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 <title>Mutirão da Gambiarra - hardware</title>
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 <title>Reciclar tecnologia por uma cultura popular local</title>
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 <description>&lt;div class=&quot;field field-type-link field-field-permalink&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-items&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-item&quot;&gt;&lt;div class=&quot;field-label-inline-first&quot;&gt;permalink:&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;a href=&quot;http://webinsider.uol.com.br/index.php/2006/12/24/reciclar-tecnologia-por-uma-cultura-popular-local/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://webinsider.uol.com.br/index.php/2006/12/24/...&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;O copyleft aplicado ao hardware: temos dispon&amp;iacute;vel sucata e para n&amp;oacute;s o lixo tecnol&amp;oacute;gico deve ser reaproveitado. Para fazer inclus&amp;atilde;o digital, reciclar &amp;eacute; dar acesso.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O marco da entrada do software livre no Brasil deu-se com o lan&amp;ccedil;amento do Conectiva Red Hat, que a partir de 1996 disponibilizou uma vers&amp;atilde;o traduzida ao portugu&amp;ecirc;s brasileiro do sistema operacional Gnu/Linux.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas foi de fato a sociedade civil que propagou o uso e construiu as rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es de compartilhamento, troca e pesquisa intr&amp;iacute;nsecas ao projeto de um sistema livre e de c&amp;oacute;digo aberto. A&amp;ccedil;&amp;otilde;es como o Projeto Software Livre, por exemplo, que realiza desde 2000 anualmente o F&amp;oacute;rum Internacional Software Livre (FISL) fizeram com que o Gnu/Linux se tornasse mais utilizado e difundido.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os avan&amp;ccedil;os das interfaces gr&amp;aacute;ficas e dos programas multim&amp;iacute;dia tamb&amp;eacute;m foram de suma import&amp;acirc;ncia para a abrang&amp;ecirc;ncia do uso do software livre, mas principalmente sua filosofia de livre distribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o, possibilidade de modifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o e customiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, entre outras, atraiu muitas pessoas. A cultura de uso desta nova ferramenta fez com que os ideais de livre distribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o, compartilhamento e fa&amp;ccedil;a voc&amp;ecirc; mesma migrassem para outras &amp;aacute;reas, como a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o midi&amp;aacute;tica e musical.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os Indymedias foram os primeiros websites de not&amp;iacute;cias que utilizaram a licen&amp;ccedil;a copyleft. No Brasil, no final de 2000, chega o Centro de M&amp;iacute;dia Independente. Logo depois, pessoas ligadas &amp;agrave; m&amp;uacute;sica, como o coletivo pernambucano Re:Combo, passam a utilizar uma licen&amp;ccedil;a de remix. &amp;Eacute; o in&amp;iacute;cio da migra&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos ideais do software livre para a arte e a cultura.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com a receita da feijoada dispon&amp;iacute;vel para todo mundo, cada regi&amp;atilde;o do pa&amp;iacute;s reinventou sua vers&amp;atilde;o, adicionou um tempero regional. O licenciamento que permite executar, estudar, aperfei&amp;ccedil;oar e distribuir, origin&amp;aacute;rio da GNU General Public License (GPL), passa a ser aplicado em outras esferas que n&amp;atilde;o a do software. O que ocorreu no caso do Brasil, nos &amp;uacute;ltimos dez anos, &amp;eacute; que o sistema operacional livre e sua ideologia foi encarado e utilizado como um catalisador para a&amp;ccedil;&amp;otilde;es que sempre existiram no &amp;ldquo;mundo anal&amp;oacute;gico&amp;rdquo;.