiramente, a maioria absoluta dos membros participa da lista de emails, que &amp;eacute; um sistema que n&amp;atilde;o exige muito envolvimento por parte do usu&amp;aacute;rio, j&amp;aacute; que n&amp;atilde;o h&amp;aacute; necessidade da leitura da mensagem e t&amp;atilde;o pouco de participar da discuss&amp;atilde;o. H&amp;aacute; uma configura&amp;ccedil;&amp;atilde;o espec&amp;iacute;fica do sistema MailMan que permite aos membros da lista receber as mensagens uma-a-uma (188 membros) ou um &amp;uacute;nico email contendo o resumo das mensagens (45 membros). &amp;Eacute; curioso notar que o n&amp;uacute;mero dos membros que recebem as mensagens individualmente &amp;eacute; muito pr&amp;oacute;ximo com o n&amp;uacute;mero de membros registrados no sistema Wiki (181). Uma an&amp;aacute;lise dos dados de participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de membros no m&amp;ecirc;s de junho de 2006, mostrou que houve 96 membros que participaram de discuss&amp;otilde;es da lista. Observando que tivemos um n&amp;uacute;mero de 31 membros que publicaram menos que 3 mensagens durante o m&amp;ecirc;s, sendo os 65 (27,9%) membros restantes indicando um n&amp;uacute;mero dentro da faixa de usu&amp;aacute;rios ativos e participantes do grupo nuclear.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;J&amp;aacute; analisando a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos membros da comunidade nos outros sistemas de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, podemos perceber uma queda grande de participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o: Scuttle (18,5%), WordPress (10,7%), Gallery (8,6%) e Moodle (4,3%). Essa redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o pode ser avaliada pelo fato de que esses sistemas indicam um maior necessidade de envolvimento por parte dos membros da comunidade na execu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de projetos, na proposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de novas id&amp;eacute;ias, na pesquisa de temas de estudo e na montagem de cursos, mostrando que esses sistemas acabam se tornando o meio de trabalho e articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o do grupo nuclear da comunidade. Outro elemento importante a ser analisado &amp;eacute; o fato de que esses sistemas possuem um maior grau de complexidade, dado que o usu&amp;aacute;rio filtra e estrutura os fluxos de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de forma l&amp;oacute;gica e organizada segundo seus pr&amp;oacute;prios crit&amp;eacute;rios, envolvendo processamento de recursos audio-visuais e categoriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. &amp;Eacute;, portanto, atrav&amp;eacute;s desses sistemas que o grupo nuclear articula suas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es e vai pautando o restante da comunidade, formada pelo grupo de usu&amp;aacute;rios ativos e perif&amp;eacute;ricos.&lt;/p&gt;
&lt;h3 class=&quot;western&quot;&gt;Metodologia de replica&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/h3&gt;
&lt;p&gt;Wenger (2002) descreve os cinco est&amp;aacute;gios de desenvolvimento de uma comunidade: potencial, uni&amp;atilde;o, matura&amp;ccedil;&amp;atilde;o, articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o e transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o. O est&amp;aacute;gio potencial indica a fase em que percebemos o potencial de forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma comunidade em torno de um determinado dom&amp;iacute;nio. A uni&amp;atilde;o consiste do processo de agregar pessoas em torno da proposta. A fase de matura&amp;ccedil;&amp;atilde;o consiste na etapa de idenficar com maiores detalhes o dom&amp;iacute;nio da comunidade, quais s&amp;atilde;o seus interesses, suas especificidades e de atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o na forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o da cultura de base e dos consensos da comunidade. A fase de articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o envolve o agrupamento dos membros em torna da execu&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos projetos, implementa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de id&amp;eacute;ias, constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de prot&amp;oacute;tipos e obten&amp;ccedil;&amp;atilde;o de recursos. Ap&amp;oacute;s essa fase, a comunidade passa por uma etapa de transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o, redefinindo objetivos, pr&amp;aacute;ticas e buscando novas possibilidades.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como forma de atender de estruturar esses cinco est&amp;aacute;gios de desenvolvimento, propomos um framework como metodologia de replica&amp;ccedil;&amp;atilde;o do processo desenvolvido pela comunidade MetaReciclagem demonstrado na tabela 2.&lt;/p&gt;
&lt;table width=&quot;100%&quot; cellspacing=&quot;0&quot; cellpadding=&quot;4&quot; bordercolor=&quot;#000000&quot; border=&quot;1&quot;&gt;
