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 <title>Mutirão da Gambiarra - hacker</title>
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 <title>Anotações no coletivo</title>
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 <description>&lt;p&gt;&lt;em&gt;Artigo escrito em novembro de 2003, na seq&amp;uuml;&amp;ecirc;ncia de uma palestra que dei junto com Hernani Dimantas no Cybercultura 2.0, no Senac, a convite de Lucia Le&amp;atilde;o.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A&amp;iacute; uma costura das anota&amp;ccedil;&amp;otilde;es tomadas na linha Lapa - Santo Amaro, quinta-feira passada, a caminho do Cybercultura 2.0, com algumas coisas que realmente cheguei a comentar na mesa redonda com o Hernani, e mais algumas elucubra&amp;ccedil;&amp;otilde;es posteriores. Meu nome &amp;eacute; Felipe Fonseca. Dizem que fui co-fundador do Projeto MetaFora junto com o Hernani. Mas outros dizem que o Projeto MetaFora nunca existiu, foi uma esp&amp;eacute;cie de alucina&amp;ccedil;&amp;atilde;o coletiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cultura brasileira como uma cultura hacker (ou poder&amp;iacute;amos definir: a &amp;eacute;tica hacker nas culturas populares brasileiras*).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, quero me desculpar porque vou avan&amp;ccedil;ar em alguns assuntos sobre os quais n&amp;atilde;o sou especialista. N&amp;atilde;o me preocupar muito com isso &amp;eacute; uma das coisas que aprendi com os hackers com quem trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A era das grandes verdades&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;At&amp;eacute; h&amp;aacute; pouco tempo, a comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o concentrava-se em torno das fontes &amp;quot;oficiais&amp;quot; de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e conhecimento: a igreja, o estado, a escola e a academia, e no &amp;uacute;ltimo s&amp;eacute;culo a m&amp;iacute;dia de massa. As estruturas de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o eram facilmente identificadas. Um mapeamento dos fluxos de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o revelariam tr&amp;ecirc;s grandes vertentes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* as &amp;quot;fontes oficiais&amp;quot; propriamente ditas;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* as deriva&amp;ccedil;&amp;otilde;es das fontes (aquele tiozinho que repete no boteco o argumento do padre ou do &amp;acirc;ncora do telejornal), par&amp;aacute;frases das grandes verdades;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* as vozes contr&amp;aacute;rias, ant&amp;iacute;teses das grandes verdades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas &amp;uacute;ltimas eram respons&amp;aacute;veis por uma esp&amp;eacute;cie de equil&amp;iacute;brio e um movimento de renova&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Podem ser identificadas aqui as vanguardas do s&amp;eacute;culo XX e a contracultura do p&amp;oacute;s-guerra, que, de alguma forma, acabavam impedindo uma total tirania na comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A era das m&amp;uacute;ltiplas verdades&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas &amp;uacute;ltimas d&amp;eacute;cadas, entretanto, as fontes &amp;quot;oficiais&amp;quot; come&amp;ccedil;aram a se multiplicar e pulverizar. Acredito que alguns fatores influenciaram bastante nesse movimento:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* os questionamentos sobre a ci&amp;ecirc;ncia no s&amp;eacute;culo XX;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* os questionamentos sobre a arte e seu papel;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* o intenso desenvolvimento e a facilita&amp;ccedil;&amp;atilde;o do acesso &amp;agrave;s Tecnologias de Informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e Comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* o acirramento da competitividade nos mundos corporativo e acad&amp;ecirc;mico, e entre as empresas de m&amp;iacute;dia de massa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um hipot&amp;eacute;tico mapa da comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o nos dias de hoje revelaria um cen&amp;aacute;rio complexo, tendendo ao caos. Apesar de o ambiente da comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o continuar dominado pelas mesmas estruturas (hoje, principalmente, as megacorpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es), n&amp;atilde;o &amp;eacute; tarefa simples identificar onde se encerra esse poder. Em tal cen&amp;aacute;rio, o papel de uma suposta contracultura precisa necessariamente se reinventar. H&amp;aacute; 30 anos, era f&amp;aacute;cil identificar &amp;quot;o inimigo&amp;quot;: a ditadura no Brasil, a guerra do Vietn&amp;atilde; e as estruturas militares nos EEUU, etc. Hoje, para onde devem apontar as armas da contracultura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali&amp;aacute;s, ainda existe uma contracultura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acredito que n&amp;atilde;o haja uma resposta objetiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o tem papel fundamental na aceita&amp;ccedil;&amp;atilde;o e manuten&amp;ccedil;&amp;atilde;o dessa realidade. Em O Sistema dos Objetos, Jean Baudrillard identifica que a domina&amp;ccedil;&amp;atilde;o atrav&amp;eacute;s da manipula&amp;ccedil;&amp;atilde;o publicit&amp;aacute;ria n&amp;atilde;o se d&amp;aacute; no &amp;acirc;mbito de cada pe&amp;ccedil;a de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o influenciando uma decis&amp;atilde;o do &amp;quot;consumidor&amp;quot;, mas no contexto do conjunto das pe&amp;ccedil;as publicit&amp;aacute;rias seguindo f&amp;oacute;rmulas assemelhadas e ratificando um modo de vida ocidental, branco e consumista. Uma situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o claramente emergente, em que a a&amp;ccedil;&amp;atilde;o de cada parte &amp;eacute; menos importante do que a a&amp;ccedil;&amp;atilde;o do conjunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A m&amp;iacute;dia t&amp;aacute;tica surge nesse cen&amp;aacute;rio, tamb&amp;eacute;m como uma for&amp;ccedil;a emergente, potencializada com o novo ativismo que surge ao fim da d&amp;eacute;cada passada, nos protestos em Seattle, G&amp;ecirc;nova, Davos, Washington e tantos outros. Grupos de ativistas midi&amp;aacute;ticos e artistas de todo o mundo passam a utilizar ferramentas &amp;agrave;s quais anteriormente s&amp;oacute; as elites tinham acesso para questionar a credibilidade da comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Usam, camuflados ou n&amp;atilde;o, as pr&amp;oacute;prias armas do inimigo para conscientizar as pessoas sobre o que se passa no mundo. A m&amp;iacute;dia t&amp;aacute;tica pode ser vista como a retomada do &amp;quot;social&amp;quot; na comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Sua estrutura como sistema descentralizado e emergente encontra justificativa em Steven Johnson, no Emerg&amp;ecirc;ncia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...) se voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; tentando lutar contra uma rede distribu&amp;iacute;da como o capitalismo global, &amp;eacute; melhor mesmo se tornar uma rede distribu&amp;iacute;da.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A &amp;eacute;tica hacker&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mundo do desenvolvimento tecnol&amp;oacute;gico, uma contracultura atuante desde os anos 70 construiu colaborativamente a &amp;Eacute;tica Hacker. N&amp;atilde;o vou entrar em detalhes, mas alguns dos princ&amp;iacute;pios postulados pelos hackers encontram eco e respaldo na m&amp;iacute;dia t&amp;aacute;tica:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* a descentraliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o coordenada;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* &amp;ecirc;nfase na reputa&amp;ccedil;&amp;atilde;o pessoal, baseada no hist&amp;oacute;rico de a&amp;ccedil;&amp;otilde;es, ao inv&amp;eacute;s de hierarquia baseada em t&amp;iacute;tulos ou honras;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o e conhecimento livre e aberto;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* questionamento profundo sobre a validade da propriedade intelectual;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Release Early, Release Often - &amp;eacute; mais importante realizar do que ter um plano perfeito;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* informalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hackerismo brazuca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estive em setembro no Next5Minutes, festival internacional de m&amp;iacute;dia t&amp;aacute;tica realizado em Amsterdam. Alguns dias antes de embarcar, comecei a debater com o pessoal