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 <title>Mutirão da Gambiarra - apropriação</title>
 <link>http://mutgamb.org/taxonomy/term/123/0</link>
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 <language>pt-br</language>
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 <title>Zona de colaboração: um modelo descentralizado de apropriação e replicação das tecnologias da informação e comunicação no MetaReciclagem</title>
 <link>http://mutgamb.org/fonte/Zona-de-colabora%C3%A7%C3%A3o-um-modelo-descentralizado-de-apropria%C3%A7%C3%A3o-e-replica%C3%A7%C3%A3o-das-tecnologias-da-i</link>
 <description>&lt;p&gt;Publicado por Hernani Dimantas na &lt;a href=&quot;http://www3.usp.br/rumores/visu_art.asp?cod_atual=147&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Rumores&lt;/a&gt; de maio-agosto 2009.&lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;Resumo&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;A apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o da tecnologia social por meio do Meta:Reciclagem, um movimento de conversa&amp;ccedil;&amp;atilde;o que se iniciou na web em 2002, atrav&amp;eacute;s de uma lista de discuss&amp;atilde;o que debateu processos de inclus&amp;atilde;o digital no Brasil denominada de Met&amp;aacute;:Fora. Apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de tecnologia social vigorando at&amp;eacute; os dias de hoje e intervindo na realidade social brasileira.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;div align=&quot;left&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;&lt;b&gt;1. Conceitos Iniciais de Inclus&amp;atilde;o Digital&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Ao final do s&amp;eacute;culo XX, mais especificamente na &amp;uacute;ltima d&amp;eacute;cada, come&amp;ccedil;ou a surgir no Brasil o debate sobre a import&amp;acirc;ncia do processo de Inclus&amp;atilde;o Digital, ecoando na sociedade civil organizada e governos. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Nessa &amp;eacute;poca, os primeiros programas de governos e ONGs estabeleciam alguns conceitos de inclus&amp;atilde;o pela utiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o das TICs (Tecnologias de Informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e Comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o), como a oferta de banda larga, a partir de 2001, pelas companhias de telecomunica&amp;ccedil;&amp;otilde;es por valores acess&amp;iacute;veis a muitos internautas.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Somado a isso, ocorria, paralelamente, a dissemina&amp;ccedil;&amp;atilde;o da cultura &lt;i&gt;hacker&lt;/i&gt; atrav&amp;eacute;s da ado&amp;ccedil;&amp;atilde;o de software livre em muitos projetos importantes, a exemplo dos Telecentros da Prefeitura do Munic&amp;iacute;pio de S&amp;atilde;o Paulo e do Acessa S&amp;atilde;o Paulo (AcessaSP), do Governo do Estado de S&amp;atilde;o Paulo, abrindo-se as condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es para a emerg&amp;ecirc;ncia de projetos independentes na interface entre tecnologia e sociedade.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;A popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Brasil est&amp;aacute; em torno de 200 milh&amp;otilde;es de pessoas. Somente 34% acessavam a Internet com freq&amp;uuml;&amp;ecirc;ncia (1). O gargalo da exclus&amp;atilde;o era enorme, tanto a exclus&amp;atilde;o social como a digital, segundo S&amp;eacute;rgio Amadeu (SILVEIRA, 2004, p.33): &amp;ldquo;muitos dirigentes p&amp;uacute;blicos e empresariais ainda acham que o uso do computador s&amp;oacute; &amp;eacute; importante para a profissionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Essa vis&amp;atilde;o (...) deixa de lado a dimens&amp;atilde;o da cidadania&amp;rdquo;. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;N&amp;atilde;o parece t&amp;atilde;o simples encarar esses problemas pelos m&amp;eacute;todos tradicionais. Inicialmente, as expectativas de colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o ainda estavam num plano de articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o que se faz pelas vincula&amp;ccedil;&amp;otilde;es da prefeitura, das ONGs e dos l&amp;iacute;deres comunit&amp;aacute;rios. N&amp;atilde;o se pensava, todavia, na atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o daquelas pessoas interessadas no processo, ou seja, os verdadeiros atores. Tratava-se de um movimento de inclus&amp;atilde;o digital de cima pra baixo, fazendo com que o termo perdesse o seu significado inicial.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;As iniciativas permeavam diferentes abordagens entre elas, a da ind&amp;uacute;stria de tecnologia, a abordagem das ONGs, as iniciativas acad&amp;ecirc;micas ligadas &amp;agrave;s universidades do pa&amp;iacute;s e a abordagem do poder p&amp;uacute;blico nas escolas. Entre as iniciativas, destacou-se uma abordagem colaborativa que teve sua inspira&amp;ccedil;&amp;atilde;o em projetos de conhecimento livre, cujo expoente inicial foi o projeto GNU/Linux.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Software livre &amp;eacute; a ponta do iceberg de um movimento para o conhecimento livre. A diversidade de vozes na internet, as multid&amp;otilde;es, ou pessoas trabalhando em rede t&amp;ecirc;m um ritmo de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o e organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o que as empresas tradicionais, grande parte da academia, o Estado e o terceiro setor tamb&amp;eacute;m conseguem compreender. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Num ecossistema de id&amp;eacute;ias livres baseado na generosidade e no modo de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o catalisado pelo &lt;i&gt;copyleft&lt;/i&gt;, a academia, as empresas, o Estado e o terceiro setor entram nessa equa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, mas n&amp;atilde;o como protagonistas ou como detentores do conhecimento e da inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o. S&amp;atilde;o participantes, pois, neste ambiente hiperlinkado, a hierarquia &amp;eacute; desbancada pela reputa&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;No Brasil, esse &amp;eacute; o diferencial apresentado pelos projetos independentes que, inseridos no movimento de inclus&amp;atilde;o digital, se caracterizaram por privilegiar a internet das pontas, assumindo uma posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o inversa onde a periferia &amp;eacute; o centro.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;A colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o pode ser entendida como um modo de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o que, diferente das id&amp;eacute;ias tradicionais, tem vida pr&amp;oacute;pria. Ela nasce em um ambiente ca&amp;oacute;tico, como a internet, e emerge num movimento de baixo para cima, alcan&amp;ccedil;ando um n&amp;iacute;vel razo&amp;aacute;vel de organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;&lt;b&gt;2. Zonas de Colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;As pessoas t&amp;ecirc;m na internet mais do que uma ferramenta. Utilizam-na como uma aliada. Dessa forma, catalisam a conversa&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre pessoas comuns. E nesse ambiente de burburinho muitos projetos s&amp;atilde;o desenvolvidos. Tais pr&amp;aacute;ticas se relacionam ao conceito de intelig&amp;ecirc;ncia coletiva descrito por Howard Rheingold (2003), autor do excelente Smart Mobs, no qual diz que: &amp;ldquo;Toda vez que o poder descentraliza h&amp;aacute; oportunidades para a inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Como poder&amp;aacute; essa nova descentraliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o fazer aparecer novas formas de a&amp;ccedil;&amp;otilde;es coletivas?&amp;rdquo;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;&amp;Eacute; exatamente na pergunta formulada por Rheingold que enxergamos as oportunidades de uma revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o em termos da apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o das tecnologias pelas pessoas. Toni Negri e Michel Hardt (2004), em &lt;i&gt;Multitude&lt;/i&gt;, denominam esse movimento transformativo de Multid&amp;atilde;o como o conceito de uma pot&amp;ecirc;ncia. &amp;ldquo;Essa pot&amp;ecirc;ncia n&amp;atilde;o quer simplesmente se expandir, ela quer, sobretudo, conquistar um corpo: a carne da multid&amp;atilde;o quer se transformar no corpo da Intelig&amp;ecirc;ncia Coletiva.&amp;rdquo; Entendemos que o processo de redes catalisa a forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de coletivos. &amp;ldquo;(...) trabalho imaterial tende a tomar a forma social das redes baseadas na comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o, na colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o, e nos relacionamentos afetivos. O trabalho imaterial inventa as redes novas, redes independentes de coopera&amp;ccedil;&amp;atilde;o pela qual a rede produz&amp;rdquo;. (NEGRI; HARDT, 2004, p.66-67). &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;David Weinberger (2007), em &lt;i&gt;Small pieces loosely joined&lt;/i&gt;, diz que o &amp;ldquo;conhecimento na Web &amp;eacute; uma atividade social&amp;rdquo;. A multid&amp;atilde;o transforma o corpo em intelig&amp;ecirc;ncia coletiva que por sua vez retroalimenta, via conhecimento, as redes sociais. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;A Web &amp;eacute; uma conversa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, o oposto da m&amp;iacute;dia tradicional. Da maneira como aprendemos com McLuhan (1979), a natureza do meio tem conseq&amp;uuml;&amp;ecirc;ncias. H&amp;aacute; uma tend&amp;ecirc;ncia de as pessoas que habitam o ciberespa&amp;ccedil;o, fazendo dele uma extens&amp;atilde;o da pr&amp;oacute;pria vida, encarar a internet como um novo lugar.