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 <title>Mutirão da Gambiarra - contexto</title>
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 <title>Anotações no coletivo</title>
 <link>http://mutgamb.org/livro/Anota%C3%A7%C3%B5es-no-coletivo</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;em&gt;Artigo escrito em novembro de 2003, na seq&amp;uuml;&amp;ecirc;ncia de uma palestra que dei junto com Hernani Dimantas no Cybercultura 2.0, no Senac, a convite de Lucia Le&amp;atilde;o.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A&amp;iacute; uma costura das anota&amp;ccedil;&amp;otilde;es tomadas na linha Lapa - Santo Amaro, quinta-feira passada, a caminho do Cybercultura 2.0, com algumas coisas que realmente cheguei a comentar na mesa redonda com o Hernani, e mais algumas elucubra&amp;ccedil;&amp;otilde;es posteriores. Meu nome &amp;eacute; Felipe Fonseca. Dizem que fui co-fundador do Projeto MetaFora junto com o Hernani. Mas outros dizem que o Projeto MetaFora nunca existiu, foi uma esp&amp;eacute;cie de alucina&amp;ccedil;&amp;atilde;o coletiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cultura brasileira como uma cultura hacker (ou poder&amp;iacute;amos definir: a &amp;eacute;tica hacker nas culturas populares brasileiras*).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, quero me desculpar porque vou avan&amp;ccedil;ar em alguns assuntos sobre os quais n&amp;atilde;o sou especialista. N&amp;atilde;o me preocupar muito com isso &amp;eacute; uma das coisas que aprendi com os hackers com quem trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A era das grandes verdades&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;At&amp;eacute; h&amp;aacute; pouco tempo, a comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o concentrava-se em torno das fontes &amp;quot;oficiais&amp;quot; de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e conhecimento: a igreja, o estado, a escola e a academia, e no &amp;uacute;ltimo s&amp;eacute;culo a m&amp;iacute;dia de massa. As estruturas de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o eram facilmente identificadas. Um mapeamento dos fluxos de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o revelariam tr&amp;ecirc;s grandes vertentes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* as &amp;quot;fontes oficiais&amp;quot; propriamente ditas;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* as deriva&amp;ccedil;&amp;otilde;es das fontes (aquele tiozinho que repete no boteco o argumento do padre ou do &amp;acirc;ncora do telejornal), par&amp;aacute;frases das grandes verdades;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* as vozes contr&amp;aacute;rias, ant&amp;iacute;teses das grandes verdades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas &amp;uacute;ltimas eram respons&amp;aacute;veis por uma esp&amp;eacute;cie de equil&amp;iacute;brio e um movimento de renova&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Podem ser identificadas aqui as vanguardas do s&amp;eacute;culo XX e a contracultura do p&amp;oacute;s-guerra, que, de alguma forma, acabavam impedindo uma total tirania na comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A era das m&amp;uacute;ltiplas verdades&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas &amp;uacute;ltimas d&amp;eacute;cadas, entretanto, as fontes &amp;quot;oficiais&amp;quot; come&amp;ccedil;aram a se multiplicar e pulverizar. Acredito que alguns fatores influenciaram bastante nesse movimento:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* os questionamentos sobre a ci&amp;ecirc;ncia no s&amp;eacute;culo XX;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* os questionamentos sobre a arte e seu papel;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* o intenso desenvolvimento e a facilita&amp;ccedil;&amp;atilde;o do acesso &amp;agrave;s Tecnologias de Informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e Comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* o acirramento da competitividade nos mundos corporativo e acad&amp;ecirc;mico, e entre as empresas de m&amp;iacute;dia de massa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um hipot&amp;eacute;tico mapa da comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o nos dias de hoje revelaria um cen&amp;aacute;rio complexo, tendendo ao caos. Apesar de o ambiente da comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o continuar dominado pelas mesmas estruturas (hoje, principalmente, as megacorpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es), n&amp;atilde;o &amp;eacute; tarefa simples identificar onde se encerra esse poder. Em tal cen&amp;aacute;rio, o papel de uma suposta contracultura precisa necessariamente se reinventar. H&amp;aacute; 30 anos, era f&amp;aacute;cil identificar &amp;quot;o inimigo&amp;quot;: a ditadura no Brasil, a guerra do Vietn&amp;atilde; e as estruturas militares nos EEUU, etc. Hoje, para onde devem apontar as armas da contracultura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali&amp;aacute;s, ainda existe uma contracultura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acredito que n&amp;atilde;o haja uma resposta objetiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o tem papel fundamental na aceita&amp;ccedil;&amp;atilde;o e manuten&amp;ccedil;&amp;atilde;o dessa realidade. Em O Sistema dos Objetos, Jean Baudrillard identifica que a domina&amp;ccedil;&amp;atilde;o atrav&amp;eacute;s da manipula&amp;ccedil;&amp;atilde;o publicit&amp;aacute;ria n&amp;atilde;o se d&amp;aacute; no &amp;acirc;mbito de cada pe&amp;ccedil;a de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o influenciando uma decis&amp;atilde;o do &amp;quot;consumidor&amp;quot;, mas no contexto do conjunto das pe&amp;ccedil;as publicit&amp;aacute;rias seguindo f&amp;oacute;rmulas assemelhadas e ratificando um modo de vida ocidental, branco e consumista. Uma situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o claramente emergente, em que a a&amp;ccedil;&amp;atilde;o de cada parte &amp;eacute; menos importante do que a a&amp;ccedil;&amp;atilde;o do conjunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A m&amp;iacute;dia t&amp;aacute;tica surge nesse cen&amp;aacute;rio, tamb&amp;eacute;m como uma for&amp;ccedil;a emergente, potencializada com o novo ativismo que surge ao fim da d&amp;eacute;cada passada, nos protestos em Seattle, G&amp;ecirc;nova, Davos, Washington e tantos outros. Grupos de ativistas midi&amp;aacute;ticos e artistas de todo o mundo passam a utilizar ferramentas &amp;agrave;s quais anteriormente s&amp;oacute; as elites tinham acesso para questionar a credibilidade da comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Usam, camuflados ou n&amp;atilde;o, as pr&amp;oacute;prias armas do inimigo para conscientizar as pessoas sobre o que se passa no mundo. A m&amp;iacute;dia t&amp;aacute;tica pode ser vista como a retomada do &amp;quot;social&amp;quot; na comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Sua estrutura como sistema descentralizado e emergente encontra justificativa em Steven Johnson, no Emerg&amp;ecirc;ncia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...) se voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; tentando lutar contra uma rede distribu&amp;iacute;da como o capitalismo global, &amp;eacute; melhor mesmo se tornar uma rede distribu&amp;iacute;da.