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 <title>Mutirão da Gambiarra - camelô</title>
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 <title>Economia Pirata</title>
 <link>http://mutgamb.org/fonte/Economia-Pirata</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;display: none;&quot; id=&quot;1212253148955S&quot;&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A maioria dos trabalhadores est&amp;atilde;o na economia informal ou sem qualquer atividade econ&amp;ocirc;mica. Segundo as estat&amp;iacute;sticas estatais 49% n&amp;atilde;o possuem carteira de trabalho.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Hoje, dia 12/09/2003, mat&amp;eacute;ria no jornal Valor indica:&lt;/p&gt; &lt;p class=&quot;rteindent1&quot;&gt;s&amp;oacute; 31% de estimados 75 milh&amp;otilde;es de trabalhadores brasileiros trabalham sob a CLT. Nas casas Bahia 65% dos clientes com cr&amp;eacute;dito n&amp;atilde;o possuem declara&amp;ccedil;&amp;atilde;o formal de renda. (&lt;a href=&quot;http://www.valoronline.com.br/valoreconomico/materia.asp?id=2004608&amp;amp;edicao=679&quot;&gt;Vers&amp;atilde;o online&lt;/a&gt; s&amp;oacute; para assinantes)&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A legisla&amp;ccedil;&amp;atilde;o trabalhista, heran&amp;ccedil;a do paternalismo facista (CLT inspirada em mussolini), para proteger os direitos dos trabalhadores onera o empregador em quase 100% do sal&amp;aacute;rio declarado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Exagerando, a carga fiscal para os empreendimentos legalizados pode chegar a n&amp;iacute;veis escandinavos, com os benef&amp;iacute;cios sociais em n&amp;iacute;veis africanos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; No cotidiano de quase TODAS as corpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es convivem 2 balan&amp;ccedil;os cont&amp;aacute;beis, o legal e o informal (caixa 2).&lt;/p&gt; &lt;h2&gt;A corrup&amp;ccedil;&amp;atilde;o do aparelho do estado&lt;/h2&gt; &lt;p&gt;O Brasil foi o &amp;uacute;ltimo pa&amp;iacute;s civilizado a abolir a escravid&amp;atilde;o. Os registros da escravid&amp;atilde;o (importa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e transa&amp;ccedil;&amp;otilde;es internas) eram extremamente detalhados j&amp;aacute; q era base da economia, no entanto, assim q foi abolida a escravid&amp;atilde;o, foram totalmente destru&amp;iacute;dos pelo estado. At&amp;eacute; hoje o reflexo da falta de projeto para integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o econ&amp;ocirc;mica dos descendentes dos ex-escravos est&amp;aacute; presente na sociedade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Talvez, pela heran&amp;ccedil;a escravagista, o empreendedorismo e o trabalho &amp;eacute; visto como coisa das classes da base da pir&amp;acirc;mide social. Para nossa elite, pegar a m&amp;atilde;o na massa &amp;eacute; coisa de pobre.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Talvez, pela heran&amp;ccedil;a escravagista, riqueza a partir da corrup&amp;ccedil;&amp;atilde;o e apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de recursos do estado para interesse privados &amp;eacute; considerado leg&amp;iacute;timo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Talvez, pela heran&amp;ccedil;a cat&amp;oacute;lica ib&amp;eacute;rica, prosperar e lucrar seja considerado pecado. &amp;Eacute; mais f&amp;aacute;cil um camelo passar pelo buraco da agulha do q um rico entrar no reino dos c&amp;eacute;us.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; A aus&amp;ecirc;ncia do estado para os exclu&amp;iacute;dos for&amp;ccedil;ou a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um modo de vida e uma economia q n&amp;atilde;o depende do estado e das corpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es da economia legal. Criando c&amp;iacute;rculos econ&amp;ocirc;micos completos, da mat&amp;eacute;ria prima, manufatura e comercializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, totalmente aut&amp;ocirc;nomos e separados do estado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; O brasil &amp;eacute; campe&amp;atilde;o em reciclagem de res&amp;iacute;duos entre pa&amp;iacute;ses em desenvolvimento. Al&amp;uacute;minio, papel, pl&amp;aacute;stico. Menos por consci&amp;ecirc;ncia ecologica da minoria q tem acesso a educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o mas gra&amp;ccedil;as aos miser&amp;aacute;veis q tem na coleta do lixo uma forma de gerar renda.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Os antigos catadores de lixo hoje s&amp;atilde;o vistos com bons olhos pelos capitalistas que querem fazer da reciclagem um neg&amp;oacute;cio lucrativo. As prefeituras criam as chamadas cooperativas de catadores, enquanto que a iniciativa privada investe em industrias de beneficiamento e fica com a maior parcela. No final isso &amp;eacute; tudo &amp;eacute; chamado de inclus&amp;atilde;o social quando na verdade &amp;eacute; uma &amp;quot;nova forma de se fazer a mesma coisa&amp;quot;: escravizar pessoas &amp;agrave; um sub-emprego.