<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?>
<rss version="2.0" xml:base="http://mutgamb.org"  xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/">
<channel>
 <title>Mutirão da Gambiarra - hackers</title>
 <link>http://mutgamb.org/taxonomy/term/126/0</link>
 <description></description>
 <language>pt-br</language>
<item>
 <title>Apocalípticos, integrados e... hackers</title>
 <link>http://mutgamb.org/livro/Apocal%C3%ADpticos-integrados-e-hackers</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;b&gt;Apocal&amp;iacute;pticos, integrados e... hackers&lt;/b&gt;&lt;br /&gt; De Paulo Bicarato, 31/03/2006&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Umberto Eco deve, certamente, rever hoje seus conceitos de *apocal&amp;iacute;pticos e integrados*. Diante das possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias, resumir as gentes que fazem e consomem informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o nestas duas classifica&amp;ccedil;&amp;otilde;es ficou completamente sem sentido.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; N&amp;atilde;o existem mais as figuras do emissor e do receptor. Mesclaram-se, e mesclaram junto a pr&amp;oacute;pria mensagem. Somos, hoje, *a* mensagem, cada um um potencial gerador / difusor de informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es e conhecimento &amp;ndash;n&amp;atilde;o somos, nem de longe, apocal&amp;iacute;pticos ou integrados.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Eco forjou estes conceitos, naturalmente, sob ou a partir de uma cultura t&amp;iacute;pica do s&amp;eacute;culo XX: a industrializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, com sua produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o massificada e absolutamente mercantilizada, em que toda e qualquer pessoa n&amp;atilde;o passa de mera consumidora --quando muito, produtora, mas sem acesso ao dom&amp;iacute;nio da produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o: uma simples ferramenta que podia ser sumariamente descartada se apresentasse algum defeito ou n&amp;atilde;o gerasse os resultados pretendidos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Resgata-se, agora, outra forma de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o n&amp;atilde;o mediada unicamente pelo *valor de mercado* ou pela *mais valia*. O lucro, em si, deixou de ser o leitmotiv das novas comunidades, que ganharam uma caracter&amp;iacute;stica ainda mal interpretada e conceituada: a des-hierarquiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos processos, a horizontalidade das *organiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es*, a aus&amp;ecirc;ncia de l&amp;iacute;deres, a emerg&amp;ecirc;ncia de projetos totalmente colaborativos &amp;ndash;baseada antes na reputa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de seus integrantes do que na *valora&amp;ccedil;&amp;atilde;o* mercantilista de cada um.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Toda essa anarquia, no sentido mais puro do termo, replica-se e se esporifica progressivamente &amp;ndash;ningu&amp;eacute;m ousa apostar aonde chegar&amp;aacute;.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Mas o fato &amp;eacute; que temos a honra de participar de um momento &amp;uacute;nico na hist&amp;oacute;ria: desprezamos os processos que *notabilizaram* o s&amp;eacute;culo XX (Charles *Carlitos* Chaplin, acredito, adoraria participar dessa revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o), reavivamos o aspecto l&amp;uacute;dico e prazeroso da constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o coletiva do conhecimento, redescobrimos o poder de vez e voz de cada an&amp;ocirc;nimo, de cada ser pensante que deseje se expressar, resgatamos, enfim e contraditoriamente, com o uso das novas tecnologias, a *tecnologia* b&amp;aacute;sica que sempre moveu o mundo: nossa humanidade, e nossa potencialidade de nos expressarmos, nos comunicarmos, nos relacionarmos, nos amarmos...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Esse esp&amp;iacute;rito hacker, muito antes de meros geeks/nerds enfurnados em suas m&amp;aacute;quinas, inclui um potencial fant&amp;aacute;stico de transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o social. O poder de desalienar-se e agir contra a elitiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do conhecimento, contra o monop&amp;oacute;lio e a capitaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, est&amp;aacute; ao alcance de todos. Projetos emergentes pipocam aqui e ali, totalmente descentralizados e colaborativos, na mais pura express&amp;atilde;o open source &amp;ndash;em alguns casos, os pr&amp;oacute;prios protagonistas acabam por se surpreender com a repercuss&amp;atilde;o e o crescimento do projeto, que ganha vida pr&amp;oacute;pria.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Seriam in&amp;uacute;meros os casos, mas fiquemos com um, pela proximidade: a MetaReciclagem, nascida numa lista de discuss&amp;atilde;o entre meia-d&amp;uacute;zia de rom&amp;acirc;nticos pensadores, engenheiros poetas, hackers de carteirinha e simples abnegados, tornou-se refer&amp;ecirc;ncia e ganhou a simpatia e a ades&amp;atilde;o de in&amp;uacute;meros an&amp;ocirc;nimos, ignorando fronteiras.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Toda essa subvers&amp;atilde;o an&amp;aacute;rquica tem um fundamento essecial: a colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre os participantes, o esp&amp;iacute;rito fraternal e coletivo. Para completar, todo o processo &amp;eacute; permeado por um ludicismo que s&amp;oacute; faz crescer o engajamento de cada um com todos: o prazer do compartilhamento do conhecimento. Ou, como diria Guimar&amp;atilde;es Rosa, nas palavras de Riobaldo Tatarana, *vida &amp;eacute; mutir&amp;atilde;o de todos, por todos remexida e temperada*.&lt;/p&gt;</description>
 <comments>http://mutgamb.org/livro/Apocal%C3%ADpticos-integrados-e-hackers#comments</comments>
 <category domain="http://mutgamb.org/assunto/Tags/conceito">conceito</category>
 <category domain="http://mutgamb.org/assunto/Tags/hacker">hacker</category>
 <category domain="http://mutgamb.org/assunto/Tags/hackers">hackers</category>
 <category domain="http://mutgamb.org/assunto/Tags/hacking">hacking</category>
 <wfw:commentRss>http://mutgamb.org/crss/node/215</wfw:commentRss>
 <pubDate>Thu, 26 Jun 2008 17:58:59 +0000</pubDate>
 <dc:creator>felipefonseca</dc:creator>
 <guid isPermaLink="false">215 at http://mutgamb.org</guid>
</item>
</channel>
</rss>