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Conforme menciona Levine et.al. (2001), nesse lugar existem &amp;ldquo;&lt;i&gt;pessoas conversando com pessoas&lt;/i&gt;&amp;rdquo;. Embora a fronteira eletr&amp;ocirc;nica extrapole a no&amp;ccedil;&amp;atilde;o de lugar geogr&amp;aacute;fico, o conceito de lugar, ou n&amp;atilde;o-lugar, n&amp;atilde;o &amp;eacute; o que delimita as especificidades dessas viv&amp;ecirc;ncias e experi&amp;ecirc;ncias. Nelas o lugar &amp;eacute; substitu&amp;iacute;do por uma interface cultural que tem no link a express&amp;atilde;o do inter-relacionamento de pessoas e grupos a partir de uma experi&amp;ecirc;ncia distinta com o tempo e o espa&amp;ccedil;o. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;A atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o das pessoas em &lt;i&gt;blogs&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;fotologs&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Orkut&lt;/i&gt; ou em qualquer n&amp;atilde;o-lugar informacional faz com que a voz, a comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o n&amp;atilde;o mais seja monop&amp;oacute;lio da m&amp;iacute;dia de massa, ou da id&amp;eacute;ia da comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um para muitos. Entendemos que desde a revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Gutenberg a humanidade n&amp;atilde;o apresentou algo t&amp;atilde;o original como a Internet para o rompimento do paradigma cultural efetivado pelo modernismo. A conversa de muitos para muitos tem um alcance espetacular na rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o de poder. O poder, para Foucault (2005), prov&amp;eacute;m de todas as partes, em cada rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre um ponto e outro. Essas rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es s&amp;atilde;o din&amp;acirc;micas, m&amp;oacute;veis, e mant&amp;ecirc;m ou destroem os esquemas de domina&amp;ccedil;&amp;atilde;o. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;A correla&amp;ccedil;&amp;atilde;o de for&amp;ccedil;as imanentes &amp;eacute; expressa na rede como zonas de colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o cujo conceito &amp;eacute; o espa&amp;ccedil;o informacional onde as pessoas comuns est&amp;atilde;o engajadas no desenvolvimento de comunidades, rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es, nas conversa&amp;ccedil;&amp;otilde;es. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Cabe-nos pensar como essa problem&amp;aacute;tica est&amp;aacute; sendo contemplada e como o estudo das teorias da comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o podem desvelar o processo da forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma nova gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o de comunicadores que, ao contr&amp;aacute;rio das anteriores, se constitu&amp;iacute;a de forma independente dos grandes meios de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o e tinha nas ferramentas de edi&amp;ccedil;&amp;atilde;o na internet, os blogs, seu meio de cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o, difus&amp;atilde;o e troca de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e conhecimento. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;&lt;b&gt;3. O Conceito Met&amp;aacute;:Fora e MetaReciclagem de Inclus&amp;atilde;o Digital&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Diante desse contexto, o objeto de estudo dessa pesquisa tem origem no trabalho do autor como participante do processo de desenvolvimento da cibercultura no Brasil, dando continuidade a uma pesquisa que se iniciou em 1999 com o desenvolvimento dos projetos Marketing Hacker, Met&amp;aacute;:Fora e MetaReciclagem.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;O primeiro deles, o Projeto Met&amp;aacute;:Fora nasceu no campo da comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o, j&amp;aacute; no &amp;acirc;mbito de uma cultura digital brasileira, abordando o desenvolvimento dos blogs, na inter-rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre essa ferramenta e a constitui&amp;ccedil;&amp;atilde;o de projetos colaborativos na realidade social de nosso pa&amp;iacute;s. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;A internet &amp;eacute; met&amp;aacute;fora. N&amp;atilde;o no sentido comum da compara&amp;ccedil;&amp;atilde;o, da figura de linguagem. Para Lakoff e Johnson (1980), em &lt;i&gt;Metaphors we live by&lt;/i&gt;, a met&amp;aacute;fora &amp;eacute; transporte, um &amp;ldquo;entre&amp;rdquo;: o sens&amp;oacute;rio/subjetivo, juntos. De acordo com Fonseca (2004) o projeto Met&amp;aacute;:Fora teve seu in&amp;iacute;cio em 2002, atrav&amp;eacute;s de uma lista de discuss&amp;atilde;o do YahooGroups, que reuniu, inicialmente, cento e cinq&amp;uuml;enta pessoas, lus&amp;oacute;fonas, espalhadas pelo mundo, gerando uma s&amp;eacute;rie de projetos colaborativos e subprojetos, todos baseados no conhecimento livre. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Entretanto a origem do movimento, anteriormente &amp;agrave; lista de discuss&amp;atilde;o, se deu a partir da conversa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e de id&amp;eacute;ias disseminadas no livro &lt;i&gt;Marketing Hacker&lt;/i&gt;, de Dimantas (2003) e na Revista NovaE (2) e nas id&amp;eacute;ias de Felipe Fonseca no &lt;i&gt;blog&lt;/i&gt; Hipercortex (3). Considerando que outras vozes come&amp;ccedil;avam a se engajar num debate mais profundo sobre a apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o tecnol&amp;oacute;gica, colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o e, via de regra, o ideal de transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o social poderia ser mais interessante se o debate fosse aberto para outras comunidades. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Est&amp;aacute;vamos, naquele momento, presenciando uma nova experi&amp;ecirc;ncia de publica&amp;ccedil;&amp;atilde;o colaborativa na revista eletr&amp;ocirc;nica NovaE, no entanto, a proposta inicial do projeto Met&amp;aacute;:Fora era de ativar as intelig&amp;ecirc;ncias coletivas atrav&amp;eacute;s da colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o distribu&amp;iacute;da e, basicamente, utilizando a internet como agente catalisador.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;O Met&amp;aacute;:Fora emergiu num plano rizom&amp;aacute;tico, sob os moldes do conceito de rizoma, conforme Deluze e Guattari (2004). Essa emerg&amp;ecirc;ncia significa que foi constru&amp;iacute;do sem uma hierarquia definida. As palavras, as discuss&amp;otilde;es, foram mescladas num Wiki, ou seja, num espa&amp;ccedil;o informacional onde junt&amp;aacute;vamos todas as elucubra&amp;ccedil;&amp;otilde;es que surgiam desse embate colaborativo. Muitas pessoas participaram do projeto e deixaram seus nomes escritos: Felipe Fonseca, Daniel P&amp;aacute;dua, Felipe Albert&amp;atilde;o, Dalton Martins, Glauco Paiva, Paulo Bicarato, Marcelo Estraviz, Paulo Colacino, Tupi, entre outros, trouxeram contribui&amp;ccedil;&amp;otilde;es fant&amp;aacute;sticas para mixar os trabalhos de cada um visando a um objetivo maior e colaborativo.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;E falar em conhecimento no ambiente rizom&amp;aacute;tico tem a ver com conceitos como propriedade, liberdade e multiplicidade. Esses conceitos s&amp;oacute; podem ser colocados em pr&amp;aacute;tica por meio de uma autoria comum. Cabe dizer que esse modelo de conversa&amp;ccedil;&amp;atilde;o proposto foi replicado nas diversas &amp;aacute;reas do conhecimento. &amp;Eacute; desse modo de agir que surge o conceito de tecnologia social, ou seja, o uso das ferramentas de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o atrav&amp;eacute;s de uma apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o colaborativa, conversacional e criadora de novos projetos.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Entretanto, n&amp;atilde;o tendo como objetivo apenas o desenvolvimento cultural, ou mais especificamente, escrever livros, o movimento estava pronto para colocar em pr&amp;aacute;tica seus conceitos de emerg&amp;ecirc;ncia das vozes e o seu impacto na microf&amp;iacute;sica do poder, segundo Foucault (op.cit.). O Met&amp;aacute;:Fora n&amp;atilde;o pretendia utilizar o espa&amp;ccedil;o informacional para um debate sem fim, sem meios e sem objetivos. Pelo contr&amp;aacute;rio, desde o seu princ&amp;iacute;pio carregou a ideologia do compartilhamento e da transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o social. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;A import&amp;acirc;ncia do Met&amp;aacute;:Fora est&amp;aacute; na migra&amp;ccedil;&amp;atilde;o da cultura &lt;i&gt;hacker&lt;/i&gt;, que normalmente ocupa um espa&amp;ccedil;o informacional no qual a refer&amp;ecirc;ncias &amp;agrave; programa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de computadores &amp;eacute; o assunto dominante, para o &amp;acirc;mbito do conhecimento. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;O projeto tinha como alvo entender e desenvolver conhecimentos adequados a uma nova rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com a cultura interconectada, a partir de comunidades locais, para fomentar a inclus&amp;atilde;o digital e o uso efetivo de ferramentas de publica&amp;ccedil;&amp;atilde;o pessoal e constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o coletiva, ou como utilizar a tecnologia para incrementar a conversa&amp;ccedil;&amp;atilde;o na rede. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Em pouco mais de um ano, o Met&amp;aacute;:Fora passou de uma lista de debates para um grupo de interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o, utilizando conceitos de colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o para desenvolver uma infra-estrutura ou incubadora, &amp;quot;chocadeira&amp;quot; de projetos colaborativos tornando reais a apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o e a utiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o das tecnologias para uma interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o na realidade cultural brasileira.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Dessa forma, a transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o social pela apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o tecnol&amp;oacute;gica passou pelo questionamento daquilo que se chamava Inclus&amp;atilde;o Digital, passando pelo ativismo midi&amp;aacute;tico, bem como, pela mistura cultural impulsionada e mediada pela cibercultura.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Num determinado momento percebemos, ent&amp;atilde;o, que o Met&amp;aacute;:Fora era uma forma de troca de conhecimento. Percebemos que as pessoas conversavam com outras pessoas, imbu&amp;iacute;das do mesmo interesse pela interatividade. Esse di&amp;aacute;logo ca&amp;oacute;tico e emergente nos possibilitou experimentar a transversalidade do aprendizado. Percebemos que na rede as pessoas aprendem, de fato, atrav&amp;eacute;s da utiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o das ferramentas colaborativas pelas pr&amp;oacute;prias pessoas.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Os projetos desenvolvidos colaborativamente pelo Met&amp;aacute;:Fora abrangeram desde solu&amp;ccedil;&amp;otilde;es para acesso &amp;agrave; internet at&amp;eacute; alternativas para estimular o esp&amp;iacute;rito empreendedor das comunidades atendidas. Tais iniciativas est&amp;atilde;o baseadas em uma organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o conceitual denominada Tr&amp;iacute;ade da Informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, uma constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o iniciada por Pierre L&amp;eacute;vy (2001). Essa tr&amp;iacute;ade era composta pelo meio f&amp;iacute;sico, meio l&amp;oacute;gico e pela interatividade.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Ou melhor:&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;a) Infra-estrutura f&amp;iacute;sica: esta&amp;ccedil;&amp;otilde;es, servidores, dispositivos conectados &amp;agrave; rede, integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o de redes, estruturas alternativas de interconex&amp;atilde;o;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;b) Infra-estrutura l&amp;oacute;gica: sistemas de publica&amp;ccedil;&amp;atilde;o coletiva, adapta&amp;ccedil;&amp;atilde;o a padr&amp;otilde;es de interc&amp;acirc;mbio de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;c) Intera&amp;ccedil;&amp;atilde;o e integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o de capital humano: as trocas de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, arte e mobiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o social.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Oriundo do Met&amp;aacute;:Fora e concebido sob o mesmo conceito, o MetaReciclagem era um subprojeto que buscou tratar a reciclagem de equipamentos obsoletos com software livre, entregues a entidades de a&amp;ccedil;&amp;atilde;o social, visando a utiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do computador como dispositivo em rede, com o objetivo primordial de integrar comunidades.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;O MetaReciclagem estava dividido em duas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es concretas, uma em parceria com a ONG Agente Cidad&amp;atilde;o e outra em parceria com a Prefeitura de Santo Andr&amp;eacute; (Parque Digital). Esse projeto subsistiu ao fim do Met&amp;aacute;:Fora, ganhou autonomia pr&amp;oacute;pria e hoje est&amp;aacute; inserido no projeto de inclus&amp;atilde;o digital do Governo de S&amp;atilde;o Paulo, o AcessaSP.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;O projeto Metareciclagem trabalhou, inicialmente, com o primeiro estrato da tr&amp;iacute;ade da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, a infra-estrutura f&amp;iacute;sica. O objetivo era coletar, triar e reciclar microcomputadores usados e torn&amp;aacute;-los minimamente operacionais para a realiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de opera&amp;ccedil;&amp;otilde;es b&amp;aacute;sicas em projetos sociais: edi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de textos, planilha de c&amp;aacute;lculo, acesso &amp;agrave; web e troca de mensagens. Eventualmente eram utilizados microcomputadores com um perfil mais avan&amp;ccedil;ado para projetos que envolviam a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o, pelos usu&amp;aacute;rios, de conte&amp;uacute;do multim&amp;iacute;dia. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Dois aspectos foram fundamentais no projeto MetaReciclagem:&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;- a utiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de &lt;i&gt;software&lt;/i&gt; livre, por motivos econ&amp;ocirc;micos, escalabilidade do &lt;i&gt;software&lt;/i&gt; em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao equipamento na redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o da depend&amp;ecirc;ncia de fabricantes de &lt;i&gt;software&lt;/i&gt;,&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;- a invers&amp;atilde;o do paradigma de &amp;quot;acesso&amp;quot; &amp;agrave; tecnologia. Os equipamentos encaminhados pelo projeto n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o simples terminais de acesso. S&amp;atilde;o esta&amp;ccedil;&amp;otilde;es de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o colaborativa.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Uma gama de outros softwares livres orientados para a comunidade dos projetos tamb&amp;eacute;m foram utilizados. Todos esses softwares trazem na bagagem o senso colaborativo, pois o software influencia a intera&amp;ccedil;&amp;atilde;o nas comunidades. N&amp;atilde;o s&amp;oacute; pelo lado da sustenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um modo de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o colaborativo, mas pelo espelho virtual que o software livre reflete nas mentes das pessoas. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Isso n&amp;atilde;o tem nada a ver com as m&amp;aacute;quinas. M&amp;aacute;quinas apenas d&amp;atilde;o o suporte para a colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o e interatividade. Computadores s&amp;atilde;o apenas ferramentas que potencializam a conversa&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre pessoas comuns. A din&amp;acirc;mica da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o n&amp;atilde;o &amp;eacute; uma equa&amp;ccedil;&amp;atilde;o balanceada. &lt;i&gt;Hardware&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;software&lt;/i&gt; s&amp;oacute; podem ser entendidos em import&amp;acirc;ncia se estiverem servindo &amp;agrave; integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o da humanidade.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;O MetaReciclagem apresentou, indiretamente, uma proposta para enfrentar o desafio da inclus&amp;atilde;o digital, pois contrariava a l&amp;oacute;gica da ind&amp;uacute;stria da obsolesc&amp;ecirc;ncia (j&amp;aacute; que encontr&amp;aacute;vamos uma quantidade enorme de computadores usados e sucateados dispon&amp;iacute;veis no Brasil e, com a utiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de tecnologia compartilhada e livre, foi poss&amp;iacute;vel aumentar a vida &amp;uacute;til desses computadores) e a reciclagem e a utiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de tecnologia livre, mais especificamente &lt;i&gt;low-tech&lt;/i&gt;, possibilitam a diminui&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos espa&amp;ccedil;os entre as comunidades ricas e pobres. A frase &amp;quot;periferia &amp;eacute; o centro&amp;quot; exemplifica esse fluxo. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;A periferia conhece muito mais sobre rede, mutir&amp;otilde;es, participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e mobiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Creio que os esfor&amp;ccedil;os de inclus&amp;atilde;o devem ter como premissa que o conhecimento est&amp;aacute; na periferia, e que a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o local dever&amp;aacute; passar pela inser&amp;ccedil;&amp;atilde;o da tecnologia nos movimentos da comunidade. E para combater a mis&amp;eacute;ria, a exclus&amp;atilde;o e o n&amp;atilde;o exerc&amp;iacute;cio da cidadania temos que pensar em solu&amp;ccedil;&amp;otilde;es criativas de integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o das periferias com a tecnologia. Dar acesso &amp;agrave; rede &amp;eacute; importante, mas o mais consistente &amp;eacute; criar condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es para a circula&amp;ccedil;&amp;atilde;o da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;A inclus&amp;atilde;o digital s&amp;oacute; ser&amp;aacute; potencializada quando entendermos que as necessidades das pessoas n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o as mesmas necessidades daqueles que concebem os projetos. Em primeiro lugar, vamos contextualizar as fases do MetaReciclagem como um processo de inclus&amp;atilde;o digital.