&lt;/p&gt;&lt;h2&gt;Cultura e tecnologia&lt;/h2&gt;&lt;p&gt;A partir da distribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma documenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o sobre como produzir, aliada &amp;agrave; populariza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de m&amp;iacute;dias como gravadores de CDs e DVDs, tornou-se muito mais acess&amp;iacute;vel divulgar realidades regionais. Pois, em contraposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; diversidade brasileira, o monop&amp;oacute;lio das m&amp;iacute;dias trabalha em fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o do jab&amp;aacute;, representando na telinha ou no r&amp;aacute;dio uma cultura muito mais estadunidense (*) que nacional. Quando muito destaca o sudeste e um nordeste rotulado em jarg&amp;otilde;es comerciais.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Paralelamente, a interlocu&amp;ccedil;&amp;atilde;o das m&amp;iacute;dias livres trabalha mais diretamente com as pessoas, possibilitando que muitas outras vozes e opini&amp;otilde;es sejam protagonistas. Conseq&amp;uuml;entemente a diversidade &amp;eacute; muito maior. Um simples exemplo sobre a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o musical brasileira: quem &amp;eacute; mais representativo, a Sony/BMG e seus 38 artistas nacionais contratados ou os mais de 30 mil musicistas cadastrados no Trama Virtual que disponibilizam suas m&amp;uacute;sicas em licen&amp;ccedil;as livres?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Neste aspecto os Encontros de Conhecimentos Livres e as Oficinas locais, promovidos desde 2005 pela A&amp;ccedil;&amp;atilde;o Cultura Digital, trabalham com a auto-estima das comunidades a partir do momento em que as colocam como protagonistas de sua pr&amp;oacute;pria hist&amp;oacute;ria e oferecendo a possibilidade de auto-documenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o da cultura popular local.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Foram in&amp;uacute;meros os grupos que gravaram seu primeiro CD ou primeiro v&amp;iacute;deo de trabalhos criados por gera&amp;ccedil;&amp;otilde;es. S&amp;atilde;o novas produ&amp;ccedil;&amp;otilde;es culturais refletindo para o mundo a diversidade nacional.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A instrumentaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o tecnol&amp;oacute;gica dos Pontos de Cultura, entidades selecionadas em edital pelo Minist&amp;eacute;rio da Cultura para receber uma verba com vistas a ampliar suas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es, seja por meio do kit multim&amp;iacute;dia ou pelo aprendizado do manuseio de ferramentas livres para a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o multim&amp;iacute;dia, tamb&amp;eacute;m fez com que estes agentes se tornassem aut&amp;ocirc;nomos em sua produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o cultural.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;J&amp;aacute; &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel trocar material entre projetos de todo pa&amp;iacute;s e com acesso &amp;agrave; internet pode-se conhecer muitas outras realidades al&amp;eacute;m daquelas exibidas no plim plim da Rede Globo, como no Acervo Livre, reposit&amp;oacute;rio de publica&amp;ccedil;&amp;otilde;es abertas de material multim&amp;iacute;dia, por exemplo.&lt;/p&gt;&lt;h2&gt;Reapropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o das ferramentas&lt;/h2&gt;&lt;p&gt;Em se tratando da realidade brasileira n&amp;atilde;o faz sentido falar em investimentos milion&amp;aacute;rios em hardware (computadores, filmadoras, etc) para promover essa difus&amp;atilde;o e produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o cultural descentralizada. A grande quest&amp;atilde;o fica em como trabalhar com a diversidade cultural e criatividade com poucos recursos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O diferencial da abordagem brasileira com rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave;s ferramentas tecnol&amp;oacute;gicas, ou o hardware, &amp;eacute; que de fato temos dispon&amp;iacute;vel sucata e para n&amp;oacute;s o lixo tecnol&amp;oacute;gico deve ser reaproveitado. Um m&amp;aacute;quina de &amp;uacute;ltima gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o pode at&amp;eacute; chegar &amp;agrave; classe m&amp;eacute;dia alta, por&amp;eacute;m para fazer inclus&amp;atilde;o digital, entenda-se l&amp;aacute; como for o que esta express&amp;atilde;o indique, &amp;eacute; preciso ter em mente que reciclar &amp;eacute; dar acesso.