    &lt;col width=&quot;85&quot; /&gt; 	&lt;col width=&quot;85&quot; /&gt; 	&lt;col width=&quot;85&quot; /&gt;
    &lt;tbody&gt;
        &lt;tr valign=&quot;top&quot;&gt;
            &lt;td width=&quot;33%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;Fase&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
            &lt;td width=&quot;33%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;Sistema&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
            &lt;td width=&quot;33%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;Uso recomendado&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
        &lt;/tr&gt;
        &lt;tr valign=&quot;top&quot;&gt;
            &lt;td width=&quot;33%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;Potencial&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
            &lt;td width=&quot;33%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;Lista de e-mails&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
            &lt;td width=&quot;33%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;Cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o da lista e convite para potenciais interessados com o 			objetivo de identificar o real poder da comunidade.&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
        &lt;/tr&gt;
        &lt;tr valign=&quot;top&quot;&gt;
            &lt;td width=&quot;33%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;Uni&amp;atilde;o&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
            &lt;td width=&quot;33%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;Lista de e-mails e Links&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
            &lt;td width=&quot;33%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;Amplia&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos membros da comunidade a partir do grupo 			inicial. Coleta de links de refer&amp;ecirc;ncia sobre o dom&amp;iacute;nio da 			comunidade.&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
        &lt;/tr&gt;
        &lt;tr valign=&quot;top&quot;&gt;
            &lt;td width=&quot;33%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;Matura&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
            &lt;td width=&quot;33%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;Wiki&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
            &lt;td width=&quot;33%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;Cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos primeiros projetos coletivos. Estrutura&amp;ccedil;&amp;atilde;o das 			id&amp;eacute;ias.&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
        &lt;/tr&gt;
        &lt;tr valign=&quot;top&quot;&gt;
            &lt;td width=&quot;33%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;Articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
            &lt;td width=&quot;33%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;Blog, imagens, Cursos&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
            &lt;td width=&quot;33%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;Relato dos processos de trabalho. Documenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos projetos e 			replica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de iniciativas.&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
        &lt;/tr&gt;
        &lt;tr valign=&quot;top&quot;&gt;
            &lt;td width=&quot;33%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;Transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
            &lt;td width=&quot;33%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;Lista de e-mails&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
            &lt;td width=&quot;33%&quot;&gt;
            &lt;p&gt;Abertura de novas discuss&amp;otilde;es, redefini&amp;ccedil;&amp;atilde;o de escopo e de 			novas tend&amp;ecirc;ncias.&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
        &lt;/tr&gt;
    &lt;/tbody&gt;
&lt;/table&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;h2 class=&quot;western&quot;&gt;Agradecimentos&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Gostar&amp;iacute;amos de agradecer aos membros da comunidade MetaReciclagem como um todo, em especial a Felipe Fonseca, Hernani Dimantas, Miguel Caetano, Marcelo Braz e Daniel P&amp;aacute;dua pelo apoio na realiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o deste trabalho.&lt;/p&gt;