no MetaFora sobre o que falar por l&amp;aacute;. As primeiras id&amp;eacute;ias circularam em torno da &amp;eacute;tica hacker e uma apresenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o do grupo MetaFora. Na manh&amp;atilde; da partida (ou a manh&amp;atilde; anterior, n&amp;atilde;o estou certo), acordei com a opini&amp;atilde;o de que tal linha de argumenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o tinha duas falhas. Em primeiro lugar, eu n&amp;atilde;o havia sido chamado para representar o MetaFora, e sim o M&amp;iacute;dia T&amp;aacute;tica Brasil, festival realizado em mar&amp;ccedil;o de 2003 do qual participamos. Al&amp;eacute;m disso, n&amp;atilde;o faria sentido simplesmente fazer c&amp;ocirc;ro a diversas outras vozes que j&amp;aacute; apregoam os princ&amp;iacute;pios da descentraliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e da colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o. J&amp;aacute; h&amp;aacute; algum tempo, t&amp;iacute;nhamos percebido que, em termos de colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o, n&amp;oacute;s, elite cultural revoltadinha brasileira, temos mais a aprender do que a ensinar com as culturas populares* no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O hackerismo tecnol&amp;oacute;gico tem grande aceita&amp;ccedil;&amp;atilde;o no Brasil, como pode detalhar o Hernani. O governo est&amp;aacute; adotando Software Livre, o pa&amp;iacute;s &amp;eacute; um dos maiores em volume de ataques de crackers. Sexta-feira, Maratimba comentou comigo que ouviu da boca de Miguel de Icaza que o Brasil tem o maior parque instalado do ambiente gr&amp;aacute;fico Gnome. No N5M, alguns programadores de Taiwan que estavam na mesa redonda New Landscapes for Tactical Media, da qual eu e Ricardo Rosas tamb&amp;eacute;m participamos, vieram a mim perguntar, maravilhados, se tudo o que se falava sobre Software Livre no Brasil era verdade. Assenti, orgulhoso. Eu vejo algumas ra&amp;iacute;zes culturais hackers no Brasil desde muito antes da cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o do primeiro computador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mitos afro-brasileiros**&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante alguns s&amp;eacute;culos, pessoas de v&amp;aacute;rias regi&amp;otilde;es da &amp;Aacute;frica foram violentamente seq&amp;uuml;estradas e trazidas ao Brasil, comerciados como escravos e encarcerados a uma vida de trabalho duro, restos de comida e praticamente nenhum direito. N&amp;atilde;o bastassem as agress&amp;otilde;es f&amp;iacute;sicas e a humilha&amp;ccedil;&amp;atilde;o cont&amp;iacute;nua, eles eram proibidos de exercer suas cren&amp;ccedil;as, originalmente an&amp;iacute;micas. Alguns convertiam-se &amp;agrave; &amp;quot;verdadeira f&amp;eacute;&amp;quot; cat&amp;oacute;lica, mas muitos desenvolveram uma alternativa, an&amp;aacute;loga &amp;agrave; engenharia social hacker: o tal sincretismo religioso. Camuflando seus orix&amp;aacute;s com vestes cat&amp;oacute;licas, puderam continuar praticando seus rituais e venerando seus deuses da guerra, do trov&amp;atilde;o e do vento. Embora tenham aparecido diversas lideran&amp;ccedil;as na Umbanda, n&amp;atilde;o havia uma centraliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de poder ou dogma. Assim, as linguagens espirituais afrobrasileiras foram se desenvolvendo de maneira colaborativa. T&amp;ecirc;m uma base comum (o kernel hacker) e diversas adapta&amp;ccedil;&amp;otilde;es locais (a customiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o descentralizada hacker), chegando a abarcar elementos do kardecismo, de culturas ind&amp;iacute;genas, de tradi&amp;ccedil;&amp;otilde;es ciganas, do budismo e outras cren&amp;ccedil;as orientais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cultura burguesa brasileira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o &amp;eacute; novidade que, no in&amp;iacute;cio do s&amp;eacute;culo XX, a incipiente intelectualidade brasileira, composta em sua maioria pelos jovens filhos das elites que estudavam na Europa e voltavam ao pa&amp;iacute;s, passava por uma crise de identidade, como ocorreu com todas as ex-col&amp;ocirc;nias europ&amp;eacute;ias emancipadas entre os s&amp;eacute;culos XVII e XX ao redor do mundo. Duas perspectivas levavam a um impasse: de um lado, a cultura europ&amp;eacute;ia, moderna, vibrante, mas associada &amp;agrave; ex-metr&amp;oacute;pole