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Podemos dividir em duas fases:&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;a) Fase 1:  acesso ao computador.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;b) Fase 2:  acesso &amp;agrave; informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Estas situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es s&amp;atilde;o bastante diferentes. A primeira fase pode ser resumida por uma pergunta: para que precisamos do computador? Empregabilidade pareceu ser uma resposta que atendia a todos os atores envolvidos. Ensinar computa&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao povo necessariamente contribuiria para que os novatos rompessem com as fronteiras do trabalho. Essa id&amp;eacute;ia n&amp;atilde;o se mostrou verdadeira.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Mas com o acesso &amp;agrave; internet (e, por conseq&amp;uuml;&amp;ecirc;ncia, o acesso &amp;agrave; informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o) come&amp;ccedil;ou-se a perceber que as pessoas est&amp;atilde;o conversando com outras pessoas atrav&amp;eacute;s da rede. Essa conversa&amp;ccedil;&amp;atilde;o traz na bagagem um novo incentivo cultural, catapulta as intelig&amp;ecirc;ncias para novas inst&amp;acirc;ncias. Assim, em vez de se orientar &amp;agrave; empregabilidade, poder&amp;iacute;amos disponibilizar ferramentas para a reverbera&amp;ccedil;&amp;atilde;o das vozes desses protagonistas. A retomada da voz &amp;eacute; um atalho para a cidadania.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;A experi&amp;ecirc;ncia dos Telecentros da Prefeitura Municipal de S&amp;atilde;o Paulo &amp;eacute; muito interessante. Foi relevante pelo pioneirismo na utiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do software livre como plataforma de acesso &amp;agrave; rede. O software livre significa, al&amp;eacute;m da economia na aquisi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de softwares e conseq&amp;uuml;entemente a otimiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos recursos, a imers&amp;atilde;o num modo de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o colaborativo. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;A terceira fase foi a circula&amp;ccedil;&amp;atilde;o da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dentro da comunidade conectada. N&amp;atilde;o podemos ignorar o conhecimento da multid&amp;atilde;o. &amp;Eacute; necess&amp;aacute;rio, no entanto, que esse conhecimento seja tropicalizado. A jun&amp;ccedil;&amp;atilde;o desse conhecimento com as informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de fora da comunidade ativa o movimento cultural. Esta circula&amp;ccedil;&amp;atilde;o tende a ser potencializada pela conversa&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre as pessoas e intracomunidades, criando, assim, possibilidades infinitas de colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;A originalidade da conversa&amp;ccedil;&amp;atilde;o que acontece no Brasil tem sua base na difus&amp;atilde;o do movimento de software livre, pela sua apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o por diversas estruturas do governo, seja no &amp;acirc;mbito federal, estadual ou municipal. E com forte aspecto ideol&amp;oacute;gico e midi&amp;aacute;tico. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Software livre aparece, nesse momento, como um agente catalisador do conhecimento livre. A hist&amp;oacute;ria do conhecimento &amp;eacute; a hist&amp;oacute;ria de apropria&amp;ccedil;&amp;otilde;es e reconstru&amp;ccedil;&amp;otilde;es a partir das bases j&amp;aacute; existentes, ou seja, trata-se de adapta&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave;s necessidades e/ou aos interesses de grupos e/ou comunidades. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Mas, para isso acontecer, demanda um engajamento das pessoas aos projetos. Esse engajamento n&amp;atilde;o pode ser imposto. &amp;Eacute; um movimento que s&amp;oacute; acontece quando a comunidade sente necessidade no seu desenvolvimento. Um movimento de baixo para cima, de dentro para fora das comunidades. Esse processo espelha sobremaneira os anseios e necessidades das comunidades. E quando esta equa&amp;ccedil;&amp;atilde;o se torna balanceada, as comunidades t&amp;ecirc;m a oportunidade de catalisar o pr&amp;oacute;prio conhecimento que existe na comunidade. Esse conhecimento est&amp;aacute; impregnado nos mutir&amp;otilde;es. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;As propostas atuais de inclus&amp;atilde;o digital sempre tocam num ponto muito similar: a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um telecentro, uma escola de inform&amp;aacute;tica ou uma sala de uso p&amp;uacute;blico onde as pessoas da comunidade local se dirigem para obter o acesso aos computadores e, onde os projetos est&amp;atilde;o mais evolu&amp;iacute;dos, o acesso &amp;agrave; informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o atrav&amp;eacute;s da internet.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;A partir disso, surgem v&amp;aacute;rias propostas e formas diferenciadas para se validar esse acesso &amp;agrave; informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Desde a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de blogs, sites colaborativos, listas de discuss&amp;atilde;o, salas de bate-papo inter-telecentros e tantas outras formas de conectar pessoas, promover o debate entre elas. Embora as ferramentas de conversa&amp;ccedil;&amp;atilde;o estejam dispon&amp;iacute;veis na rede, os projetos de inclus&amp;atilde;o digital ainda n&amp;atilde;o se deram conta do comportamento e necessidades das pessoas na rede. Embora isso seja apenas uma quest&amp;atilde;o de tempo para que grupos organizados possam se apropriar do espa&amp;ccedil;o informacional.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;As mais variadas experi&amp;ecirc;ncias pedag&amp;oacute;gicas modernas sempre levantam um tema de import&amp;acirc;ncia fundamental &amp;agrave;s suas metodologias de ensino: a experimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o e o aprendizado pelo erro com base nas necessidades latentes daquele que participa e constr&amp;oacute;i o processo educacional ao qual est&amp;aacute; inserido. Dessa forma, ter acesso aos recursos tecnol&amp;oacute;gicos inerentes ao aprendizado de uma nova ferramenta no local onde a mesma participa do cotidiano de uma determinada tarefa &amp;eacute; pedagogicamente um avan&amp;ccedil;o e uma forma de efetivamente descentralizar o acesso e a experimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o desse novo processo t&amp;eacute;cnico.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Portanto, por que n&amp;atilde;o propor um projeto de inclus&amp;atilde;o digital que n&amp;atilde;o se limite &amp;agrave; cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um telecentro p&amp;uacute;blico? Mas sim um processo de inser&amp;ccedil;&amp;atilde;o da tecnologia em centros comunit&amp;aacute;rios, pequenos grupos organizados, cooperativas, centros de encontro, entre outras formas de organiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es sociais. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Se a periferia da rede passa a ser o centro no modelo onde os agentes produzem conhecimento e n&amp;atilde;o apenas consomem dos grandes servidores do n&amp;uacute;cleo da rede, a evolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o do conceito de inclus&amp;atilde;o digital como modelo de transfer&amp;ecirc;ncia de tecnologia e autonomia passa a ser a concretiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do conceito de que a periferia, n&amp;atilde;o apenas da rede, mas da sociedade, passa a ser o centro produtor das demandas de uma nova forma de enxergar a rede.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Em 2006, em minha disserta&amp;ccedil;&amp;atilde;o de mestrado, abordei o tema da Linkania &amp;ndash; a sociedade da colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Na realidade, esse tema, embora amplo, tem o foco na nova condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos atores para uma outra modalidade, onde a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o p&amp;uacute;blica deixa de ser transcendental e passa a coexistir, juntamente com outras pessoas em rede, num plano de iman&amp;ecirc;ncia.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Uma nova sociedade colaborativa emerge no caos. Essa sociedade est&amp;aacute; baseada numa forma de organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o muito bem exemplificada por Eric Raymond (1998) no ensaio &lt;i&gt;The Cathedral and the Bazaar&lt;/i&gt;, onde o autor faz uma an&amp;aacute;lise tendo como objeto o desenvolvimento de um software denominado &lt;i&gt;Fetchmail&lt;/i&gt;. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Dessa forma, esse projeto pretende a refazer o percurso de Eric Raymond no &amp;acirc;mbito do conhecimento livre. Da mesma forma que buscamos um modelo de desenvolvimento de software sob um aspecto de colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o, de liberdade, de apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o e replica&amp;ccedil;&amp;atilde;o pensamos na necessidade de pesquisarmos um modelo de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o colaborativa. Principalmente, com foco em projetos de inclus&amp;atilde;o digital e de projetos colaborativos advindos da utiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da internet como rede potencializadora.