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Mas a criatividade do brasileiro supera qualquer dificuldade e outras atividades informais ganham os mercados &amp;agrave; cada dia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Vamos citar algumas:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Camel&amp;ocirc;s&lt;/strong&gt; - comercializam produtos contrabandeados, quase sempre falsificados. Em muitas cidades a atividade de camel&amp;ocirc; &amp;eacute; regulamentada e eles chegam at&amp;eacute; mesmo a pagar impostos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Shoppings Centers de Contrabando&lt;/strong&gt; - s&amp;atilde;o lojas na maioria de propriedade de chineses e coreanos que migraram para o Brasil fugindo dos regimes socialistas do oriente. Vendem aparelhos contrabandeados originais e falsificados. N&amp;atilde;o pagam impostos, e muitos t&amp;atilde;o pouco possuem registro de suas lojas nas prefeitura e estado. N&amp;atilde;o empregam muitos brasileiros em seus neg&amp;oacute;cios e sabe-se que existe uma m&amp;aacute;fia que cobra mensalidades dos comerciantes para proteg&amp;ecirc;-los.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Com&amp;eacute;rcio de Passes para Transporte Coletivo&lt;/strong&gt; - nas &amp;aacute;reas centrais, pequenas bancas comercializam passes de metr&amp;ocirc;, trem e &amp;ocirc;nibus. Os camel&amp;ocirc;s vivem da compra de bilhetes excedentes, isto &amp;eacute;, de pessoas que ganham de seus empregadores mais bilhetes do que precisam bem como de estudantes que possuem subs&amp;iacute;dios na compra - e a posterior venda dos mesmos por um pre&amp;ccedil;o inferior ao que se pagaria nas bilheterias.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Com&amp;eacute;rcio de Tickets Refei&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/strong&gt; - devido as leis trabalhistas, os empregados possuem direito de receberem tickes alimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o e/ou cestas b&amp;aacute;sicas. Nas grandes metr&amp;oacute;poles se torna invi&amp;aacute;vel fazer a refei&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre o expediente de trabalho em casa. Sendo assim a grande maioria dos empregadadores distribui tickets que podem ser utilizados para alimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o. O ticket acaba virando moeda corrente pois nem s&amp;oacute; para comida eles s&amp;atilde;o usados. Os tickets s&amp;atilde;o transacionados em banquinhas e aceito em postos de gasolina, cabelereiros e nos mais diversos pontos comerciais como forma de pagamento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Com&amp;eacute;rcio de Cruzamento&lt;/strong&gt; - nos cruzamentos das principais capitais &amp;eacute; f&amp;aacute;cil se deparar com v&amp;aacute;rias ofertas durante o tempo em que se aguarda o sinal de tr&amp;acirc;nsito abrir. De mapas &amp;agrave; perucas, de lanches &amp;agrave; refrigerante, o com&amp;eacute;rcio se diversifica cada dia mais. Alguns penduram chicletes embalados juntamente com uma mensagem explicativa nos retrovisores dos carros e passam depois recolhendo e recebendo daqueles que resolveram comprar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Artistas de Ruas&lt;/strong&gt; - as ruas tamb&amp;eacute;m &amp;eacute; um grande palco para artistas. Cantores, malabares, poetas, atores e atrizes podem ser encontrados nos mais diversos lugares tentando ganhar seu sustento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Com&amp;eacute;rcio de CDs piratas&lt;/strong&gt; - a pirataria tanto de m&amp;uacute;sica, como de softwares e games tamb&amp;eacute;m est&amp;aacute; nas ruas. Banquinhas podem ser encontradas nas principais avenidas e pr&amp;oacute;ximas &amp;agrave; universidades e escolas, operando livremente.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Manufatura de CDs piratas&lt;/strong&gt; - &amp;eacute; comum o brasileiro acreditar no mito de q a grande qtde de CDs e outros produtos contra-copyright vem da China ou outros pa&amp;iacute;ses do sudeste asi&amp;aacute;tico. No entanto podemos supor q grande parte da infra estrutura da manufatura e replica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de cds &amp;eacute; feita aqui mesmo, pr&amp;oacute;ximo aos centros consumidores. Devido a poucos e recentes desmantelamentos dessas f&amp;aacute;bricas podemos suspeitar de um acordo entre as for&amp;ccedil;as de repress&amp;atilde;o oficiais e o poderio econ&amp;ocirc;mico dessas atividades paralelas. Vale a pena citar a sofistica&amp;ccedil;&amp;atilde;o na presta&amp;ccedil;&amp;atilde;o deste tipo de servi&amp;ccedil;os, CDs sob encomenda ou personalizados podem ser feito em qq ponto de venda e mesmo lan&amp;ccedil;amentos de vers&amp;otilde;es localizadas e traduzidas de softwares s&amp;atilde;o desenvolvidas exclusivamente para os consumidores informais (ex: Ronaldinho Futebol 98 para SNES e Winning Eleven Campeonato Brasileiro para PS2).