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A &amp;eacute;tica hacker&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mundo do desenvolvimento tecnol&amp;oacute;gico, uma contracultura atuante desde os anos 70 construiu colaborativamente a &amp;Eacute;tica Hacker. N&amp;atilde;o vou entrar em detalhes, mas alguns dos princ&amp;iacute;pios postulados pelos hackers encontram eco e respaldo na m&amp;iacute;dia t&amp;aacute;tica:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* a descentraliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o coordenada;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* &amp;ecirc;nfase na reputa&amp;ccedil;&amp;atilde;o pessoal, baseada no hist&amp;oacute;rico de a&amp;ccedil;&amp;otilde;es, ao inv&amp;eacute;s de hierarquia baseada em t&amp;iacute;tulos ou honras;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o e conhecimento livre e aberto;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* questionamento profundo sobre a validade da propriedade intelectual;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Release Early, Release Often - &amp;eacute; mais importante realizar do que ter um plano perfeito;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* informalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hackerismo brazuca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estive em setembro no Next5Minutes, festival internacional de m&amp;iacute;dia t&amp;aacute;tica realizado em Amsterdam. Alguns dias antes de embarcar, comecei a debater com o pessoal no MetaFora sobre o que falar por l&amp;aacute;. As primeiras id&amp;eacute;ias circularam em torno da &amp;eacute;tica hacker e uma apresenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o do grupo MetaFora. Na manh&amp;atilde; da partida (ou a manh&amp;atilde; anterior, n&amp;atilde;o estou certo), acordei com a opini&amp;atilde;o de que tal linha de argumenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o tinha duas falhas. Em primeiro lugar, eu n&amp;atilde;o havia sido chamado para representar o MetaFora, e sim o M&amp;iacute;dia T&amp;aacute;tica Brasil, festival realizado em mar&amp;ccedil;o de 2003 do qual participamos. Al&amp;eacute;m disso, n&amp;atilde;o faria sentido simplesmente fazer c&amp;ocirc;ro a diversas outras vozes que j&amp;aacute; apregoam os princ&amp;iacute;pios da descentraliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e da colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o. J&amp;aacute; h&amp;aacute; algum tempo, t&amp;iacute;nhamos percebido que, em termos de colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o, n&amp;oacute;s, elite cultural revoltadinha brasileira, temos mais a aprender do que a ensinar com as culturas populares* no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O hackerismo tecnol&amp;oacute;gico tem grande aceita&amp;ccedil;&amp;atilde;o no Brasil, como pode detalhar o Hernani. O governo est&amp;aacute; adotando Software Livre, o pa&amp;iacute;s &amp;eacute; um dos maiores em volume de ataques de crackers. Sexta-feira, Maratimba comentou comigo que ouviu da boca de Miguel de Icaza que o Brasil tem o maior parque instalado do ambiente gr&amp;aacute;fico Gnome. No N5M, alguns programadores de Taiwan que estavam na mesa redonda New Landscapes for Tactical Media, da qual eu e Ricardo Rosas tamb&amp;eacute;m participamos, vieram a mim perguntar, maravilhados, se tudo o que se falava sobre Software Livre no Brasil era verdade. Assenti, orgulhoso. Eu vejo algumas ra&amp;iacute;zes culturais hackers no Brasil desde muito antes da cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o do primeiro computador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mitos afro-brasileiros**&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante alguns s&amp;eacute;culos, pessoas de v&amp;aacute;rias regi&amp;otilde;es da &amp;Aacute;frica foram violentamente seq&amp;uuml;estradas e trazidas ao Brasil, comerciados como escravos e encarcerados a uma vida de trabalho duro, restos de comida e praticamente nenhum direito. N&amp;atilde;o bastassem as agress&amp;otilde;es f&amp;iacute;sicas e a humilha&amp;ccedil;&amp;atilde;o cont&amp;iacute;nua, eles eram proibidos de exercer suas cren&amp;ccedil;as, originalmente an&amp;iacute;micas. Alguns convertiam-se &amp;agrave; &amp;quot;verdadeira f&amp;eacute;&amp;quot; cat&amp;oacute;lica, mas muitos desenvolveram uma alternativa, an&amp;aacute;loga &amp;agrave; engenharia social hacker: o tal sincretismo religioso. Camuflando seus orix&amp;aacute;s com vestes cat&amp;oacute;licas, puderam continuar praticando seus rituais e venerando seus deuses da guerra, do trov&amp;atilde;o e do vento. Embora tenham aparecido diversas lideran&amp;ccedil;as na Umbanda, n&amp;atilde;o havia uma centraliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de poder ou dogma. Assim, as linguagens espirituais afrobrasileiras foram se desenvolvendo de maneira colaborativa. T&amp;ecirc;m uma base comum (o kernel hacker) e diversas adapta&amp;ccedil;&amp;otilde;es locais (a customiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o descentralizada hacker), chegando a abarcar elementos do kardecismo, de culturas ind&amp;iacute;genas, de tradi&amp;ccedil;&amp;otilde;es ciganas, do budismo e outras cren&amp;ccedil;as orientais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cultura burguesa brasileira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o &amp;eacute; novidade que, no in&amp;iacute;cio do s&amp;eacute;culo XX, a incipiente intelectualidade brasileira, composta em sua maioria pelos jovens filhos das elites que estudavam na Europa e voltavam ao pa&amp;iacute;s, passava por uma crise de identidade, como ocorreu com todas as ex-col&amp;ocirc;nias europ&amp;eacute;ias emancipadas entre os s&amp;eacute;culos XVII e XX ao redor do mundo. Duas perspectivas levavam a um impasse: de um lado, a cultura europ&amp;eacute;ia, moderna, vibrante, mas associada &amp;agrave; ex-metr&amp;oacute;pole colonial. De outro, uma cultura bruta, neonaturalista e sertaneja, quase crua. Os modernistas