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 <title>Mutirão da Gambiarra - conversas</title>
 <link>http://mutgamb.org/taxonomy/term/161/0</link>
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 <title>Inversão da Resistência?</title>
 <link>http://mutgamb.org/livro/Invers%C3%A3o-da-Resist%C3%AAncia</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://pub.descentro.org/inversao_da_resistencia&quot; title=&quot;http://pub.descentro.org/inversao_da_resistencia&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://pub.descentro.org/inversao_da_resistencia&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; Enviado por &lt;a title=&quot;Ver o perfil do usu&amp;aacute;rio.&quot; href=&quot;http://pub.descentro.org/pessoa/felipefonseca&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;felipefonseca&lt;/a&gt; em Sex, 23/02/2007 - 01:31.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;INVERS&amp;Atilde;O DA RESIST&amp;Ecirc;NCIA?&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;(Antonio Albuquerque) &lt;/strong&gt;Os Estados Unidos aparecem no cen&amp;aacute;rio mundial a partir da segunda revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o industrial e do processo de matura&amp;ccedil;&amp;atilde;o do processo do capitalismo. Para os Estados unidos &amp;eacute; canalizado todo o fluxo de capital do mundo. Esse processo de capitaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de dinheiro dos Estados Unidos no s&amp;eacute;culo XX se faz tamb&amp;eacute;m com a &lt;em&gt;grande apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o do conhecimento &lt;/em&gt;todo, se faz tamb&amp;eacute;m com a propriedade intelectual, com a lei de patentes, com a forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o das grandes empresas multinacionais, com seus ramos pela sociedade global em outros pa&amp;iacute;ses, capitalizando para os Estados Unidos conhecimento e riqueza e dinheiro e bens de capital. O conhecimento das partes &amp;eacute; colocado na sociedade. O que n&amp;oacute;s estamos querendo colocar &amp;eacute;: &lt;em&gt;qual &amp;eacute; a resist&amp;ecirc;ncia do Brasil&lt;/em&gt;? Na verdade as grandes empresas &amp;eacute; que v&amp;atilde;o ter que resistir ao processo de restabelecimento de um processo social de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o coletiva de conhecimento, que j&amp;aacute; existia antes da forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o do capitalismo. Esta &amp;eacute; a quest&amp;atilde;o, &lt;em&gt;a resist&amp;ecirc;ncia &amp;eacute; deles e n&amp;atilde;o nossa&lt;/em&gt;, o que n&amp;oacute;s estamos fazendo na verdade &amp;eacute; caminhar no processo do capital, &amp;eacute; o processo mais f&amp;aacute;cil, &amp;eacute; o processo de colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o, &amp;eacute; resgatar esse processo, que &amp;eacute; o processo natural. Eles que v&amp;atilde;o ter que resistir para manter esse processo, que &amp;eacute; anti&amp;eacute;tico, que faz com que a popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o seja cada vez mais pobre, tr&amp;ecirc;s quintos da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o mundial hoje j&amp;aacute; vive na faixa de mis&amp;eacute;ria, o globo terrestre n&amp;atilde;o suporta esse modelo, est&amp;aacute; destruindo as &amp;aacute;guas, destruindo as florestas, destruindo o ar. &amp;Eacute; um modelo insustent&amp;aacute;vel! E o que est&amp;aacute; acontecendo? Com o software livre e com o processo que vai al&amp;eacute;m do software livre, essa tomada de consci&amp;ecirc;ncia resgata uma produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o social e coletiva do conhecimento que est&amp;aacute; espalhado por todas as partes, por todos os p&amp;oacute;los do mundo. &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;(FF)&lt;/strong&gt; Os que existe de revolucion&amp;aacute;rio no software livre acontece de maneira descentralizada. Quer dizer, n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o pessoas que t&amp;ecirc;m o objetivo de fazer o melhor browser do mundo, o melhor software do mundo, s&amp;atilde;o pessoas resolvendo seus &lt;em&gt;problemas locais&lt;/em&gt;, o pr&amp;oacute;prio objetivo da evolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o do software livre &amp;eacute; um bando de pessoas que quer resolver pequenos problemas e isso de uma maneira emergente acaba criando um contexto que &amp;eacute; revolucion&amp;aacute;rio. &amp;Eacute; uma outra maneira, uma maneira emergente de enfrentar as coisas que v&amp;aacute;rias pessoas t&amp;ecirc;m em comum. &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;(Chico) &lt;/strong&gt;O Paj&amp;eacute; antes tava insistindo em um lance que &amp;quot;tem uma id&amp;eacute;ia por tr&amp;aacute;s&amp;quot;, o &amp;quot;o que est&amp;aacute; por tr&amp;aacute;s&amp;quot;? &lt;span style=&quot;&quot;&gt;Eu &lt;/span&gt;quero discordar de tudo o que o Paj&amp;eacute; falou, porque eEle est&amp;aacute; obcecado no