&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Alimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o Ambulante&lt;/strong&gt; - yakisoba, pastel, cachorro quente, hamburgueres, acaraj&amp;eacute;, brigadeiros, chocolates entre outras comidas podem ser compradas nos carrinhos e banquinhas ambulantes pr&amp;oacute;ximas &amp;agrave; pontos de grande passagem de pessoas, universidades e escolas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Marmiteiras&lt;/strong&gt; - na periferia &amp;eacute; comum empreendedoras aut&amp;ocirc;nomas do setor de alimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o oferecer o servi&amp;ccedil;o delivery de marmitas para a vizinhan&amp;ccedil;a. Algumas se sofisticam e fornecem para m&amp;eacute;dias e pequenas empresas, diretamente aos funcion&amp;aacute;rios ou em acordo com os microempres&amp;aacute;rios, se tornando quase refeit&amp;oacute;rios corporativos terceirizados.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Chocolateiras&lt;/strong&gt; - apesar do intenso bombardeio midi&amp;aacute;tico das corpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es industriais, grande parte do mercado de chocolates no pa&amp;iacute;s &amp;eacute; suprido por agentes independentes q beneficiam o chocolate e manufaturam diversas distribui&amp;ccedil;&amp;otilde;es da guloseima. Trufas, bombons, barras, e um grande sucesso competitivo: os ovos de p&amp;aacute;scoa (onde a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o artesanal chega a cerca de 40% do mercado). A distribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o atinge desde vendas entre amigos e familiares at&amp;eacute; a pequeno com&amp;eacute;rcio e restaurantes.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Faxineiras Diaristas&lt;/strong&gt; - apesar do lento desenvolvimento da nossa economia, a antiga pr&amp;aacute;tica de toda fam&amp;iacute;lia com posses ter empregados dom&amp;eacute;sticos foi se tornando mais dispendioso, principalmente nos grandes centros urbanos. Hoje apenas as fam&amp;iacute;lias realmente ricas mant&amp;eacute;m esse h&amp;aacute;bito, q aqui chega a ao rid&amp;iacute;culo de incentivar aos trabalhadores dom&amp;eacute;sticos habitarem a mesma casa q os patr&amp;otilde;es. Mesmo assim, muitos empregados dom&amp;eacute;sticos trabalham de forma n&amp;atilde;o oficial, sem nenhuma esp&amp;eacute;cie de prote&amp;ccedil;&amp;atilde;o ou servi&amp;ccedil;o social agravado pela impunidade q tem os empregadores desonestos. O vergonhoso termo quarto de empregada, cativeiro heran&amp;ccedil;a dos tempos de casa grande e senzala, ainda &amp;eacute; comum nas plantas de apartamentos novos para a classe m&amp;eacute;dia, mas seu uso real hoje &amp;eacute; mais para dep&amp;oacute;sito ou dispensa.&lt;br /&gt; No entanto, a pr&amp;aacute;tica de terceirizar os servi&amp;ccedil;os de limpeza e manuten&amp;ccedil;&amp;atilde;o dom&amp;eacute;stica continua, agora com a nova figura das faxineiras diaristas, agentes independentes q de forma aut&amp;ocirc;noma e informal atendem aos clientes sob remunera&amp;ccedil;&amp;atilde;o por di&amp;aacute;rias ou &amp;quot;jobs&amp;quot; determinados. Sob um clima de crescente onda de viol&amp;ecirc;ncia social, fruto da concentra&amp;ccedil;&amp;atilde;o de renda, o sistema encontra na indica&amp;ccedil;&amp;atilde;o boca-a-boca ou redes de prestadoras de servi&amp;ccedil;o-clientes auto referenciadas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Cozinheiras em domicilio&lt;/strong&gt; - semelhante a faxineiras diaristas, algumas fam&amp;iacute;lias de classe m&amp;eacute;dia utilizam os servi&amp;ccedil;os de agentes independentes autonomos para cozinha, geralmente em periodos fixos semanais. Quase sempre a presta&amp;ccedil;&amp;atilde;o de servi&amp;ccedil;o consiste em deixar preparadas in&amp;uacute;meras refei&amp;ccedil;&amp;otilde;es q abastecem o freezer da fam&amp;iacute;lia, cujos pratos s&amp;atilde;o consumidos de forma rotineira at&amp;eacute; a pr&amp;oacute;xima visita.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Moda e vestu&amp;aacute;rio, Costureiras e oficinas de costura&lt;/strong&gt; - um aparente setor din&amp;acirc;mico da economia &amp;eacute; dominado por micro e pequenos empreendedores, q mant&amp;eacute;m redes de pequenas oficinas de costura ou costureiras aut&amp;ocirc;nomas dispersas geograficamente. Esse sistema complexo de redes e organiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es consegue absorver e atrair at&amp;eacute; mesmo imigrantes n&amp;atilde;o oficializados de pa&amp;iacute;ses latino americanos vizinhos como peruanos e bolivianos. Em S&amp;atilde;o Paulo algumas dessas redes s&amp;atilde;o controladas por imigrantes coreanos e descendentes, q mant&amp;eacute;m a fachada &amp;quot;legal e corporativa&amp;quot; das redes, q respondem bem a volatilidade e imediatismo q este mercado da moda exige mas por outro lado esse mesmo sistema n&amp;atilde;o consegue produzir grandes volumes padronizados (exig&amp;ecirc;ncia de contratos para exporta&amp;ccedil;ao ou mercados desenvolvidos).