&lt;/p&gt;&lt;h2&gt;O copyleft do hardware&lt;/h2&gt;&lt;p&gt;Justamente a&amp;iacute; entra o Metareciclagem, proposta que serviu de base para a constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o da A&amp;ccedil;&amp;atilde;o Cultura Digital. Este projeto n&amp;atilde;o se trata apenas de reciclar m&amp;aacute;quinas antigas para colocar telecentros em funcionamento. Fazer Metareciclagem &amp;eacute; principalmente pensar em como empregar a parafern&amp;aacute;lia tecnol&amp;oacute;gica para projetos socialmente engajados utilizando-se de criatividade art&amp;iacute;stica para isso. Lembrando que por tecnologia entende-se qualquer objeto manipulado pelo ser humano, de uma l&amp;aacute;pis a um processador dual core.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Desmontar teclados, fazer com eles sensores e com estes fazer um piano no ch&amp;atilde;o &amp;eacute; um exemplo de Metareciclagem. Uma video wall, ou parede de telas de computador antigas, exibindo imagens &amp;eacute; aplicar o conceito de Metareciclagem. Estes s&amp;atilde;o apenas alguns exemplos de projetos executados por pessoas que trabalham com baixa tecnologia, arte e multim&amp;iacute;dia. S&amp;atilde;o coisas assim que encantam as pessoas por serem quase inimagin&amp;aacute;veis no primeiro olhar, afinal, voc&amp;ecirc; pensaria em um piano ao ver um monte de teclados velhos e estragados? (Veja o v&amp;iacute;deo do piano em funcionamento)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O que as pessoas que aplicam Metareciclagem em suas vidas de fato fazem &amp;eacute; levar o conceito de c&amp;oacute;digo aberto ao hardware, &amp;agrave; parafern&amp;aacute;lia tecnol&amp;oacute;gica. Pois ao abrir a caixa preta da tecnologia, entender como as m&amp;aacute;quinas funcionam por dentro, reproduz-se a receita do bolo, da feijoada, utilizando-a de sua pr&amp;oacute;pria maneira.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esse olhar, que vislumbra possibilidades infinitas, reflete a criatividade t&amp;iacute;pica das brasileiras e dos brasileiros. Se propomos novos usos no artesanato, por que n&amp;atilde;o na tecnologia? Al&amp;eacute;m disso, a simples atitude de reaprovetar a baixa tecnologia &amp;eacute; negar a obsolesc&amp;ecirc;ncia programada da ind&amp;uacute;stria. Ao abrir as m&amp;aacute;quinas desmistifica-se o que &amp;eacute; um computador, seu funcionamento e sua dist&amp;acirc;ncia, seja ela de origem financeira ou de aprendizado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Grupos e coletivos como o Metareciclagem, o M&amp;iacute;dia T&amp;aacute;tica e o Centro de M&amp;iacute;dia Independente, atuantes direta ou indiretamente no MinC por meio da A&amp;ccedil;&amp;atilde;o Cultura Digital, misturam o low tech com o multim&amp;iacute;dia em um contexto de mudan&amp;ccedil;as s&amp;oacute;cio econ&amp;ocirc;micas do qual emergem os conceitos do software livre e os novos tipos de licenciamento de obras art&amp;iacute;sticas e intelectuais, em um processo colaborativo que muda a forma com que a cultura, a m&amp;iacute;dia e a tecnologia ser&amp;atilde;o vistas pelas novas gera&amp;ccedil;&amp;otilde;es. [Webinsider]&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;(*) O termo estadunidense &amp;eacute; utilizado ao inv&amp;eacute;s de norte americanos pois entende-se por norte americanos tamb&amp;eacute;m os mexicanos e canadenses.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Colaborou Tati Wells&lt;/p&gt; &lt;h3&gt;Sobre a autora&lt;/h3&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Drica Veloso&lt;/strong&gt; (&lt;a href=&quot;mailto:drica@estudiolivre.org&quot; rel=&quot;nofollow&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;drica@estudiolivre.org&lt;/a&gt;) faz parte da hist&amp;oacute;ria do Software Livre no Brasil e participa de projetos como Cultura Digital, Convers&amp;ecirc; e &lt;strong&gt;&lt;a title=&quot; (Este link abre uma nova janela!)&quot; target=&quot;_blank&quot; href=&quot;http://drica.estudiolivre.org/&quot; rel=&quot;externo&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Est&amp;uacute;dio Livre&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Thu, 26 Jun 2008 18:16:03 +0000</pubDate>
 <dc:creator>felipefonseca</dc:creator>
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