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 <title>Mutirão da Gambiarra - hackeando o catatau</title>
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 <title>Jardim de Volts encontra Jardinagem Libertária</title>
 <link>http://mutgamb.org/fonte/Jardim-de-Volts-encontra-Jardinagem-Libert%C3%A1ria</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;img src=&quot;http://organismo.art.br/blog/wp-content/uploads/2008/04/tensao.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Desenrolando algumas tentativas de sugerir rituais, carnavais ou
qualquer tipo de liturgia-comunhão que pudessem dar conta de simbolizar
e sensibilizar para questões sobre relações entre tecnologia, sociedade
e corpo que há alguns anos temos discutido em nossas redes,&lt;br /&gt;
tentei conceituar já há quase dois anos uma brincadeira-manifesto que foi batizada de Jardim de Volts.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Jardim de Volts busca encontrar uma forma de entendermos a
tecnologia (e a “ciência” que a tornou possível) como algo que não é
uma magia da indústria e sim fruto da inteligência humana em observar a
natureza. Então porque tudo se descontrolou tanto? Aquilo que poderia
ajudar a humanidade a construir um mundo melhor ainda serve quase
exclusivamente para gerar um consumo sem sentido, sem a menor
responsabilidade social e sem medida da destruição do nosso instinto de
integração com todo ecossistema.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Escrevi um rascunho de idéia que ao meu ver ainda continua muito crua:&lt;br /&gt;
( &lt;a href=&quot;http://estudiolivre.org/tiki-index.php?page=JardinDeLosVolts&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://estudiolivre.org/tiki-index.php?page=JardinDeLosVolts&lt;/a&gt; )&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Durante o encontro Submidiologia 2 a bricadeira foi tomando mais forma:&lt;br /&gt;
(&lt;a href=&quot;http://pub.descentro.org/submidialogia_o_estudo_da_subversao_dos_meios&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt; http://pub.descentro.org/submidialogia_o_estudo_da_subversao_dos_meios&lt;/a&gt; )&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Apesar de até hoje não ter elaborado melhor uma reflexão sobre a
proposta tenho comentado aqui e ali e isso acabou rendendo alguns
encontros.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Recentemente recebi um convite do pessoal que em Curitiba tem
organizado uma ação direta muito esperta e divertida, que foi batizada
de “Jardinagem Libertária”. Nesta o grupo celebra a busca por
consciência ecológica promovendo encontros, bicicletadas, caminhadas e
outras buscas onde revitalizam o espaço urbano plantando árvores pela
cidade. O grupo chegou a criar uma praça num abandonado terreno baldio,
que foi batizada de “Praça PIrata”…&lt;br /&gt;
( &lt;a href=&quot;http://jardinagemlibertaria.wordpress.com/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://jardinagemlibertaria.wordpress.com/&lt;/a&gt; )&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por duas vezes seguidas este ano, em Fevereiro e Março de 2008,
tentei de alguma maneira conectar a proposta com a idéia do Jardim de
Volts, e curiosamente fui surpreendido por contratempos que me fizeram
refletir sobre o próprio processo que eu estava querendo trazer como
discussão.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Da primeira vez uma chuva impedia que minha proposta de tirar
energia de limões, usando computador pra transformar poéticas sonoras
recombinadas de arquivos mandados para mim se realizasse. Da segunda,
um HD com problemas atrasava toda a preparação do sistema para o tal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Enquanto preparava o HD pra tentar realizar aquilo que eu imaginava
como uma colaboração, eu fui aos poucos refletindo sobre o ritmo que eu
mesmo me encontro agora, depois de tantos anos vivendo em função da
internet e sua promessa de informação e comunicação total.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pensei também na minha paranóia de “eficiência”, também parte de um
sintoma de todo esse prometido “progresso”, que eu queria criticar com
uma retórica tão metida a eloqüente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Curiosamente no sábado de manhã eu fui aos poucos conseguindo deixar
o sistema pronto, mesmo tendo freado um pouco meu ritmo, influenciado