colonial. De outro, uma cultura bruta, neonaturalista e sertaneja, quase crua. Os modernistas resolveram o paradoxo com a antropofagia, basicamente hacker: n&amp;atilde;o renegaram nenhum dos dois mundos para criar novas formas de express&amp;atilde;o. Pelo contr&amp;aacute;rio, ao inv&amp;eacute;s de tentar come&amp;ccedil;ar uma nova cultura do zero, misturaram elementos da cultura europ&amp;eacute;ia com a cultura brasileira. Vestiram a cultura popular de raiz com a experimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o formal do primeiro mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fen&amp;ocirc;meno semelhante ocorreu no final dos anos 70 com a Tropic&amp;aacute;lia. Uniram o samba ao roquenrou, adaptando a linguagem comum da contracultura mundial com o sotaque local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A economia pirata&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Premida por uma situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o econ&amp;ocirc;mica em condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es cada vez piores, pressionada pela dificuldade de encontrar coloca&amp;ccedil;&amp;atilde;o e subsist&amp;ecirc;ncia na economia formal, grande parte da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o no Brasil migrou nas &amp;uacute;ltimas duas d&amp;eacute;cadas para a economia informal. Caracterizada por um dinamismo e por uma esp&amp;eacute;cie de empreendedorismo na gambiarra, esse mundo alternativo de trabalho, que possui seu pr&amp;oacute;prio c&amp;iacute;rculo de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o e distribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o, envolve hoje praticamente metade da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o considerada &amp;quot;economicamente ativa&amp;quot; no Brasil, e mais uma grande quantidade de jovens e idosos. Possui suas formas de uma m&amp;iacute;dia mambembe que, se n&amp;atilde;o se assemelha &amp;agrave; m&amp;iacute;dia t&amp;aacute;tica do primeiro mundo, tamb&amp;eacute;m chega, de maneira emergente, a questionar os dom&amp;iacute;nios da propriedade intelectual e do poder da m&amp;iacute;dia de massa, em especial o branding corporativo. Outros elementos da &amp;eacute;tica hacker presentes na economia pirata:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* descentraliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* &amp;ecirc;nfase na reputa&amp;ccedil;&amp;atilde;o;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* informalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mutir&amp;atilde;o&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maratimba descreveu uma analogia do puxadinho feito em mutir&amp;atilde;o com o princ&amp;iacute;pio do Release Early, Release Often, que corre um certo risco de ser uma vis&amp;atilde;o estereotipada, mas que funciona como s&amp;iacute;mbolo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Come&amp;ccedil;o | Barraco - &amp;quot;Vamo botar essa porra em p&amp;eacute;!&amp;quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe como &amp;eacute;? Menos &amp;eacute; mais. Minimalismo funcionalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Expans&amp;atilde;o | Puxadinho - &amp;quot;Chame os amigos e ponha &amp;aacute;gua no feij&amp;atilde;o&amp;quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contemplar o m&amp;aacute;ximo de necessidades. Refinamento e oferta de adicionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Refunda&amp;ccedil;&amp;atilde;o | Alvenaria - &amp;quot;T&amp;aacute; na hora de botar ordem na casa&amp;quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revis&amp;atilde;o de erros e melhoria da qualidade geral. Consist&amp;ecirc;ncia de dados e de interface E agora? Subi um barraco? Puxei um quarto pras crian&amp;ccedil;as e um banheiro do lado de fora? Troquei os aglomerados e madeirites por tijolo e telha? Basta seguir a vida e esperar. Se precisar de mais teto, voc&amp;ecirc; pode construir a famosa casa nos fundos ou o mais popular segundo andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comunidades perif&amp;eacute;ricas interconectadas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As autoridades, a academia e a sociedade civil j&amp;aacute; acordaram para as possibilidades de transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o que as tecnologias de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o trazem