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Os espa&amp;ccedil;os informacionais contemplam comunidades, &lt;i&gt;softwares&lt;/i&gt; sociais, ferramentas de conversa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Esses espa&amp;ccedil;os s&amp;atilde;o catalisados por uma conversa&amp;ccedil;&amp;atilde;o ass&amp;iacute;ncrona que emerge na rede ao ponto de provocar rupturas na cultura de massa. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Uma cultura de rede traz a reboque uma nova forma de organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o descentralizada, tanto do ponto de vista da organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o per si como da comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o mediada pela tecnologia hiperconectada. Essa cultura de rede se expande rapidamente. Pessoas comuns se apropriam dessas tecnologias e reverberam em suas comunidades aquilo que aprenderam. A replica&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; a forma pela qual as pessoas se valem para aprender e ensinar nesse novo paradigma informacional. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;As tecnologias da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o s&amp;atilde;o o cen&amp;aacute;rio l&amp;oacute;gico para a expans&amp;atilde;o das zonas de colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o como um meio de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o no contexto da forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma nova gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o de comunicadores que, ao contr&amp;aacute;rio das anteriores, se constitu&amp;iacute; de forma independente dos grandes meios de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o e tem nas ferramentas de edi&amp;ccedil;&amp;atilde;o na internet, os &lt;i&gt;blogs&lt;/i&gt;, seu  meio de cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o, difus&amp;atilde;o e troca de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e conhecimento.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;h2&gt;Bibliografia&lt;/h2&gt;
&lt;div align=&quot;left&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;DELEUZE, G.; GUATTARI, F.  Mil Plat&amp;ocirc;s: capitalismo e esquizofrenia. S&amp;atilde;o Paulo: Editora 34, 2004. v. 1. &lt;/font&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;DIMANTAS, H. Marketing Hacker: a revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos mercados. Rio de Janeiro: Garamond, 2003.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;______. Linkania: a sociedade da colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o. 2006. 77 f. Disserta&amp;ccedil;&amp;atilde;o (Mestrado em Comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o e Semi&amp;oacute;tica) &amp;ndash; Pontif&amp;iacute;cia Universidade Cat&amp;oacute;lica de S&amp;atilde;o Paulo, S&amp;atilde;o Paulo, 2006. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;FONSECA, F. Tecnologia social. S&amp;atilde;o Paulo, 2004. Dispon&amp;iacute;vel em: &amp;lt; &lt;a href=&quot;http://portal.softwarelivre.org/news/2010&amp;gt;&quot; title=&quot;http://portal.softwarelivre.org/news/2010&amp;gt;&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://portal.softwarelivre.org/news/2010&amp;gt;&lt;/a&gt; Acesso em: 28 fev. 2006.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;FOUCAULT, M. Microf&amp;iacute;sica do poder. 21.ed. Rio de Janeiro: Graal, 2005. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;LACKOFF, G. JOHNSON, M. Metaphors we live by. Chicago: University Chicago Press, 1980.  &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;LEVINE, R. et. al. The cluetrain manifesto: the end of business as usual. New York: Basic Books, 2001. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt; L&amp;Eacute;VY, P. A conex&amp;atilde;o planet&amp;aacute;ria: o mercado, o ciberespa&amp;ccedil;o, a consci&amp;ecirc;ncia.  S&amp;atilde;o Paulo: Editora 34, 2001. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;McLUHAN, M. Os meios de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o como extens&amp;otilde;es do homem (understanding media). S&amp;atilde;o Paulo: Cultrix, 1979. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;NEGRI, Toni; HARDT, Michael. Multitude: war and democracy in the age of empire. New York: The Penguin Press, 2004.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;RAYMOND, Erick. A catedral e o bazar. Trad. Erik Kohler. 1998. Dispon&amp;iacute;vel em &amp;lt; &lt;a href=&quot;http://www.geocities.com/CollegePark/Union/3590/pt-cathedral-bazaar.html&amp;gt;&quot; title=&quot;http://www.geocities.com/CollegePark/Union/3590/pt-cathedral-bazaar.html&amp;gt;&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://www.geocities.com/CollegePark/Union/3590/pt-cathedral-bazaar.html&amp;gt;&lt;/a&gt; Acesso em 11 jul. 2008.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;RHEINGOLD, H. Smart mobs: the next social revolution. New York: Perseus Books, 2003.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;SILVEIRA, S. A. et. al. Software livre e inclus&amp;atilde;o digital. S&amp;atilde;o Paulo: Conrad, 2003.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;WEINBERGER, David. Small pieces loosely joined: a unified theory of the web. New York: Perseus Books, 2002.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;h2&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;Notas&lt;/font&gt;&lt;/h2&gt;
&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;div align=&quot;left&quot;&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;(1) Fonte: CGI.BR: Comit&amp;ecirc; Gestor da Internet no Brasil: Pesquisa sobre o uso das Tecnologias da Informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e da Comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o no Brasil, 2007.&lt;/font&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;(2) Dispon&amp;iacute;vel em: &lt;a href=&quot;http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&amp;amp;pid=605&quot; title=&quot;http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&amp;amp;pid=605&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&amp;amp;pid=605&lt;/a&gt; Acesso em 17 jul. 2008.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font size=&quot;3&quot; face=&quot;Arial, Helvetica, sans-serif&quot; color=&quot;#000000&quot;&gt;(3) Dispon&amp;iacute;vel em: &amp;lt; &lt;a href=&quot;http://felipe.hipercortex.com/&amp;gt;&quot; title=&quot;http://felipe.hipercortex.com/&amp;gt;&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://felipe.hipercortex.com/&amp;gt;&lt;/a&gt; Acesso em 17 jul. 2008.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;</description>
 <comments>http://mutgamb.org/fonte/Zona-de-colabora%C3%A7%C3%A3o-um-modelo-descentralizado-de-apropria%C3%A7%C3%A3o-e-replica%C3%A7%C3%A3o-das-tecnologias-da-i#comments</comments>
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 <pubDate>Wed, 09 Sep 2009 17:14:57 +0000</pubDate>
 <dc:creator>felipefonseca</dc:creator>
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 <title>O fantasma da inclusão digital</title>
 <link>http://mutgamb.org/livro/O-fantasma-da-inclus%C3%A3o-digital</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://mutirao.metareciclagem.org/node/79&quot; title=&quot;http://mutirao.metareciclagem.org/node/79&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://mutirao.metareciclagem.org/node/79&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;h2&gt;O fantasma da inclus&amp;atilde;o digital&lt;/h2&gt; &lt;p&gt;Metareciclagem come&amp;ccedil;ou como quebradeira. Interesse totalmente abstrato em uma s&amp;eacute;rie de quest&amp;otilde;es relacionadas com tecnologia. Frustra&amp;ccedil;&amp;atilde;o total, minha de de alguns outros, em tentar emplacar, no mundo corporativo, na academia, em a&amp;ccedil;&amp;otilde;es independentes, id&amp;eacute;ias novas sobre comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o em redes. De repente, o projeto met&amp;aacute;fora come&amp;ccedil;ou a catalisar algumas das id&amp;eacute;ias de algumas dessas pessoas. E percebemos a necessidade de uma infraf&amp;iacute;sica pra fazer as coisas acontecerem. Com a parceria com o Agente Cidad&amp;atilde;o, que nos deu uma estrutura e um prop&amp;oacute;sito, mais a influ&amp;ecirc;ncia do Hernani, que j&amp;aacute; flertava com uns projetos de inclus&amp;atilde;o digital do Sebrae e do Sampa.org, e do Estraviz, colaborador bissexto do met&amp;aacute;fora e grande defensor do discurso da inclus&amp;atilde;o, foi quase um consenso de que o que a gente se propunha a fazer se aproximava bastante daquilo tudo e do tal hacktivismo. E, de fato, muito do que aconteceu na sequ&amp;ecirc;ncia foi porque assumimos intimamente o conceito da inclus&amp;atilde;o digital como base.&lt;br /&gt; T&amp;atilde;o intimamente que come&amp;ccedil;amos a desconstru&amp;iacute;-lo. A id&amp;eacute;ia de inclus&amp;atilde;o digital surgiu h&amp;aacute; alguns anos, dentro da A&amp;ccedil;&amp;atilde;o pela Cidadania, colada em outro conceito, o da inclus&amp;atilde;o social. A onda &amp;eacute; complexa, mas minha vis&amp;atilde;o &amp;eacute; a seguinte: a id&amp;eacute;ia de inclus&amp;atilde;o social parte do pressuposto de que existe um ciclo formal de &amp;ldquo;cidadania&amp;rdquo; ou como quer que se chame isso, que prop&amp;otilde;e que todos devem ter acesso a educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, trabalho assalariado, sa&amp;uacute;de, conv&amp;iacute;vio social, igualdades de tratamento e oportunidades, e liberdades de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o e express&amp;atilde;o de f&amp;eacute;. Em resumo, uma regra que determina que as pessoas que comp&amp;otilde;em uma comunidade, cidade e na&amp;ccedil;&amp;atilde;o devem ter acesso a um m&amp;iacute;nimo que seja aceit&amp;aacute;vel para o desenvolvimento pessoal e coletivo, sem prejudicar o outro.