pela reflexão.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Chegando no lugar, me deparei com dezenas de pessoas, fazendo
intervenções num muro de tapume de um outro terreno baldio (uma nova
Praça Pirata?), e fui visitar a já citada e arborizada primeira Praça
Pirata.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O fato é vendo a naturalidade com que a piazada tava lidando com
aquilo, me caiu a ficha que toda aquele meu processo metódico de
determinismo pra fazer um tipo de “demonstração” de expressões da
eletrônica fora do processo industrial ainda estavam muito viciados na
ilusão de “ter tudo sob controle” como prega nosso cego processo
civilizatório.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao invés de imediatamente influenciar todo aquele esforço manual que
estava acontecendo ali pra prestar atenção em algo completamente
desviante que eu estava preparado pra fazer, eu decidi tentar ajudar
nas intervenções, entender, compartilhar os processos e tentar pensar
um pouco daquilo que o Jardim de Volts estava propondo a partir daquela
experiência.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Naquele exato momento percebi o quanto as pessoas estavam
aparelhadas com suas tintas, pás, estiletes, canetas, máquinas
fotográficas, instrumentos musicais, impressos e outros utensílios que
além de ferramentas super úteis para a ocasião, também contribuiram
para o giro de toda uma economia industrial.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Todo aquele belo romantismo de desenhos nos tapumes do terreno
baldio e plantar árvores no quarteirão em volta estava ali
inevitavelmente sujeito a um processo industrializado que vai culminar
num eminente uso do terreno pelo seu proprietário. Talvez toda a
revitalização do quarteirão até ajude na especulação imobiliária do
terreno.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Obviamente que toda essa reflexão pelo viés pessimista cai numa
perspectiva totalmente radical de encarar o processo civilizatório do
qual somos indissociáveis avatares, como em teorias do
Anarco-Primitivismo ( &lt;a href=&quot;http://pt.wikipedia.org/wiki/Anarco-primitivismo&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Anarco-primitivismo &lt;/a&gt;) .&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não é díficil presumir porque reflexões tão profundamente realistas
sobre a incapacidade do homem usar sua incrível inteligência para uma
comunhão mais saúdavel com o planeta podem cair em surtos de violência
irracional como a desesperada ação do Unabomber ( &lt;a href=&quot;http://pt.wikipedia.org/wiki/Theodore_Kaczynski&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Theodore_Kaczynski&lt;/a&gt; )…&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No entanto, como pensar uma maneira não-violenta em que de dentro
pra fora possamos redesenhar nossa função em construir uma “ciência”
mais alinhada com as necessidades do mundo, e não apenas com o egoísmo
consumista e imediatista que nos surge pelos tradicionais simulacros
com a idéia de progresso e prosperidade?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Obviamente a resposta não é nada simples, mas acredito que ali na
Jardinagem Libertária, entre algo de uma energia bastante pueril e
ingênua de jovens querendo afirmar seus traços, haviam também esforços
extremamente responsáveis, bravos e inteligentes de fazer sua parte
para criar um mundo melhor e menos alienado do que está a sua volta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quanto aos Volts, aos poucos eles vão encontrando maneira de entoar
mantras nos Jardins, buscando entender como esse conhecimento sobre a
energia pura e canalizada pode ser menos destrutiva e mais esperta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por enquanto, fico bastante feliz em poder ver crescer o pé de
limoeiro que plantamos ali ao lado da calçada naquele dia. Espero que
ele possa um dia dar frutos. Que estes possam ajudar para que por trás
dos tapumes ao invés de ignorantes templos de consumo apareçam mais
Jardins Libertários.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src=&quot;http://organismo.art.br/blog/wp-content/uploads/2008/04/limoeiro.jpg&quot; /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Tue, 01 Apr 2008 18:36:24 +0000</pubDate>
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