para a melhoria de vida das popula&amp;ccedil;&amp;otilde;es perif&amp;eacute;ricas. As duas primeiras fases da &amp;quot;inclus&amp;atilde;o digital&amp;quot; tinham l&amp;aacute; suas falhas, mas podem ser encaradas como um bom come&amp;ccedil;o. H&amp;aacute; um paralelo com um movimento que Mario de Andrade fez no s&amp;eacute;culo passado, de planejar expedi&amp;ccedil;&amp;otilde;es ao Brasil rural em busca de uma suposta cultura brasileira. Hoje, sabendo que cerca de 70% da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o brasileira vive na periferia das grandes cidades, esses projetos t&amp;ecirc;m o potencial de mapear e consolidar as caracter&amp;iacute;sticas de cada comunidade e integr&amp;aacute;-las &amp;agrave;s conversa&amp;ccedil;&amp;otilde;es mundializadas. &amp;Eacute; quest&amp;atilde;o de adaptar as tecnologias &amp;agrave;s necessidades das pessoas, e n&amp;atilde;o o contr&amp;aacute;rio. Vamos nos esfor&amp;ccedil;ando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Observa&amp;ccedil;&amp;otilde;es da moderadora Rita de Oliveira. Obrigado, Rita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;** Lucia Le&amp;atilde;o comentou que o site preferido de Roy Ascott &amp;eacute; um site sobre Umbanda. N&amp;atilde;o tenho o link aqui, vou pedir &amp;agrave; Lucia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coment&amp;aacute;rios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lucia Le&amp;atilde;o&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O site indicado pelo Roy &amp;eacute;: &lt;a href=&quot;http://www.umbandaracional.com.br/&quot; title=&quot;http://www.umbandaracional.com.br/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://www.umbandaracional.com.br/&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Thu, 26 Jun 2008 19:07:38 +0000</pubDate>
 <dc:creator>felipefonseca</dc:creator>
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 <title>Emergindo das entranhas</title>
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 <description>&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://comunix.org/content/emergindo-das-entranhas&quot; title=&quot;http://comunix.org/content/emergindo-das-entranhas&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://comunix.org/content/emergindo-das-entranhas&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;h1 class=&quot;title&quot;&gt;Emergindo das entranhas&lt;/h1&gt; &lt;p&gt;&lt;span class=&quot;submitted&quot;&gt;Enviado por hernani dimantas | 05/10/2006 | &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O dia de trabalho foi intenso. Terminamos a &amp;uacute;ltima oficina de &lt;a href=&quot;http://comunix.org/content/emergindo-das-entranhas&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;MetaReciclagem&lt;/a&gt; de um projeto que estou coordenando no &lt;a href=&quot;http://www.acessasp.sp.gov.br/html/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;acessasp&lt;/a&gt;. O projeto est&amp;aacute; sendo legal. A id&amp;eacute;ia &amp;eacute; montar uma ponte metarecicleira no PEFI - Parque Fontes do Ipiranga, local onde era a FEBEM. Contribuir para a mudan&amp;ccedil;a, para a transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o do local pela apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o e replica&amp;ccedil;&amp;atilde;o da tecnologia &amp;eacute; muito importante.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Tudo isso, muitas vezes, passa batido. Bem, no MetaReciclagem d&amp;aacute; para fazer coisas muito legais. Experimentar conceitos, brincar, conversar, trocar links, bl&amp;aacute; bl&amp;aacute; bl&amp;aacute;... Gosto de pensar que aproximamos do artesanato. Ali&amp;aacute;s, penso nos hackers como artes&amp;atilde;os da tecnologia. As vezes, s&amp;atilde;o artistas. E, de&lt;br /&gt; certa forma, o metareciclagem ousou em fazer arte. Fazemos monstros&lt;br /&gt; cibern&amp;eacute;ticos, computadores pelados, pendurados e pintados. Outras&lt;br /&gt; pessoas tamb&amp;eacute;m se colam nessa inspira&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Nas oficinas percebemos que &amp;eacute;&lt;br /&gt; poss&amp;iacute;vel criar rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es que possibilitam entrar pelos meandros da rede. Encontrar os atalhos para outro futuro. Acho isso duca!