&lt;br /&gt; Mas espera um minuto: transposto para o contexto da comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o online, s&amp;iacute;ncrona e ass&amp;iacute;ncrona, simultaneamente pessoal e coletiva, virtualizada por ess&amp;ecirc;ncia, a id&amp;eacute;ia de um ciclo m&amp;iacute;nimo a que todos devam ter acesso perde um pouco da for&amp;ccedil;a. Sim, eu concordo totalmente que o direito de uma pessoa acessar um dispositivo conectado em rede para intera&amp;ccedil;&amp;atilde;o com outras pessoas deve ser universal. Mas visto sobre os olhos frios do direito m&amp;iacute;nimo, se poderia afirmar que usar um caixa de banco ou uma urna eletr&amp;ocirc;nica j&amp;aacute; cumprem, de certa forma, esses objetivos.&lt;br /&gt; A proposta da Metareciclagem &amp;eacute; algo muito mais profundo. Se trata da apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de tecnologia e da reapropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de tecnologia tida como obsoleta, proporcionando e fomentando o uso cr&amp;iacute;tico das ferramentas de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o objetivo de transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o social. O corte &amp;eacute; outro, n&amp;atilde;o o do exclu&amp;iacute;do e do inclu&amp;iacute;do, mas do uso meramente ferramental contra o uso consciente, engajado e criativo. Exatamente por isso, o nosso caminho nunca foi a montagem em s&amp;eacute;rie de telecentros, mas a constante reinven&amp;ccedil;&amp;atilde;o, pesquisa e desenvolvimento de novos caminhos. Exatamente por isso, nunca nos concentramos na equa&amp;ccedil;&amp;atilde;o montagem de estrutura + capacita&amp;ccedil;&amp;atilde;o, e sim em mudar nossos pr&amp;oacute;prios h&amp;aacute;bitos de uso da rede. A internet, como &amp;eacute; hoje, n&amp;atilde;o me satisfaz. Fazer a internet do amanh&amp;atilde; &amp;eacute; que me mant&amp;eacute;m ganhando pouco dinheiro mas certo de que alguma coisa est&amp;aacute; acontecendo.&lt;br /&gt; No dia em que estabilizarmos, serei o primeiro a pular fora.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;small&gt; This entry was posted on S&amp;aacute;bado, Novembro 20th, 2004 at 3:18 &lt;/small&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;</description>
 <comments>http://mutgamb.org/livro/O-fantasma-da-inclus%C3%A3o-digital#comments</comments>
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 <category domain="http://mutgamb.org/assunto/Tags/inclus%C3%A3o-digital">inclusão digital</category>
 <wfw:commentRss>http://mutgamb.org/crss/node/216</wfw:commentRss>
 <pubDate>Thu, 26 Jun 2008 18:01:02 +0000</pubDate>
 <dc:creator>felipefonseca</dc:creator>
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 <title>Apropriação</title>
 <link>http://mutgamb.org/livro/Apropria%C3%A7%C3%A3o</link>
 <description>&lt;p class=&quot;rteindent1&quot;&gt;&lt;em&gt;Publicado no Caderno Submidi&amp;aacute;tico #1, edi&amp;ccedil;&amp;atilde;o das transcri&amp;ccedil;&amp;otilde;es do primeiro debate da Submidialogia #1 (Campinas, outubro 2006).&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://pub.descentro.org/apropriacao&quot; title=&quot;http://pub.descentro.org/apropriacao&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://pub.descentro.org/apropriacao&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; Enviado por &lt;a title=&quot;Ver o perfil do usu&amp;aacute;rio.&quot; href=&quot;http://pub.descentro.org/pessoa/felipefonseca&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;felipefonseca&lt;/a&gt; em Sex, 23/02/2007 - 00:53.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;I. MetaReciclagem e apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-style: normal;&quot;&gt;(Dalton)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; A gente sentia um problema muito s&amp;eacute;rio que era quando as pessoas chegavam e falavam assim: n&amp;oacute;s vamos construir um projeto de inclus&amp;atilde;o digital, ou vamos construir um laborat&amp;oacute;rio de inform&amp;aacute;tica, vamos dar cursos, abrir um telecentro, dar acesso &amp;agrave; informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Mas e a apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o tecnol&amp;oacute;gica? Como &amp;eacute; que eu me aproprio dessas ferramentas? Ou melhor, &lt;em&gt;estou me apropriando dessas ferramentas ou simplesmente ampliando o mercado de acesso &amp;agrave; m&amp;iacute;dia de massa&lt;/em&gt;? &lt;br /&gt; A&amp;iacute; num dado momento chegamos na id&amp;eacute;ia de trabalhar com a apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de tecnologia dentro das m&amp;aacute;quinas: como se apropriar do hardware. Por que n&amp;atilde;o abrir o hardware, por que n&amp;atilde;o reinventar esse hardware, por que n&amp;atilde;o adaptar, reinterpretar esse hardware? &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;II. Contexto da apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;(Dalton)&lt;/strong&gt; Quando voc&amp;ecirc; come&amp;ccedil;a a perceber a quest&amp;atilde;o da apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o tecnol&amp;oacute;gica como sendo um elemento que pode derivar para um projeto ou uma circunst&amp;acirc;ncia de constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o cultural que leve a essa integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o econ&amp;ocirc;mica, financeira, e que isso &lt;em&gt;pode levar para a sustentabilidade&lt;/em&gt;, voc&amp;ecirc; tamb&amp;eacute;m come&amp;ccedil;a a pensar em como construir pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas, em como construir &lt;em&gt;pesquisa e desenvolvimento, em cima dessa id&amp;eacute;ia de apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o tecnol&amp;oacute;gica&lt;/em&gt;. Ent&amp;atilde;o voc&amp;ecirc; passa a sair de um modelo onde as pessoas que pesquisam e desenvolvem a tecnologia fazem parte do time de desenvolvimento do fabricante, para reintegrar esse produto e essa tecnologia numa nova escala. A gente come&amp;ccedil;ou a perceber que esse processo tamb&amp;eacute;m derivava de necessidade dos usu&amp;aacute;rios daquela tecnologia de &lt;em&gt;extrapolarem seus limites&lt;/em&gt; e muitas vezes essas necessidades tamb&amp;eacute;m tinham um &lt;em&gt;cunho econ&amp;ocirc;mico&lt;/em&gt;, no sentido de que em uma s&amp;eacute;rie de circunst&amp;acirc;ncias sociais e culturais n&amp;atilde;o havia a condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de financiar determinadas id&amp;eacute;ias e projetos. &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;III. A pr&amp;aacute;tica da apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o na MetaReciclagem&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt; Por exemplo, se a gente vai montar o que hoje pode ser conhecido como um telecentro, a primeira coisa que vamos fazer &amp;eacute; &lt;em&gt;descontruir a tecnologia&lt;/em&gt;, &amp;eacute; desmontar essas m&amp;aacute;quinas, perceber que dentro delas h&amp;aacute; uma s&amp;eacute;rie de &lt;em&gt;tecnologias embarcadas&lt;/em&gt; que a gente d&amp;aacute; o macro-nome de computador, mas isso &amp;eacute; apenas um conceito. e que essas tecnologias embarcadas podem ser desconstru&amp;iacute;das isoladamente. &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;IV. Apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o em sentido mais amplo&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt; Quer dizer, quando eu sento para usar meu laptop, para ver o meu computador, ser&amp;aacute; que a constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o espacial do local aonde estou pensando para a pr&amp;aacute;tica da minha constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de conhecimento atrav&amp;eacute;s da tecnologia &amp;eacute; um espa&amp;ccedil;o do qual efetivamente eu estou me apropriando? Ent&amp;atilde;o levar esse conceito da apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o um pouco mais a fundo, um pouco al&amp;eacute;m dentro de nossas pr&amp;aacute;ticas. Porque sen&amp;atilde;o a gente senta naquelas baias de computador que parecem cochos, a gente n&amp;atilde;o v&amp;ecirc; as pessoas que est&amp;atilde;o ao lado, manda emails uns para os outros, constr&amp;oacute;i todo um processo colaborativo que se d&amp;aacute; no espa&amp;ccedil;o online, e a gente n&amp;atilde;o consegue olhar um nos olhos do outro sentado ao lado. &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;V. Apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o no cotidiano&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt; Ent&amp;atilde;o faz parte do nosso processo radicalizar a nossa pr&amp;aacute;tica em termos reflexivos de como estamos nos apropriando da tecnologia, sen&amp;atilde;o ca&amp;iacute;mos na situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de usar o debian e o firefox na nossa m&amp;aacute;quina mas quando aparece um bug a gente d&amp;aacute; cancel por que d&amp;aacute; trabalho reportar o bug no bugzilla, porque d&amp;aacute; trabalho entrar na comunidade e mostrar o ponto falho daquela tecnologia que estamos usando. Pensar isso sobre a nossa pr&amp;aacute;tica. &lt;em&gt;qual &amp;eacute; a nossa pr&amp;aacute;tica de apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o tecnol&amp;oacute;gica&lt;/em&gt;? Efetiva, no dia a dia, no uso do hardware, do software e da colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o em rede, e como podemos transferir isso no