&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Cosm&amp;eacute;tica e Beleza&lt;/strong&gt; - muitas mulheres viram empreendedoras complementando a renda da fam&amp;iacute;lia representando distribuidoras de cosm&amp;eacute;ticos e produtos de beleza no modelo porta-a-porta. O maior ex&amp;eacute;rcito de vendas da Avon por exemplo &amp;eacute; no Brasil. Esse grande contingente de brokers independentes n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o inseridos no modelo oficial de trabalho nem da prote&amp;ccedil;&amp;atilde;o social. Aliado a essa grande dispers&amp;atilde;o num setor competitivo e em crescimento, algumas empreendedoras bem sucedidas mant&amp;eacute;m um circulo completo de servi&amp;ccedil;os relacionados, com cabelereiros, manicure, vestu&amp;aacute;rio tudo a domic&amp;iacute;lio ou home-based.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Transporte, Perueiros&lt;/strong&gt; - Transporte de passageiros n&amp;atilde;o oficial inclusive entre diferentes munic&amp;iacute;pios. Acontece tb entre diferentes estados (principalmente nas principais rotas de migra&amp;ccedil;&amp;atilde;o), neste caso a prolifera&amp;ccedil;&amp;atilde;o de prestadores de servi&amp;ccedil;os aut&amp;ocirc;nomos e independente &amp;eacute; reflexo do sistema monopolista do tranporte interestadual de passageiros.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Transporte, Mototaxis&lt;/strong&gt; - Transporte de passageiros n&amp;atilde;o oficial em motocicletas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Transporte, Motoboy&lt;/strong&gt; - Transporte de documentos e alimentos delivery por motociclistas. Setor pr&amp;oacute;spero nas grandes cidades, cuja infra estrutura de transportes e vi&amp;aacute;ria ca&amp;oacute;tica beneficia o tranporte por motocicletas, &amp;eacute; composto majoritariamente por profissionais aut&amp;ocirc;nomos e microempreendimentos n&amp;atilde;o oficializados. Nestas cidades, pela onipresen&amp;ccedil;a, aparentemente parecem pertencer ao mercado legal, no entanto a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre os interm&amp;eacute;diarios e empresas de fachada, restaurantes delivery e os motociclistas s&amp;atilde;o fora da CLT, na base da conversa e de contratos tempor&amp;aacute;rios ou remunerados por resultado. No setor de documentos, o caso se agrava pela legisla&amp;ccedil;&amp;atilde;o monopolistica q os Correios exerce em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o a presta&amp;ccedil;&amp;atilde;o deste tipo de servi&amp;ccedil;o (o q justifica a presen&amp;ccedil;a t&amp;iacute;mida das multi DHL e Fedex).&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Transporte, Carretos&lt;/strong&gt; - Transporte de carga n&amp;atilde;o oficial.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Transporte, Flanelinhas e manobristas&lt;/strong&gt; - Guardador de vagas de estacionamento, parqu&amp;iacute;metros humanos, n&amp;atilde;o oficial. Ocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o privada do espa&amp;ccedil;o p&amp;uacute;blico, imitada at&amp;eacute; por restaurantes chiques e empresas de manobristas e eventos. Alguns prestadores servi&amp;ccedil;os oferecem vagas mensais, lavagem e manuten&amp;ccedil;&amp;atilde;o do ve&amp;iacute;culo. Em &amp;aacute;reas chamadas zonas azuis, oficializados por limite de tempo controlado por cart&amp;otilde;es preench&amp;iacute;veis, alguns flanelinhas incorporaram essa restri&amp;ccedil;&amp;atilde;o oficial, tornando-se vendedores de cart&amp;otilde;es avulsos alguns preenchidos com canetas de tinta apag&amp;aacute;vel, permitindo o reuso do cart&amp;atilde;o e multiplica&amp;ccedil;&amp;atilde;o da renda.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;strong&gt;Transporte, Guias de trajeto&lt;/strong&gt; - Orienta&amp;ccedil;&amp;atilde;o de rotas feito de maneira personalizada, principalmente em S&amp;atilde;o Paulo, prestando servi&amp;ccedil;os para caminhoneiros de outras cidades. Alguns guias embarcam ao lado do motorista contratante, outros dirigem motos seguindo a frente do ve&amp;iacute;culo. A rentabilidade do frete exige rotas otimizadas q s&amp;oacute; quem conhece a metr&amp;oacute;pole pode orientar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Essas e outras formas &amp;quot;marginais&amp;quot; de atividade econ&amp;ocirc;mica - o que o estado classifica como informal - est&amp;atilde;o longe dos &amp;iacute;ndices de produtividade interna, nas estat&amp;iacute;sticas de desemprego, nos indicadores econ&amp;ocirc;micos. &amp;Eacute; a economia que os economistas e pol&amp;iacute;ticos n&amp;atilde;o enxergam ou n&amp;atilde;o fazem quest&amp;atilde;o de enxergar, mas que existe e garante o sustento de boa parcela da sociedade.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; -----&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt; &#039;&#039;Pg editada por: TupiNamba, [Paulo Ricardo Colacino], &#039;&#039;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; criado 09/09/2003 7:07pm GMT.&lt;br /&gt; modified 10/19/2004 5:28am GMT.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=&quot;display: none;&quot; id=&quot;1212253149572E&quot;&gt;&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Tue, 19 Oct 2004 17:05:04 +0000</pubDate>