resolveram o paradoxo com a antropofagia, basicamente hacker: n&amp;atilde;o renegaram nenhum dos dois mundos para criar novas formas de express&amp;atilde;o. Pelo contr&amp;aacute;rio, ao inv&amp;eacute;s de tentar come&amp;ccedil;ar uma nova cultura do zero, misturaram elementos da cultura europ&amp;eacute;ia com a cultura brasileira. Vestiram a cultura popular de raiz com a experimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o formal do primeiro mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fen&amp;ocirc;meno semelhante ocorreu no final dos anos 70 com a Tropic&amp;aacute;lia. Uniram o samba ao roquenrou, adaptando a linguagem comum da contracultura mundial com o sotaque local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A economia pirata&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Premida por uma situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o econ&amp;ocirc;mica em condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es cada vez piores, pressionada pela dificuldade de encontrar coloca&amp;ccedil;&amp;atilde;o e subsist&amp;ecirc;ncia na economia formal, grande parte da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o no Brasil migrou nas &amp;uacute;ltimas duas d&amp;eacute;cadas para a economia informal. Caracterizada por um dinamismo e por uma esp&amp;eacute;cie de empreendedorismo na gambiarra, esse mundo alternativo de trabalho, que possui seu pr&amp;oacute;prio c&amp;iacute;rculo de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o e distribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o, envolve hoje praticamente metade da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o considerada &amp;quot;economicamente ativa&amp;quot; no Brasil, e mais uma grande quantidade de jovens e idosos. Possui suas formas de uma m&amp;iacute;dia mambembe que, se n&amp;atilde;o se assemelha &amp;agrave; m&amp;iacute;dia t&amp;aacute;tica do primeiro mundo, tamb&amp;eacute;m chega, de maneira emergente, a questionar os dom&amp;iacute;nios da propriedade intelectual e do poder da m&amp;iacute;dia de massa, em especial o branding corporativo. Outros elementos da &amp;eacute;tica hacker presentes na economia pirata:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* descentraliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* &amp;ecirc;nfase na reputa&amp;ccedil;&amp;atilde;o;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* informalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mutir&amp;atilde;o&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maratimba descreveu uma analogia do puxadinho feito em mutir&amp;atilde;o com o princ&amp;iacute;pio do Release Early, Release Often, que corre um certo risco de ser uma vis&amp;atilde;o estereotipada, mas que funciona como s&amp;iacute;mbolo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Come&amp;ccedil;o | Barraco - &amp;quot;Vamo botar essa porra em p&amp;eacute;!&amp;quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe como &amp;eacute;? Menos &amp;eacute; mais. Minimalismo funcionalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Expans&amp;atilde;o | Puxadinho - &amp;quot;Chame os amigos e ponha &amp;aacute;gua no feij&amp;atilde;o&amp;quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contemplar o m&amp;aacute;ximo de necessidades. Refinamento e oferta de adicionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Refunda&amp;ccedil;&amp;atilde;o | Alvenaria - &amp;quot;T&amp;aacute; na hora de botar ordem na casa&amp;quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revis&amp;atilde;o de erros e melhoria da qualidade geral. Consist&amp;ecirc;ncia de dados e de interface E agora? Subi um barraco? Puxei um quarto pras crian&amp;ccedil;as e um banheiro do lado de fora? Troquei os aglomerados e madeirites por tijolo e telha? Basta seguir a vida e esperar. Se precisar de mais teto, voc&amp;ecirc; pode construir a famosa casa nos fundos ou o mais popular segundo andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comunidades perif&amp;eacute;ricas interconectadas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As autoridades, a academia e a sociedade civil j&amp;aacute; acordaram para as possibilidades de transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o que as tecnologias de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o trazem para a melhoria de vida das popula&amp;ccedil;&amp;otilde;es perif&amp;eacute;ricas. As duas primeiras fases da &amp;quot;inclus&amp;atilde;o digital&amp;quot; tinham l&amp;aacute; suas falhas, mas podem ser encaradas como um bom come&amp;ccedil;o. H&amp;aacute; um paralelo com um movimento que Mario de Andrade fez no s&amp;eacute;culo passado, de planejar expedi&amp;ccedil;&amp;otilde;es ao Brasil rural em busca de uma suposta cultura brasileira. Hoje, sabendo que cerca de 70% da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o brasileira vive na periferia das grandes cidades, esses projetos t&amp;ecirc;m o potencial de mapear e consolidar as caracter&amp;iacute;sticas de cada comunidade e integr&amp;aacute;-las &amp;agrave;s conversa&amp;ccedil;&amp;otilde;es mundializadas. &amp;Eacute; quest&amp;atilde;o de adaptar as tecnologias &amp;agrave;s necessidades das pessoas, e n&amp;atilde;o o contr&amp;aacute;rio. Vamos nos esfor&amp;ccedil;ando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Observa&amp;ccedil;&amp;otilde;es da moderadora Rita de Oliveira. Obrigado, Rita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;** Lucia Le&amp;atilde;o comentou que o site preferido de Roy Ascott &amp;eacute; um site sobre Umbanda. N&amp;atilde;o tenho o link aqui, vou pedir &amp;agrave; Lucia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coment&amp;aacute;rios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lucia Le&amp;atilde;o&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O site indicado pelo Roy &amp;eacute;: &lt;a href=&quot;http://www.umbandaracional.com.br/&quot; title=&quot;http://www.umbandaracional.com.br/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://www.umbandaracional.com.br/&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Thu, 26 Jun 2008 19:07:38 +0000</pubDate>
 <dc:creator>felipefonseca</dc:creator>
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 <title>A MetaReciclagem</title>