campo te&amp;oacute;rico para construir essa liga&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre as pessoas, entre esses atores. &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;VI. Apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o metaf&amp;oacute;rica&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;(Orlando Lopes)&lt;/strong&gt; voc&amp;ecirc; falou em outros n&amp;iacute;veis de reapropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Voc&amp;ecirc;s est&amp;atilde;o pensando a partir de uma base, a base do Hacker, o primeiro momento, o primeiro experimento que voc&amp;ecirc;s est&amp;atilde;o fazendo de como ele funciona. Agora, a partir do momento que voc&amp;ecirc; tem essa imagem d&amp;aacute; uma sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, como voc&amp;ecirc; falou, de que a partir dali voc&amp;ecirc; vai replicar a metareciclagem... voc&amp;ecirc;s est&amp;atilde;o trabalhando com o conceito de apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o &lt;em&gt;metaf&amp;oacute;rica&lt;/em&gt; junto com a id&amp;eacute;ia de reapropriacao? &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;(Dalton)&lt;/strong&gt; Sim, eu diria que sim. Na verdade, &lt;em&gt;voc&amp;ecirc; s&amp;oacute; consegue fazer uma reinterpreta&amp;ccedil;&amp;atilde;o da tecnologia como primeiro grau de apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o tecnol&amp;oacute;gica se voc&amp;ecirc; invadir o campo da met&amp;aacute;fora&lt;/em&gt;. Se voc&amp;ecirc; entrar no campo da met&amp;aacute;fora voc&amp;ecirc; constr&amp;oacute;i toda uma simbologia. Eu me identificar com aquilo de uma outra forma, ent&amp;atilde;o eu construo um significado diferente para aquilo. &lt;br /&gt; P&amp;ocirc;, pega um computador, &amp;ldquo;ah um computador eh como se fosse uma maquina de escrever&amp;rdquo;, ou o notebook, porque tem esse nome notebook? O mouse... como eh que eu dou novos nomes para aquilo, n&amp;eacute;? Como eu chamo, como eu explico o que &amp;eacute; um HD dentro de um computador sem ter que usar a velha met&amp;aacute;fora de um fich&amp;aacute;rio de arquivos, que vem de uma met&amp;aacute;fora de desktop, de escrit&amp;oacute;rio e que muitas vezes a pessoa nem sabe o que &amp;eacute; aquilo, nunca viu nem um fich&amp;aacute;rio de arquivo? &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;VII. O processo de desconstru&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;(Dalton)&lt;/strong&gt; o processo de desconstru&amp;ccedil;&amp;atilde;o surgiu de uma &lt;em&gt;necessidade pr&amp;aacute;tica&lt;/em&gt;. Para montar novos computadores era necess&amp;aacute;rio &lt;em&gt;&amp;quot;canibalizar&amp;quot;&lt;/em&gt; outros, ent&amp;atilde;o a gente tinha que sacar muitas vezes um transistor de placa para colocar em outra, para que aquele transistor pudesse suprir uma necessidade. Ent&amp;atilde;o ela come&amp;ccedil;ou de uma pr&amp;aacute;tica, do fato de eu ter que pegar doa&amp;ccedil;&amp;otilde;es as mais diversas e a partir dessas doa&amp;ccedil;&amp;otilde;es, que t&amp;ecirc;m realidades t&amp;eacute;cnicas das mais diversas, poder construir novas m&amp;aacute;quinas, me levou a partir para a desconstru&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Depois, a gente come&amp;ccedil;ou a perceber que este processo de desconstru&amp;ccedil;&amp;atilde;o estava na &lt;em&gt;pedagogia&lt;/em&gt;, est&amp;aacute; l&amp;aacute; em Paulo Freire, e os caras j&amp;aacute; est&amp;atilde;o falando isso h&amp;aacute; d&amp;eacute;cadas e tem tudo a ver com isso. Quer dizer, como &amp;eacute; que eu trago esse processo do Paulo Freire, como &amp;eacute; que eu trago as id&amp;eacute;ias do Piaget, e por a&amp;iacute; vai embora. Como &amp;eacute; que eu entro com isso dentro deste processo? &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;VIII. Colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Marcio Black&lt;/strong&gt;Se o software livre aparece como resist&amp;ecirc;ncia ao estado e o Dalton falando da MetaReciclagem, trabalhar com o estado e trabalhar com as corpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es n&amp;atilde;o cria um ru&amp;iacute;do ai? N&amp;atilde;o cria um ru&amp;iacute;do no software livre, no software livre ou na metareciclagem, seja qual for essa a&amp;ccedil;&amp;atilde;o comunit&amp;aacute;ria, n&amp;atilde;o cria um ru&amp;iacute;do? &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;(Dalton) &lt;/strong&gt;Vamos voltar um pouco. Quando voc&amp;ecirc; coloca assim: o software livre como resist&amp;ecirc;ncia &amp;agrave;s corpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es, eu discordo. &lt;em&gt;Eu n&amp;atilde;o acho que o software livre &amp;eacute; uma resist&amp;ecirc;ncia &amp;agrave; corpora&amp;ccedil;&amp;atilde;o at&amp;eacute; porque o software livre s&amp;oacute; existe como existe gra&amp;ccedil;as &amp;agrave;s corpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es, gra&amp;ccedil;as &amp;agrave; Redhat, gra&amp;ccedil;as &amp;agrave; IBM, gra&amp;ccedil;as &amp;agrave; Suse e por a&amp;iacute; vai&lt;/em&gt;. Elas que deram possibilidades. Corpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es que emergiram da pr&amp;aacute;tica do software livre que deram as possibilidades para que ele se constitu&amp;iacute;sse da forma que ele &amp;eacute;. Ent&amp;atilde;o eu n&amp;atilde;o vejo essa &amp;ldquo;resist&amp;ecirc;ncia&amp;rdquo; &amp;agrave;s corpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Eu n&amp;atilde;o acho que &amp;eacute; por a&amp;iacute; a maneira de compreender isso, at&amp;eacute; porque se voc&amp;ecirc; entra em uma comunidade de software livre, um monte de gente trabalha em empresa e constr&amp;oacute;i o kernel do Linux porque tem uma empresa que paga o sal&amp;aacute;rio do cara. Ent&amp;atilde;o eu acho, pra ser mais ousado, que &lt;em&gt;a gente n&amp;atilde;o tem que ver as corpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es no sentido de resist&amp;ecirc;ncia&lt;/em&gt;, no sentido de embate. A gente tem que ver a forma como as corpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es se organizam como um &lt;em&gt;campo flu&amp;iacute;dico no qual a gente pode penetrar e interagir&lt;/em&gt;, e &lt;em&gt;rearticular o sistema produtivo&lt;/em&gt;, e n&amp;atilde;o ver como um embate. &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Marcio Black&lt;/strong&gt; Voc&amp;ecirc; acha que &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel isso ent&amp;atilde;o? Fazer a empresa abrir m&amp;atilde;o de uma parte do lucro dela pra poder incorporar essas solu&amp;ccedil;&amp;otilde;es que a metareciclagem d&amp;aacute; ou traz? Ou ela n&amp;atilde;o vai se apropriar disso, capturar isso da&amp;iacute; para, l&amp;oacute;gico, gerar lucro; eu n&amp;atilde;o conhe&amp;ccedil;o empresa que n&amp;atilde;o queira lucro. &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;(Dalton) &lt;/strong&gt;Dentro do que a gente concebe como colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o entra uma outra linha aqui. Quando voc&amp;ecirc; pensa na dimens&amp;atilde;o econ&amp;ocirc;mica da colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o, esta dimens&amp;atilde;o se efetiva no seguinte ponto: a colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o se d&amp;aacute; numa troca e numa organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o &lt;em&gt;modular e elementar.&lt;/em&gt; Ent&amp;atilde;o, por exemplo, quando eu produzo um peda&amp;ccedil;o de c&amp;oacute;digo eu estou &lt;em&gt;jogando granularidades&lt;/em&gt; na rede. Quando eu divido e subdivido um trabalho, estou colocando modularidades &amp;agrave; disposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o. &lt;em&gt;Isso tem valor econ&amp;ocirc;mico mas n&amp;atilde;o financeiro porque eu estou contribuindo com a rede&lt;/em&gt;. O que tem valor financeiro &amp;eacute; o processo de integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o das modularidades. Chega uma empresa no site do metareciclagem, e fala assim: &amp;ldquo;P&amp;ocirc; esses caras t&amp;ecirc;m um monte de id&amp;eacute;ia legal!&amp;rdquo; Ela pega aquilo, integra de uma certa forma e chama aquilo de um produto. E vende! E faz lucro! &lt;em&gt;E eu n&amp;atilde;o t&amp;ocirc; nem a&amp;iacute; pra isso&lt;/em&gt;! Isso &amp;eacute; muito legal, no meu ponto de vista. Ela conseguiu fazer uma leitura da elementaridade que est&amp;aacute; dentro do wiki, e conseguiu dar um valor financeiro para aquela elementariedade. Para mim beleza! Isso &amp;eacute; o que fez o Debian ser o que &amp;eacute;, a Redhat ser o que &amp;eacute;, a Suse ser o que &amp;eacute;. Eles integraram o software, as elementaridades do software numa dimens&amp;atilde;o que deu uma cara financeira. Isso n&amp;atilde;o abalou a comunidade, isso n&amp;atilde;o abalou a rede, isso fortaleceu a rede porque, de uma certa forma esses caras deram subs&amp;iacute;dios pra que a apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o e a integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o que a empresa fez fosse o feedback, falando de concep&amp;ccedil;&amp;atilde;o sist&amp;ecirc;mica, no pr&amp;oacute;prio sistema da rede. Ent&amp;atilde;o, olha que coisa maluca, a gente &lt;em&gt;coloca atrav&amp;eacute;s da emerg&amp;ecirc;ncia na rede uma corpora&amp;ccedil;&amp;atilde;o para colaborar com voc&amp;ecirc;. A corpora&amp;ccedil;&amp;atilde;o se torna parte da rede&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Marcio Black&lt;/strong&gt; -N&amp;atilde;o &amp;eacute; voc&amp;ecirc; que est&amp;aacute; colocando a corpora&amp;ccedil;&amp;atilde;o para colaborar com voc&amp;ecirc;. &amp;Eacute; &lt;em&gt;ela que est&amp;aacute; se apropriando&lt;/em&gt; do seu trabalho. &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;(Dalton) &lt;/strong&gt;N&amp;atilde;o! &amp;Eacute; o sistema da rede, &lt;em&gt;ela n&amp;atilde;o tem como se inserir neste sistema se ela n&amp;atilde;o for mais um n&amp;oacute;&lt;/em&gt;! &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;IX. Xemeliza a MetaReciclagem a&amp;ecirc;!