que est&amp;aacute; &lt;em&gt;por tr&amp;aacute;s&lt;/em&gt; das coisas. Eu acho que a gente vive justamente um momento que &lt;em&gt;as id&amp;eacute;ias n&amp;atilde;o est&amp;atilde;o dando conta das coisas que est&amp;atilde;o acontecendo&lt;/em&gt;. Outro dia eu estava conversando com o Rhatto, e ele estava falando que na faculdade de meteorologia tem um cluster com sessenta processadores e que n&amp;atilde;o existe ningu&amp;eacute;m que consegue programar pra esses computadores. O pessoal est&amp;aacute; ainda tentando conseguir desenvolver programas pra esse cluster que consigam explorar toda a potencialidade desse objeto t&amp;eacute;cnico, dessa configura&amp;ccedil;&amp;atilde;o que os caras criaram. Ent&amp;atilde;o, tem uma &lt;em&gt;acelera&amp;ccedil;&amp;atilde;o do desenvolvimento t&amp;eacute;cnico&lt;/em&gt; que &amp;eacute; a acelera&amp;ccedil;&amp;atilde;o da acelera&amp;ccedil;&amp;atilde;o e a gente est&amp;aacute; tentando entender e &lt;em&gt;nem sempre tem uma id&amp;eacute;ia que est&amp;aacute; por tr&amp;aacute;s&lt;/em&gt; que consegue determinar pra qu&amp;ecirc; aquele objeto t&amp;eacute;cnico vai servir, como ele vai ser utilizado, quais v&amp;atilde;o ser as conseq&amp;uuml;&amp;ecirc;ncias, os desdobramentos da inser&amp;ccedil;&amp;atilde;o desse objeto t&amp;eacute;cnico nas redes sociais e tal. Eu gostaria de chamar a aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o pra isso. &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;(Chico) &lt;/strong&gt;Acho que eu consigo responder a primeira quest&amp;atilde;o do Paj&amp;eacute; que ele, num tom provocativo, falou: &amp;ldquo;Ah, e a&amp;iacute;? Voc&amp;ecirc;s est&amp;atilde;o usando ai o processador Pentium e n&amp;atilde;o sei o qu&amp;ecirc;, e a&amp;iacute; como &amp;eacute; que fica? E o software livre? Pra que que serve ent&amp;atilde;o?&amp;rdquo; Que eu acho um discurso f&amp;aacute;cil e muito simples de tentar esgotar as possibilidades criativas do software livre ou de qualquer forma de resist&amp;ecirc;ncia porque o fundamento do argumento do Paj&amp;eacute; &amp;eacute; o fundamento da nega&amp;ccedil;&amp;atilde;o entendeu? &lt;em&gt;Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o est&amp;aacute; negando o Pentium usando software livre, ent&amp;atilde;o voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o est&amp;aacute; combatendo o Pentium.&lt;/em&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;(Chico) &lt;/strong&gt;Eu quero discordar tamb&amp;eacute;m do Ant&amp;ocirc;nio, que estava com um referencial marxista, querendo colocar o determinismo econ&amp;ocirc;mico. Mas &lt;em&gt;n&amp;atilde;o basta a gente mudar os propriet&amp;aacute;rios dos meios de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o pra gente mudar a estrutura de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/em&gt;. O caso da Uni&amp;atilde;o Sovi&amp;eacute;tica estava a&amp;iacute;, esteve a&amp;iacute;, pra nos mostrar isso. Mudaram-se os patr&amp;otilde;es, as pessoas continuaram trabalhando da mesma maneira e n&amp;atilde;o mudou nada, continuou tendo produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o de mais-valia, as pessoas eram exploradas e continuou a mesma coisa, e depois o neg&amp;oacute;cio acabou. A minha viagem &amp;eacute; assim: &lt;em&gt;o tipo de resist&amp;ecirc;ncia.&lt;/em&gt; E quando o Dalton fala: &amp;ldquo;ah se uma empresa pegar eu acho que eu n&amp;atilde;o t&amp;ocirc; nem ai, eu vou achar legal, se o Debian conseguiu se estabelecer porque o pessoal foi usando&amp;rdquo; &amp;eacute; mais uma &lt;em&gt;estrat&amp;eacute;gia de contamina&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/em&gt;, o pessoal come&amp;ccedil;a a utilizar o software livre, come&amp;ccedil;a a utilizar o Debian, a o camarada colocou: &amp;ldquo;&amp;Eacute;, mas a&amp;iacute; est&amp;aacute; se apropriando do seu trabalho!&amp;rdquo; Entendeu? Mas n&amp;atilde;o, ele est&amp;aacute; usando o Debian e daqui a pouco vai ter um mais monte de gente usando o Debian e vai abrir espa&amp;ccedil;o pra mais pessoas conhecerem e utilizarem um software que &amp;eacute; produzido dentro de uma outra ecologia de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o de conhecimento, dentro de uma outra &amp;eacute;tica, como algumas pessoas falaram. Ent&amp;atilde;o eu quero citar aqui o &lt;em&gt;acad&amp;ecirc;mico&lt;/em&gt; Bodinho, porque a partir de suas leituras de Deleuze e Guattari ele me ensinou uma outra maneira de utilizar o conceito de resist&amp;ecirc;ncia. A resist&amp;ecirc;ncia, segundo Guattari seria a nega&amp;ccedil;&amp;atilde;o: &amp;quot;eu vou resistir&amp;quot;. &lt;em&gt;A resist&amp;ecirc;ncia baseada na nega&amp;ccedil;&amp;atilde;o est&amp;aacute; fundada em um paradigma da f&amp;iacute;sica mec&amp;acirc;nica, da a&amp;ccedil;&amp;atilde;o e rea&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/em&gt;. E o outro tipo de resist&amp;ecirc;ncia que ele prop&amp;otilde;e &amp;eacute; a &lt;em&gt;re-exist&amp;ecirc;ncia