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Bem, cabe explicar que Metareciclagem n&amp;atilde;o &amp;eacute; sobre reciclagem de computadores, n&amp;atilde;o &amp;eacute; apenas sobre software, nem sobre hardware. Desta forma, eu tento separar o que &amp;eacute; &amp;quot;O metareciclagem&amp;quot;, ou aquilo que &amp;eacute; entendido pela imprensa, por parte do poder p&amp;uacute;blico, ou por quem n&amp;atilde;o quer pensar muito sobre isto, daquilo que &amp;eacute; &amp;quot;A Metareciclagem&amp;quot;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Pelo menos para mim, todo esse processo que &amp;eacute; &#039;a metareciclagem&#039; nos remete &amp;agrave; id&amp;eacute;ia de inquietude potencializada. Pot&amp;ecirc;ncia de querer transformar, de engajamento no espa&amp;ccedil;o informacional. De apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o e replica&amp;ccedil;&amp;atilde;o das rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es tranformadoras. Atuamos na arte, na pol&amp;iacute;tica p&amp;uacute;blica, na cultura... Estamos construindo um modelo de transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o social. N&amp;atilde;o se trata de um invento, de uma cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Somos parte de um movimento colaborativo imenso.&lt;br /&gt; De uma imensid&amp;atilde;o de comunidades de desenvolvedores de softwares. De blogueiros, de linkad&amp;otilde;es espalhados pelo mundo com objetivos semelhantes na produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o colaborativa. Muita gente ronda pelos bastidores cibern&amp;eacute;ticos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Todo esse processo come&amp;ccedil;a a criar rizomas. Um modelo come&amp;ccedil;a a emergir das entranhas da rede. Gosto de pensar que o paradoxo se torna paradigma no ritmo de uma cultura de remix. O conhecimento come&amp;ccedil;a a se libertar das institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es. E faz da rede um reposit&amp;oacute;rio colaborativo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Fico um pouco abestalhado a ler meu pr&amp;oacute;prio texto. Repito muitas palavras. Tags como colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o, transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o, apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o e replica&amp;ccedil;&amp;atilde;o tornam-se carne de vaca nesse universo. Palavras do momento. Jarg&amp;atilde;o de um mundo que emerge do caos. Talvez, a nossa contribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o nessa ladainha toda seja apenas colocar um pouco de ordem. O Felipe Fonseca chama isso de caordem. Mas isso &amp;eacute; um assunto para ser tratado mais para frente.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Bem, fico feliz por entender que abrimos mais possibilidades de atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Essa sempre foi minha fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o nesse processo. Abrir portas, criar links, cuidar da interface.... daqui a pouco continuo. Vou almo&amp;ccedil;ar.&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Thu, 26 Jun 2008 18:20:50 +0000</pubDate>
 <dc:creator>felipefonseca</dc:creator>
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 <title>Apocalípticos, integrados e... hackers</title>
 <link>http://mutgamb.org/livro/Apocal%C3%ADpticos-integrados-e-hackers</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;b&gt;Apocal&amp;iacute;pticos, integrados e... hackers&lt;/b&gt;&lt;br /&gt; De Paulo Bicarato, 31/03/2006&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Umberto Eco deve, certamente, rever hoje seus conceitos de *apocal&amp;iacute;pticos e integrados*. Diante das possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias, resumir as gentes que fazem e consomem informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o nestas duas classifica&amp;ccedil;&amp;otilde;es ficou completamente sem sentido.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; N&amp;atilde;o existem mais as figuras do emissor e do receptor. Mesclaram-se, e mesclaram junto a pr&amp;oacute;pria mensagem. Somos, hoje, *a* mensagem, cada um um potencial gerador / difusor de informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es e conhecimento &amp;ndash;n&amp;atilde;o somos, nem de longe, apocal&amp;iacute;pticos ou integrados.