 <link>http://mutgamb.org/livro/MetaReciclagem</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://comunix.org/content/metareciclagem-1&quot; title=&quot;http://comunix.org/content/metareciclagem-1&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://comunix.org/content/metareciclagem-1&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;h1 class=&quot;title&quot;&gt;A Metareciclagem&lt;/h1&gt; &lt;span class=&quot;submitted&quot;&gt;Enviado por hernani dimantas | 05/10/2006 | &lt;/span&gt; &lt;div class=&quot;taxonomy&quot;&gt;em &lt;ul class=&quot;links inline&quot;&gt;&lt;li class=&quot;first taxonomy_term_4&quot;&gt;&lt;a class=&quot;taxonomy_term_4&quot; title=&quot;&quot; rel=&quot;tag&quot; href=&quot;http://comunix.org/taxonomy/term/4&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;meta&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class=&quot;taxonomy_term_21&quot;&gt;&lt;a class=&quot;taxonomy_term_21&quot; title=&quot;&quot; rel=&quot;tag&quot; href=&quot;http://comunix.org/taxonomy/term/21&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;metareciclagem&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class=&quot;last taxonomy_term_327&quot;&gt;&lt;a class=&quot;taxonomy_term_327&quot; title=&quot;&quot; rel=&quot;tag&quot; href=&quot;http://comunix.org/category/tags/mutir%C3%A3o-gambiarra&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;mutir&amp;atilde;o gambiarra&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/div&gt; &lt;p&gt;David Weinberger e Doc Searls dizem que &#039;Quando olhamos para um poste, vemos redes com fios. E vemos esses fios como parte de sistemas: o sistema telef&amp;ocirc;nico, o sistema de energia el&amp;eacute;trica, o sistema de TV a cabo. Mas a Internet &amp;eacute; diferente. N&amp;atilde;o &amp;eacute; fia&amp;ccedil;&amp;atilde;o. N&amp;atilde;o &amp;eacute; um sistema. E n&amp;atilde;o &amp;eacute; uma fonte de programa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. A Internet &amp;eacute; um modo que permite a todas coisas que se chamam redes coexistir e trabalhar em conjunto. &amp;Eacute; uma Inter-net (inter-rede), literalmente. O que faz a &amp;quot;Net&amp;quot; ser &amp;quot;Inter&amp;quot; &amp;eacute; o fato de que ela &amp;eacute; apenas um protocolo - o protocolo Internet (IP - &amp;quot;Internet Protocol&amp;rdquo;), ou um acordo sobre como fazer coisas funcionarem em conjunto. Este protocolo n&amp;atilde;o especifica o que as pessoas podem fazer com a rede, o que podem construir na sua periferia, o que podem dizer, ou quem pode dizer. O protocolo simplesmente diz: se voc&amp;ecirc; quer trocar bits com outros, &amp;eacute; assim que se faz. Se voc&amp;ecirc; quer conectar um computador - ou um celular ou uma geladeira - &amp;agrave; Internet, voc&amp;ecirc; tem que aceitar o acordo que &amp;eacute; a Internet.&#039;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Esse acordo n&amp;atilde;o apenas instala o controle. Galloway, em Protocolo, coloca:&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Protocolo &amp;eacute; fundamentalmente a tecnologia de inclus&amp;atilde;o, e a abertura &amp;eacute; a chave para essa inclus&amp;atilde;o. [GALLOWAY; 2004:147]&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A cultura hacker percebe a imaturidade desses protocolos e prop&amp;otilde;e uma nova &amp;eacute;tica e bom senso e, assim, forja um novo modelo. Esses argumentos e id&amp;eacute;ias nos levam a pensar na internet como um espa&amp;ccedil;o de agenciamento, mas que torna poss&amp;iacute;veis saltos acentuados tanto da &amp;eacute;tica como da a&amp;ccedil;&amp;atilde;o direta na microf&amp;iacute;sica do poder.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Nessa espuma informacional emergem novas formas de intera&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Listas de discuss&amp;atilde;o, blogs, flogs, Orkuts, mensagens instant&amp;acirc;neas, ou qualquer outra ferramenta que conecte grupos. Esses grupos formam focos de movimentos sociais. Quanto mais engajado for o projeto, mais intensa ser&amp;aacute; a a&amp;ccedil;&amp;atilde;o coletiva. Esse fuzu&amp;ecirc; informacional torna poss&amp;iacute;vel a catalisa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do agenciamento coletivo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O efeito &amp;eacute; rizom&amp;aacute;tico. A informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o cola no agenciamento. E vice-versa. Numa multid&amp;atilde;o hiperconectada o conhecimento livre tende a se expandir. A pr&amp;aacute;tica do conhecimento livre traz a reboque uma s&amp;eacute;rie de novos paradigmas que dialogam em tempo real com os enunciados que at&amp;eacute; agora deram sustenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o filos&amp;oacute;fica &amp;agrave; humanidade. Estamos presenciando mudan&amp;ccedil;as dr&amp;aacute;sticas nos debates sobre propriedade intelectual, liberdade de express&amp;atilde;o, nas pr&amp;aacute;ticas de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Estamos apenas no in&amp;iacute;cio de uma revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o n&amp;atilde;o televisionada.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Neste contexto, a metareciclagem &amp;eacute; uma conversa&amp;ccedil;&amp;atilde;o em rede focada no trabalho imaterial, um tipo de interconex&amp;atilde;o que acontece em tempo real, uma conversa&amp;ccedil;&amp;atilde;o engajada com uma expectativa existencial otimista em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave;s possibilidades de mudan&amp;ccedil;as e de revolu&amp;ccedil;&amp;otilde;es. A metareciclagem privilegia o di&amp;aacute;logo.&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Thu, 26 Jun 2008 18:25:36 +0000</pubDate>
 <dc:creator>felipefonseca</dc:creator>
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 <title>Puxadinho colaborativo</title>
 <link>http://mutgamb.org/livro/Puxadinho-colaborativo</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://comunix.org/content/puxadinho-colaborativo&quot; title=&quot;http://comunix.org/content/puxadinho-colaborativo&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://comunix.org/content/puxadinho-colaborativo&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;h1 class=&quot;title&quot;&gt;Puxadinho Colaborativo&lt;/h1&gt; &lt;p&gt;&lt;span class=&quot;submitted&quot;&gt;Enviado por hernani dimantas | 05/10/2006 |&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esse conhecimento est&amp;aacute; impregnado nos mutir&amp;otilde;es. No efeito puxadinho colaborativo. &amp;Eacute; s&amp;oacute; &amp;ldquo;chegar&amp;rdquo; para ajudar o ser humano ser mais feliz. Uma mobiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o que vai al&amp;eacute;m da boa a&amp;ccedil;&amp;atilde;o. &amp;Eacute; cotidiana e colaborativa.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;As propostas atuais de inclus&amp;atilde;o digital sempre tocam num ponto muito similar: a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um telecentro, uma escola de inform&amp;aacute;tica ou uma sala de uso p&amp;uacute;blico onde as pessoas da comunidade local se dirigem para obter o acesso aos computadores e, onde os projetos est&amp;atilde;o mais evolu&amp;iacute;dos, o acesso &amp;agrave; informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o atrav&amp;eacute;s da internet.