 <dc:creator>felipefonseca</dc:creator>
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 <title>Anotações no coletivo</title>
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 <description>&lt;p&gt;&lt;em&gt;Artigo escrito em novembro de 2003, na seq&amp;uuml;&amp;ecirc;ncia de uma palestra que dei junto com Hernani Dimantas no Cybercultura 2.0, no Senac, a convite de Lucia Le&amp;atilde;o.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A&amp;iacute; uma costura das anota&amp;ccedil;&amp;otilde;es tomadas na linha Lapa - Santo Amaro, quinta-feira passada, a caminho do Cybercultura 2.0, com algumas coisas que realmente cheguei a comentar na mesa redonda com o Hernani, e mais algumas elucubra&amp;ccedil;&amp;otilde;es posteriores. Meu nome &amp;eacute; Felipe Fonseca. Dizem que fui co-fundador do Projeto MetaFora junto com o Hernani. Mas outros dizem que o Projeto MetaFora nunca existiu, foi uma esp&amp;eacute;cie de alucina&amp;ccedil;&amp;atilde;o coletiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cultura brasileira como uma cultura hacker (ou poder&amp;iacute;amos definir: a &amp;eacute;tica hacker nas culturas populares brasileiras*).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, quero me desculpar porque vou avan&amp;ccedil;ar em alguns assuntos sobre os quais n&amp;atilde;o sou especialista. N&amp;atilde;o me preocupar muito com isso &amp;eacute; uma das coisas que aprendi com os hackers com quem trabalho. Bom, vamos adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A era das grandes verdades&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;At&amp;eacute; h&amp;aacute; pouco tempo, a comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o concentrava-se em torno das fontes &amp;quot;oficiais&amp;quot; de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e conhecimento: a igreja, o estado, a escola e a academia, e no &amp;uacute;ltimo s&amp;eacute;culo a m&amp;iacute;dia de massa. As estruturas de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o eram facilmente identificadas. Um mapeamento dos fluxos de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o revelariam tr&amp;ecirc;s grandes vertentes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* as &amp;quot;fontes oficiais&amp;quot; propriamente ditas;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* as deriva&amp;ccedil;&amp;otilde;es das fontes (aquele tiozinho que repete no boteco o argumento do padre ou do &amp;acirc;ncora do telejornal), par&amp;aacute;frases das grandes verdades;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* as vozes contr&amp;aacute;rias, ant&amp;iacute;teses das grandes verdades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas &amp;uacute;ltimas eram respons&amp;aacute;veis por uma esp&amp;eacute;cie de equil&amp;iacute;brio e um movimento de renova&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Podem ser identificadas aqui as vanguardas do s&amp;eacute;culo XX e a contracultura do p&amp;oacute;s-guerra, que, de alguma forma, acabavam impedindo uma total tirania na comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A era das m&amp;uacute;ltiplas verdades&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas &amp;uacute;ltimas d&amp;eacute;cadas, entretanto, as fontes &amp;quot;oficiais&amp;quot; come&amp;ccedil;aram a se multiplicar e pulverizar. Acredito que alguns fatores influenciaram bastante nesse movimento:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* os questionamentos sobre a ci&amp;ecirc;ncia no s&amp;eacute;culo XX;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* os questionamentos sobre a arte e seu papel;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* o intenso desenvolvimento e a facilita&amp;ccedil;&amp;atilde;o do acesso &amp;agrave;s Tecnologias de Informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e Comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* o acirramento da competitividade nos mundos corporativo e acad&amp;ecirc;mico, e entre as empresas de m&amp;iacute;dia de massa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um hipot&amp;eacute;tico mapa da comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o nos dias de hoje revelaria um cen&amp;aacute;rio complexo, tendendo ao caos. Apesar de o ambiente da comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o continuar dominado pelas mesmas estruturas (hoje, sobremaneira, as megacorpora&amp;ccedil;&amp;otilde;es), n&amp;atilde;o &amp;eacute; tarefa simples identificar onde se encerra esse poder. Em tal cen&amp;aacute;rio, o papel de uma suposta contracultura precisa necessariamente se reinventar. H&amp;aacute; 