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Eco forjou estes conceitos, naturalmente, sob ou a partir de uma cultura t&amp;iacute;pica do s&amp;eacute;culo XX: a industrializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, com sua produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o massificada e absolutamente mercantilizada, em que toda e qualquer pessoa n&amp;atilde;o passa de mera consumidora --quando muito, produtora, mas sem acesso ao dom&amp;iacute;nio da produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o: uma simples ferramenta que podia ser sumariamente descartada se apresentasse algum defeito ou n&amp;atilde;o gerasse os resultados pretendidos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Resgata-se, agora, outra forma de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o n&amp;atilde;o mediada unicamente pelo *valor de mercado* ou pela *mais valia*. O lucro, em si, deixou de ser o leitmotiv das novas comunidades, que ganharam uma caracter&amp;iacute;stica ainda mal interpretada e conceituada: a des-hierarquiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos processos, a horizontalidade das *organiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es*, a aus&amp;ecirc;ncia de l&amp;iacute;deres, a emerg&amp;ecirc;ncia de projetos totalmente colaborativos &amp;ndash;baseada antes na reputa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de seus integrantes do que na *valora&amp;ccedil;&amp;atilde;o* mercantilista de cada um.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Toda essa anarquia, no sentido mais puro do termo, replica-se e se esporifica progressivamente &amp;ndash;ningu&amp;eacute;m ousa apostar aonde chegar&amp;aacute;.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Mas o fato &amp;eacute; que temos a honra de participar de um momento &amp;uacute;nico na hist&amp;oacute;ria: desprezamos os processos que *notabilizaram* o s&amp;eacute;culo XX (Charles *Carlitos* Chaplin, acredito, adoraria participar dessa revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o), reavivamos o aspecto l&amp;uacute;dico e prazeroso da constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o coletiva do conhecimento, redescobrimos o poder de vez e voz de cada an&amp;ocirc;nimo, de cada ser pensante que deseje se expressar, resgatamos, enfim e contraditoriamente, com o uso das novas tecnologias, a *tecnologia* b&amp;aacute;sica que sempre moveu o mundo: nossa humanidade, e nossa potencialidade de nos expressarmos, nos comunicarmos, nos relacionarmos, nos amarmos...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Esse esp&amp;iacute;rito hacker, muito antes de meros geeks/nerds enfurnados em suas m&amp;aacute;quinas, inclui um potencial fant&amp;aacute;stico de transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o social. O poder de desalienar-se e agir contra a elitiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do conhecimento, contra o monop&amp;oacute;lio e a capitaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, est&amp;aacute; ao alcance de todos. Projetos emergentes pipocam aqui e ali, totalmente descentralizados e colaborativos, na mais pura express&amp;atilde;o open source &amp;ndash;em alguns casos, os pr&amp;oacute;prios protagonistas acabam por se surpreender com a repercuss&amp;atilde;o e o crescimento do projeto, que ganha vida pr&amp;oacute;pria.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Seriam in&amp;uacute;meros os casos, mas fiquemos com um, pela proximidade: a MetaReciclagem, nascida numa lista de discuss&amp;atilde;o entre meia-d&amp;uacute;zia de rom&amp;acirc;nticos pensadores, engenheiros poetas, hackers de carteirinha e simples abnegados, tornou-se refer&amp;ecirc;ncia e ganhou a simpatia e a ades&amp;atilde;o de in&amp;uacute;meros an&amp;ocirc;nimos, ignorando fronteiras.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Toda essa subvers&amp;atilde;o an&amp;aacute;rquica tem um fundamento essecial: a colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre os participantes, o esp&amp;iacute;rito fraternal e coletivo. Para completar, todo o processo &amp;eacute; permeado por um ludicismo que s&amp;oacute; faz crescer o engajamento de cada um com todos: o prazer do compartilhamento do conhecimento. Ou, como diria Guimar&amp;atilde;es Rosa, nas palavras de Riobaldo Tatarana, *vida &amp;eacute; mutir&amp;atilde;o de todos, por todos remexida e temperada*.&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Thu, 26 Jun 2008 17:58:59 +0000</pubDate>
 <dc:creator>felipefonseca</dc:creator>
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