&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Cara de &amp;oacute;culos barbudo magro branquelo em portunhol:&lt;/strong&gt; Eu sou um observador aqui e estou achando na verdade que todas as coisas que voc&amp;ecirc;s falam extremamente interessantes, extremamente complexas, n&amp;atilde;o? E tem tamb&amp;eacute;m uma coisa quase artistica, uma sensibilidade, uma coisa muito graciosa, n&amp;atilde;o? Mas tamb&amp;eacute;m entra essa complexidade, acho uma coisa muito dif&amp;iacute;cil voc&amp;ecirc; discutir, &lt;em&gt;muito dif&amp;iacute;cil entrar no discurso&lt;/em&gt;, no vosso di&amp;aacute;logo. Tem uma linguagem muito espec&amp;iacute;fica, eu acho que &lt;em&gt;&amp;eacute; uma comunidade que &amp;eacute; muito complexa, muito exc&amp;ecirc;ntrica&lt;/em&gt;, uma coisa muito complicada para dedicar sua vida n&amp;atilde;o? Ent&amp;atilde;o, falando da teoria e da pr&amp;aacute;tica, eu estou achando que tem uma pr&amp;aacute;tica muito sofisticada, mas na teoria eu tenho uma pergunta que &amp;eacute; muito simples mas acho que n&amp;atilde;o se falou ainda: eu n&amp;atilde;o consegui entender no teu discurso, como se faz, atrav&amp;eacute;s dessas pr&amp;aacute;ticas muito complexas, para inserir, quando se diz inserir na verdade dentro dos problemas ou das saias da sociedade onde voc&amp;ecirc;s se sentem inconformados, sim? Eu acho que &lt;em&gt;voc&amp;ecirc;s poderiam criar uma rede incr&amp;iacute;vel, mundial e global de pessoas com conhecimentos muito complexos que fazem reinven&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/em&gt; do que voc&amp;ecirc;s querem, mas onde est&amp;aacute; o elo que vai unir isso com uma incid&amp;ecirc;ncia real e necess&amp;aacute;ria com as quais voc&amp;ecirc;s est&amp;atilde;o inconformados? As grandes corpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es, esse sistema global de neoliberalismo. Gostaria de entender isso porque at&amp;eacute; agora n&amp;atilde;o vi, mas pode ser que como o discurso &amp;eacute; muito t&amp;eacute;cnico eu n&amp;atilde;o... Assim, eu sou soci&amp;oacute;logo, ent&amp;atilde;o estou procurando esse elo que n&amp;atilde;o estou conseguindo perceber at&amp;eacute; agora. Para todos voc&amp;ecirc;s que est&amp;atilde;o neste meio... Eu gostaria de entender isso, porque acho que tamb&amp;eacute;m seria importante pra voc&amp;ecirc;s, n&amp;atilde;o uma coisa de teoria mas &amp;eacute; necess&amp;aacute;rio pra uma pr&amp;aacute;tica que esteja transcendendo, ou seja, al&amp;eacute;m do discurso muito complexo, muito fechado n&amp;eacute;? &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;(Dalton) &lt;/strong&gt;&lt;span style=&quot;&quot;&gt;A&lt;/span&gt; id&amp;eacute;ia de falar a respeito de apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o tecnol&amp;oacute;gica foi trazer um discurso pra gente debater. Um discurso te&amp;oacute;rico pra gente debater em cima de pr&amp;aacute;ticas daquilo que a gente chama de MetaReciclagem, de um projeto de &lt;em&gt;desconstru&amp;ccedil;&amp;atilde;o e apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o tecnol&amp;oacute;gica&lt;/em&gt;. Isso foram conceitos que a gente vem elaborando, vem interpretando, vem tentando traduzir dentro das teorias que a gente vem circulando por a&amp;iacute; que como voc&amp;ecirc; viu v&amp;atilde;o pra &amp;aacute;reas das mais variadas. A pr&amp;aacute;tica disso, dentro dos campos sociais, se d&amp;aacute; na dimens&amp;atilde;o onde voc&amp;ecirc; consegue identificar diversas localidades que produzem cultura, que t&amp;ecirc;m todo um trabalho, seja musical, visual, seja dan&amp;ccedil;ando, seja fazendo, seja cantando, seja organizando. Este trabalho se d&amp;aacute; numa &lt;em&gt;din&amp;acirc;mica de rede mas pontual, geograficamente falando&lt;/em&gt;. Quando a gente chega com esse processo de apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o tecnol&amp;oacute;gica em rede dentro de uma comunidade, a gente est&amp;aacute; criando um mecanismo de difus&amp;atilde;o, de intera&amp;ccedil;&amp;atilde;o, que sai da localidade e come&amp;ccedil;a articular esses pontos em rede. &amp;Eacute; isso que a gente vem fazendo, criando &lt;em&gt;espa&amp;ccedil;os de ocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/em&gt;, entrando nesses espa&amp;ccedil;os e construindo-os junto com as pessoas, dentro daquilo que elas j&amp;aacute; fazem sem interferir no fazer, mas criando condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es para que elas se apropriem de novas tecnologias, seja reinterpretando, seja adaptando, seja reinventando. Mas pensando esse processo de apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o numa l&amp;oacute;gica em rede, onde a imers&amp;atilde;o disso crie &lt;em&gt;estruturas sociais&lt;/em&gt;, mecanismos sociais, para que elas possam romper ciclos nos quais est&amp;atilde;o inseridas historicamente. &amp;Eacute; esse processo que a gente vem fazendo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; ---&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Coment&amp;aacute;rios publicados no site:&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;comment clear-block&quot;&gt;&lt;h3&gt;&lt;a class=&quot;active&quot; href=&quot;http://pub.descentro.org/apropriacao#comment-41&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o cr&amp;iacute;tica&lt;/a&gt;&lt;/h3&gt; &lt;div class=&quot;content&quot;&gt;I. E d&amp;aacute; pra ir al&amp;eacute;m nesse assunto. Por um tempo chegou a ser assunto na MetaReciclagem a apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o instrumental - como a gente faz as pessoas entenderem todos as possibilidades dadas da tecnologia, as a&amp;ccedil;&amp;otilde;es que est&amp;atilde;o embutidas naquilo que podem estender at&amp;eacute; a compreens&amp;atilde;o da tecnologia, mostrar que o computador n&amp;atilde;o &amp;eacute; s&amp;oacute; uma m&amp;aacute;quina de escrever mais cara. Foi s&amp;oacute; depois das primeiras experi&amp;ecirc;ncias que a gente chegou ao ponto da apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o cr&amp;iacute;tica, de questionar as possibilidades que o fabricante embutia na tecnologia, e propor o desvio, a reinterpreta&amp;ccedil;&amp;atilde;o, a reinven&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt; &lt;div class=&quot;commentfooter&quot;&gt;&lt;a title=&quot;Ver o perfil do usu&amp;aacute;rio.&quot; href=&quot;http://pub.descentro.org/pessoa/felipefonseca&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;felipefonseca&lt;/a&gt; | Seg, 05/03/2007 - 20:52&lt;/div&gt; &lt;div class=&quot;comment clear-block&quot;&gt;&lt;h3&gt;&lt;a class=&quot;active&quot; href=&quot;http://pub.descentro.org/apropriacao#comment-42&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Outros ciclos&lt;/a&gt;&lt;/h3&gt; &lt;div class=&quot;content&quot;&gt;II. E o tal do cunho econ&amp;ocirc;mico &amp;eacute; uma coisa que demorou a ser aceita no mundo ativistinha. Quando a gente propunha que a galera no centro comunit&amp;aacute;rio da Sacadura Cabral, uma comunidade reurbanizada de Santo Andr&amp;eacute;, pegasse doa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de computadores das empresas do ABC pra reciclar e vender as m&amp;aacute;quinas, muita gente torcia o nariz, dizendo que isso n&amp;atilde;o podia acontecer, desprezando a pr&amp;oacute;pria necessidade que aqueles garotos tinham, de ajudar com as contas de casa, de poder dedicar tempo &amp;agrave;quele tipo de atividade.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt; &lt;div class=&quot;commentfooter&quot;&gt;&lt;a title=&quot;Ver o perfil do usu&amp;aacute;rio.&quot; href=&quot;http://pub.descentro.org/pessoa/felipefonseca&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;felipefonseca&lt;/a&gt; | Seg, 05/03/2007 - 20:57&lt;/div&gt; &lt;div class=&quot;comment clear-block&quot;&gt;&lt;h3&gt;&lt;a class=&quot;active&quot; href=&quot;http://pub.descentro.org/apropriacao#comment-44&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;teoria e pr&amp;aacute;tica&lt;/a&gt;&lt;/h3&gt; &lt;div class=&quot;content&quot;&gt;&lt;p&gt;Voltado ao tema do debate, o exemplo dado pelo Dalton de apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o tecnol&amp;oacute;gica pode ser visto como a jun&amp;ccedil;&amp;atilde;o da teoria e da pr&amp;aacute;tica de Metareciclagem, ambas documentadas em textos, saites, videos e etc, o que torna a id&amp;eacute;ia/teoria mais coesa e de f&amp;aacute;cil compreens&amp;atilde;o. Por isso todo mundo sabe Metareciclagem &amp;eacute; montagem de telecentro? N&amp;atilde;o! &amp;Eacute; apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o tecnol&amp;oacute;gica!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Nos falta colocar em pr&amp;aacute;tica outras teorias e pr&amp;aacute;ticas coesas como a Metarec.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt; &lt;div class=&quot;commentfooter&quot;&gt;&lt;a title=&quot;Ver o perfil do usu&amp;aacute;rio.&quot; href=&quot;http://pub.descentro.org/pessoa/dri&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;dri&lt;/a&gt; | Ter, 06/03/2007 - 11:12&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Thu, 26 Jun 2008 17:56:37 +0000</pubDate>
 <dc:creator>felipefonseca</dc:creator>
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