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A partir disso, surgem v&amp;aacute;rias propostas e formas diferenciadas para se validar esse acesso &amp;agrave; informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Desde a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de blogs, sites colaborativos, listas de discuss&amp;atilde;o, salas de bate-papo inter-telecentros e tantas outras formas de conectar pessoas e promover o debate entre elas. Afinal de contas, &amp;eacute; a conversa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e seu potencial catalisador de novas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es o que efetivamente interessa nesse tipo de experi&amp;ecirc;ncia.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;As formas de conversa&amp;ccedil;&amp;atilde;o ainda s&amp;atilde;o muito prec&amp;aacute;rias. Embora as ferramentas de conversa&amp;ccedil;&amp;atilde;o estejam dispon&amp;iacute;veis na rede, os projetos de inclus&amp;atilde;o digital ainda n&amp;atilde;o se deram conta do comportamento e necessidades das pessoas na rede. Embora isso seja apenas uma quest&amp;atilde;o de tempo para que grupos organizados possam se apropriar do espa&amp;ccedil;o informacional.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;As mais variadas experi&amp;ecirc;ncias pedag&amp;oacute;gicas modernas sempre levantam um tema de import&amp;acirc;ncia fundamental &amp;agrave;s suas metodologias de ensino: a experimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o e o aprendizado pelo erro com base nas necessidades latentes daquele que participa e constr&amp;oacute;i o processo educacional ao qual est&amp;aacute; inserido. Dessa forma, ter acesso aos recursos tecnol&amp;oacute;gicos inerentes ao aprendizado de uma nova ferramenta no local onde a mesma participa do cotidiano de uma determinada tarefa &amp;eacute; pedagogicamente um avan&amp;ccedil;o e uma forma de efetivamente descentralizar o acesso e a experimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o desse novo processo t&amp;eacute;cnico.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Portanto, por que n&amp;atilde;o propor um projeto de inclus&amp;atilde;o digital que n&amp;atilde;o se limite &amp;agrave; cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um telecentro p&amp;uacute;blico? Mas sim um processo de inser&amp;ccedil;&amp;atilde;o da tecnologia em centros comunit&amp;aacute;rios, pequenos grupos organizados, cooperativas, centros de encontro, entre outras formas de organiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es sociais. Se a periferia da rede passa a ser o centro no modelo onde os agentes produzem conhecimento e n&amp;atilde;o apenas consomem dos grandes servidores do n&amp;uacute;cleo da rede, a evolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o do conceito de inclus&amp;atilde;o digital como modelo de transfer&amp;ecirc;ncia de tecnologia e autonomia passa a ser a concretiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do conceito de que a periferia, n&amp;atilde;o apenas da rede mas da sociedade, passa a ser o centro produtor das demandas de uma nova forma de enxergar a rede.&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Thu, 26 Jun 2008 18:24:50 +0000</pubDate>
 <dc:creator>felipefonseca</dc:creator>
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 <title>O contexto da MetaReciclagem</title>
 <link>http://mutgamb.org/livro/O-contexto-da-MetaReciclagem</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://comunix.org/content/o-contexto-da-metareciclagem&quot; title=&quot;http://comunix.org/content/o-contexto-da-metareciclagem&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://comunix.org/content/o-contexto-da-metareciclagem&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;h1 class=&quot;title&quot;&gt;O contexto da MetaReciclagem&lt;/h1&gt; &lt;p&gt;&lt;span class=&quot;submitted&quot;&gt;Enviado por hernani dimantas | 05/10/2006 |&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Brasil est&amp;aacute; em torno de 200 milh&amp;otilde;es de pessoas. Somente 21% acessam a internet. O gargalo da exclus&amp;atilde;o &amp;eacute; enorme, tanto a exclus&amp;atilde;o social como a digital. S&amp;eacute;rgio Amadeu conclui que&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&amp;ldquo;Muitos dirigentes p&amp;uacute;blicos e empresariais ainda acham que o uso do computador s&amp;oacute; &amp;eacute; importante para a profissionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Essa vis&amp;atilde;o constitui a cultura do uso limitado da tecnologia e deixa de lado a dimens&amp;atilde;o da cidadania. Sem d&amp;uacute;vida &amp;eacute; urgente e priorit&amp;aacute;rio implantar laborat&amp;oacute;rios de inform&amp;aacute;tica em todas as escolas e conect&amp;aacute;-las &amp;agrave; rede informacional. Mas &amp;eacute; insuficiente incluir no mundo digital apenas a crian&amp;ccedil;a e o adolescente escolarizados. E os adultos e os demais adolescentes, que est&amp;atilde;o fora da escola? Onde exercer&amp;atilde;o seu direito de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o? O acesso &amp;agrave; comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o? O acesso &amp;agrave; comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o em rede &amp;eacute; a nova face da liberdade de express&amp;atilde;o na era da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&amp;rdquo; [SILVEIRA, S.; 2004; 43-44].&lt;/p&gt; &lt;p&gt;N&amp;atilde;o parece t&amp;atilde;o simples encarar esses problemas pelos m&amp;eacute;todos tradicionais.&lt;br /&gt; O MetaReciclagem tem uma proposta de pol&amp;iacute;tica p&amp;uacute;blica para enfrentar o desafio da inclus&amp;atilde;o digital. Em primeiro lugar, o MetaReciclagem contraria a l&amp;oacute;gica da ind&amp;uacute;stria da obsolesc&amp;ecirc;ncia, pois encontramos uma quantidade enorme de computadores usados e sucateados dispon&amp;iacute;veis no Brasil e, com a utiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de tecnologia compartilhada e livre, &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel aumentar a vida &amp;uacute;til desses computadores. Em segundo, a reciclagem e a utiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de tecnologia livre, mais especificamente low-tech, possibilitam a diminui&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos espa&amp;ccedil;os entre as comunidades ricas e pobres. A frase &amp;ldquo;periferia &amp;eacute; o centro&amp;rdquo; exemplifica esse fluxo. A periferia conhece muito mais sobre rede, mutir&amp;otilde;es, participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e mobiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Creio que os esfor&amp;ccedil;os de inclus&amp;atilde;o devem ter como premissa que o conhecimento est&amp;aacute; na periferia, e que a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o local dever&amp;aacute; passar pela inser&amp;ccedil;&amp;atilde;o da tecnologia nos movimentos da comunidade.