que &amp;eacute; a constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de novos espa&amp;ccedil;os de exist&amp;ecirc;ncia&lt;/em&gt;. Ent&amp;atilde;o, n&amp;atilde;o &amp;eacute; que eu sou contra as coisas, que eu quero destruir o Pentium e tal, n&amp;atilde;o, &lt;em&gt;eu quero construir novos espa&amp;ccedil;os &lt;/em&gt;de exist&amp;ecirc;ncia porque n&amp;atilde;o d&amp;aacute; simplesmente pra gente fazer revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o e derrubar as coisa e tal, porque a l&amp;oacute;gica &amp;eacute; outra e o barato &amp;eacute; outro. &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;(Chico)&lt;/strong&gt;&lt;span style=&quot;&quot;&gt; &lt;/span&gt;A gente est&amp;aacute; falando de f&amp;iacute;sica qu&amp;acirc;ntica mas pensando: existe uma empresa, existe o trabalhador, existe o indiv&amp;iacute;duo, enfim, cada um &amp;eacute; v&amp;aacute;rios, n&amp;atilde;o existe um eu. E a gente tem que quebrar com essas coisas tamb&amp;eacute;m da maneira como a gente pensa e a&amp;iacute; tem essa coisas da teoria e da pr&amp;aacute;tica que a gente tamb&amp;eacute;m tem que mudar como pensa. &lt;em&gt;N&amp;atilde;o adianta ver o novo, que s&amp;atilde;o essas coisas que est&amp;atilde;o acontecendo, com as categorias do velho&lt;/em&gt;, pensar o novo a partir do velho que voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o vai entender. &lt;em&gt;Entendeu? &lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;strong&gt;(Bodinho) &lt;/strong&gt;Falaram da academia em v&amp;aacute;rios momentos e sempre se tem a imagem que a academia, essa vis&amp;atilde;o do cara sisudo, do cara com v&amp;aacute;rios livros, com roupas escuras e dialogando com o estabelecido. O Jubinha &amp;eacute; um acad&amp;ecirc;mico. Olha pro Jubinha, olha o perfil do Jubinha, ele faz um novo uso da academia. E a academia como um espa&amp;ccedil;o p&amp;uacute;blico, garantido pelo Estado, possibilita uma produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o intelectual livre, e existem pessoas aqui dentro que conseguem talvez tra&amp;ccedil;ar umas linhas mais marginais, umas linhas mais criativas, que n&amp;atilde;o passam por esse sistema quadrado e fechado. S&amp;atilde;o pessoas que tentam relan&amp;ccedil;ar, intervir de alguma maneira. O Can&amp;aacute;rio falou que a gente &amp;eacute; acad&amp;ecirc;mico, a gente aqui at&amp;eacute; faz uma brincadeira neste sentido que come&amp;ccedil;ou no cineclube de exibi&amp;ccedil;&amp;atilde;o e foi virando v&amp;aacute;rias outras coisas, ou seja, eram os acad&amp;ecirc;micos fazendo um cineclube. Ent&amp;atilde;o, enquanto espa&amp;ccedil;o p&amp;uacute;blico, garantido pelo estado com uma relativa tecnologia, com um relativo acesso &amp;agrave; tecnologia, na academia cabe &amp;agrave; gente achar professores que orientem teses mais alternativas, o C. est&amp;aacute; a&amp;iacute;, eu tamb&amp;eacute;m estou fazendo. O Novaes citou um texto que estamos ajudando a fazer n&amp;oacute;s mesmos que &amp;eacute; do professor Luis Orlando(?) aqui do Ifich. Ou seja a possibilidade, a &amp;ldquo;peneira&amp;rdquo;, aqui tem buracos muito largos e aqui &amp;eacute; um lugar onde a gente pode emplacar uma coisa que a gente diz muito que &amp;eacute; 171, d&amp;aacute; pra voc&amp;ecirc; fazer v&amp;aacute;rios 171, uma &lt;em&gt;gambiarra acad&amp;ecirc;mica&lt;/em&gt;. Ent&amp;atilde;o talvez este seja o depoimento de um acad&amp;ecirc;mico, e &lt;em&gt;existem acad&amp;ecirc;micos que n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o uns sisudos, n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o uns chatos&lt;/em&gt; como esses acad&amp;ecirc;micos que est&amp;atilde;o desfrutando das benesses do Estado.&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Thu, 26 Jun 2008 17:57:53 +0000</pubDate>
 <dc:creator>felipefonseca</dc:creator>
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 <title>Apropriação</title>
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 <description>&lt;p class=&quot;rteindent1&quot;&gt;&lt;em&gt;Publicado no Caderno Submidi&amp;aacute;tico #1, edi&amp;ccedil;&amp;atilde;o das transcri&amp;ccedil;&amp;otilde;es do primeiro debate da Submidialogia #1 (Campinas, outubro 2006).&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://pub.descentro.org/apropriacao&quot; title=&quot;http://pub.descentro.org/apropriacao&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://pub.descentro.org/apropriacao&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; Enviado por &lt;a title=&quot;Ver o perfil do usu&amp;aacute;rio.&quot; href=&quot;http://pub.descentro.org/pessoa/felipefonseca&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;felipefonseca&lt;/a&gt; em Sex, 23/02/2007 - 00:53.