30 anos, era f&amp;aacute;cil identificar &amp;quot;o inimigo&amp;quot;: a ditadura no Brasil, a guerra do Vietn&amp;atilde; e as estruturas militares nos EEUU, etc. Hoje, para onde devem apontar as armas da contracultura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali&amp;aacute;s, ainda existe uma contracultura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acredito que n&amp;atilde;o haja uma resposta objetiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o tem papel fundamental na aceita&amp;ccedil;&amp;atilde;o e manuten&amp;ccedil;&amp;atilde;o dessa realidade. Em O Sistema dos Objetos, Jean Baudrillard identifica que a domina&amp;ccedil;&amp;atilde;o atrav&amp;eacute;s da manipula&amp;ccedil;&amp;atilde;o publicit&amp;aacute;ria n&amp;atilde;o se d&amp;aacute; no &amp;acirc;mbito de cada pe&amp;ccedil;a de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o influenciando uma decis&amp;atilde;o do &amp;quot;consumidor&amp;quot;, mas no contexto do conjunto das pe&amp;ccedil;as publicit&amp;aacute;rias seguindo f&amp;oacute;rmulas assemelhadas e ratificando um modo de vida ocidental, branco e consumista. Uma situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o claramente emergente, em que a a&amp;ccedil;&amp;atilde;o de cada parte &amp;eacute; menos importante do que a a&amp;ccedil;&amp;atilde;o do conjunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A m&amp;iacute;dia t&amp;aacute;tica surge nesse cen&amp;aacute;rio, tamb&amp;eacute;m como uma for&amp;ccedil;a emergente, potencializada com o novo ativismo que surge ao fim da d&amp;eacute;cada passada, nos protestos em Seattle, G&amp;ecirc;nova, Davos, Washington e tantos outros. Grupos de ativistas midi&amp;aacute;ticos e artistas de todo o mundo passam a utilizar ferramentas &amp;agrave;s quais anteriormente s&amp;oacute; as elites tinham acesso para questionar a credibilidade da comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Usam, camuflados ou n&amp;atilde;o, as pr&amp;oacute;prias armas do inimigo para conscientizar as pessoas sobre o que se passa no mundo. A m&amp;iacute;dia t&amp;aacute;tica pode ser vista como a retomada do &amp;quot;social&amp;quot; na comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Sua estrutura como sistema descentralizado e emergente encontra justificativa em Steven Johnson, no Emerg&amp;ecirc;ncia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...) se voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; tentando lutar contra uma rede distribu&amp;iacute;da como o capitalismo global, &amp;eacute; melhor mesmo se tornar uma rede distribu&amp;iacute;da.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A &amp;eacute;tica hacker&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mundo do desenvolvimento tecnol&amp;oacute;gico, uma contracultura atuante desde os anos 70 construiu colaborativamente a &amp;Eacute;tica Hacker. N&amp;atilde;o vou entrar em detalhes, mas alguns dos princ&amp;iacute;pios postulados pelos hackers encontram eco e respaldo na m&amp;iacute;dia t&amp;aacute;tica:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* a descentraliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o coordenada;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* &amp;ecirc;nfase na reputa&amp;ccedil;&amp;atilde;o pessoal, baseada no hist&amp;oacute;rico de a&amp;ccedil;&amp;otilde;es, ao inv&amp;eacute;s de hierarquia baseada em t&amp;iacute;tulos ou honras;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o e conhecimento livre e aberto;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* questionamento profundo sobre a validade da propriedade intelectual;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Release Early, Release Often - &amp;eacute; mais importante realizar do que ter um plano perfeito;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* informalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hackerismo brazuca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estive em setembro no Next5Minutes, festival internacional de m&amp;iacute;dia t&amp;aacute;tica realizado em Amsterdam. Alguns dias antes de embarcar, comecei a debater com o pessoal no MetaFora sobre o que falar por l&amp;aacute;. As primeiras id&amp;eacute;ias circularam em torno da &amp;eacute;tica hacker e uma apresenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o do grupo MetaFora. Na manh&amp;atilde; da partida (ou a manh&amp;atilde; anterior, n&amp;atilde;o estou certo), acordei com a opini&amp;atilde;o de que tal linha de argumenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o tinha duas falhas. Em primeiro lugar, eu n&amp;atilde;o havia sido chamado para representar o MetaFora, e sim o M&amp;iacute;dia T&amp;aacute;tica Brasil, festival realizado em mar&amp;ccedil;o de 2003 do qual participamos. Al&amp;eacute;m disso, n&amp;atilde;o faria sentido simplesmente fazer c&amp;ocirc;ro a diversas outras vozes que j&amp;aacute; apregoam os princ&amp;iacute;pios da descentraliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e da colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o. J&amp;aacute; h&amp;aacute; algum tempo, t&amp;iacute;nhamos percebido que, em termos de colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o, n&amp;oacute;s, elite cultural revoltadinha brasileira, temos mais a aprender do que a ensinar com as culturas populares* no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O hackerismo tecnol&amp;oacute;gico tem grande aceita&amp;ccedil;&amp;atilde;o no Brasil, como pode detalhar o Hernani. O governo est&amp;aacute; adotando Software Livre, o pa&amp;iacute;s &amp;eacute; um dos maiores em volume de ataques de crackers. Sexta-feira, Maratimba comentou comigo que ouviu da boca de Miguel de Icaza que o Brasil tem o maior parque instalado do ambiente gr&amp;aacute;fico Gnome. No N5M, alguns programadores de Taiwan que estavam na mesa redonda New Landscapes for Tactical Media, da qual eu e Ricardo Rosas tamb&amp;eacute;m participamos, vieram a mim perguntar, maravilhados, se tudo o que se falava sobre Software Livre no Brasil era verdade. Assenti, orgulhoso. Eu vejo algumas ra&amp;iacute;zes culturais hackers no Brasil desde muito antes da cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o do primeiro computador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mitos afro-brasileiros**&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante alguns s&amp;eacute;culos, pessoas de v&amp;aacute;rias regi&amp;otilde;es da &amp;Aacute;frica foram violentamente seq&amp;uuml;estradas e trazidas ao Brasil, comerciados como escravos e encarcerados a uma vida de trabalho duro, restos de comida e praticamente nenhum direito. N&amp;atilde;o bastassem as agress&amp;otilde;es f&amp;iacute;sicas e a humilha&amp;ccedil;&amp;atilde;o cont&amp;iacute;nua, eles eram proibidos de exercer suas cren&amp;ccedil;as, originalmente an&amp;iacute;micas. Alguns convertiam-se &amp;agrave; &amp;quot;verdadeira f&amp;eacute;&amp;quot; cat&amp;oacute;lica, mas muitos desenvolveram uma alternativa, an&amp;aacute;loga &amp;agrave; engenharia social hacker: o tal sincretismo religioso. Camuflando seus orix&amp;aacute;s com vestes cat&amp;oacute;licas, puderam continuar praticando seus rituais e venerando seus deuses da guerra, do trov&amp;atilde;o e do vento. Embora tenham aparecido diversas lideran&amp;ccedil;as na Umbanda, n&amp;atilde;o havia uma centraliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de poder ou dogma. Assim, as linguagens espirituais afrobrasileiras foram se desenvolvendo de maneira colaborativa. T&amp;ecirc;m uma base comum (o kernel hacker) e diversas adapta&amp;ccedil;&amp;otilde;es locais (a customiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o descentralizada hacker), chegando a abarcar elementos do kardecismo, de culturas ind&amp;iacute;genas, de tradi&amp;ccedil;&amp;otilde;es ciganas, do budismo e outras cren&amp;ccedil;as orientais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cultura burguesa brasileira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o &amp;eacute; novidade que, no in&amp;iacute;cio do s&amp;eacute;culo XX, a incipiente intelectualidade brasileira, composta em sua maioria pelos jovens filhos das elites que estudavam na Europa e voltavam ao pa&amp;iacute;s, passava por uma crise de identidade, como ocorreu com todas as ex-col&amp;ocirc;nias europ&amp;eacute;ias emancipadas entre os s&amp;eacute;culos XVII e XX ao redor do mundo. Duas perspectivas levavam a um impasse: de um lado, a cultura europ&amp;eacute;ia, moderna, vibrante, mas associada &amp;agrave; ex-metr&amp;oacute;pole colonial. De outro, uma cultura bruta, neonaturalista e sertaneja, quase crua. Os modernistas resolveram o paradoxo com a antropofagia, basicamente hacker: n&amp;atilde;o renegaram nenhum dos dois mundos para criar novas formas de express&amp;atilde;o. Pelo contr&amp;aacute;rio, ao inv&amp;eacute;s de tentar come&amp;ccedil;ar uma nova cultura do zero, misturaram elementos da cultura europ&amp;eacute;ia com a cultura brasileira. Vestiram a cultura popular de raiz com a experimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o formal do primeiro mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fen&amp;ocirc;meno semelhante ocorreu no final dos anos 70 com a Tropic&amp;aacute;lia. Uniram o samba ao roquenrou, adaptando a linguagem comum da contracultura mundial com o sotaque local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A economia pirata&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Premida por uma situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o econ&amp;ocirc;mica em condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es cada vez piores, pressionada pela dificuldade de encontrar coloca&amp;ccedil;&amp;atilde;o e subsist&amp;ecirc;ncia na economia formal, grande parte da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o no Brasil migrou nas &amp;uacute;ltimas duas d&amp;eacute;cadas para a economia informal. Caracterizada por um dinamismo e por uma