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E para combater a mis&amp;eacute;ria, a exclus&amp;atilde;o e o n&amp;atilde;o exerc&amp;iacute;cio da cidadania temos que pensar em solu&amp;ccedil;&amp;otilde;es criativas de integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o das periferias com a tecnologia. Dar acesso &amp;agrave; rede &amp;eacute; importante, mas o mais consistente &amp;eacute; criar condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es para a circula&amp;ccedil;&amp;atilde;o da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Pensamos que a inclus&amp;atilde;o digital s&amp;oacute; ser&amp;aacute; potencializada quando entendermos que as necessidades das pessoas n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o as mesmas necessidades daqueles que concebem os projetos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Em primeiro lugar, vamos contextualizar as fases deste processo de inclus&amp;atilde;o digital. Podemos dividir em duas fases:&lt;/p&gt; &lt;p&gt;fase 1. - acesso ao computador&lt;/p&gt; &lt;p&gt;fase 2. - acesso &amp;agrave; informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Estas situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es s&amp;atilde;o bastante diferentes. A primeira fase pode ser resumida por uma pergunta: para que precisamos do computador? Empregabilidade pareceu ser uma resposta que atendia a todos atores envolvidos. Ensinar computa&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao povo necessariamente contribuiria para que os novatos rompessem com as fronteiras do trabalho. Essa id&amp;eacute;ia n&amp;atilde;o se mostrou verdadeira. Com certeza n&amp;atilde;o foi a melhor pedida.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Mas com o acesso &amp;agrave; internet (e, por conseq&amp;uuml;&amp;ecirc;ncia, o acesso &amp;agrave; informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o) come&amp;ccedil;amos a perceber que as pessoas est&amp;atilde;o conversando com outras pessoas atrav&amp;eacute;s da rede. Essa conversa&amp;ccedil;&amp;atilde;o traz na bagagem um novo incentivo cultural, catapulta as intelig&amp;ecirc;ncias para novas inst&amp;acirc;ncias. Assim, em vez de se orientar &amp;agrave; empregabilidade, poder&amp;iacute;amos disponibilizar ferramentas para a reverbera&amp;ccedil;&amp;atilde;o das vozes desses protagonistas. A retomada da voz &amp;eacute; um atalho para a cidadania.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A experi&amp;ecirc;ncia dos Telecentros da Prefeitura Municipal de S&amp;atilde;o Paulo &amp;eacute; muito interessante. Foi relevante pelo pioneirismo na utiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do software livre como plataforma de acesso &amp;agrave; rede. O software livre significa, al&amp;eacute;m da economia na aquisi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de softwares e conseq&amp;uuml;entemente a otimiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos recursos, a imers&amp;atilde;o num modo de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o colaborativo. O software livre &amp;eacute; a porta de entrada para um novo mundo. Um exemplo de como a sociedade se arranja num ambiente onde o conhecimento &amp;eacute; livre.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Partindo da id&amp;eacute;ia do conhecimento livre, pensamos, ent&amp;atilde;o, na terceira fase dos projetos de inclus&amp;atilde;o digital: a circula&amp;ccedil;&amp;atilde;o da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dentro da comunidade conectada.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Preto Bomba, m&amp;uacute;sico de hip-hop, diz:&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&amp;ldquo;Acho que levar a educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; comunidade &amp;eacute; cativar o consumidor de m&amp;uacute;sica, teatro, filme, novela. A vontade de se comunicar, de participar. Cansei de ver uma certa cena atuar e bater palma pra si mesma, ignorando o povo e seus desejos, ignorando a maioria e suas necessidades.&amp;rdquo;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;N&amp;atilde;o podemos ignorar o conhecimento da multid&amp;atilde;o. Preto Bomba representa um movimento cultural. Nascido na periferia, al&amp;ccedil;ou v&amp;ocirc;o em todas as dire&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Existem muitos &amp;ldquo;Pretos Bombas&amp;rdquo; esperando a sua vez para explodir a criatividade. O conhecimento &amp;eacute; parte integrante do ser humano. Um tra&amp;ccedil;o cultural arraigado no sujeito e na sua comunidade. &amp;Eacute; necess&amp;aacute;rio, no entanto, que esse conhecimento seja tropicalizado. A jun&amp;ccedil;&amp;atilde;o deste conhecimento com as informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de fora da comunidade ativa o movimento cultural. Esta circula&amp;ccedil;&amp;atilde;o tende a ser potencializada pela conversa&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre as pessoas inter e intra comunidades. Criando, assim, possibilidades infinitas de colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Mas para isso acontecer demanda um engajamento das pessoas aos projetos. Esse engajamento n&amp;atilde;o pode ser imposto. &amp;Eacute; um movimento que s&amp;oacute; acontece quando a comunidade sente necessidade no seu desenvolvimento. Um movimento de baixo para cima, de dentro para fora das comunidades. Este processo espelha sobremaneira os anseios e necessidades das comunidades.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E quando esta equa&amp;ccedil;&amp;atilde;o se torna balanceada, as comunidades t&amp;ecirc;m a oportunidade de catalisar o pr&amp;oacute;prio conhecimento que existe na comunidade.&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Thu, 26 Jun 2008 18:24:11 +0000</pubDate>
 <dc:creator>felipefonseca</dc:creator>
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 <title>Inversão da Resistência?</title>