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;I. MetaReciclagem e apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-style: normal;&quot;&gt;(Dalton)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; A gente sentia um problema muito s&amp;eacute;rio que era quando as pessoas chegavam e falavam assim: n&amp;oacute;s vamos construir um projeto de inclus&amp;atilde;o digital, ou vamos construir um laborat&amp;oacute;rio de inform&amp;aacute;tica, vamos dar cursos, abrir um telecentro, dar acesso &amp;agrave; informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Mas e a apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o tecnol&amp;oacute;gica? Como &amp;eacute; que eu me aproprio dessas ferramentas? Ou melhor, &lt;em&gt;estou me apropriando dessas ferramentas ou simplesmente ampliando o mercado de acesso &amp;agrave; m&amp;iacute;dia de massa&lt;/em&gt;? &lt;br /&gt; A&amp;iacute; num dado momento chegamos na id&amp;eacute;ia de trabalhar com a apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de tecnologia dentro das m&amp;aacute;quinas: como se apropriar do hardware. Por que n&amp;atilde;o abrir o hardware, por que n&amp;atilde;o reinventar esse hardware, por que n&amp;atilde;o adaptar, reinterpretar esse hardware? &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;II. Contexto da apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;(Dalton)&lt;/strong&gt; Quando voc&amp;ecirc; come&amp;ccedil;a a perceber a quest&amp;atilde;o da apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o tecnol&amp;oacute;gica como sendo um elemento que pode derivar para um projeto ou uma circunst&amp;acirc;ncia de constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o cultural que leve a essa integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o econ&amp;ocirc;mica, financeira, e que isso &lt;em&gt;pode levar para a sustentabilidade&lt;/em&gt;, voc&amp;ecirc; tamb&amp;eacute;m come&amp;ccedil;a a pensar em como construir pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas, em como construir &lt;em&gt;pesquisa e desenvolvimento, em cima dessa id&amp;eacute;ia de apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o tecnol&amp;oacute;gica&lt;/em&gt;. Ent&amp;atilde;o voc&amp;ecirc; passa a sair de um modelo onde as pessoas que pesquisam e desenvolvem a tecnologia fazem parte do time de desenvolvimento do fabricante, para reintegrar esse produto e essa tecnologia numa nova escala. A gente come&amp;ccedil;ou a perceber que esse processo tamb&amp;eacute;m derivava de necessidade dos usu&amp;aacute;rios daquela tecnologia de &lt;em&gt;extrapolarem seus limites&lt;/em&gt; e muitas vezes essas necessidades tamb&amp;eacute;m tinham um &lt;em&gt;cunho econ&amp;ocirc;mico&lt;/em&gt;, no sentido de que em uma s&amp;eacute;rie de circunst&amp;acirc;ncias sociais e culturais n&amp;atilde;o havia a condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de financiar determinadas id&amp;eacute;ias e projetos. &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;III. A pr&amp;aacute;tica da apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o na MetaReciclagem&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt; Por exemplo, se a gente vai montar o que hoje pode ser conhecido como um telecentro, a primeira coisa que vamos fazer &amp;eacute; &lt;em&gt;descontruir a tecnologia&lt;/em&gt;, &amp;eacute; desmontar essas m&amp;aacute;quinas, perceber que dentro delas h&amp;aacute; uma s&amp;eacute;rie de &lt;em&gt;tecnologias embarcadas&lt;/em&gt; que a gente d&amp;aacute; o macro-nome de computador, mas isso &amp;eacute; apenas um conceito. e que essas tecnologias embarcadas podem ser desconstru&amp;iacute;das isoladamente. &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;IV. Apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o em sentido mais amplo&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt; Quer dizer, quando eu sento para usar meu laptop, para ver o meu computador, ser&amp;aacute; que a constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o espacial do local aonde estou pensando para a pr&amp;aacute;tica da minha constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de conhecimento atrav&amp;eacute;s da tecnologia &amp;eacute; um espa&amp;ccedil;o do qual efetivamente eu estou me apropriando? Ent&amp;atilde;o levar esse conceito da apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o um pouco mais a fundo, um pouco al&amp;eacute;m dentro de nossas pr&amp;aacute;ticas. Porque sen&amp;atilde;o a gente senta naquelas baias de computador que parecem cochos, a gente n&amp;atilde;o v&amp;ecirc; as pessoas que est&amp;atilde;o ao lado, manda emails uns para os outros, constr&amp;oacute;i todo um processo colaborativo que se d&amp;aacute; no espa&amp;ccedil;o online, e a gente n&amp;atilde;o consegue olhar um nos olhos do outro sentado ao lado. &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;V. Apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o no cotidiano&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt; Ent&amp;atilde;o faz parte do nosso processo radicalizar a nossa pr&amp;aacute;tica em termos reflexivos de como estamos nos apropriando da tecnologia, sen&amp;atilde;o ca&amp;iacute;mos na situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de