&lt;h2 class=&quot;western&quot;&gt;Conclus&amp;atilde;o&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;Este artigo teve por objetivo apresentar a experi&amp;ecirc;ncia da comunidade MetaReciclagem na cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma ecologia de sistemas de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o Web para atender as necessidades em evolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o passar do tempo de sua comunidade de pr&amp;aacute;tica. O conceito de comunidade de pr&amp;aacute;tica e sua rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com a ecologia de sistemas permitiu tra&amp;ccedil;ar um paralelo direto entre as fases de desenvolvimento de comunidades e o uso de sistemas de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o para dar suporte a esse mesmo desenvolvimento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Dessa rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o tamb&amp;eacute;m pudemos observar, de forma geral, a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uso dos sistemas pelo grupo de usu&amp;aacute;rios perif&amp;eacute;ricos, ativos e nuclear, indicando uma possibilidade de tend&amp;ecirc;ncia de uso de sistemas  espec&amp;iacute;ficos n&amp;atilde;o s&amp;oacute; para necessidades espec&amp;iacute;ficas, mas tamb&amp;eacute;m para n&amp;iacute;veis diferentes de envolvimento e participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do trabalho da pr&amp;aacute;tica e das experi&amp;ecirc;ncias da comunidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;Eacute; , portanto, atrav&amp;eacute;s dessa experi&amp;ecirc;ncia que propomos uma metodologia de replica&amp;ccedil;&amp;atilde;o e estrutura da ecologia de sistemas atrav&amp;eacute;s das etapas de desenvolvimento de uma comunidade, baseada em alguns sistemas de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o baseados em software livre e que podem ser utilizados e adaptados por qualquer comunidade em forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o ou em diferentes est&amp;aacute;gios de desenvolvimento.&lt;/p&gt;
&lt;h3 class=&quot;western&quot;&gt;REFER&amp;Ecirc;NCIAS&lt;/h3&gt;
&lt;p&gt;[1] Caetano, Miguel Afonso. &amp;quot;Tecnologias de resist&amp;ecirc;ncia: transgress&amp;atilde;o e solidariedade nos media t&amp;aacute;cticos&amp;quot;. Disserta&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Mestrado.2006. Insituto Superior de Ci&amp;ecirc;ncias do Trabalho e da Empresa. Portugal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[2] Capra, Fritojf. As conex&amp;otilde;es ocultas ci&amp;ecirc;ncia para uma vida sustent&amp;aacute;vel. Ed. Cultrix - Amana-key. 2002&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[3] Castells, Manuel.&amp;quot;A sociedade em rede&amp;quot;. Editora Paz e Terra. 1999&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[4] Dimantas, Hernani. &amp;quot;Linkania: a sociedade da colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;quot;. Disserta&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Mestrado. Pontif&amp;iacute;cia Universidade Cat&amp;oacute;lica. S&amp;atilde;o Paulo. 2006.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[5] Gil, Gilberto. Discurso do Ministro sobre o Programa Nacional Cultura, Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e Cidadania Cultura Viva, durante encontro com artistas em Berlim. 2004. Link:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.cultura.gov.br/noticias/discursos/index.php?p=847&amp;amp;more=1&amp;amp;c=1&amp;amp;tb=1&amp;amp;pb=1&quot; title=&quot;http://www.cultura.gov.br/noticias/discursos/index.php?p=847&amp;amp;more=1&amp;amp;c=1&amp;amp;tb=1&amp;amp;pb=1&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://www.cultura.gov.br/noticias/discursos/index.php?p=847&amp;amp;more=1&amp;amp;c=1&amp;amp;...&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[6] Levy, Pierre. &amp;quot;As tecnologias da intelig&amp;ecirc;ncia: o futuro do pensamento na era da inform&amp;aacute;tica&amp;quot;. Editora 34. 1993.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[7] Minist&amp;eacute;rio da Cultura. Cat&amp;aacute;logo do Programa Cultura Viva.2004 Link:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.cultura.gov.br/sys/skins/cultura_viva_capa/img/cartilha_cultura_viva_pt-br.pdf&quot; title=&quot;http://www.cultura.gov.br/sys/skins/cultura_viva_capa/img/cartilha_cultura_viva_pt-br.pdf&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://www.cultura.gov.br/sys/skins/cultura_viva_capa/img/cartilha_cultu...&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[8] Tyler, Joshua R., Wilkinson, Dennis M., Huberman, Bernarndo A.,Email as spectroscopy: automated discovery of community structure within organizations. The Information Society 2005. Ed. Taylor &amp;amp; Francis Group. 2005.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[9] Von Hippel, Eric. &amp;quot;Democratizing innovation technologies&amp;quot;. MIT Press. 2005.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[10] Wellman, Barry. &amp;quot;Physical place and cyberplace: the rise of networked individualism&amp;quot;, International Journal of Urban and Regional Research, 1. 2001.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[11] Wenger, Etienne, McDermott, Richard, Snyder, William M. &amp;quot;Cultivating Communities of Practice&amp;quot;. Harvard Business School Press. 2002.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;</description>
 <comments>http://mutgamb.org/wiki/EcologiaMetaReciclagem#comments</comments>