 <link>http://mutgamb.org/livro/Invers%C3%A3o-da-Resist%C3%AAncia</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://pub.descentro.org/inversao_da_resistencia&quot; title=&quot;http://pub.descentro.org/inversao_da_resistencia&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://pub.descentro.org/inversao_da_resistencia&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; Enviado por &lt;a title=&quot;Ver o perfil do usu&amp;aacute;rio.&quot; href=&quot;http://pub.descentro.org/pessoa/felipefonseca&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;felipefonseca&lt;/a&gt; em Sex, 23/02/2007 - 01:31.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;INVERS&amp;Atilde;O DA RESIST&amp;Ecirc;NCIA?&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;(Antonio Albuquerque) &lt;/strong&gt;Os Estados Unidos aparecem no cen&amp;aacute;rio mundial a partir da segunda revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o industrial e do processo de matura&amp;ccedil;&amp;atilde;o do processo do capitalismo. Para os Estados unidos &amp;eacute; canalizado todo o fluxo de capital do mundo. Esse processo de capitaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de dinheiro dos Estados Unidos no s&amp;eacute;culo XX se faz tamb&amp;eacute;m com a &lt;em&gt;grande apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o do conhecimento &lt;/em&gt;todo, se faz tamb&amp;eacute;m com a propriedade intelectual, com a lei de patentes, com a forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o das grandes empresas multinacionais, com seus ramos pela sociedade global em outros pa&amp;iacute;ses, capitalizando para os Estados Unidos conhecimento e riqueza e dinheiro e bens de capital. O conhecimento das partes &amp;eacute; colocado na sociedade. O que n&amp;oacute;s estamos querendo colocar &amp;eacute;: &lt;em&gt;qual &amp;eacute; a resist&amp;ecirc;ncia do Brasil&lt;/em&gt;? Na verdade as grandes empresas &amp;eacute; que v&amp;atilde;o ter que resistir ao processo de restabelecimento de um processo social de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o coletiva de conhecimento, que j&amp;aacute; existia antes da forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o do capitalismo. Esta &amp;eacute; a quest&amp;atilde;o, &lt;em&gt;a resist&amp;ecirc;ncia &amp;eacute; deles e n&amp;atilde;o nossa&lt;/em&gt;, o que n&amp;oacute;s estamos fazendo na verdade &amp;eacute; caminhar no processo do capital, &amp;eacute; o processo mais f&amp;aacute;cil, &amp;eacute; o processo de colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o, &amp;eacute; resgatar esse processo, que &amp;eacute; o processo natural. Eles que v&amp;atilde;o ter que resistir para manter esse processo, que &amp;eacute; anti&amp;eacute;tico, que faz com que a popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o seja cada vez mais pobre, tr&amp;ecirc;s quintos da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o mundial hoje j&amp;aacute; vive na faixa de mis&amp;eacute;ria, o globo terrestre n&amp;atilde;o suporta esse modelo, est&amp;aacute; destruindo as &amp;aacute;guas, destruindo as florestas, destruindo o ar. &amp;Eacute; um modelo insustent&amp;aacute;vel! E o que est&amp;aacute; acontecendo? Com o software livre e com o processo que vai al&amp;eacute;m do software livre, essa tomada de consci&amp;ecirc;ncia resgata uma produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o social e coletiva do conhecimento que est&amp;aacute; espalhado por todas as partes, por todos os p&amp;oacute;los do mundo. &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;(FF)&lt;/strong&gt; Os que existe de revolucion&amp;aacute;rio no software livre acontece de maneira descentralizada. Quer dizer, n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o pessoas que t&amp;ecirc;m o objetivo de fazer o melhor browser do mundo, o melhor software do mundo, s&amp;atilde;o pessoas resolvendo seus &lt;em&gt;problemas locais&lt;/em&gt;, o pr&amp;oacute;prio objetivo da evolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o do software livre &amp;eacute; um bando de pessoas que quer resolver pequenos problemas e isso de uma maneira emergente acaba criando um contexto que &amp;eacute; revolucion&amp;aacute;rio. &amp;Eacute; uma outra maneira, uma maneira emergente de enfrentar as coisas que v&amp;aacute;rias pessoas t&amp;ecirc;m em comum. &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;(Chico) &lt;/strong&gt;O Paj&amp;eacute; antes tava insistindo em um lance que &amp;quot;tem uma id&amp;eacute;ia por tr&amp;aacute;s&amp;quot;, o &amp;quot;o que est&amp;aacute; por tr&amp;aacute;s&amp;quot;? &lt;span style=&quot;&quot;&gt;Eu &lt;/span&gt;quero discordar de tudo o que o Paj&amp;eacute; falou, porque eEle est&amp;aacute; obcecado no que est&amp;aacute; &lt;em&gt;por tr&amp;aacute;s&lt;/em&gt; das coisas. Eu acho que a gente vive justamente um momento que &lt;em&gt;as id&amp;eacute;ias n&amp;atilde;o est&amp;atilde;o dando conta das coisas que est&amp;atilde;o acontecendo&lt;/em&gt;. Outro dia eu estava conversando com o Rhatto, e ele estava falando que na faculdade de meteorologia tem um cluster com sessenta processadores e que n&amp;atilde;o existe ningu&amp;eacute;m que consegue programar pra esses computadores. O pessoal est&amp;aacute; ainda tentando conseguir desenvolver programas pra esse cluster que consigam explorar toda a potencialidade desse objeto t&amp;eacute;cnico, dessa configura&amp;ccedil;&amp;atilde;o que os caras criaram. Ent&amp;atilde;o, tem uma &lt;em&gt;acelera&amp;ccedil;&amp;atilde;o do desenvolvimento t&amp;eacute;cnico&lt;/em&gt; que &amp;eacute; a acelera&amp;ccedil;&amp;atilde;o da acelera&amp;ccedil;&amp;atilde;o e a gente est&amp;aacute; tentando entender e &lt;em&gt;nem sempre tem uma id&amp;eacute;ia que est&amp;aacute; por tr&amp;aacute;s&lt;/em&gt; que consegue determinar pra qu&amp;ecirc; aquele objeto t&amp;eacute;cnico vai servir, como ele vai ser utilizado, quais v&amp;atilde;o ser as conseq&amp;uuml;&amp;ecirc;ncias, os desdobramentos da inser&amp;ccedil;&amp;atilde;o desse objeto t&amp;eacute;cnico nas redes sociais e tal. Eu gostaria de chamar a aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o pra isso. &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;(Chico) &lt;/strong&gt;Acho que eu consigo responder a primeira quest&amp;atilde;o do Paj&amp;eacute; que ele, num tom provocativo, falou: &amp;ldquo;Ah, e a&amp;iacute;? Voc&amp;ecirc;s est&amp;atilde;o usando ai o processador Pentium e n&amp;atilde;o sei o qu&amp;ecirc;, e a&amp;iacute; como &amp;eacute; que fica? E o software livre? Pra que que serve ent&amp;atilde;o?&amp;rdquo; Que eu acho um discurso f&amp;aacute;cil e muito simples de tentar esgotar as possibilidades criativas do software livre ou de qualquer forma de resist&amp;ecirc;ncia porque o fundamento do argumento do Paj&amp;eacute; &amp;eacute; o fundamento da nega&amp;ccedil;&amp;atilde;o entendeu? &lt;em&gt;Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o est&amp;aacute; negando o Pentium usando software livre, ent&amp;atilde;o voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o est&amp;aacute; combatendo o Pentium.