usar o debian e o firefox na nossa m&amp;aacute;quina mas quando aparece um bug a gente d&amp;aacute; cancel por que d&amp;aacute; trabalho reportar o bug no bugzilla, porque d&amp;aacute; trabalho entrar na comunidade e mostrar o ponto falho daquela tecnologia que estamos usando. Pensar isso sobre a nossa pr&amp;aacute;tica. &lt;em&gt;qual &amp;eacute; a nossa pr&amp;aacute;tica de apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o tecnol&amp;oacute;gica&lt;/em&gt;? Efetiva, no dia a dia, no uso do hardware, do software e da colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o em rede, e como podemos transferir isso no campo te&amp;oacute;rico para construir essa liga&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre as pessoas, entre esses atores. &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;VI. Apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o metaf&amp;oacute;rica&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;(Orlando Lopes)&lt;/strong&gt; voc&amp;ecirc; falou em outros n&amp;iacute;veis de reapropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Voc&amp;ecirc;s est&amp;atilde;o pensando a partir de uma base, a base do Hacker, o primeiro momento, o primeiro experimento que voc&amp;ecirc;s est&amp;atilde;o fazendo de como ele funciona. Agora, a partir do momento que voc&amp;ecirc; tem essa imagem d&amp;aacute; uma sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, como voc&amp;ecirc; falou, de que a partir dali voc&amp;ecirc; vai replicar a metareciclagem... voc&amp;ecirc;s est&amp;atilde;o trabalhando com o conceito de apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o &lt;em&gt;metaf&amp;oacute;rica&lt;/em&gt; junto com a id&amp;eacute;ia de reapropriacao? &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;(Dalton)&lt;/strong&gt; Sim, eu diria que sim. Na verdade, &lt;em&gt;voc&amp;ecirc; s&amp;oacute; consegue fazer uma reinterpreta&amp;ccedil;&amp;atilde;o da tecnologia como primeiro grau de apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o tecnol&amp;oacute;gica se voc&amp;ecirc; invadir o campo da met&amp;aacute;fora&lt;/em&gt;. Se voc&amp;ecirc; entrar no campo da met&amp;aacute;fora voc&amp;ecirc; constr&amp;oacute;i toda uma simbologia. Eu me identificar com aquilo de uma outra forma, ent&amp;atilde;o eu construo um significado diferente para aquilo. &lt;br /&gt; P&amp;ocirc;, pega um computador, &amp;ldquo;ah um computador eh como se fosse uma maquina de escrever&amp;rdquo;, ou o notebook, porque tem esse nome notebook? O mouse... como eh que eu dou novos nomes para aquilo, n&amp;eacute;? Como eu chamo, como eu explico o que &amp;eacute; um HD dentro de um computador sem ter que usar a velha met&amp;aacute;fora de um fich&amp;aacute;rio de arquivos, que vem de uma met&amp;aacute;fora de desktop, de escrit&amp;oacute;rio e que muitas vezes a pessoa nem sabe o que &amp;eacute; aquilo, nunca viu nem um fich&amp;aacute;rio de arquivo? &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;VII. O processo de desconstru&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;(Dalton)&lt;/strong&gt; o processo de desconstru&amp;ccedil;&amp;atilde;o surgiu de uma &lt;em&gt;necessidade pr&amp;aacute;tica&lt;/em&gt;. Para montar novos computadores era necess&amp;aacute;rio &lt;em&gt;&amp;quot;canibalizar&amp;quot;&lt;/em&gt; outros, ent&amp;atilde;o a gente tinha que sacar muitas vezes um transistor de placa para colocar em outra, para que aquele transistor pudesse suprir uma necessidade. Ent&amp;atilde;o ela come&amp;ccedil;ou de uma pr&amp;aacute;tica, do fato de eu ter que pegar doa&amp;ccedil;&amp;otilde;es as mais diversas e a partir dessas doa&amp;ccedil;&amp;otilde;es, que t&amp;ecirc;m realidades t&amp;eacute;cnicas das mais diversas, poder construir novas m&amp;aacute;quinas, me levou a partir para a desconstru&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Depois, a gente come&amp;ccedil;ou a perceber que este processo de desconstru&amp;ccedil;&amp;atilde;o estava na &lt;em&gt;pedagogia&lt;/em&gt;, est&amp;aacute; l&amp;aacute; em Paulo Freire, e os caras j&amp;aacute; est&amp;atilde;o falando isso h&amp;aacute; d&amp;eacute;cadas e tem tudo a ver com isso. Quer dizer, como &amp;eacute; que eu trago esse processo do Paulo Freire, como &amp;eacute; que eu trago as id&amp;eacute;ias do Piaget, e por a&amp;iacute; vai embora. Como &amp;eacute; que eu entro com isso dentro deste processo? &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;VIII. Colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Marcio Black&lt;/strong&gt;Se o software livre aparece como resist&amp;ecirc;ncia ao estado e o Dalton falando da MetaReciclagem, trabalhar com o estado e trabalhar com as corpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es n&amp;atilde;o cria um ru&amp;iacute;do ai? N&amp;atilde;o cria um ru&amp;iacute;do no software livre, no software livre ou na metareciclagem, seja qual for essa a&amp;ccedil;&amp;atilde;o comunit&amp;aacute;ria, n&amp;atilde;o cria um