 <category domain="http://mutgamb.org/assunto/Tags/artigos">artigos</category>
 <category domain="http://mutgamb.org/assunto/Tags/infral%C3%B3gica">infralógica</category>
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 <wfw:commentRss>http://mutgamb.org/crss/node/300</wfw:commentRss>
 <pubDate>Tue, 13 Jan 2009 21:44:23 +0000</pubDate>
 <dc:creator>felipefonseca</dc:creator>
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</item>
<item>
 <title>Reciclar tecnologia por uma cultura popular local</title>
 <link>http://mutgamb.org/fonte/Reciclar-tecnologia-por-uma-cultura-popular-local</link>
 <description>&lt;strong&gt;O copyleft aplicado ao hardware: temos disponível sucata e para nós o lixo tecnológico deve ser reaproveitado. Para fazer inclusão digital, reciclar é dar acesso.&lt;/strong&gt;&lt;br style=&quot;font-weight: bold;&quot; /&gt;&lt;br /&gt;O marco da entrada do software livre no Brasil deu-se com o lançamento do Conectiva Red Hat, que a partir de 1996 disponibilizou uma versão traduzida ao português brasileiro do sistema operacional Gnu/Linux.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas foi de fato a sociedade civil que propagou o uso e construiu as relações de compartilhamento, troca e pesquisa intrínsecas ao projeto de um sistema livre e de código aberto. Ações como o Projeto Software Livre, por exemplo, que realiza desde 2000 anualmente o Fórum Internacional Software Livre (FISL) fizeram com que o Gnu/Linux se tornasse mais utilizado e difundido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os avanços das interfaces gráficas e dos programas multimídia também foram de suma importância para a abrangência do uso do software livre, mas principalmente sua filosofia de livre distribuição, possibilidade de modificação e customização, entre outras, atraiu muitas pessoas. A cultura de uso desta nova ferramenta fez com que os ideais de livre distribuição, compartilhamento e faça você mesma migrassem para outras áreas, como a produção midiática e musical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Indymedias foram os primeiros websites de notícias que utilizaram a licença copyleft. No Brasil, no final de 2000, chega o Centro de Mídia Independente. Logo depois, pessoas ligadas à música, como o coletivo pernambucano Re:Combo, passam a utilizar uma licença de remix. É o início da migração dos ideais do software livre para a arte e a cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a receita da feijoada disponível para todo mundo, cada região do país reinventou sua versão, adicionou um tempero regional. O licenciamento que permite executar, estudar, aperfeiçoar e distribuir, originário da GNU General Public License (GPL), passa a ser aplicado em outras esferas que não a do software. O que ocorreu no caso do Brasil, nos últimos dez anos, é que o sistema operacional livre e sua ideologia foi encarado e utilizado como um catalisador para ações que sempre existiram no “mundo analógico”.&lt;br /&gt;Cultura e tecnologia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir da distribuição de uma documentação sobre como produzir, aliada à popularização de mídias como gravadores de CDs e DVDs, tornou-se muito mais acessível divulgar realidades regionais. Pois, em contraposição à diversidade brasileira, o monopólio das mídias trabalha em função do jabá, representando na telinha ou no rádio uma cultura muito mais estadunidense (*) que nacional. Quando muito destaca o sudeste e um nordeste rotulado em jargões comerciais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paralelamente, a interlocução das mídias livres trabalha mais diretamente com as pessoas, possibilitando que muitas outras vozes e opiniões sejam protagonistas. Conseqüentemente a diversidade é muito maior. Um simples exemplo sobre a produção musical brasileira: quem é mais representativo, a Sony/BMG e seus 38 artistas nacionais contratados ou os mais de 30 mil musicistas cadastrados no Trama Virtual que disponibilizam suas músicas em licenças livres?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste aspecto os Encontros de Conhecimentos Livres e as Oficinas locais, promovidos desde 2005 pela Ação Cultura Digital, trabalham com a auto-estima das comunidades a partir do momento em que as colocam como protagonistas de sua própria história e oferecendo a possibilidade de auto-documentação da cultura popular local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram inúmeros os grupos que gravaram seu primeiro CD ou primeiro vídeo de trabalhos criados por gerações. São novas produções culturais refletindo para o mundo a diversidade nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A instrumentalização tecnológica dosPontos de Cultura, entidades selecionadas em edital pelo Ministério da Cultura para receber uma verba com vistas a ampliar suas ações, seja por meio do kit multimídia ou pelo aprendizado do manuseio de ferramentas livres para a produção multimídia, também fez com que estes agentes se tornassem autônomos em sua produção cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já é possível trocar material entre projetos de todo país e com acesso à internet pode-se conhecer muitas outras realidades além daquelas exibidas no plim plim da Rede Globo, como no Acervo Livre, repositório de publicações abertas de material multimídia, por exemplo.