&lt;/em&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;(Chico) &lt;/strong&gt;Eu quero discordar tamb&amp;eacute;m do Ant&amp;ocirc;nio, que estava com um referencial marxista, querendo colocar o determinismo econ&amp;ocirc;mico. Mas &lt;em&gt;n&amp;atilde;o basta a gente mudar os propriet&amp;aacute;rios dos meios de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o pra gente mudar a estrutura de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/em&gt;. O caso da Uni&amp;atilde;o Sovi&amp;eacute;tica estava a&amp;iacute;, esteve a&amp;iacute;, pra nos mostrar isso. Mudaram-se os patr&amp;otilde;es, as pessoas continuaram trabalhando da mesma maneira e n&amp;atilde;o mudou nada, continuou tendo produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o de mais-valia, as pessoas eram exploradas e continuou a mesma coisa, e depois o neg&amp;oacute;cio acabou. A minha viagem &amp;eacute; assim: &lt;em&gt;o tipo de resist&amp;ecirc;ncia.&lt;/em&gt; E quando o Dalton fala: &amp;ldquo;ah se uma empresa pegar eu acho que eu n&amp;atilde;o t&amp;ocirc; nem ai, eu vou achar legal, se o Debian conseguiu se estabelecer porque o pessoal foi usando&amp;rdquo; &amp;eacute; mais uma &lt;em&gt;estrat&amp;eacute;gia de contamina&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/em&gt;, o pessoal come&amp;ccedil;a a utilizar o software livre, come&amp;ccedil;a a utilizar o Debian, a o camarada colocou: &amp;ldquo;&amp;Eacute;, mas a&amp;iacute; est&amp;aacute; se apropriando do seu trabalho!&amp;rdquo; Entendeu? Mas n&amp;atilde;o, ele est&amp;aacute; usando o Debian e daqui a pouco vai ter um mais monte de gente usando o Debian e vai abrir espa&amp;ccedil;o pra mais pessoas conhecerem e utilizarem um software que &amp;eacute; produzido dentro de uma outra ecologia de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o de conhecimento, dentro de uma outra &amp;eacute;tica, como algumas pessoas falaram. Ent&amp;atilde;o eu quero citar aqui o &lt;em&gt;acad&amp;ecirc;mico&lt;/em&gt; Bodinho, porque a partir de suas leituras de Deleuze e Guattari ele me ensinou uma outra maneira de utilizar o conceito de resist&amp;ecirc;ncia. A resist&amp;ecirc;ncia, segundo Guattari seria a nega&amp;ccedil;&amp;atilde;o: &amp;quot;eu vou resistir&amp;quot;. &lt;em&gt;A resist&amp;ecirc;ncia baseada na nega&amp;ccedil;&amp;atilde;o est&amp;aacute; fundada em um paradigma da f&amp;iacute;sica mec&amp;acirc;nica, da a&amp;ccedil;&amp;atilde;o e rea&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/em&gt;. E o outro tipo de resist&amp;ecirc;ncia que ele prop&amp;otilde;e &amp;eacute; a &lt;em&gt;re-exist&amp;ecirc;ncia que &amp;eacute; a constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de novos espa&amp;ccedil;os de exist&amp;ecirc;ncia&lt;/em&gt;. Ent&amp;atilde;o, n&amp;atilde;o &amp;eacute; que eu sou contra as coisas, que eu quero destruir o Pentium e tal, n&amp;atilde;o, &lt;em&gt;eu quero construir novos espa&amp;ccedil;os &lt;/em&gt;de exist&amp;ecirc;ncia porque n&amp;atilde;o d&amp;aacute; simplesmente pra gente fazer revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o e derrubar as coisa e tal, porque a l&amp;oacute;gica &amp;eacute; outra e o barato &amp;eacute; outro. &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;(Chico)&lt;/strong&gt;&lt;span style=&quot;&quot;&gt; &lt;/span&gt;A gente est&amp;aacute; falando de f&amp;iacute;sica qu&amp;acirc;ntica mas pensando: existe uma empresa, existe o trabalhador, existe o indiv&amp;iacute;duo, enfim, cada um &amp;eacute; v&amp;aacute;rios, n&amp;atilde;o existe um eu. E a gente tem que quebrar com essas coisas tamb&amp;eacute;m da maneira como a gente pensa e a&amp;iacute; tem essa coisas da teoria e da pr&amp;aacute;tica que a gente tamb&amp;eacute;m tem que mudar como pensa. &lt;em&gt;N&amp;atilde;o adianta ver o novo, que s&amp;atilde;o essas coisas que est&amp;atilde;o acontecendo, com as categorias do velho&lt;/em&gt;, pensar o novo a partir do velho que voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o vai entender. &lt;em&gt;Entendeu? &lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;strong&gt;(Bodinho) &lt;/strong&gt;Falaram da academia em v&amp;aacute;rios momentos e sempre se tem a imagem que a academia, essa vis&amp;atilde;o do cara sisudo, do cara com v&amp;aacute;rios livros, com roupas escuras e dialogando com o estabelecido. O Jubinha &amp;eacute; um acad&amp;ecirc;mico. Olha pro Jubinha, olha o perfil do Jubinha, ele faz um novo uso da academia. E a academia como um espa&amp;ccedil;o p&amp;uacute;blico, garantido pelo Estado, possibilita uma produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o intelectual livre, e existem pessoas aqui dentro que conseguem talvez tra&amp;ccedil;ar umas linhas mais marginais, umas linhas mais criativas, que n&amp;atilde;o passam por esse sistema quadrado e fechado. S&amp;atilde;o pessoas que tentam relan&amp;ccedil;ar, intervir de alguma maneira. O Can&amp;aacute;rio falou que a gente &amp;eacute; acad&amp;ecirc;mico, a gente aqui at&amp;eacute; faz uma brincadeira neste sentido que come&amp;ccedil;ou no cineclube de exibi&amp;ccedil;&amp;atilde;o e foi virando v&amp;aacute;rias outras coisas, ou seja, eram os acad&amp;ecirc;micos fazendo um cineclube. Ent&amp;atilde;o, enquanto espa&amp;ccedil;o p&amp;uacute;blico, garantido pelo estado com uma relativa tecnologia, com um relativo acesso &amp;agrave; tecnologia, na academia cabe &amp;agrave; gente achar professores que orientem teses mais alternativas, o C. est&amp;aacute; a&amp;iacute;, eu tamb&amp;eacute;m estou fazendo. O Novaes citou um texto que estamos ajudando a fazer n&amp;oacute;s mesmos que &amp;eacute; do professor Luis Orlando(?) aqui do Ifich. Ou seja a possibilidade, a &amp;ldquo;peneira&amp;rdquo;, aqui tem buracos muito largos e aqui &amp;eacute; um lugar onde a gente pode emplacar uma coisa que a gente diz muito que &amp;eacute; 171, d&amp;aacute; pra voc&amp;ecirc; fazer v&amp;aacute;rios 171, uma &lt;em&gt;gambiarra acad&amp;ecirc;mica&lt;/em&gt;. Ent&amp;atilde;o talvez este seja o depoimento de um acad&amp;ecirc;mico, e &lt;em&gt;existem acad&amp;ecirc;micos que n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o uns sisudos, n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o uns chatos&lt;/em&gt; como esses acad&amp;ecirc;micos que est&amp;atilde;o desfrutando das benesses do Estado.&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Thu, 26 Jun 2008 17:57:53 +0000</pubDate>
 <dc:creator>felipefonseca</dc:creator>
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