ru&amp;iacute;do? &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;(Dalton) &lt;/strong&gt;Vamos voltar um pouco. Quando voc&amp;ecirc; coloca assim: o software livre como resist&amp;ecirc;ncia &amp;agrave;s corpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es, eu discordo. &lt;em&gt;Eu n&amp;atilde;o acho que o software livre &amp;eacute; uma resist&amp;ecirc;ncia &amp;agrave; corpora&amp;ccedil;&amp;atilde;o at&amp;eacute; porque o software livre s&amp;oacute; existe como existe gra&amp;ccedil;as &amp;agrave;s corpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es, gra&amp;ccedil;as &amp;agrave; Redhat, gra&amp;ccedil;as &amp;agrave; IBM, gra&amp;ccedil;as &amp;agrave; Suse e por a&amp;iacute; vai&lt;/em&gt;. Elas que deram possibilidades. Corpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es que emergiram da pr&amp;aacute;tica do software livre que deram as possibilidades para que ele se constitu&amp;iacute;sse da forma que ele &amp;eacute;. Ent&amp;atilde;o eu n&amp;atilde;o vejo essa &amp;ldquo;resist&amp;ecirc;ncia&amp;rdquo; &amp;agrave;s corpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Eu n&amp;atilde;o acho que &amp;eacute; por a&amp;iacute; a maneira de compreender isso, at&amp;eacute; porque se voc&amp;ecirc; entra em uma comunidade de software livre, um monte de gente trabalha em empresa e constr&amp;oacute;i o kernel do Linux porque tem uma empresa que paga o sal&amp;aacute;rio do cara. Ent&amp;atilde;o eu acho, pra ser mais ousado, que &lt;em&gt;a gente n&amp;atilde;o tem que ver as corpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es no sentido de resist&amp;ecirc;ncia&lt;/em&gt;, no sentido de embate. A gente tem que ver a forma como as corpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es se organizam como um &lt;em&gt;campo flu&amp;iacute;dico no qual a gente pode penetrar e interagir&lt;/em&gt;, e &lt;em&gt;rearticular o sistema produtivo&lt;/em&gt;, e n&amp;atilde;o ver como um embate. &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Marcio Black&lt;/strong&gt; Voc&amp;ecirc; acha que &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel isso ent&amp;atilde;o? Fazer a empresa abrir m&amp;atilde;o de uma parte do lucro dela pra poder incorporar essas solu&amp;ccedil;&amp;otilde;es que a metareciclagem d&amp;aacute; ou traz? Ou ela n&amp;atilde;o vai se apropriar disso, capturar isso da&amp;iacute; para, l&amp;oacute;gico, gerar lucro; eu n&amp;atilde;o conhe&amp;ccedil;o empresa que n&amp;atilde;o queira lucro. &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;(Dalton) &lt;/strong&gt;Dentro do que a gente concebe como colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o entra uma outra linha aqui. Quando voc&amp;ecirc; pensa na dimens&amp;atilde;o econ&amp;ocirc;mica da colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o, esta dimens&amp;atilde;o se efetiva no seguinte ponto: a colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o se d&amp;aacute; numa troca e numa organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o &lt;em&gt;modular e elementar.&lt;/em&gt; Ent&amp;atilde;o, por exemplo, quando eu produzo um peda&amp;ccedil;o de c&amp;oacute;digo eu estou &lt;em&gt;jogando granularidades&lt;/em&gt; na rede. Quando eu divido e subdivido um trabalho, estou colocando modularidades &amp;agrave; disposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o. &lt;em&gt;Isso tem valor econ&amp;ocirc;mico mas n&amp;atilde;o financeiro porque eu estou contribuindo com a rede&lt;/em&gt;. O que tem valor financeiro &amp;eacute; o processo de integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o das modularidades. Chega uma empresa no site do metareciclagem, e fala assim: &amp;ldquo;P&amp;ocirc; esses caras t&amp;ecirc;m um monte de id&amp;eacute;ia legal!&amp;rdquo; Ela pega aquilo, integra de uma certa forma e chama aquilo de um produto. E vende! E faz lucro! &lt;em&gt;E eu n&amp;atilde;o t&amp;ocirc; nem a&amp;iacute; pra isso&lt;/em&gt;! Isso &amp;eacute; muito legal, no meu ponto de vista. Ela conseguiu fazer uma leitura da elementaridade que est&amp;aacute; dentro do wiki, e conseguiu dar um valor financeiro para aquela elementariedade. Para mim beleza! Isso &amp;eacute; o que fez o Debian ser o que &amp;eacute;, a Redhat ser o que &amp;eacute;, a Suse ser o que &amp;eacute;. Eles integraram o software, as elementaridades do software numa dimens&amp;atilde;o que deu uma cara financeira. Isso n&amp;atilde;o abalou a comunidade, isso n&amp;atilde;o abalou a rede, isso fortaleceu a rede porque, de uma certa forma esses caras deram subs&amp;iacute;dios pra que a apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o e a integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o que a empresa fez fosse o feedback, falando de concep&amp;ccedil;&amp;atilde;o sist&amp;ecirc;mica, no pr&amp;oacute;prio sistema da rede. Ent&amp;atilde;o, olha que coisa maluca, a gente &lt;em&gt;coloca atrav&amp;eacute;s da emerg&amp;ecirc;ncia na rede uma corpora&amp;ccedil;&amp;atilde;o para colaborar com voc&amp;ecirc;. A corpora&amp;ccedil;&amp;atilde;o se torna parte da rede&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Marcio Black&lt;/strong&gt; -N&amp;atilde;o &amp;eacute; voc&amp;ecirc; que est&amp;aacute; colocando a corpora&amp;ccedil;&amp;atilde;o para colaborar com voc&amp;ecirc;. &amp;Eacute; &lt;em&gt;ela que est&amp;aacute; se apropriando&lt;/em&gt; do seu trabalho. &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;(Dalton) &lt;/strong&gt;N&amp;atilde;o! &amp;Eacute; o sistema da rede, &lt;em&gt;ela n&amp;atilde;o tem como se inserir neste sistema se ela n&amp;atilde;o for mais um n&amp;oacute;&lt;/em&gt;! &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;IX. Xemeliza a MetaReciclagem a&amp;ecirc;!