esp&amp;eacute;cie de empreendedorismo na gambiarra, esse mundo alternativo de trabalho, que possui seu pr&amp;oacute;prio c&amp;iacute;rculo de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o e distribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o, envolve hoje praticamente metade da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o considerada &amp;quot;economicamente ativa&amp;quot; no Brasil, e mais uma grande quantidade de jovens e idosos. Possui suas formas de uma m&amp;iacute;dia mambembe que, se n&amp;atilde;o se assemelha &amp;agrave; m&amp;iacute;dia t&amp;aacute;tica do primeiro mundo, tamb&amp;eacute;m chega, de maneira emergente, a questionar os dom&amp;iacute;nios da propriedade intelectual e do poder da m&amp;iacute;dia de massa, em especial o branding corporativo. Outros elementos da &amp;eacute;tica hacker presentes na economia pirata:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* colabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* descentraliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* &amp;ecirc;nfase na reputa&amp;ccedil;&amp;atilde;o;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* informalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mutir&amp;atilde;o&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maratimba descreveu uma analogia do puxadinho feito em mutir&amp;atilde;o com o princ&amp;iacute;pio do Release Early, Release Often, que corre um certo risco de ser uma vis&amp;atilde;o estereotipada, mas que funciona como s&amp;iacute;mbolo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Come&amp;ccedil;o | Barraco - &amp;quot;Vamo botar essa porra em p&amp;eacute;!&amp;quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe como &amp;eacute;? Menos &amp;eacute; mais. Minimalismo funcionalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Expans&amp;atilde;o | Puxadinho - &amp;quot;Chame os amigos e ponha &amp;aacute;gua no feij&amp;atilde;o&amp;quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contemplar o m&amp;aacute;ximo de necessidades. Refinamento e oferta de adicionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Refunda&amp;ccedil;&amp;atilde;o | Alvenaria - &amp;quot;T&amp;aacute; na hora de botar ordem na casa&amp;quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revis&amp;atilde;o de erros e melhoria da qualidade geral. Consist&amp;ecirc;ncia de dados e de interface E agora? Subi um barraco? Puxei um quarto pras crian&amp;ccedil;as e um banheiro do lado de fora? Troquei os aglomerados e madeirites por tijolo e telha? Basta seguir a vida e esperar. Se precisar de mais teto, voc&amp;ecirc; pode construir a famosa casa nos fundos ou o mais popular segundo andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comunidades perif&amp;eacute;ricas interconectadas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As autoridades, a academia e a sociedade civil j&amp;aacute; acordaram para as possibilidades de transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o que as tecnologias de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o trazem para a melhoria de vida das popula&amp;ccedil;&amp;otilde;es perif&amp;eacute;ricas. As duas primeiras fases da &amp;quot;inclus&amp;atilde;o digital&amp;quot; tinham l&amp;aacute; suas falhas, mas podem ser encaradas como um bom come&amp;ccedil;o. H&amp;aacute; um paralelo com um movimento que Mario de Andrade fez no s&amp;eacute;culo passado, de planejar expedi&amp;ccedil;&amp;otilde;es ao Brasil rural em busca de uma suposta cultura brasileira. Hoje, sabendo que cerca de 70% da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o brasileira vive na periferia das grandes cidades, esses projetos t&amp;ecirc;m o potencial de mapear e consolidar as caracter&amp;iacute;sticas de cada comunidade e integr&amp;aacute;-las &amp;agrave;s conversa&amp;ccedil;&amp;otilde;es mundializadas. &amp;Eacute; quest&amp;atilde;o de adaptar as tecnologias &amp;agrave;s necessidades das pessoas, e n&amp;atilde;o o contr&amp;aacute;rio. Vamos nos esfor&amp;ccedil;ando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Observa&amp;ccedil;&amp;otilde;es da moderadora Rita de Oliveira. Obrigado, Rita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;** Lucia Le&amp;atilde;o comentou que o site preferido de Roy Ascott &amp;eacute; um site sobre Umbanda. N&amp;atilde;o tenho o link aqui, vou pedir &amp;agrave; Lucia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Coment&amp;aacute;rios&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lucia Le&amp;atilde;o&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O site indicado pelo Roy &amp;eacute;: &lt;a href=&quot;http://www.umbandaracional.com.br/&quot; title=&quot;http://www.umbandaracional.com.br/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://www.umbandaracional.com.br/&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Sun, 16 Nov 2003 14:09:22 +0000</pubDate>
 <dc:creator>felipefonseca</dc:creator>
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