&lt;br /&gt;Reapropriação das ferramentas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em se tratando da realidade brasileira não faz sentido falar em investimentos milionários em hardware (computadores, filmadoras, etc) para promover essa difusão e produção cultural descentralizada. A grande questão fica em como trabalhar com a diversidade cultural e criatividade com poucos recursos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O diferencial da abordagem brasileira com relação às ferramentas tecnológicas, ou o hardware, é que de fato temos disponível sucata e para nós o lixo tecnológico deve ser reaproveitado. Um máquina de última geração pode até chegar à classe média alta, porém para fazer inclusão digital, entenda-se lá como for o que esta expressão indique, é preciso ter em mente que reciclar é dar acesso.&lt;br /&gt;O copyleft do hardware&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justamente aí entra o Metareciclagem, proposta que serviu de base para a construção da Ação Cultura Digital. Este projeto não se trata apenas de reciclar máquinas antigas para colocar telecentros em funcionamento. Fazer Metareciclagem é principalmente pensar em como empregar a parafernália tecnológica para projetos socialmente engajados utilizando-se de criatividade artística para isso. Lembrando que por tecnologia entende-se qualquer objeto manipulado pelo ser humano, de uma lápis a um processador dual core.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desmontar teclados, fazer com eles sensores e com estes fazer um piano no chão é um exemplo de Metareciclagem. Uma video wall, ou parede de telas de computador antigas, exibindo imagens é aplicar o conceito de Metareciclagem. Estes são apenas alguns exemplos de projetos executados por pessoas que trabalham com baixa tecnologia, arte e multimídia. São coisas assim que encantam as pessoas por serem quase inimagináveis no primeiro olhar, afinal, você pensaria em um piano ao ver um monte de teclados velhos e estragados? (Veja o vídeo do piano em funcionamento)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que as pessoas que aplicam Metareciclagem em suas vidas de fato fazem é levar o conceito de código aberto ao hardware, à parafernália tecnológica. Pois ao abrir a caixa preta da tecnologia, entender como as máquinas funcionam por dentro, reproduz-se a receita do bolo, da feijoada, utilizando-a de sua própria maneira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse olhar, que vislumbra possibilidades infinitas, reflete a criatividade típica das brasileiras e brasileiros. Se propomos novos usos no artesanato porque não na tecnologia? Além disso, a simples atitude de reaprovetar a baixa tecnologia é negar a obsolescência programada da indústria. Ao abrir as máquinas desmistifica-se o que é um computador, seu funcionamento e sua distância, seja ela de origem financeira ou de aprendizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grupos e coletivos como o Metareciclagem, o Mídia Tática e o Centro de Mídia Independente, atuantes direta ou indiretamente no MinC por meio da Ação Cultura Digital, misturam o low tech com o multimídia em um contexto de mudanças sócio econômicas do qual emergem os conceitos do software livre e os novos tipos de licenciamento de obras artísticas e intelectuais, em um processo colaborativo que muda a forma com que a cultura, a mídia e a tecnologia serão vistas pelas novas gerações. [Webinsider]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;……………………………………………………..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(*) O termo estadunidense é utilizado ao invés de norte americanos pois entende-se por norte americanos também os mexicanos e canadenses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colaborou Tati Wells&lt;br /&gt;
	&lt;h3&gt;Sobre o autor&lt;/h3&gt;
	&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Drica Veloso&lt;/strong&gt;
(&lt;a href=&quot;mailto:drica@estudiolivre.org&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;drica@estudiolivre.org&lt;/a&gt;) faz parte da história do Software Livre no
Brasil e participa de projetos como Cultura Digital, Conversê e &lt;strong&gt;&lt;a title=&quot; (Este link abre uma nova janela!)&quot; target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://drica.estudiolivre.org/&quot; rel=&quot;externo&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Estúdio Livre&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;br /&gt;</description>
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 <pubDate>Sun, 24 Dec 2006 11:47:00 +0000</pubDate>
 <dc:creator>felipefonseca</dc:creator>
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