&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Cara de &amp;oacute;culos barbudo magro branquelo em portunhol:&lt;/strong&gt; Eu sou um observador aqui e estou achando na verdade que todas as coisas que voc&amp;ecirc;s falam extremamente interessantes, extremamente complexas, n&amp;atilde;o? E tem tamb&amp;eacute;m uma coisa quase artistica, uma sensibilidade, uma coisa muito graciosa, n&amp;atilde;o? Mas tamb&amp;eacute;m entra essa complexidade, acho uma coisa muito dif&amp;iacute;cil voc&amp;ecirc; discutir, &lt;em&gt;muito dif&amp;iacute;cil entrar no discurso&lt;/em&gt;, no vosso di&amp;aacute;logo. Tem uma linguagem muito espec&amp;iacute;fica, eu acho que &lt;em&gt;&amp;eacute; uma comunidade que &amp;eacute; muito complexa, muito exc&amp;ecirc;ntrica&lt;/em&gt;, uma coisa muito complicada para dedicar sua vida n&amp;atilde;o? Ent&amp;atilde;o, falando da teoria e da pr&amp;aacute;tica, eu estou achando que tem uma pr&amp;aacute;tica muito sofisticada, mas na teoria eu tenho uma pergunta que &amp;eacute; muito simples mas acho que n&amp;atilde;o se falou ainda: eu n&amp;atilde;o consegui entender no teu discurso, como se faz, atrav&amp;eacute;s dessas pr&amp;aacute;ticas muito complexas, para inserir, quando se diz inserir na verdade dentro dos problemas ou das saias da sociedade onde voc&amp;ecirc;s se sentem inconformados, sim? Eu acho que &lt;em&gt;voc&amp;ecirc;s poderiam criar uma rede incr&amp;iacute;vel, mundial e global de pessoas com conhecimentos muito complexos que fazem reinven&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/em&gt; do que voc&amp;ecirc;s querem, mas onde est&amp;aacute; o elo que vai unir isso com uma incid&amp;ecirc;ncia real e necess&amp;aacute;ria com as quais voc&amp;ecirc;s est&amp;atilde;o inconformados? As grandes corpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es, esse sistema global de neoliberalismo. Gostaria de entender isso porque at&amp;eacute; agora n&amp;atilde;o vi, mas pode ser que como o discurso &amp;eacute; muito t&amp;eacute;cnico eu n&amp;atilde;o... Assim, eu sou soci&amp;oacute;logo, ent&amp;atilde;o estou procurando esse elo que n&amp;atilde;o estou conseguindo perceber at&amp;eacute; agora. Para todos voc&amp;ecirc;s que est&amp;atilde;o neste meio... Eu gostaria de entender isso, porque acho que tamb&amp;eacute;m seria importante pra voc&amp;ecirc;s, n&amp;atilde;o uma coisa de teoria mas &amp;eacute; necess&amp;aacute;rio pra uma pr&amp;aacute;tica que esteja transcendendo, ou seja, al&amp;eacute;m do discurso muito complexo, muito fechado n&amp;eacute;? &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;(Dalton) &lt;/strong&gt;&lt;span style=&quot;&quot;&gt;A&lt;/span&gt; id&amp;eacute;ia de falar a respeito de apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o tecnol&amp;oacute;gica foi trazer um discurso pra gente debater. Um discurso te&amp;oacute;rico pra gente debater em cima de pr&amp;aacute;ticas daquilo que a gente chama de MetaReciclagem, de um projeto de &lt;em&gt;desconstru&amp;ccedil;&amp;atilde;o e apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o tecnol&amp;oacute;gica&lt;/em&gt;. Isso foram conceitos que a gente vem elaborando, vem interpretando, vem tentando traduzir dentro das teorias que a gente vem circulando por a&amp;iacute; que como voc&amp;ecirc; viu v&amp;atilde;o pra &amp;aacute;reas das mais variadas. A pr&amp;aacute;tica disso, dentro dos campos sociais, se d&amp;aacute; na dimens&amp;atilde;o onde voc&amp;ecirc; consegue identificar diversas localidades que produzem cultura, que t&amp;ecirc;m todo um trabalho, seja musical, visual, seja dan&amp;ccedil;ando, seja fazendo, seja cantando, seja organizando. Este trabalho se d&amp;aacute; numa &lt;em&gt;din&amp;acirc;mica de rede mas pontual, geograficamente falando&lt;/em&gt;. Quando a gente chega com esse processo de apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o tecnol&amp;oacute;gica em rede dentro de uma comunidade, a gente est&amp;aacute; criando um mecanismo de difus&amp;atilde;o, de intera&amp;ccedil;&amp;atilde;o, que sai da localidade e come&amp;ccedil;a articular esses pontos em rede. &amp;Eacute; isso que a gente vem fazendo, criando &lt;em&gt;espa&amp;ccedil;os de ocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/em&gt;, entrando nesses espa&amp;ccedil;os e construindo-os junto com as pessoas, dentro daquilo que elas j&amp;aacute; fazem sem interferir no fazer, mas criando condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es para que elas se apropriem de novas tecnologias, seja reinterpretando, seja adaptando, seja reinventando. Mas pensando esse processo de apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o numa l&amp;oacute;gica em rede, onde a imers&amp;atilde;o disso crie &lt;em&gt;estruturas sociais&lt;/em&gt;, mecanismos sociais, para que elas possam romper ciclos nos quais est&amp;atilde;o inseridas historicamente. &amp;Eacute; esse processo que a gente vem fazendo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; ---&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Coment&amp;aacute;rios publicados no site:&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;comment clear-block&quot;&gt;&lt;h3&gt;&lt;a class=&quot;active&quot; href=&quot;http://pub.descentro.org/apropriacao#comment-41&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o cr&amp;iacute;tica&lt;/a&gt;&lt;/h3&gt; &lt;div class=&quot;content&quot;&gt;I. E d&amp;aacute; pra ir al&amp;eacute;m nesse assunto. Por um tempo chegou a ser assunto na MetaReciclagem a apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o instrumental - como a gente faz as pessoas entenderem todos as possibilidades dadas da tecnologia, as a&amp;ccedil;&amp;otilde;es que est&amp;atilde;o embutidas naquilo que podem estender at&amp;eacute; a compreens&amp;atilde;o da tecnologia, mostrar que o computador n&amp;atilde;o &amp;eacute; s&amp;oacute; uma m&amp;aacute;quina de escrever mais cara. Foi s&amp;oacute; depois das primeiras experi&amp;ecirc;ncias que a gente chegou ao ponto da apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o cr&amp;iacute;tica, de questionar as possibilidades que o fabricante embutia na tecnologia, e propor o desvio, a reinterpreta&amp;ccedil;&amp;atilde;o, a reinven&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt; &lt;div class=&quot;commentfooter&quot;&gt;&lt;a title=&quot;Ver o perfil do usu&amp;aacute;rio.&quot; href=&quot;http://pub.descentro.org/pessoa/felipefonseca&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;felipefonseca&lt;/a&gt; | Seg, 05/03/2007 - 20:52&lt;/div&gt; &lt;div class=&quot;comment clear-block&quot;&gt;&lt;h3&gt;&lt;a class=&quot;active&quot; href=&quot;http://pub.descentro.org/apropriacao#comment-42&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Outros ciclos&lt;/a&gt;&lt;/h3&gt; &lt;div class=&quot;content&quot;&gt;II. E o tal do cunho econ&amp;ocirc;mico &amp;eacute; uma coisa que demorou a ser aceita no mundo ativistinha. Quando a gente propunha que a galera no centro comunit&amp;aacute;rio da Sacadura Cabral, uma comunidade reurbanizada de Santo Andr&amp;eacute;, pegasse doa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de computadores das empresas do ABC pra reciclar e vender as m&amp;aacute;quinas, muita gente torcia o nariz, dizendo que isso n&amp;atilde;o podia acontecer, desprezando a pr&amp;oacute;pria necessidade que aqueles garotos tinham, de ajudar com as contas de casa, de poder dedicar tempo &amp;agrave;quele tipo de atividade.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt; &lt;div class=&quot;commentfooter&quot;&gt;&lt;a title=&quot;Ver o perfil do usu&amp;aacute;rio.&quot; href=&quot;http://pub.descentro.org/pessoa/felipefonseca&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;felipefonseca&lt;/a&gt; | Seg, 05/03/2007 - 20:57&lt;/div&gt; &lt;div class=&quot;comment clear-block&quot;&gt;&lt;h3&gt;&lt;a class=&quot;active&quot; href=&quot;http://pub.descentro.org/apropriacao#comment-44&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;teoria e pr&amp;aacute;tica&lt;/a&gt;&lt;/h3&gt; &lt;div class=&quot;content&quot;&gt;&lt;p&gt;Voltado ao tema do debate, o exemplo dado pelo Dalton de apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o tecnol&amp;oacute;gica pode ser visto como a jun&amp;ccedil;&amp;atilde;o da teoria e da pr&amp;aacute;tica de Metareciclagem, ambas documentadas em textos, saites, videos e etc, o que torna a id&amp;eacute;ia/teoria mais coesa e de f&amp;aacute;cil compreens&amp;atilde;o. Por isso todo mundo sabe Metareciclagem &amp;eacute; montagem de telecentro? N&amp;atilde;o! &amp;Eacute; apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o tecnol&amp;oacute;gica!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Nos falta colocar em pr&amp;aacute;tica outras teorias e pr&amp;aacute;ticas coesas como a Metarec.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt; &lt;div class=&quot;commentfooter&quot;&gt;&lt;a title=&quot;Ver o perfil do usu&amp;aacute;rio.&quot; href=&quot;http://pub.descentro.org/pessoa/dri&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;dri&lt;/a&gt; | Ter, 06/03/2007 - 11:12&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Thu, 26 Jun 2008 17:56:37 +0000</pubDate>
 <dc:creator>felipefonseca</dc:creator>
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